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terça-feira, outubro 22, 2013

Onde estás?

Por Reinaldo Bui


Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se, de fato, o Espírito de Deus habita em vós. E, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele. Se, porém, Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito é vida, por causa da justiça. Se habita em vós o Espírito daquele que ressuscitou a Jesus dentre os mortos, esse mesmo que ressuscitou a Cristo Jesus dentre os mortos vivificará também o vosso corpo mortal, por meio do seu Espírito, que em vós habita. (Leia Romanos 8.9-11)

Quando, em nossa caminhada, nos inclinamos para um lado ou outro, em algum lugar seguramente chegaremos: é lá que no final estaremos. Paulo, como escrevia para cristãos genuínos, salvos pela graça de Deus, única e exclusivamente pela fé, afirmava: “Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito...”, ou seja, penso que vocês se inclinaram para o Espírito, portanto é nEle que vocês se encontram. Mas imediatamente faz uma ressalva: “Se é que, de fato, o Espírito de Deus habita em vocês”.

Não são poucas as denominações que pregam o batismo do Espírito Santo como uma “segunda bênção” na vida do cristão. Então, inevitavelmente surge aquela pergunta: é possível a pessoa ser cristã (digo, salva em Cristo Jesus) sem ter o Espírito Santo? Paulo diz que não: “Se alguém não tem o Espírito de Cristo, este tal não é dele”.

Analisando melhor o que Paulo diz aqui: quem é de Cristo tem o Espírito. Se tem o Espírito é porque o Espírito habita nele. E se o Espírito habita nele, ele está no Espirito e (naturalmente) cogita das coisas do Espirito. Do contrário, se não é de Cristo não tem o Espírito, e se não tem o Espírito não é de Cristo! Simples, lógico e fácil de entender.

Mas a turma da segunda bênção vai buscar nas narrativas de Lucas em Atos dos Apóstolos o respaldo para sua doutrina. Atos 19.1-6 é a passagem preferida destes irmãos.

Antes de qualquer coisa, precisamos entender que o livro de Atos dos Apóstolos trata de um período de transição do Antigo para o Novo Testamento. O derramamento do Espírito Santo no dia de Pentecostes marca o início da Igreja, validando o pacto que Jesus fez na cruz: a Nova Aliança do Seu sangue. Tudo o que antecede aquela Páscoa e Pentecostes aconteceu debaixo da Antiga Aliança, inclusive a mensagem e batismo de João Batista e o ministério público de Jesus (ambos vieram anunciar a Nova Aliança). A partir da Cruz e do derramamento do Espírito sela-se a Nova Aliança. Todos os que creem em Cristo a partir destes acontecimentos recebem o Espírito Santo como selo desta Nova Aliança (aliança esta, não mais condicionada ao cumprimento da Lei, mas plenamente pela graça). Este foi o motivo daqueles discípulos terem recebido o Espírito após a mensagem de Paulo, esclarecendo que Jesus é o messias pregado por João Batista (até então a única mensagem que haviam ouvido).

Portanto, nenhum cristão deve se sentir duvidoso ou inferiorizado quando confrontado com a doutrina da experiência da segunda bênção, pois conhecemos a Cristo e (se de fato cremos nEle), podemos seguramente ter a certeza que o Espírito Santo habita em nós, não necessitando de uma experiência mística ou emocional que a evidencie: “Ah, agora sim...”

Alguns podem basear sua fé em uma experiência subjetiva e creio que ninguém jamais poderá julgar se esta é válida ou não. Porém, experiências pessoais são experiências pessoais e não devem ser normativas. Eu, particularmente, baseio minha fé na Palavra, independente de qualquer experiência que possa ter vivido.
Em Atos, alguns sinais evidenciavam que a pessoa havia recebido o Espírito, mas não é o caso aqui em Romanos. Aqui Paulo diz que a evidência do Espirito em nós, é que “Deus vivificará nosso corpo mortal através do Seu Espírito”.

Este é o cumprimento da promessa do Nosso Senhor e Salvador quando disse: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (João 10.10). Se cremos, temos o Espírito e é Ele quem nos proporciona esta vida em abundância. Por fim, esta afirmativa de Paulo está de pleno acordo com outra Palavra do Mestre: “O espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida” (João 6.63).

Assim como aconteceu com aqueles discípulos de Éfeso, a fé veio pelo ouvir, e ouvir da Palavra de Cristo (Rm 10.17). É a Palavra que nos leva exatamente onde Deus quer nos levar, e é Ela quem nos dá vida plena. Apenas creia na Palavra... E creia na Palavra apenas!

segunda-feira, outubro 21, 2013

Inclinação e consciência

Por Reinaldo Bui


Porque os que se inclinam para a carne cogitam das coisas da carne; mas os que se inclinam para o Espírito, das coisas do Espírito. Porque o pendor da carne dá para a morte, mas o do Espírito, para a vida e paz. Por isso, o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus. (Leia Romanos 8.5-8; 1 Timóteo 1.5)

Para fazer uma curva de bicicleta, basta apenas inclinarmos nosso corpo para mudarmos de rumo. Embora não houvesse bicicletas no tempo de Paulo, penso que esta figura ilustra bem o que ele queria transmitir: seremos levados para um ou para outro lado, conforme nossa inclinação.

Inclinar para a carne significa seguir uma tendência, uma disposição mental, simpatizar mais com determinada ideia, conceito, doutrina ou filosofia do que para Deus. Ao ouvirmos falar sobre uma “pessoa carnal” normalmente pensamos num devasso. Porém, as coisas da carne não estão relacionadas apenas à depravação moral. Temos no outro extremo o religioso e o moralista; lembre-se dos capítulos 1 a 3 desta carta.

Podemos encontrar mesmo dentro da igreja muitos que se inclinam para a carne. Há uma relutância natural por parte de muitos, em concordar com a Palavra da verdade (Cl 1.3-5). Esta oposição invariavelmente leva à rebeldia e não são poucos os questionamentos: “Por que devo obedecer a Deus?” “Por que a vontade dEle é que deve prevalecer?” “Por que só Ele deve ser adorado?” “Por que Ele me priva de viver como bem entendo?” “Por que tudo o que é gostoso e divertido é pecado?” “Por que a Bíblia tem que ser a única verdade?” E por aí vai.

Não são poucos os que trilham por este caminho “...se amotinam, conspiram contra o SENHOR – e contra o seu Ungido, rompem os seus laços, sacodem suas algemas...” (Salmos 2), ou seja, afastam-se deliberadamente de Deus, e quando isso acontece assumem uma destas posições: ou repudiam totalmente qualquer coisa que tenha aparência de religiosidade ou criam sua própria religião, de acordo com as suas vontades. Tanto um quanto outro é inclinação da carne.

Carne é uma metáfora bem interessante e Paulo utiliza outras metáforas correlacionadas a esta. Por exemplo: como inclinação da carne é uma questão mental, automaticamente (e necessariamente) mexe com a consciência do indivíduo. A princípio é preciso apenas uma maquiagem leve para que esta nova conduta carnal seja menos conflitante com sua consciência. Porém, com o tempo, esta maquiagem não será mais capaz de esconder as feridas que se formarão por andar fora da trilha indicada por Deus.

Ao tratar de consciência, creio que o apóstolo Paulo tivesse em mente a figura de uma ferida, pois quando se refere à consciência do descrente ele utiliza a palavra corrompida (Tt 1.15), como se a ferida já estivesse contaminada. Uma ferida contaminada, quando não tratada, necrosa. Neste caso, o sujeito não mais terá problemas com sua consciência porque a necrose torna a região insensível. Cheira mal, mas não dói.

Já para o religioso, Paulo utiliza a palavra cauterizada (1Tm 4.2,3) ao descrever sua consciência. O cautério destrói o tecido orgânico criando uma casca sobre a ferida. Assim é o moralista: casca grossa, insensível porque julga que suas práticas o fazem mais espiritual que os outros.

Tanto a necrose quanto o cautério da consciência são mecanismos que procuram anular o conflito causado pela “norma da lei gravada no coração humano” (Rm 2.15): o sujeito sabe que está andando pelo caminho errado, mas se recusa a aceitar ou admitir. Eles questionam: “Afinal, quem disse que é errado?”

Como tratar estas feridas? Paulo sabia que a inclinação da carne fatalmente leva a um naufrágio espiritual (1Tm 1.19), por isso várias vezes admoestara seu amado discípulo: procure cultivar uma consciência boa, mantendo-a sempre pura e limpa!

