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quarta-feira, março 13, 2013

O link embutido na criação entre sexualidade e espiritualidade

Você já percebeu como a guerra cultural aponta para questões do campo sexual? Casamento gay, aborto, intercambialidade de gênero, educação sexual, pornografia, etc, todos estão ligados ao sexo e à sexualidade. Isso choca cristãos, mas não deveria. Não é apenas previsíveis, é inevitável. Note que há um link entre sexualidade e espiritualidade. Fomos criados para monogamia em ambos (tanto sexualidade como para espiritualidade) e quando a sociedade perde uma, não demorará muito para perder a outra. Por quê? Porque Deus quer que seja assim.

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terça-feira, maio 22, 2012

Guia de Confissão


Este breve guia tem o objetivo de lhe ajudar a identificar pecados e fraquezas que existem em sua vida. É desejo do próprio Deus que todo homem e mulher, de qualquer lugar e idade, reconheçam seus erros baseados na Bíblia e os confessem diante dEle.

Reflita nos textos abaixo e ore a Deus para que lhe ajude neste processo. Sejamos santos, porque Ele é santo! (Lv 19.2; 1Pe 1.16)
  • Quem pode discernir os próprios erros? Absolve-me dos que desconheço! (Sl 19:12)
  • Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me e conhece os meus pensamentos. E vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno. (Sl 139:23-24)
  • Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça. (1Jo 1.9)
O procedimento deste guia é fácil e simples. Ao ler e compreender a existência de algum pecado abaixo descrito...

1.       Confesse imediatamente a Deus;
2.       Comprometa-se com Ele de não buscar prazer fora da Sua vontade;
3.       Clame [peça com intensidade] por ajuda e mostre-se disposto a mudar;
4.       Agradeça a Deus pelos pecados que você não tem cometido e peça a Ele que o ajude a se manter atento e fiel.

Faça sua auto-análise nas afirmações abaixo:


SOBERBA (orgulho, arrogância, presunção) - Tenho um grande desejo pelo sucesso pessoal, posição de destaque, reconhecimento pela minha postura fina e elegante, talentos e capacidades. Não é raro eu pensar que sou a pessoa mais importante em minha família, classe ou trabalho. Gosto muito de ser elogiado e busco sempre reconhecimento do que faço. Gosto de ser diferente para que eu seja notado. Em geral, considero minhas ideias melhores do que a dos outros. Em conversas, tenho prazer em contar histórias que chamam a atenção sobre mim.

TEIMOSIA (obstinação, persistência, birra, cisma) - Constantemente eu quero contrariar ideias e pensamentos. Gosto de ganhar discussões. Quando quero alguma coisa, é muito difícil eu abrir mão. Uso expressões que comunicam aborrecimento e impaciência. Ofendo-me facilmente. Jogo sempre na defensiva e opto pela vingança quando derrubado.

IMPUREZA (imoralidade, impudícia) - Com grande frequência eu penso em sexo. Alimento pensamentos indevidos e dou asas à fantasia. Noto com demasiada atenção a beleza de homens e/ou mulheres. Relaciono-me com pessoas além do devido, seja no trabalho, faculdade, escola ou até mesmo virtualmente. Meus olhos não desprezam a sensualidade. Acesso pornografia na internet e vejo revistas de conteúdo erótico. Os primeiros lugares que meus olhos enxergam em um homem ou mulher, são suas partes íntimas. Uso roupas que chamam à atenção para meu corpo e gosto de despertar o desejo nos outros.

MENTIRA - Tenho o hábito de contar metade das histórias e dizer somente as partes que são convenientes. Costumo encobrir a verdade e esconder meus próprios erros. Esforço-me por causar uma boa impressão que não é compatível com a verdade. Sugiro ideias que eu não acredito funcionarem. Negocio produtos e mercadorias baratas como se fossem de qualidade. Uso de falsa modéstia e sou hipócrita.

TEMOR HUMANO- Fujo de repreensões e deveres. Tenho um medo doentio diante de qualquer possibilidade de sofrimento. Deixo-me paralisar diante de pessoas mais capazes e influentes do que eu. Tenho a tendência de acomodar-me às circunstâncias erradas para evitar confrontos. Faço e digo coisas visando impressionar os outros. Tenho uma demasiada preocupação em agradar a todos.