O próprio apóstolo lutava e se esforçava por “...manter uma consciência pura diante de Deus e dos homens” (At 24.16). Principalmente diante de Deus porque mesmo que diante dos olhos humanos estivesse aparentemente tudo bem, ele sabia que é Deus quem nos julga (1Co 4.4). Havia uma preocupação bastante sadia de sua parte, e também deve ser a nossa: a de agradar a Deus mais do que a nós mesmos. Por isso ele escreve aqui: “...os que estão na carne não podem agradar a Deus”.

E então, para onde você se inclina: para a carne ou para o Espírito? Não consigo entender por que algumas pessoas ainda titubeiam entre estas duas opções, pois “...o pendor da carne dá para a morte, mas o do Espírito, para a vida e paz”.

Bem, talvez seja simplesmente uma questão de orgulho e fé...

quarta-feira, outubro 16, 2013

A lei do Espírito de vida

Por Reinaldo Bui

Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte. Porquanto o que fora impossível à lei, no que estava enferma pela carne, isso fez Deus enviando o seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa e no tocante ao pecado; e, com efeito, condenou Deus, na carne, o pecado, a fim de que o preceito da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito. (Romanos 8.1-4)

A quantas “leis” o apóstolo Paulo está se referindo neste texto? Alguns contam duas, outros três ou até quatro (considerando o preceito da lei). Particularmente, creio que ele se referia a apenas duas leis: a lei do Espírito (que gera vida) e a lei (mosaica) que nos leva à morte. Sei que posso ser taxado de herege por algumas denominações por defender esta interpretação, pois não crêem que a lei do pecado e da morte que Paulo se refere seja a lei mosaica. Aqueles que são fissionados pelo Antigo Testamento e enxergam o cumprimento da lei mosaica como o supra sumo da vontade de Deus para o homem, jamais poderiam aceitar tal interpretação. Mas não podemos esquecer de todo desenvolvimento da argumentação de Paulo até chegar neste ponto. Vimos até agora que a lei mosaica (a lei do Antigo Testamento) não tem poder para salvar ninguém, nem para desenvolver santidade e espiritualidade e nem tampouco podemos agradar a Deus ao “tentar” cumpri-la. Muito pelo contrário: a lei nos condena, ela avulta nossa natureza pecaminosa e nos constrange a reconhecermos a necessidade de um salvador. 

Somente ao tomar conhecimento da Nova Aliança inaugurada por Cristo, não baseada na caducidade da letra (lei), mas na “novidade” do Espírito (Romanos 7.6) é que o homem pode compreender que o supra sumo da vontade de Deus para o nós é que andemos no Seu Espírito: a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte. Esta lei do Espírito é a “lei do amor” de Cristo a qual nos referimos. 

Mas, por que a lei mosaica não foi eficiente se ela é tão boa, afinal ela é a “Lei de Deus”? Paulo responde: “o que fora impossível à lei, no que estava enferma pela carne”, ou seja, para a lei mosaica tivesse efeito, ela dependia da nossa carne... que é corrompida. Vemos que já no AT Deus sinalizava que não dava para confiar no homem: 

“Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá? Eu, o SENHOR, esquadrinho o coração, eu provo os pensamentos” (Jeremias 17.10)

Deus esclarece por que pecamos: é um assunto do coração. Usando uma linguagem bíblica, é ele quem dirige nossa carne. Nosso coração é enfermo e por isso todos os nossos desejos, ações e intenções são contaminadas. Por isso “Deus [enviou] o seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa e no tocante ao pecado; e, com efeito, condenou Deus, na carne, o pecado”. 

Jesus foi o único que cumpriu cabalmente a lei veterotestamentária, porque, em semelhança de Adão, veio ao mundo sem pecado, mas, diferente de Adão, não pecou. Graças a obra de Cristo na cruz temos o Espírito Santo a nosso favor, e se “não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito, o preceito da lei se [cumpre] em nós”. 

Note, que não é a lei, mas o preceito da lei se cumpre em nós: a justiça, a misericórdia e a fé (Mateus 23.23).

terça-feira, outubro 15, 2013

Conflito entre as duas leis

Por Reinaldo Bui


Porque bem sabemos que a lei é espiritual; eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado. Então, ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o mal reside em mim. Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros. (Leia Romanos 7:14-23)

Quando o pecado entrou no mundo o homem literalmente passou a conhecer o bem e o mal. Isto significa que o pecado transforma as coisas boas que Deus fez em coisas mortais. Você pode pensar em qualquer área da nossa existência: descanso, dinheiro, sexo, autoridade, ira, comida, língua, olhos, caridade, criatividade, ciência, etc. Todos nós, sem exceção, temos este potencial para arruinar o que Deus criou com tanto amor. Potencial para arruinar a natureza (nosso consumismo está deteriorando o planeta), potencial para arruinar a vida do próximo (quando nos recusamos a acolher, compartilhar e amar como Cristo fez), potencial para arruinar relacionamentos (quando amar a si mesmo cada vez mais), potencial para arruinar nossa própria vida (seguindo os impulsos do seu coração), e por aí vamos...

Paulo era igualzinho a nós, só que ele reconhecia sua natureza carnal (Romanos 7.18-21): 

Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim. Ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o mal reside em mim.

Este trecho não é uma permissão ou uma desculpa para pecar, como quem diz: “Não fui eu... foi o pecado!” Aqui Paulo mostra que esta é a experiência de quem tenta levar a vida pelo esforço próprio: só derrotas! Pior ainda é ver o que acontece (agora dentro da igreja) quando se tenta levar uma vida assim: máscaras e hipocrisia!

Muitas vezes queremos vender a imagem de que somos espirituais, que estamos vivendo bem com Deus, mas sabemos muito bem dos nossos pecados escondidos! Pode ser na intenção daquilo que falamos, olhamos, ou o que maquinamos na mente. Não se iluda: Deus conhece cada recôndito do nosso ser, sem exceção! Temos muitas máscaras na igreja, porque há muitos crentes vivendo apenas de aparências, tentando demonstrar espiritualidade através do cumprimento da lei. Jamais conseguirão, e mesmo assim insistem impor suas regrinhas àqueles a quem estão discipulando. Com isto, conseguirão apenas duas coisas: maldição e fracasso! Então Paulo registra o grito de derrota do legalista: 

Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte? (v. 24)

Havia na Roma antiga uma punição bastante cruel para alguns assassinatos. O culpado deveria permanecer com o cadáver amarrado nas suas costas. Talvez o apóstolo Paulo esteja usando desta metáfora para se referir à nossa natureza morta, que precisamos carregar ainda nesta vida. Mas logo em seguida, ele brada o grito de vitória: 

Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. De maneira que eu, de mim mesmo, com a mente, sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne, da lei do pecado.

segunda-feira, outubro 14, 2013

A lei e a prática do pecado

Por Reinaldo Bui


Mas o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, despertou em mim toda sorte de concupiscência; porque, sem lei, está morto o pecado. (Romanos 7.8)

Imagine que eu enchesse a cozinha de casa com todos os tipos de doces, bolos, biscoitos, sorvetes e te desse a liberdade para comer o que quisesse e à vontade (sem medo de engordar, isso é só um exercício de imaginação). Você poderia comer de tudo... menos aquela trufa que está em cima do armário. Adivinha em qual doce você não pararia de pensar, e mais desejaria querer comer? Ou imagine que eu te levasse à minha biblioteca particular e dissesse: pode ler qualquer livro ou revista... menos aquele livrinho azul sobre a minha mesa. Ativaria sua curiosidade ou não?

Foi assim com o primeiro casal no Éden, e é assim com a gente hoje. Esta é a natureza humana e este é o efeito da lei no homem: A lei não nos ajuda e nem tem poder para nos controlar. Pelo contrário, ela desperta o pecado, inflama nossos desejos e acaba levando para a morte. Isto pode levar alguns a questionar se o problema, então, não está na lei. Note que em Romanos 7.7, Paulo se antecipa nesta dúvida:
Que diremos, pois? É a lei pecado? De modo nenhum! Mas eu não teria conhecido o pecado, senão por intermédio da lei; pois não teria eu conhecido a cobiça, se a lei não dissera: Não cobiçarás. 

De modo nenhum, ele responde. A lei é santa, perfeita, boa, pura (Salmos 19.7), é extremamente valiosa, nos mostra o caráter de Deus, ...mas mostra também a nossa natureza. 

Alguns de nós lembramos o que acontecia quando um exame de DNA (para comprovar paternidade) era aberto no programa do Ratinho. A pancadaria comia solta. Mas por quê? Será que o problema está no exame? Não, pois ele é 99,99% confiável. O problema está na natureza humana. A lei é como aquele exame: apenas mostra o nosso pecado. A cura nós encontramos em Jesus, apenas pela fé: seja para salvação, seja para santificação. 

A lei também deve funcionar como um espelho para nós, onde nos enxergamos. Um espelho para nossa alma, que diz exatamente quem nós somos. Algumas pessoas se olham no espelho e realmente pensam que são bonitas. Algumas de fato são (segundo um padrão de estética humano e tirano). Mas a verdade é que somos hoje não mais a imagem e semelhança de Deus, mas sim a imagem e semelhança do homem caído. A verdade é que estamos todos num processo de envelhecimento irreversível e irremediável, caminhando para a morte. Ao olhar para a lei, deveríamos não nos enxergar puros, lindos e perfeitos; mas corrompidos e condenados, a caminho da morte. A lei não salva, nos condena. Mas... 

... o que fora impossível à lei, no que estava enferma pela carne, isso fez Deus enviando o seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa e no tocante ao pecado; e, com efeito, condenou Deus, na carne, o pecado (Romanos 8.3) 

Portanto, ao invés de impor a lei, devemos ajudar com amor. Esta é a contraproposta de Jesus: o amor. Quando se impõe a lei, ativa-se a tentação. A propósito, qual seria a solução para todos aqueles conflitos que exames de DNA disparavam no programa do Ratinho? Resposta: o Amor – que cobre multidão de pecados (1Pe 4.8).

domingo, outubro 13, 2013

A prática da lei do amor

Por Reinaldo Bui


Que diremos, pois? É a lei pecado? De modo nenhum! Mas eu não teria conhecido o pecado, senão por intermédio da lei; ...Porque bem sabemos que a lei é espiritual; eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado. (Leia Romanos 7:7 a 14)

Em Mateus 5, 6, 7, no sermão do monte, Jesus estava colocando em contraste a Lei do AT com sua “Lei do Amor”. Se lêssemos seus ensinamentos com os óculos culturais do judeu do século primeiro, perceberíamos que Jesus choca ao quebrar vários paradigmas da antiga religião. Um fato marcante deste sermão foi ouvir Jesus se colocar em igual autoridade com a Torah: 

Ouvistes o que foi dito... eu porém vos digo... (Mt 5.21-44)

Outro foi ter ouvido do próprio Jesus o ensino de que pecado não é só a ação isolada. É mais do que isto: pecado começa com a intenção oculta no coração. A lei estabelecia limites ao homem: não adulterarás! Jesus, porém, nos diz que só de alimentar um pensamento, já pulou a cerca! Por outro lado, Sua Lei do amor nos ensina a amar a outra pessoa a ponto de nem pensar nisto! Se amarmos o próximo (neste caso alguém do sexo oposto) como um irmão/irmã em Cristo, não alimentaremos uma fantasia adúltera somente para satisfazer a carne. Sequer suportaremos tal ideia. 

Mais um exemplo prático: havia no AT a lei do dízimo para o povo judeu (muito mal interpretada hoje em dia, por sinal). De modo geral, o judeu oferecia a décima parte da sua produção como oferta dedicada a Deus (na verdade, se considerarmos todas as ofertas exigidas pela lei ao povo judeu, somava cerca de 23%). Já a lei do amor nos leva a repartir de bom grado o que temos com quem tem necessidade. Isto é muito mais que 10%. Amor não tem porcentagem. Imagine que um irmão esteja desempregado e sua família passando muita necessidade. O que você diz? 

– Já cumpri minha obrigação com o dízimo... Vamos orar pelo irmão. 

Isto é amor? Será que é isto que Deus espera de nós? 10%? Veja o que Tiago adverte em sua epístola:

Se um irmão ou irmã estiver necessitando de roupas e do alimento de cada dia e um de vocês lhe disser: "Vá em paz, aqueça-se e alimente-se até satisfazer-se", sem porém lhe dar nada, de que adianta isso? (Tg 2.15,16)

A Lei de Cristo não é porcentagem, é amor. O princípio que deve reger nossas ofertas é a liberdade de dar com alegria, com amor. A “lei” de Cristo vai muito além da lei de Moisés, porque não é LEI, no sentido estrito da palavra, mas é o fruto do Espírito crescendo dentro de nós, agindo através de nós.

A lei de Moisés nunca funcionou para consertar o homem e nem serve para a nos aperfeiçoar porque a lei não santifica ninguém, ela evidencia o pecado! (Como vemos em Romanos 7.7-14.)

Além do mais, temos que entender que esta lei foi dada para o judeu (o povo debaixo da Antiga Aliança), e não para o gentio. Nós, crentes da Nova Aliança, estamos completamente livres desta lei, pois (repito) Deus não a deu para o cristão, mas sim para o judeu. Há ainda aqueles que dividem a lei em cerimonial, dietética, moral, civil, e escolhem: isto nós temos que cumprir, aquilo não! Isto também é um absurdo, pois a lei é singular. Não existe nem no AT, e nem no NT qualquer evidência que Deus tenha ordenado à Igreja: cumpra só esta parte ou só aquela. 

Não se preocupe com a lei de Moisés. Apenas creia em Jesus e ame o próximo como Cristo te amou!

quinta-feira, outubro 10, 2013

A lei do amor

Por Reinaldo Bui



Agora, porém, libertados da lei, estamos mortos para aquilo a que estávamos sujeitos, de modo que servimos em novidade de espírito e não na caducidade da letra. (Leia Romanos 7.6; João 13.34)

Existe alguma lei na vida do crente? Sim! Quando perguntamos quais são os dois mandamentos de Cristo a resposta sempre é: Amar a Deus sobre todas as coisas e amar ao próximo como a si mesmo! Mas preste atenção: estes não são de Cristo, são da Lei (Mt 22:36-40). Jesus nos deu seus dois mandamentos na última ceia com seus discípulos, quando foi instituída a Nova Aliança. Naquela ceia, Jesus anuncia o fim da Antiga Aliança, baseada na Lei, e o início duma Nova aliança, totalmente baseada na graça.

Os dois mandamentos de Cristo são: (1) Creia em mim. Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. (João 14.1). (2) Ame o próximo como eu vos amei: Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. (João 13.34). Estes mandamentos devem balizar toda nossa vida Cristã.

Percebe a diferença? Não mais amar o próximo como a si mesmo, pois amar o próximo baseado no quanto nos amamos é um problema sério. Por um lado, se eu não me amo, não amarei o próximo também! Por outro lado, há uma forte corrente que prega que devemos aprender a nos amar mais para poder amar o próximo! 

Será que aumentar nossa auto estima refletirá num aumento substancial de preocupação ao bem estar alheio? Quanto mais eu me amar mais amarei o próximo? Amor próprio é um mandamento? Assim Deus não estaria nos incentivando a intensificar atenção e gastos com nossa própria pessoa antes de pensar no próximo? Será que naturalmente já não fazemos isto?

Deus não estava sugerindo, em hipótese alguma, que seu povo desenvolvesse um mecanismo de “auto-amabilidade” para poder amar o próximo de um modo mais sublime. Não! Deus sabe que somos egoístas por natureza. A ideia expressa aqui pelo Senhor é melhor compreendida se lermos: “Ame o próximo como você se ama”. Você consegue?
Note o que lemos em 1João 3.21-23:

Ora, o seu mandamento é este: que creiamos em o nome de seu Filho, Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o mandamento que nos ordenou.

O grande lance é que os dois mandamentos de Cristo não são para serem “simplesmente obedecidos”, são para serem vividos todos os dias. Confie em Jesus, e receba dele a força para amar como Ele amou, de acordo com a vontade de Deus; não baseado no nosso sentimento, mas no Espírito Santo. Quando nós cumprimos este mandamento, não precisamos nos preocupar em cumprir leis e nem regras, pois se amarmos incondicionalmente (como Cristo nos amou) satisfaremos plenamente todos os mandamentos da lei. Se eu amar o próximo como Cristo me amou, eu não vou roubar os seus bens, cobiçar, seduzir, maldizer, mentir, mas estarei preocupado com seu bem estar, sua felicidade, seu crescimento espiritual, etc.

quarta-feira, outubro 09, 2013

Aonde nos leva o outro evangelho

Por Reinaldo Bui



Porque, quando vivíamos segundo a carne, as paixões pecaminosas postas em realce pela lei operavam em nossos membros, a fim de frutificarem para a morte. (Leia Romanos 7.5; 1 Timóteo 4.1-3)

Mais de uma vez Jesus advertiu seus discípulos a tomarem cuidado com o fermento dos fariseus e dos saduceus (Mt 16.11-12). Ele sabia o quão perigoso e maléfico seria para a sua Igreja as doutrinas disseminadas por estes grupos. E aconteceu! No capítulo 2 de Gálatas, Paulo conta sobre a bronca dele com Pedro, que se deixara influenciar pela presença dos judaizantes (Gl 2.11-14). Pedro estava agindo com hipocrisia, deixando-se intimidar pela presença destes homens. Infelizmente isto é muito comum, pois sempre há o medo de ser julgado pelos grupos mais legalistas. Tomemos cuidado com este fermento!