INVEJA (ciúme) - Desejo desenfreadamente as coisas de meus amigos e familiares. Rebaixo as qualidades e exalto as limitações das pessoas. Imagino-me constantemente no lugar de famosos. Sinto que meus bens nunca são bons suficientes. Dificilmente sou uma pessoa grata pelo que tenho. Sou frio e crítico perante pessoas que têm opiniões diferentes da minha e não suporto a ideia de perder uma disputa.

AVAREZA (mesquinhez, sovinice)- Sou generoso para alimentar meu ego. Não oferto à igreja. Busco relacionar-me com pessoas ricas para beneficiar-me de seus bens. Penso constantemente em ser milionário. Minha paz se baseia na minha estabilidade financeira. Percebo que meu salário nunca é suficiente.

INCREDULIDADE (descrença, dúvida)- Fico desanimado em tempos de muita tarefa e oposição. Falta-me confiança em Deus. Tenho a tendência de me preocupar facilmente. Tenho medo de enfrentar as dificuldades da vida e perder o pouco que já tenho. Não confio na provisão de Deus. Tenho muitas dúvidas diante da Palavra de Deus.

FALTA DE VIVACIDADE ESPIRITUAL - Não tenho alegria em Deus. Tenho pouca ou nenhuma vontade de ler a Bíblia, frequentar um grupo pequeno, ir à escola bíblica e especialmente me relacionar com outros crentes. Não oro a Deus e escondo meus pecados de tudo e todos. Não me importo com a condição das pessoas não salvas. Gosto de criticar a forma da igreja conduzir o culto e acho todos na igreja hipócritas. 

OMISSÃO - Conheço o bem que devo fazer, mas não o faço. Conheço os mandamentos, mas não os guardo. Não retribuo honra e direitos do próximo. Não compartilho o evangelho de Jesus. Não manifesto gratidão a Deus. Sou cômodo e para mim tudo está bom como está. Tenho atitudes covardes e preguiçosas. Não me compadeço do pobre e necessitado. Evito pessoas que podem me pedir alguma ajuda. 

IDOLATRIA - Coloco a minha segurança quanto ao futuro em coisas e pessoas mas não em Deus. Sou um consumista. Busco fazer com que Deus sempre faça as minhas vontades, nem que para isso eu faça promessas. Acredito ser o meu caminho melhor e mais viável do que o de Deus. Acredito haver alguém ou alguma coisa tão ou mais poderoso do que Deus. Cultivo talismãs [coisas que acredito trazerem sorte].

DIFAMAÇÃO (maledicência, fofoca) - Sinto-me à vontade em conversar sobre a vida dos outros. Faço comentários negativos sobre a conduta e caráter de outros sem que isto tenha qualquer contribuição para minha ou a vida de alguém. Não tenho receio ao falar sobre alguém ausente. Revelo segredos de quem me confidenciou algo pessoal. Uso expressões duras e hostis com os que me ofendem.

IRA (cólera, furor, ódio) - Sou uma pessoa explosiva. Normalmente não me importo se minhas palavras ou atitudes ferem os outros. O que tenho para dizer, digo sem medir as consequências. Desenvolvo facilmente um sentimento desejoso de vingança contra os outros pelos motivos mais banais possíveis. Desejo a morte ou o sofrimento de alguém. Levanto minha voz facilmente quando sou contrariado. Irrito-me facilmente no trânsito.

DESCONTROLE - Não tenho domínio próprio para comer ou beber. Frequentemente passo mal pelos excessos que cometo na comida ou na bebida. Sou viciado em algo. Como muito doces e tomo refrigerante compulsivamente. Se vou a um rodízio, fico até não aguentar mais. Exagero é uma marca notória em minha vida.   

AMARGURA - Fico facilmente magoado com os outros. Guardo e alimento o rancor por pessoas em meu coração. Nego-me a perdoar quem me ofende. Fico constantemente mau-humorado me lembrando de ofensas recebidas com um desejo de vingança em meu coração. Ofendo-me facilmente e faço questão de expressar em meu rosto minha indignação e amargura aos que não me tratam como eu quero.