Devemos compreender que tanto os fariseus quanto os saduceus eram estudiosos aplicados e exímios cumpridores da Torah, ou seja, “A Lei do Antigo Testamento” que fora revelada por Deus através de Moisés, confirmada pelos profetas e por anjos, citada e reconhecida pelo Senhor Jesus. Agora, o agravante de toda esta situação é que se o legalismo condenado por Jesus era aquele atrelado a esta Lei, quão pior é aquele legalismo que diz respeito a regrinhas inventadas por homens? 

Ao escrever sua carta aos Colossenses, o apóstolo Paulo preocupou-se em passar-lhes algumas instruções a este respeito: 

"Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados... Se morrestes com Cristo para os rudimentos do mundo, por que, como se vivêsseis no mundo, vos sujeitais a ordenanças: não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquiloutro, segundo os preceitos e doutrinas dos homens?" (Cl 2.16-23)

Quando mais uma vez os legalistas chegaram e tentaram impor suas leis (regrinhas) Paulo instrui os crentes de Colossos: Não permitam que vos julguem... não se submetam a isto! Acho difícil acreditar que muitas denominações nunca tenham atentado para qualquer uma destas epístolas. Mas ao menos podemos tirar uma lição daqui: não permita que ninguém julgue sua vida cristã baseando-se numa lista de regrinhas. 

Aqui, o apóstolo chama estas regrinhas de “ensinos humanos”. Até que ele estava sendo razoável, pois em 1Timóteo 4 ele as descreve como sendo ensinamentos de demônios. Sabe por quê? É porque estas regrinhas não vêm de Deus. São tentativas do demônio de roubar-nos a alegria da salvação, a herança da graça.

Legalismo não vem de Deus, é do maligno. E pior ainda: Não ajuda em nada o nosso desenvolvimento espiritual e nem presta para refrear os impulsos da carne. Então, aquele que tem a lei como uma cerca para lhe proteger e limitar sua natureza carnal pode concluir: se é assim, não há nada mais que refreie meus impulsos e me impeça de pecar! 

Mas graças a Deus, agora, com a mente de Cristo, podemos pensar de maneira diferente. Pense, que embora a sua natureza humana deseje pecar, a graça de Deus te dá outra opção: a liberdade de escolher NÃO PECAR. Quando éramos escravos do pecado, não tínhamos escolha, mas agora temos: a graça de Deus nos dá a liberdade para não pecar!

segunda-feira, outubro 07, 2013

Exemplo de apostasia: o outro evangelho dos gálatas

Por Reinaldo Bu


Assim, meus irmãos, também vós morrestes relativamente à lei, por meio do corpo de Cristo, para pertencerdes a outro, a saber, aquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que frutifiquemos para Deus. (Leia Romanos 7.4; Gálatas 3.1-3)

As epístolas paulinas constituem praticamente metade do Novo Testamento. Elas foram escritas para várias igrejas, por motivos variados. Algumas são para ensinar, outras para corrigir erros doutrinários, outras ainda para exortação daqueles que se deixavam levar por estas falsas doutrinas. Por exemplo, as duas cartas que Paulo escrevera aos Coríntios foram para exortar uma igreja libertina. Apesar de terem sido salvos por Jesus, estes abusavam da graça de Deus, pois ainda não tinham se desvencilhado de certas práticas oriundas daquela cidade. 

Outra epístola exortativa foi a dirigida aos gálatas. Ela foi escrita porque as igrejas da Galácia estavam se deixando influenciar pela doutrina dos judaizantes, um grupo de judeu-cristão que ensinava que para alguém ser salvo era necessário também guardar a lei, a começar pela circuncisão. Apesar do termo judaizante não aparecer no NT, a atividade deste grupo é mencionada em vários lugares, como, por exemplo, em Atos 15.

Portanto, a preocupação de Paulo se deu porque as igrejas da Galácia estava se tornando legalistas. Agindo desta forma, eles anulavam a graça de Deus. Paulo falou duro aos Coríntios, mas não falou tão duro como aos Gálatas: “Ó gálatas insensatos! Quem vos fascinou a vós outros, ante cujos olhos foi Jesus Cristo exposto como crucificado?” Anoetos é uma palavra bastante dura no grego e significa insensato, tolo, não entendido, não inteligente; Paulo está dizendo: seus burros! Vocês não pensam? E continua:

“Quero apenas saber isto de vós: recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé? Sois assim insensatos que, tendo começado no Espírito, estejais, agora, vos aperfeiçoando na carne?” (Gl 3:1-3).

Paulo ainda diz que eles agindo assim estavam pervertendo o Evangelho, obedecendo outra doutrina: "Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo". (Gl 1.6, 7)

Nesta passagem há duas palavras diferentes no grego para descrever outro: heteros (outro da mesma espécie) e allos (outra coisa de espécie diferente). Quando Paulo diz que os gálatas estavam abandonando o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, foi por outro (allos) completamente diferente. 

O erro dos gálatas foi apostasia. Normalmente relacionamos apostasia com liberalismo. Mas no caso deles foi legalismo: estavam abandonando a graça e voltando-se para a lei. 

Fomos salvos pela fé e não pelas obras da lei. Se a lei não é suficiente para salvar, também não é suficiente para guardar!

segunda-feira, setembro 30, 2013

Casados com quem? Com a Lei?!?

Por Reinaldo Bui


Ora, a mulher casada está ligada pela lei ao marido enquanto ele vive, mas se o mesmo morrer desobrigada ficará da lei conjugal... Assim, meus irmãos, também vós morrestes relativamente à lei, por meio do corpo de Cristo, para pertencerdes a outro, a saber, aquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que frutifiquemos para Deus. (Leia Romanos 7.1-6)

Paulo inicia Romanos 7 fazendo uma analogia entre o relacionamento conjugal e a relação do judeu com a lei: “pois falo aos que conhecem a lei”. Se em Gálatas a lei é comparada a um aio, aqui ela é comparada a um marido. Uma vez morto o cônjuge, o judeu estaria livre para contrair novas núpcias. Para que o judeu pudesse entregar sua vida a Cristo, ele precisaria “sepultar” sua aliança com a lei e confiar plenamente em Jesus como salvador. Assim, ele estaria livre para servir a Deus, não pela força da lei, mas pelo poder do Espírito que passou a habitá-lo quando ele creu.

A lei pode ser comparada a um fio de prumo, um instrumento que é um padrão de retidão e que serve para evidenciar o defeito, mas não conserta absolutamente nada. Reflita um pouco sobre o que o apóstolo Paulo escreveu aos Colossenses sobre o legalismo: 

“Estes preceitos podem parecer bons, pois prescrições deste tipo exigem uma devoção séria e são humilhantes e duros para o corpo, porém não têm efeito algum quando se trata de subjugar os maus pensamentos e desejos duma pessoa. Ela só se torna orgulhosa com tais prescrições.” (Cl 2.23 B.Viva)

Definitivamente, a lei não pode controlar os desejos pecaminosos da nossa carne. Ao contrário, ela apenas os evidencia. Em Cristo, o judeu morreu para a lei, e está livre para servir ao Senhor pelo poder do Espírito Santo. 

Agora, se este é o ensino para o judeu, o “povo da (antiga) aliança”, quanto mais para nós, gentios – que não nascemos debaixo da lei? Por que, então, algumas denominações insistem que o crente deve cumprir a lei? Uma vez salvos por Jesus, temos que voltar para a lei para fazer tudo o que ela manda?
Em Atos 15 vemos que esta questão estava gerando confusão na Igreja primitiva. Havia um conflito entre os judeus que questionavam: os gentios devem cumprir a lei de Moisés? Por conta desta questão, houve um concílio entre os apóstolos (lembre-se que estes eram judeus). O primeiro a falar foi Pedro (vv.7-11). Veja as afirmações que ele faz: Deus concedeu o Espírito Santo tanto aos judeus quanto aos gentios sem distinção; purificou nossos corações pela fé e nos salvou pela graça; que a lei era um jugo e que eles não poderiam impor aos gentios o que nem eles suportaram. Por fim, Tiago, o líder da igreja em Jerusalém, dá o veredicto final (v.19). Seu ministério era entre os judeus (detentores da Lei), e mesmo assim, o máximo que ele orienta é que os gentios se guardassem da idolatria, da imoralidade, e da insalubridade. 

Com base nestas passagens, podemos entender que, embora desejosos de agradar a Deus, alguns crentes persistem num erro. Estes têm zelo, mas com entendimento equivocado da Sua Palavra. Em alguns casos (a princípio) a mensagem é sempre a mesma: “a salvação é somente pela fé”. Mas a partir daí a coisa muda de figura: “Agora você tem que cumprir a lei para ser batizado e continuar cumprindo a lei para se manter salvo!” Será que é assim mesmo que deve ser? Leia novamente Tiago 1.10 e Gálatas 3.10,13.

domingo, setembro 29, 2013

A Lei e seu propósito

Por Reinaldo Bui


 Ora, sabemos que tudo o que a lei diz, aos que vivem na lei o diz para que se cale toda boca, e todo o mundo seja culpável perante Deus, visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado. (Leia Romanos 3.19-20)

Imagine se houvesse uma lista de regrinhas para maridos relacionarem-se com suas esposas:
0001. Diga bom dia / 0002. Beije sua esposa / 0003. Diga que a ama / 0004. Ajude-a com o café / 0005. Converse com ela 15 minutos todos os dias / 0006. ... / 3764. Elogie a comida que ela faz / 3765. Leve uma lembrancinha no aniversário de casamento (de preferência no dia exato) / 3766. Repare no cabelo dela (corte, pintura, escova, chapinha, etc.) / 3767. ...

Será que alguma esposa gostaria de ter um tipo de relacionamento assim? Ou algum marido? Nem Deus deseja isto de nós! Alguns ensinam que nosso relacionamento com Deus deve ser mantido através do cumprimento da lei. Porém, a base do nosso relacionamento com Deus deve ser a base que deve permear todo relacionamento saudável: o amor. Simplesmente ame. O amor é diferente, não se baseia na observação cega da lei, mas se utiliza do caráter de Deus, de Seu padrão de amor, para agir conforme Ele agiria. Inclusive o resumo da lei é ame a Deus e ame ao próximo

Podemos dividir o capítulo 7 de Romanos em 3 porções principais: O princípio do legalismo (vv.1 a 6), a prática do legalismo (vv.7 a 13) e o perigo do legalismo (..14 a 25). Porém, antes de analisarmos mais de perto estes textos, precisamos considerar que a lei nunca foi dada para os gentios. Paulo estava escrevendo para uma igreja formada tanto por gentios quanto por judeus que se converteram. Para estes, o apóstolo explica como é que eles foram libertos da lei. 

Além disto, precisamos também compreender o porquê de Deus dar a lei. Entre vários motivos, quero destacar pelo menos cinco mais importantes: (1) para reger uma nação (Dt 4.7-8); (2) para demonstrar o Seu caráter santo (Lv 19.2; 20.7,26); (3) para mostrar o Seu “padrão de exigência” (Dt 6); (4) a lei foi dada para nos condenar (Dt 27.26; Tg 1.10). Preciso parar aqui para enfatizar isto: a lei nunca foi dada para salvar alguém (Rm 3.19-20). E antes de apresentar o último motivo, precisamos lembrar também que não estamos mais debaixo da Antiga Aliança da Lei. Esta é passada e foi substituída por uma Nova e superior Aliança, a aliança da Graça (Hb 8.6-13).

Então, por fim, a nós, povo da Nova Aliança, foi revelado o principal papel da lei. Uma vez que ela aponta nossa pecaminosidade e incapacidade, tem o papel fundamental de levar-nos a Cristo, conforme descrito com clareza em Gálatas 3.24: De maneira que a lei nos serviu de aio para nos conduzir a Cristo, a fim de que fôssemos justificados por fé. 

Este é (ou foi) o papel da lei: servir de aio para nos levar a Cristo. Aio era uma espécie de tutor, encarregado da educação doméstica das crianças. Ao atingir a maturidade, ela estava livre do seu tutor. Assim deve acontecer com cada crente em Cristo Jesus:

Mas, tendo vindo a fé, já não permanecemos subordinados ao aio." (Gl 3.25)

sábado, setembro 28, 2013

Legalismo e legal?

Por Reinaldo Bui



Por isso nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado. (Leia Romanos 3.20)

Como podemos fazer diferença no mundo em que vivemos? Como podemos fazer diferença não somente fora da igreja, mas dentro dela também? Digo isto porque se por um lado “o mundo jaz no maligno” por estar separado de Deus, por outro lado estamos assistindo uma igreja que cada vez mais se deixa influenciar pelo mundo. Assim como Romanos 6.23, há outro versículo na Bíblia muito utilizado na evangelização, mas que também foi escrito para crentes, para a Igreja:

Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo. (Ap 3.20)

São muitas as promessas de Deus para nós, e esta é mais uma. Precisamos entendê-la e acreditar (confiar em Deus) para desfrutar desta comunhão. Aliás, esta é a dinâmica para desfrutarmos de qualquer promessa, a começar pela nossa salvação: entendemos o que Jesus fez por nós e quando cremos (confiamos) somos salvos, somente pela fé. Da mesma forma, se você precisar de Deus hoje, é só se achegar pela fé, pois Ele nos supre de tudo o que precisamos para crescer – de graça! É só confiar.

Porém, estamos considerando que há algumas doutrinas erradas, inimigas da graça, como por exemplo, a ideia de que se o crente pecar pode perder a sua salvação. Esta doutrina é inconsistente porque cremos que somos salvos única e exclusivamente pela graça de Deus, mesmo não sendo merecedores, e não há nada que possamos fazer (por nós mesmos) que “nos mantenha salvos” (Rm 5.8-10). Obviamente que isto pode levar à ideia da licenciosidade: “se é assim, vamos pecar!!!”

Isto é uma grande incoerência, pois somos filhos da luz, não das trevas; gerados para a vida, não para a morte. É como querer dormir com o cadáver do antigo marido (a menos que ele não esteja morto para você...). A Escritura é bem clara ao afirmar: O salário do pecado é a morte!

Deus é luz (1João 1.5), e se você quer andar em trevas, vai andar sozinho. O crente não pode viver escravizado pelo pecado!

Há uma corrente muito forte dentro da igreja que ensina que o crente deve cumprir a Lei de Moisés, não considerando o erro que isto representa. A partir do capítulo 7 de Romanos, Paulo passa a tratar do tipo mais comum entre os crentes dedicados: o legalista. Este quer agradar a Deus, mas não compreende e exclui a graça de Deus.

Normalmente podemos observar duas categorias de legalistas: (1) há aqueles que ensinam que devemos guardar a lei de Moisés; e (2) há aqueles que estabelecem a sua própria lista de regrinhas. Sem dúvida, este segundo tipo representa um caso muito mais grave!

Se por um lado Cristo está sendo deixado de lado por parte da igreja que está se secularizando, por outro lado, já foi deixado há muito tempo pela ala legalista, pois legalismo é isto: a substituição de nosso relacionamento com Deus por uma lista de regras.

quinta-feira, setembro 26, 2013

Entre a vida e a morte

Por Reinaldo Bui


Falo como homem, por causa da fraqueza da vossa carne. Assim como oferecestes os vossos membros para a escravidão da impureza e da maldade para a maldade, assim oferecei, agora, os vossos membros para servirem à justiça para a santificação... porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor. (Leia Romanos 6:19-23)

Sensualidade, injustiça, maldade, ganância, depravação, inveja, homicídio, rivalidades, engano, malícia, bisbilhotice, calúnia, inimizade, insolência, arrogância, presunção, desobediência, insensatez, deslealdade, insensibilidade, indiferença, frivolidade. Esta lista que Paulo fez no primeiro capítulo de sua carta define o modo de vida daqueles que escolheram viver longe de Deus. Cada pecado destes tem seus desdobramentos: dos dissimulados e sutis aos explícitos e escandalosos.