Lembrar que para viver em pureza é necessário manter uma disposição voluntária à obediência, uma atitude persistente de vigilância e uma reação imediata de fuga do pecado e de situações que podem incentivar o pecado. A comunhão diária com o Senhor Jesus Cristo através do aprendizado da Sua palavra e da oração devem ser práticas habituais por serem vitais para os que buscam agradar a Deus. A auto-sondagem, confissão de pecados e reparação de eventuais erros cometidos também devem fazer parte da rotina dos que querem ter vidas limpas para a glória de Deus.

Seja honesto e responda (para você mesmo e para o Senhor):
1.       Você quer viver em obediência a Deus, custe o que custar?
2.       Você está disposto a reparar seus erros e ofensas na medida em que forem identificados, mesmo que isso o exponha a situações vergonhosas?
3.       Você está disposto a abrir mão do que quer que seja caso haja reprovação do Senhor?

... Tem, porventura, o SENHOR tanto prazer em holocaustos e sacrifícios quanto em que se obedeça à sua palavra? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender, melhor do que a gordura de carneiros. 1Sm 15:22

domingo, fevereiro 12, 2012

Contra quem lutamos?

Por Fernando Leite
Série de doze mensagens pregada na Igreja Batista Cidade Universitária no ano 2000. Abaixo estão os áudios de cada mensagem.

Acredito ser esta série muito valiosa especialmente para grupos pequenos.
Fica a dica!

1. Que vazio!

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2. Todo Mundo está feliz!

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3. Por que estás abatida?

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4. Ansiedade é meu nome

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5. Cavando Trincheiras

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6. Estou me sentindo culpado
 
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7. Definitivamente esta é a última vez

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8. Não me irritem mais

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9. Você está na minha lista

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10. Decididamente indeciso

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11. Eu não tenho tempo

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12. Que solidão!

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sexta-feira, fevereiro 10, 2012

Orientações para Odiar o Pecado (Parte 4)

Por Richard Baxter

IX. Orientação – Considere seu primeiro e principal trabalho matar o pecado em sua raiz; limpar o coração, que é a fonte; pois é do coração que vem todo o mal em nossa vida. Saiba quais são as principais raízes; e use o seu maior cuidado e diligência para mortificá-las, especialmente as seguintes:
  • Ignorância. 
  • Incredulidade. 
  • Inconsideração. 
  • Egoísmo e orgulho. 
  • Carnalidade, em agradar um apetite, luxúria e fantasia selvagens.
  • Insensibilidade, dureza de coração e sonolência no pecado.


X. Orientação – Conte o mundo todo e todos os seus prazeres; honras e riquezas não são melhores do que aparentam ser; assim satanás não vai conseguir encontrar iscas para te pegar. Como Paulo, considere tudo como esterco (Fil. 3:8) e nenhum homem vai pecar e vender sua alma, pois ele conta estas coisas como esterco.

XI. Orientação – Mantenha-se em conversas celestiais, e então sua alma estará sempre na luz, assim como aos olhos de Deus; e ocupe-se com aqueles afazeres e deleites que o livram do prazer com as iscas do pecado.

XII. Orientação – Que seu trabalho diário seja ser um cristão vigilante; embora haja distração e um medo desencorajador, nutra a perseverança.

XIII. Orientação – Preste atenção no começo do pecado e suas primeiras abordagens. Oh quão grande diferença faz um pouco desse fogo aceso! E se você cair, levante rápido através de um profundo arrependimento, não importando o quanto isso pode te custar.

XIV. Orientação – Faça do seu único labor e regra diligente o entender a Palavra de Deus.

XV. Orientação – Em casos de dúvidas, não se aparte facilmente do julgamento unânime da maioria dos sábios e piedosos de todas as épocas.

XVI. Orientação – Não seja precipitado nem aja por emoções, mas proceda deliberadamente e prove bem todas as coisas antes de se firmar nelas.

XVII. Orientação – Esteja familiarizado com a sua temperatura corporal e em quê o pecado é mais inclinado a você, e também em que situação o pecado te deixa mais vulnerável, e nisso você deve ser mais rigoroso.