Infelizmente, muitos irmãos que se gabam de levar uma vida exemplar ainda apresentam alguns destes comportamentos em suas vidas, pois desconhecem as formas e ignoram o poder e a sutileza do pecado. Jamais o despreze. Jamais diga: disto estou livre! Por isso o apóstolo é bem franco quando diz: Falo como homem, por causa da fraqueza da vossa carne. Por isso também ele adverte em outro lugar:

Assim, aquele que julga estar firme, cuide-se para que não caia! (1 Co 10.12)

Ainda em seus argumentos, apelando para que levemos uma vida dedicada a Deus, ele registra nos versos 21 e 22 de Romanos 3, mais dois motivos para não andarmos no pecado. O primeiro vem em forma de pergunta: “Naquele tempo, que resultados colhestes?” E é o próprio apóstolo quem responde: “Somente as coisas de que, agora, vos envergonhais...”

Por acaso você teria coragem de testemunhar para todo mundo as coisas que fez e pensou nestes últimos meses? São pecados muito comuns... todo mundo faz! Mas por que não sentimos o mínimo desejo de compartilhar? Porque é motivo de vergonha.

O segundo argumento vem como uma afirmação: “...porque o fim delas é morte.” Não de salvação, porque se assim fosse, não teria nenhum salvo aqui hoje. Morte, como já dissemos antes, significa separação. Significa perda de comunhão, de desenvolvimento espiritual e da alegria da salvação. Tiago também fala sobre o mesmo assunto:

Quando alguém for tentado, jamais deverá dizer: "Estou sendo tentado por Deus". Pois Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta. Cada um, porém, é tentado pela própria cobiça, sendo por esta arrastado e seduzido. Então a cobiça, tendo engravidado, dá à luz o pecado; e o pecado, após ter-se consumado, gera a morte. (Tg 1.13 a 15)

Quando optamos pelo pecado, como crentes, deixamos de desfrutar a vida abundante do Espírito e nos afundamos numa vida medíocre marcada por tristeza, amargura, rancor, falta de vivacidade espiritual, etc. Este é o salário do pecado. Embora o verso 23 seja muito usado na prática da evangelização, o texto não é para descrentes, mas para crentes.

Sempre haverá dois caminhos a escolher: pecado (que gera vergonha e morte) ou Deus (que nos traz bênçãos e vida). No Salmo 32.3-5 o crente Davi nos dá um breve testemunho sobre suas escolhas. Escolha o melhor caminho!

terça-feira, setembro 24, 2013

Do princípio ao resultado final

Por Reinaldo Bui


 E daí? Havemos de pecar porque não estamos debaixo da lei, e sim da graça? De modo nenhum! Não sabeis que daquele a quem vos ofereceis como servos para obediência, desse mesmo a quem obedeceis sois servos, seja do pecado para a morte ou da obediência para a justiça? Mas graças a Deus porque, outrora, escravos do pecado, contudo, viestes a obedecer de coração à forma de doutrina a que fostes entregues; e, uma vez libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça. (Romanos 6.15-18)

O princípio desta vida marcada pela liberdade em Cristo resume-se na seguinte dinâmica:
  1. Justificados por Deus, fomos separados para participar do Seu Reino.
  2. Deus nos dá plena liberdade, não mais para servir ao pecado, mas sim para servirmos a Ele.
  3. Quando oferecemos os membros do nosso corpo a Deus, experimentamos a vida abundante que Jesus nos promete. 

Ainda, porém, existem muitos crentes carnais, sejam jovens, adultos, casados ou solteiros, homens e mulheres vivendo segundo os impulsos da carne, vivendo pelas motivações erradas. Assim, quais as motivações que temos para viver uma vida com Deus? Bem, pela prática, sabemos que se permitirmos, o pecado vai dominar. E todos nós já passamos por isto: “Eu não queria ter feito/falado/pensado nisto... Não consegui evitar.” Pense, porém, nesta possibilidade: servir de coração. Note o que Paulo escreve:

Mas graças a Deus porque, outrora, escravos do pecado, contudo, viestes a obedecer de coração à forma de doutrina a que fostes entregues (Rm 6:17).

Podemos e devemos servir de coração a Deus. Esta é uma disposição que deve partir de você. O pecado não tem mais direito sobre sua vida, mas Deus sim. 

Imagine aquela menina do interior que durante muitos anos foi escravizada e humilhada por um cafetão na cidade grande, obedecendo a tudo o que ele mandava. Um dia ela encontra um homem que a tira daquela vida e casa-se com ela, ensinando-lhe o verdadeiro amor. Mas depois de algum tempo o cafetão encontra a menina, a seduz e ela flerta novamente com ele. Quando pecamos, estamos fazendo exatamente o mesmo que esta menina fez, traindo aquele marido que a resgatou. No nosso caso, o Senhor Jesus! Legalmente ela é esposa do homem bom. Mas quando flerta, está na mão, no domínio daquele cafetão. Ela perdeu o seu casamento? Não. Está registrado no cartório, mas ela perdeu sua comunhão com o marido. Neste sentido, seu casamento está "morto".

Quando o crente peca, ele está fazendo a mesma coisa. Nós pertencemos a Jesus, mas estamos nas mãos do inimigo, fazendo a vontade de Satanás. É difícil acreditar? Você se lembra que Deus utilizou o profeta Oséias para ilustrar esta realidade.

sábado, setembro 21, 2013

Experimentando a Liberdade

Por Reinaldo Bui

 
Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal...
mas oferecei-vos a Deus, como ressurretos dentre os mortos. (Leia Rm 6.12-14)

Foi o próprio Senhor Jesus quem declarou: Eu vim para que tenham vida, e vida em abundância (Jo 10.10). Paulo compreendeu esta promessa, apropriou-se desta vida abundante e aqui nesta carta ensina o segredo para vivê-la plenamente. Note que Paulo inicia o verso 12 utilizando os termos não reine e não ofereçam; e mais a frente ele exorta: oferecei-vos a Deus. Esta é a chave para, além de experimentar, pôr em prática esta nova vida. Primeiro, não podemos esquecer que somente uma pessoa livre pode viver abundantemente, então veja só:

Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres. (Jo 8.36)

Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. (Gl 5.1)

Depois, precisamos decidir o que faremos com esta liberdade: oferecer nossos corpos para o pecado reinar ou para o Espírito Santo operar. O motivo de haver tantos crentes dominados pelo pecado é porque continuam permitindo que sua velha natureza reine. Precisamos compreender e fazer esta distinção entre nossa realidade (livres) e nossa experiência. Um teste bastante prático é a resposta que damos às propostas que o pecado nos faz (quando ninguém está observando)...
  • Empreste-me os seus olhos, vamos dar só uma espiadela...
  • Empreste-me o seu dedo, clique duas vezes aqui...
  • Empreste-me sua língua, conte para todos o que aquela pessoa fez para você...
  • Empreste-me seus ouvidos, você precisa saber de mais uma...
  • Empreste-me sua mente, vamos imaginar aquilo que é tão gostoso...
Quando damos abertura, o pecado vem e se instala. Pare de obedecer, de oferecer o seu corpo para o pecado. Mas quando aceitamos a Cristo, o Espírito Santo deve nos incomoda: “Você faz isto, né? Gosta? Você quer continuar agindo assim ou manter comunhão comigo?” Se você se entregar, o pecado vai dominar. No verso 13 Paulo escreve que devemos nos oferecer a Deus, como pessoas que foram trazidas da morte para a vida.

Separe diariamente um tempo a sós com Deus e dedique todos os membros do seu corpo a Ele (memorize Rm 12.1-3). Peça que Ele te ajude nesta tarefa, pois isto é agradável a Deus. Podemos estar certos de que ninguém que se achegue com um pedido deste, Ele negará, dizendo: “Não, acho que não quero o seu corpo, pode continuar usando para pecar à vontade.” Alguns podem até questionar: não consigo! Mas olhe o v. 14: ...o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e sim da graça.

O pecado não dominará. É a graça de Deus que está nos garantindo, e não uma lista de regras rígidas (embora muitos ainda insistam levar uma vida Cristã assim). Alguém já comparou a lei como aquele patrão ditador, que e mandão, mas em nada ajuda. Em contraste com a graça que é uma força interior, é o poder de Deus em nossas vidas. É como uma mão dentro da luva. Quando permitimos o Espírito Santo agir em nós, temos toda a força de Deus operando em nós, através de nós e apesar de nós.

quinta-feira, setembro 19, 2013

Liberdade: A nova vida em Cristo

Por Reinaldo Bui

 
Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos? Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos. (Romanos 6.2,8)

Há ainda outro fato que não podemos perder de vista: quando fomos salvos, morremos para o pecado (v.2) para podermos desfrutar de uma vida plena na graça de Cristo. Alguns podem imaginar que “mortos para o pecado” significa que o crente é como um defunto, um corpo no caixão. Pode passar o que for em nossa frente que estamos “mortinhos da Silva”, feito uma múmia. Mas esta ideia pode deixar alguns confusos, pois não se sentem tão mortos assim para o pecado. Se formos bem honestos, todos nós diremos (envergonhados): “Às vezes, sinto-me muito vivo em relação a tal pensamento.” 

Mas isto acontece quando não entendemos o que é estar morto para o pecado. Romanos nos mostra o pecado como um reino (o reino do pecado ou reino da morte) e que todos nós éramos participantes deste reino. E aqui está a definição de morte: na mente do judeu, morte não significa “não existência,” mas significa “separação.” Também utilizamos este conceito quando (por exemplo) usamos a expressão “o casamento está morto”. O que não significa que o cônjuge morreu, mas que não há mais relacionamento ou comunhão. Mas quando cremos, passamos do reino do pecado para o reino de Deus, um reino de justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo (Rm14.17).

O apóstolo relata nestes versículos que fomos transportados do reino da morte e transportados para o reino da vida. Agora precisamos responder mais uma pergunta fundamental: O que é vida? Em João 17.3 o Senhor Jesus ora ao Pai:

E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.

Vida é isto: estar em comunhão com Deus. E quando estamos, experimentamos a graça de Deus em nossas vidas, as bênçãos e o poder do Espírito Santo sobre nós. E sabe o que isto promove em nossas vidas? O Fruto do Espírito.

E como você pode saber que está em comunhão com Deus? Uma olhadinha bem honesta para o nosso interior mostrará quem está no controle: a carne ou o Espírito. Faça novamente aquele exercício em Gálatas 5.19-23, mas desta vez peça para alguém analisar você. Quando o Fruto do Espírito é evidente e marcante em nós, então sabemos que a nova vida em Cristo está ativa; é quando oferecemos os nossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável ao Senhor (Rm 12.1-3).

Porém, quando transferidos de um reino para o outro, Deus não nos transforma imediatamente. Trazemos nossos vícios junto com o velho homem, e Deus vai trabalhando conosco para nos libertar destes vícios. Se permitirmos, Ele age livremente em nós, mas quando endurecemos, Ele pode agir de duas maneiras: assiste pacientemente até reconhecermos as consequências da nossa obstinada teimosia ou quebra nossas pernas e nos carrega em seus ombros como um Bom Pastor.

terça-feira, setembro 17, 2013

Liberdade: Batizados em Cristo

Por Reinaldo Bui


Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante? De modo nenhum! Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos? (Leia Romanos 6.1-11)

Vamos recapitular as bases da fé cristã para que ninguém tenha dúvidas sobre aquilo que afirmamos crer. Todos somos pecadores, sem exceção (Rm 3.10-12) e o nosso pecado nos condena! Na cruz, Jesus Cristo pagou o preço de TODOS os pecados de TODA humanidade (Cl 2.14; 1Jo 2.2), e nossa salvação está atrelada somente à fé na grandeza e suficiência da Sua obra (Jo 3.16-18). Esta salvação é totalmente gratuita independente de algo que possamos fazer (Ef 2.8-9) e a garantia da nossa salvação é uma questão de confiança naquilo que Deus proveu para nós, e não na força da nossa carne (2Tm 2.13; Rm 5.10,11). Aquele que não pensa assim e crê que depende de sua conduta perfeita para manter-se salvo ainda não entendeu o que é salvação pela graça ou não tem noção do que é pecado e é extremamente arrogante e pretensioso por pensar ter alcançado um estado de impecabilidade absoluta.

Daí, seguimos que se o primeiro inimigo da graça é achar que se não andarmos de modo correto perderemos nossa salvação, o segundo inimigo é confundir a liberdade que temos em Cristo com licenciosidade ou até libertinagem. Voltemos àquela questão: “Já que Deus me perdoará tanto quanto eu pecar... Então posso pecar à vontade?”

Saiba que não é de se estranhar que se faça tal pergunta, pois este é o caminho natural do pensamento humano. É a inclinação da carne também. O Dr. Martin Lloyd Jones disse certa vez que quando se faz esta pergunta é sinal de que a pessoa está no caminho certo para compreender a grandeza do verdadeiro Evangelho.

Depois de tratar sobre nossa segurança em Cristo e prevendo que naturalmente seus leitores racionalizariam, Paulo inicia o capítulo 6 de Romanos adiantando-se a fazer esta pergunta: "Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante?" Qual seria a resposta óbvia a esta pergunta? Diga sinceramente (se você de fato é cristão, sabendo que todos os seus pecados estão perdoados): você realmente deseja agir assim? Se você quiser saber a resposta que o apóstolo Paulo nos dá para este disparate, leia os vv. 2-11.

É interessante notar que Paulo toca rapidamente num assunto extremamente importante: o batismo. Devemos ter sempre em mente que quando fomos salvos, fomos batizados em Jesus. O batismo do qual Paulo se refere (3 e 4) não é o batismo nas águas, mas sim o batismo com o Espírito Santo. Mais a frente, no capítulo 8 de Romanos, ele escreve que: ...se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele (Rm 8.9). Parece contraditório com a doutrina que algumas denominações pregam: batismo nas águas para salvação e batismo no Espírito como "segunda bênção". Apesar desta ideia ser um absurdo, mostra que muita confusão é feita sobre o ensino de batismos.

O batismo que é realizado na água é um símbolo (como uma aliança de casamento) e tem a seguinte função: testemunho público de identificação com a mensagem do Evangelho. Este batismo não salva. Muitas pessoas são batizadas (nas águas) sem terem compreendido claramente o Evangelho. Por outro lado, acontecem casos de pessoas salvas sem terem sido batizadas nas águas (Lc 23.42,43). Uma vez que cremos em Cristo, temos o Espírito Santo habitando em nós. E uma vez que temos o Espírito, devemos também andar no Espírito e não satisfazendo as vontades da carne.

domingo, setembro 15, 2013

Mas afinal, de quem é a glória?

Por Reinaldo Bui



Sobreveio a lei para que avultasse a ofensa; mas onde abundou o pecado, superabundou a graça. (Leia Romanos 5.12-20)

Nossa situação diante do Senhor nunca foi das mais favoráveis. Ante a débil hipótese de alguém se achar merecedor de alguma benção vinda da parte de Deus, cabe aqui uma rápida retrospectiva, pois é sempre bom lembrarmos quem nós somos: fracos, ímpios, pecadores, incapazes de agradar a Deus ou buscá-lo por nós mesmos. Porém, mesmo assim, Deus nos amou “de tal maneira” (não me pergunte como) que deu Seu Filho único para morrer em nosso lugar. É somente através do sangue de Cristo que Deus nos vê como justificados. Não que nos tornamos santos, justos, puros e perfeitos da noite para o dia, mas somos tidos como justos aos Seus olhos.

É somente graças ao Pai que estamos seguros e escaparemos da Sua ira por causa de nosso Senhor Jesus Cristo, por intermédio de quem recebemos reconciliação. E quem recebe a glória? O Pai! Se você fosse merecedor, a glória seria sua; mas quando reconhecemos que é Deus quem nos dá tudo de graça, toda a glória cabe somente a Deus, pelo sacrifício único de Seu filho na cruz.

Neste trecho de sua carta, a partir do v. 12 até o 19, Paulo faz a comparação entre o estrago que o pecado de Adão causou e a eficácia da morte de Cristo. Pense e responda: quanto o pecado de um só arruinou? E o que tem mais peso e mais valor, o pecado de Adão ou a morte de Cristo? Para nosso alívio e esperança, a morte (expiação) de Jesus pode alcançar tantos quantos foram estragados pelo pecado. Por isso ele escreve nos vv. 20 e 21:

"... onde abundou o pecado, superabundou a graça." (v. 20)

Paulo está dizendo que ninguém pode pecar mais do que Deus pode perdoar. Talvez esta ideia cause estranheza para muitos, mas se hoje você comete um “pecadinho”, Deus responde com graça (perdão). Pode ser que amanhã você cometa um “pecadão”. Deus responderá proporcionalmente com a mesma graça. Se você ainda não concorda com esta ideia, lembre-se só de uma coisa: para Deus não existe “pecadinho” e “pecadão”! Pecado é pecado e se cremos que Cristo pagou o preço de TODOS os nossos pecados, nenhum ficou de fora.