XVIII. Orientação – Mantenha sua vida em ordem santa, tal como Deus ordenou que você vivesse. Pois não há preservação para os retardatários que não se mantém no caminho, que abandonaram a ordem e o mandamento de Deus. E esta ordem está principalmente nestes pontos:
  1. Que você mantenha união com a universal igreja. Não esteja separado do corpo de Cristo sobre qualquer pretensão que seja. Esteja na igreja como um regenerado, mantendo a comunhão espiritual em fé, amor e santidade; como um congregado, mantendo a comunhão externa, na profissão de fé e na adoração. 
  2. Se vocês não são mestres, vivam sob seus fiéis pastores como obedientes discípulos de Cristo. 
  3. Que os mais piedosos, se possível, sejam seus amigos íntimos.
  4. Seja esforçado em algum chamado externo.


XIX. Orientação – Coloque todas as providências de Deus, quer a prosperidade ou adversidade, contra seus pecados. Se ele te der saúde e prosperidade, lembre-se que por meio disso Ele requer sua obediência e tem um chamado especial para você. Se Ele te afligir, lembre-se que pode ser algum pecado pelo qual Ele está ofendido; portanto, agarre isso como Seu remédio e veja que você não obstrua essa obra, mas seja diligente, pois isso pode purgar seu pecado.

XX. Orientação – Espere pacientemente em Cristo até que ele tenha realizado a cura, que não acabará até que essa árdua vida chegue ao fim. Persevere na assistência do Seu Espírito e dos Seus meios; pois Ele virá no tempo certo e não tardará. “Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor; como a alva, a sua vinda é certa; e ele descerá sobre nós com a chuva serôdia que rega a terra” (Os. 6:3). Ainda que você diga: “Não há cura para nós” (Jer. 14:19) “Eu curarei sua infidelidade, eu de mim de mesmo os amarei” (Os. 14:4). “Mas para vós outros que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, trazendo curas nas suas asas” (Mal. 4:2) “e bem-aventurado todos os que nele esperam” (Is. 30:18).

Deste modo, eu dei algumas orientações que podem ser úteis para o ódio ao pecado, humilhação e libertação dele.

Clique aqui para baixar em PDF/DOC - Você será redirecionado para "Voltemos ao Evangelho."

quinta-feira, fevereiro 09, 2012

Orientações para Odiar o Pecado (Parte 3)

Por Richard Baxter

Embora a principal parte da cura seja fazer com que a vontade odeie o pecado, e isso é feito descobrindo sua malignidade; eu ainda adicionarei mais algumas orientações para a parte prática, supondo que o que já foi dito tenha causado efeito.

I. Orientação – Quando você descobrir a sua enfermidade e perigo, se entregue a Cristo como o Salvador e médico de almas, e para o Espírito Santo como seu Santificador, lembrando que ele é suficiente e disposto a fazer o trabalho que Ele mesmo prometeu fazer. Não são vocês que devem salvar e santificar a vocês mesmos (a não ser que vocês façam isso através de Cristo). Mas aquele que assumiu fazê-lo, o faz para a sua glória.

II. Orientação – Você deve estar preparado a ser obediente em aplicar os remédios que Cristo prescreveu a você; e observando as Suas orientações para que haja cura. Não seja tímido ou fraco dizendo que é muito amargo e muito dolorido; mas confie em Seu amor e no Seu cuidado; pegue aquilo que Ele te prescreveu ou te deu e não adicione mais nada. Não diga: “É muito penoso, e eu não consigo”. Porque o que Ele te ordena é seguro, proveitoso, e necessário; e se você não consegue, tente então carregar sobre você sua enfermidade, morte e o fogo do inferno! São a humilhação, confissão, restituição, mortificação e a santa diligência piores que o inferno?

III. Orientação – Veja que você não tome parte com o pecado, nem dispute ou lute contra seu Médico, ou com qualquer coisa que lhe faça bem. Justificar o pecado, ir em direção a ele e subestimá-lo, lutar contra o Espírito e a consciência, ir contra os ministros e amigos piedosos, odiando a disciplina; estes não são os meios pelos quais você será curado e santificado.