A garantia da nossa salvação não está atrelada às nossas obras, ou ao que podemos produzir, mas à graça de Deus em nossa vida, que recebemos em Jesus. Se estivermos seguros no relacionamento com o Pai, ainda que venhamos a pecar ou que nos afastemos de Deus (como aquele filho pródigo), nosso Pai “está na varanda da casa esperando: filho, volte para mim” (cf. Lc 15.11-32).

Talvez alguns estejam esperando uma “segunda bênção”, um sinal do céu ou qualquer coisa parecida. Esqueça isto. Apenas volte-se para Deus e confie na Sua graça. Deus nos deu de graça também o seu Espírito para nos ajudar, e uma vez que aprendemos a andar no Espírito, seu fruto começará a aparecer em nossa vida. Ora, o Fruto do Espírito não é língua estranha ou revelações sobrenaturais, mas é amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Contra estas coisas não há lei (Gl 5.22).

Apenas peça com sinceridade: “Pai, ensina-me a amar. Eu desejo ver o fruto do Espírito transbordando em minha vida!”

Saiba que Ele também. Ou você acha que Deus recusará um pedido deste? Talvez você esteja passando por alguma dificuldade, algum conflito, lutando contra algum pecado. Ou talvez ainda, esteja vivendo um momento, um relacionamento incerto com Deus, achando que se fizer alguma coisa terrível qualquer dia, Ele vai te deserdar. Mas Deus não nos abandona. Pode ter certeza: Ele não tem prazer nenhum de ver seus filhos comendo as alfarrobas com os porcos.

sexta-feira, setembro 13, 2013

Uma vez salvos...

Por Reinaldo Bui


Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida (Leia Romanos 5.6-11)

Muitas são as correntes doutrinárias ensinadas nas igrejas hoje em dia. A livre interpretação das Escrituras tem ocasionado o surgimento de milhares de denominações, cada qual apregoando sua cota de abstrusidades. Infelizmente vemos doutrinas de todos os tipos, para diferentes gostos e conveniência. Elas são bizarras, às vezes sutis e dissimuladas. É fácil perceber que na mente de muitos irmãos há uma verdadeira “colcha de retalhos” doutrinária, formada pelas pregações de pastores despreparados, dramatizações apelativas e letras de canções que se preocuparam mais com abrangência do que biblicidade. Elas são equalizadas por suas opiniões pessoais e temperadas (para dar um ar espiritual) com revelações extraordinárias. Divergências e ataques à sã doutrina acontecem desde a igreja primitiva.

Depois da introdução que Paulo faz em sua carta aos romanos, o apóstolo passa a considerar três assuntos fundamentais para a nossa segurança como cristãos. Ele trata de três mentiras ou três erros, muito comumente encontrados na mente de muitos crentes hoje em dia: o perigo da insegurança, o perigo da licenciosidade e o perigo do legalismo. Vamos analisá-los um a um.*

O primeiro erro é crer que se o crente pecar, ele perde a sua salvação. Alguns pastores e denominações pregam esta doutrina com a intenção de manter suas ovelhas fieis. Porém, esta doutrina não está de acordo com o caráter, o amor, a justiça, os princípios e a pessoa de Deus. Tomemos como exemplo um lar onde existe uma constante ameaça (seja para a esposa ou para os filhos): “Se você não andar na linha vou te largar!” Existe amor num lar assim? Não. O amor não cresce onde não há segurança. Agir assim é agir conforme a carne. Será que Deus age assim conosco? Jamais! Porque para crescermos na nossa fé, precisamos de segurança, aquela segurança que diz que "...se somos infiéis, Ele permanece fiel, pois não pode negar-se a si mesmo" (2 Timóteo 2.13).

Nos vv.6, 7 e 8 do capítulo 5, Paulo descreve o nosso passado, e usa três palavras para descrever a nossa condição: éramos fracos, ímpios e pecadores. Merecíamos a salvação? De modo nenhum! Nós a ganhamos de graça (ou pela graça). Quem garante a sua salvação não é você, é Jesus. E no verso 9 Paulo conclui: 

"Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira".

Note que somos justificados por seu sangue, e não por alguma obra que tenhamos feito. E na sequência, complementando seu raciocínio, o apóstolo escreve: "Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida e não apenas isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, por intermédio de quem recebemos, agora, a reconciliação".(Rm 5.10,11)

Paulo diz que seremos salvos pela Sua vida (a de Cristo). Quem garante a nossa salvação é Jesus. Ninguém é salvo porque merece, mas porque Jesus morreu no seu lugar. Ele é o nosso advogado assentado à destra de Deus, e nos garante isso. Se Cristo nos reconciliou quando éramos seu inimigo, não fará muito mais agora que já estamos reconciliados?

* Não somente neste devocional.

quinta-feira, setembro 12, 2013

Seus “probremas” não acabaram

Por Reinaldo Bui

“...a perseverança [produz], experiência; e a experiência, esperança. Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado.” (Romanos 5.4-5)

Deus nunca falou que se crêssemos nEle nossos problemas acabariam. Quem promete isso é o seu Creisson. Deus prometeu, sim, estar sempre ao nosso lado para nos auxiliar a superar as dificuldades da vida. Assim aprendemos a confiar e descansar; aprendemos a crescer e glorificar nosso Senhor pelas vitórias. O alvo de Deus para com o sofrimento é moldar o caráter do ser humano. Por isso Paulo inseriu: a perseverança produz experiência (ou um caráter aprovado conf. NVI).

O ouro quando depurado pelo fogo é aprovado quando o ourives vê refletida a sua imagem naquele metal ainda líquido. Assim também acontece conosco. Quando somos aprovados, Deus olha para nós e vê a sua imagem. O que purifica o ouro é o fogo! A pureza da sua vida é o caráter aprovado, é quando as pessoas à nossa volta vêem como suportamos as tribulações com confiança e tranquilidade!

“E por fim, um caráter aprovado produz esperança.” (v.4 - NVI)

Por quê? Porque aquele Deus que me ajudou ontem me ajudará amanhã também. Eu já notei que Deus nunca faz o que eu quero, mas sempre faz o que eu preciso. Por isso diz que "a esperança não nos decepciona", ou seja, Deus nunca falhou comigo, mesmo quando meus desejos não foram atendidos! 

Esperar em Deus é o melhor que podemos fazer porque nunca ficaremos decepcionados. Pode ser que no momento da tribulação questionemos a Deus ou nos sintamos tristes e abandonados. Sempre que nos encontramos diante de problemas e dificuldades o dilema ético é: como devo agir? Nestas horas entramos em "parafuso". Nestas horas surgem as tentações e os conselhos estranhos à vontade de Deus. Nestas horas é fácil esquecermos o amor, a alegria, a paz, a paciência, ...o domínio próprio.

O homem natural também enfrenta dificuldades na vida, mas se não há temor de Deus, na hora do aperto não há preocupação alguma com a ética. Para o homem carnal, o que importa agora é seu instinto de auto preservação, seu bem estar e a sua felicidade. Mas ao que crê o Espírito Santo pergunta: cadê sua confiança em mim? Neste momento é hora de parar, confessar pecados (falta de confiança é um deles), crer e esperar. Seja qual for seu problema, nosso Pai está pronto para auxiliar. Somente peça e espere. Seja qual for seu pecado, nosso Pai está pronto a perdoar. Somente confesse.

Mas as vezes não é fácil. As vezes tem aquela raiz de amargura, aquele rancor guardado no fundo do coração que nos impede a comunhão com o Pai. Isto é falta de confiança em Deus e de amor ao próximo. Ainda no v. 5 Paulo mostra o instrumento que deve nos impulsionar nestas horas: O AMOR.

Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado. (Rm 5.5)

Muitas dificuldades em nossa vida não são superadas porque não queremos. Só precisamos amar (seja o chefe, vizinho, cônjuge, o irmãozinho ao lado, etc.). Às vezes dá vontade de falar tudo o que pensamos, e como estamos insatisfeitos, mas Deus deseja que falemos palavras marcadas por amor.

Não existe vida mais nobre, mais elevada do que uma vida de dependência do Espírito Santo de Deus. Prefiro encarar o amor não simplesmente como um mandamento, mas principalmente como O Fruto do Espírito agindo em nossas vidas.