IV. Orientação – Veja aquela malignidade em cada um dos seus pecados particulares, que você pode ver e dizer que é generalizada. É um grotesco engano de vocês mesmo, se você vai falar muito do mal do pecado e não ver nenhuma malignidade em seu orgulho, em seu mundanismo, paixões e perversidades, em sua malícia e severidade, em suas mentiras, maledicências, escândalos, ou pecando contra a consciência por comodidade e segurança mundana. Que contradição é um homem orar e agravar seu pecado, e quando ele é reprovado por isso, tentar se esquivar ou justificar-se. É como se ele fosse falar contra a traição e contra os inimigos do rei, mas porque os traidores são os seus amigos e parentes, irá proteger ou escondê-los e tomar parte com eles.

V. Orientação – Mantenha-se o mais longe que puder das tentações que alimentam e fortalecem o pecado que você dominaria. Ponha um cerco em seus pecados e os deixe morrer de fome afastando a comida e o combustível que o mantém vivo.

VI. Orientação – Viva no exercício das graças e deveres que são contrários ao pecado que você está mais em perigo. Pois a graça e o dever são contrários ao pecado, isso o mata e nos cura, como o fogo nos cura do frio ou como a saúde nos cura da doença.

VII. Orientação – Não seja enfraquecido ouvindo a incredulidade e a desconfiança, e não jogue fora os confortos de Deus, pois eles são sua força e podem te encorajar. Não é assustador, deprimente, nem desesperadamente desencorajador, estar apto a resistir ao pecado; mas o senso do amor de Deus e o senso de gratidão da graça recebida é um grande encorajamento (com temor cauteloso).

VIII. Orientação – Sempre suspeite do amor próprio carnal, fique atento a isso. Pois essa é a fortaleza onde o pecado se esconde, e é também o seu patrono; sempre pronto para te arrastar para o pecado e para justificá-lo. Nós somos sempre muito propensos a sermos parciais em nosso próprio caso; como no caso de Judá com Tamar e Davi quando Natã o reprovou em sua parábola; isso mostra nossas próprias paixões, nosso próprio orgulho, nossa própria censura, nossa própria maledicência, nossas relações prejudiciais, nossa negligência nos deveres; estas coisas para nós parecem pequenas, desculpáveis, senão justificáveis. Considerando que poderíamos ver facilmente a culpa disso tudo nos outros, especialmente em um inimigo, deveríamos estar ainda mais familiarizado conosco e deveríamos amar mais a nós mesmos e, portanto odiando mais ainda nossos próprios pecados.

quarta-feira, fevereiro 08, 2012

Orientações para Odiar o Pecado (Parte 2)

Por Richard Baxter 

VI. Orientação - Pense bem quão puros e doces deleites uma alma santa pode desfrutar de Deus em Sua santa adoração; e então você verá o que o pecado é, pois ele rouba-nos destes deleites e prefere uma luxúria carnal ao invés deles. Oh com quão grande felicidade poderíamos realizar cada dever, quão grandes frutos poderíamos produzir servindo nosso Senhor, e que deleites encontraríamos em Seu amor e aceitação, e como pensaríamos mais na bem-aventurança eterna, se não fosse o pecado; o qual afasta as almas dos portões dos céus, e as faz cair, como um suíno, no seu amado lamaçal.

VII. Orientação - Considere a vida que você deverá viver para sempre, se você for para o céu; e a vida que os santos vivem lá agora; e então não pense que o pecado, que é tão contrário a isso, não seja uma coisa tão vil e odiosa. Ou você viverá no céu, ou não. Se não, você não é um daqueles para quem eu falo. Se você for, você sabe que lá não há prática de pecado; não há mente mundana, orgulho, paixões, luxúria e prazeres carnais lá. Oh se você pudesse ver e ouvir apenas uma hora, como aqueles abençoados espíritos estão elevadamente amando e magnificando o glorioso Deus em pureza e em santidade, e quão longe eles estão do pecado, isso faria você repugnar o pecado e ver os pecadores num estado de extrema decadência como homens nus nadando em seus excrementos. Especialmente, pensar que vocês têm esperança de viver para sempre com aqueles santos espíritos; e, portanto o pecado será desgostoso para você.

VIII. Orientação - Olhe para o estado e tormento dos condenados, e pense bem na diferença entre anjos e demônios, e aí saberá o que é o pecado. Anjos são puros; demônios são sujos; santidade e pecado são extremos. Pecado habita no inferno, e santidade no céu. Lembre-se que toda tentação vem do diabo, para fazer você ser como ele; e toda santa disposição vem de Cristo, para fazer você como Ele. Lembre-se que quando você peca, você está aprendendo e imitando o diabo, e está até agora sendo como ele (João 8:44). E o fim de tudo isso é que você sinta também os sofrimentos dele. Se o inferno de fogo não é bom, então o pecado não é também.

IX. Orientação - Sempre veja o pecado como alguém que está pronto a morrer e considere como todo homem o julga no final. O que os homens no céu dizem a respeito do pecado? O que os homens no inferno dizem a respeito do pecado? E o que os homens à beira da morte dizem a respeito do pecado? E o que as almas convertidas e as consciências despertadas dizem? O pecado traz deleite e é algo que eles não temem como é agora? Eles o aplaudem? Irão alguns deles falar bem do pecado? Porém, todo mundo fala mal do pecado em geral agora, mesmo quando eles amam e cometem diversos atos; Você irá pecar quando estiver à beira da morte?

X. Orientação - Sempre veja o pecado e o julgamento juntos. Lembre-se que você terá que responder por isso diante de Deus, dos anjos, e de todo o mundo; e você o conhecerá melhor.

XI. Orientação - Olhe para a doença, pobreza, vergonha, desespero, podridão e morte na sepultura; e isso vai te ajudar um pouco a entender o que é o pecado. Estas são coisas que estão diante de ti e em seus sentimentos; você não precisa de fé para entendê-las. E por tais efeitos você poderá entender um pouco da sua causa.

XII. Orientação - Olhe para algumas pessoas santas e eminentes sobre a terra e para o louco, profano e maligno mundo. E a diferença vai te dizer em parte o que é o pecado. Não há afabilidade numa pessoa santa e irrepreensível, que vive em amor para com Deus e para com as pessoas, e na alegre esperança da vida eterna? Não é um abominável beberrão, promíscuo, blasfemador, malicioso, perseguidor, uma criatura muito repugnante e deformada? Não é uma visão muito miserável o estado ímpio, louco, confuso e ignorante deste mundo? Não é nisso tudo em que o pecado consiste?

terça-feira, fevereiro 07, 2012

Orientações para Odiar o Pecado (Parte 1)

Por Richard Baxter 

I. Orientação - Se esforce tanto para conhecer a Deus quanto para ser afetado pelos Seus atributos. Viva sempre diante Dele. Ninguém pode conhecer o pecado perfeitamente porque ninguém pode conhecer Deus perfeitamente. Você não pode conhecer o pecado mais do que você conhece a Deus, contra quem o seu pecado é cometido; a malignidade formal do pecado é relativa, pois é contra a vontade e os atributos de Deus. O homem piedoso tem algum conhecimento da malignidade do pecado porque ele tem algum conhecimento do Deus que é ofendido pelo mesmo. O ímpio não tem um conhecimento prático e prevalente da malignidade do pecado porque eles não têm um conhecimento de Deus. Aqueles que temem a Deus temerão o pecado; aqueles que em seus corações são irreverentes e impertinentes para com Deus, serão, em seus corações e em suas vidas, a mesma coisa para com o pecado; o ateísta, que acha que não existe Deus, também acha que não há pecado contra Ele. Nada no mundo inteiro irá nos mostrar de maneira tão simples e poderosa a maldade do pecado, do que o conhecimento da grandeza, bondade, sabedoria, santidade, autoridade, justiça, verdade, e etc., de Deus. Portanto, o senso da Sua presença irá reviver em nós o senso da malignidade do pecado.

II. Orientação - Considere bem o ofício de Cristo, Seu sangue derramado e Sua vida santa. Seu ofício é expiar o pecado e destruí-lo. Seu sangue foi derramado por ele. Sua vida o condenou. Ame a Cristo e você odiará o que causou Sua morte. Ame-O e você irá amar ser feito à imagem Dele, e odiará aquilo que é tão contrário a Ele.

III. Orientação - Pense bem o quão santo é a obra e o ofício do Espírito Santo, e quão grande misericórdia isto é para nós. Irá o próprio Deus, a luz celestial, descer a um coração pecaminoso para iluminá-lo e purificá-lo? E ainda devo manter minha escuridão e corrupção, em oposição a essa maravilhosa misericórdia? Embora nem todo pecado contra o Espírito Santo seja uma blasfêmia imperdoável, tudo é ainda mais agravado por meio disso.

IV. Orientação - Considere e conheça o maravilhoso amor e a misericórdia de Deus, e pense no que ele tem feito por você e você odiará o pecado, e terá vergonha dele. É um agravamento do pecado até mesmo para a razão comum e a ingenuidade, que devemos ofender um Deus de infinita bondade que encheu nossas vidas de misericórdia. Você será afligido se você tem injustiçado um extraordinário amigo; seu amor e sua bondade virão aos seus pensamentos e você sentirá raiva de sua própria maldade. De um lado veja a grande lista das misericórdias de Deus pra você, para sua alma e seu corpo. Do outro, observe satanás, escondendo o amor de Deus de você, e tentando você debaixo de uma pretensa humildade de negar Sua grande e especial misericórdia; procurando destruir seu arrependimento e humilhação escondendo também o agravamento do seu pecado.

V. Orientação - Pense no propósito da existência da alma humana. Para que ela fora criada? Para amar, obedecer, e glorificar nosso Criador; e você verá o que é o pecado, pois ele perverte e anula esse propósito. Quão excelentemente grande e santa é a obra para o qual fomos criados e chamados para fazer! E deveríamos desonrar o templo de Deus? E servir ao diabo em sua imundície e tolice, quando deveríamos receber, servir, e glorificar nosso Criador?

sexta-feira, maio 20, 2011

Homossexuais podem ser cristãos?

Por C. Michael Patton

Já me perguntaram isso algumas vezes ao longo dos anos e, recentemente, essa questão surgiu novamente. Homossexuais podem ser cristãos? Ou, melhor, existe algo como um “cristão homossexual?”. Muitos acreditam que alguém que se envolve em um estilo de vida homossexual está necessariamente excluído do Reino de Deus, a não ser que se arrependam. E o arrependimento aqui significa uma mudança de pensamento rapidamente seguida de uma mudança no estilo de vida. Em outras palavras, enquanto alguns vão dizer que um homossexual pode ser salvo, a salvação garantiria uma mudança de vida em um período curto de tempo.

Enquanto eu concordo com aqueles que dizem que o homossexualismo é um pecado terrível (Levítico 18.22, 20.13; Romanos 1.27; 1 Coríntios 6.6; 1 Timóteo 1.10), eu não creio que ele esteja além da carnalidade do crente. Também não acredito que, se alguém pratica o homossexualismo por toda sua vida, está necessariamente excluído do Reino de Deus. Espero que ninguém confunda o meu argumento. Eu, de forma alguma, apóio o comportamento homossexual ou procuro relativizar seu aspecto abominável perante o Senhor. Mas eu penso, sim, que nós que não somos tentados dessa forma muitas vezes falhamos em enxergar a seriedade da luta que as pessoas que cometem esse pecado enfrentam.

O pecado e a tentação sexual é uma parte da vida de qualquer um. Nascemos com uma inclinação a satisfazer essa parte de nossa humanidade criada por Deus. Alguns irão suprimir essa inclinação por causa de um chamado de Deus para suas vidas (celibato, por exemplo). De qualquer forma, o pecado corrompeu essa inclinação e todos nós nascemos infectados pelo pecado. Por conta de estímulos, genética, influências culturais e outros fatores, pessoas experimentarão essa corrupção de diferentes formas. Pessoalmente, nunca senti nenhuma inclinação para expressar minha corrupção sexual de alguma forma focada no mesmo sexo. Por quê? Não necessariamente por causa das boas escolhas que eu fiz, mas porque a genética, os estímulos e as influências não levaram a isso. Eu nunca tive aquela inclinação pecaminosa que gerasse em mim uma atração por alguém do mesmo sexo. Não me entenda mal. Eu tenho uma inclinação sexual pecaminosa, mas é mais do tipo comum. Isso não se justifica nem me faz mais justo que um homossexual; é simplesmente um fato que é um pecado que eu nunca tive que enfrentar.

Agradeço a Deus por ser esse o caso porque eu sei que qualquer inclinação pecaminosa que eu tenha eventualmente vai levar o melhor de mim. É assim que funciona uma vida corrompida. Eu também sei que não serei liberto totalmente das minhas inclinações até que ocorra a restauração do meu corpo na ressurreição. Eu só preciso fazer o que for possível para controlá-las até que isso aconteça. E, como diz a música do U2, “alguns dias são melhores que os outros” [some days are better than others]. Eu consigo me identificar com outros pecadores porque sou um também. Eu consigo me identificar com aqueles que possuem uma inclinação porque eu também tenho uma (várias, na verdade). Assim, quando vejo alguém cedendo à inclinação do homossexualismo, me entristeço. Compadeço-me deles porque o problema é, essencialmente, o mesmo que o meu. Temos uma natureza corrompida que nos faz suscetíveis a essas inclinações.

Agora, de volta à questão do momento. Homossexuais podem ser cristãos? Essa é uma questão teológica que evidencia uma falta de entendimento do pecado e da redenção. Ela revela um grande engano sobre a natureza do pecado ao colocar o homossexualismo em sua própria categoria separada, por causa de sua natureza depravada. Se, por um lado, eu acredito que o homossexualismo é um pecado pior do que muitos outros (isso mesmo, nem todos os pecados são iguais, como alguns de nós acreditam), por outro, não acredito que aquele que possuem essa inclinação deveriam ser vistos de forma diferente dos outros.
Nós poderíamos elaborar a pergunta da seguinte forma: pessoas que tem inclinações pecaminosas podem ser cristãs? É claro. Quem mais poderia? Cristo foi o único que nunca teve uma inclinação pecaminosa. Tudo bem então, que tal assim: pessoas que tem inclinações pecaminosas realmente ruins podem ser cristãs? Novamente, a única resposta bíblica é sim. Pessoas que tem inclinações pecaminosas realmente ruins podem ser cristãs. No fundo, a pergunta que está sendo feita é: pecadores podem ser cristãos? Novamente eu digo, quem mais poderia ser?

Alguns podem responder dizendo que, mesmo que admitam que homossexuais possam ser cristãos, eles precisam passar por um processo de superação do comportamento pecaminoso. Em outras palavras, eles precisam demonstrar uma consistente e perpétua vitória sobre essa inclinação. Espera aí. Enquanto eu concordo que os homossexuais podem vencer essa inclinação, e muitas vezes, de fato, vencem ao ponto de abandonar totalmente esse estilo de vida, eu não penso que necessariamente é isso que vai acontecer. Eu diria que na minha vida há inclinações que eu sinto que já venci e há outras que permanecem como uma teia de aranha, grudentas e persistentes. Essa é uma teia de engano e destruição que pode facilmente nos aprisionar. Veja o que diz o livro de Hebreus:
“Portanto, nós também, pois estamos rodeados de tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com perseverança a carreira que nos está proposta, fitando os olhos em Jesus, autor e consumador da nossa fé” Hb 12.1-2
O escritor de Hebreus fala que essa teia “nos rodeia”. A passagem, no original, fala do ten euperistaton hamartian – literalmente, “o pecado que captura”. Eu acredito que a referência principal do “pecado que [nos] captura” é o pecado da descrença (o assunto do livro), mas esse pecado da descrença se manifesta no pecado particular. Em outras palavras, o pecado da descrença nos leva a praticarmos nossas inclinações particulares. E, além de tudo, somos “rodeados” por isso.

Novamente: enquanto eu concordo que os homossexuais podem e devem  vencer esse pecado, pode acontecer de a batalha não ser tão simples assim. Essa batalha pode ser uma luta contra os próprios atos do homossexualismo ou uma luta constante contra os desejos até o fim da vida. E isso não é diferente para nenhum cristão que não tenha inclinações para uma vida de homossexualismo. Muitos de nós temos outras sérias inclinações que podem nos perseguir até a vinda do Reino.
Muitos se referem à exortação de Paulo aos coríntios para olharem para as vitórias sobre o pecado, como se dizendo que eles não praticassem mais tais coisas ou estivessem toltalmente livres delas. Um desses pecados é o do homossexualismo.
“Vocês não sabem que os perversos não herdarão o Reino de Deus? Não se deixem enganar: nem imorais, nem idólatras, nem adúlteros, nem homossexuais passivos ou ativos, nem ladrões, nem avarentos, nem alcoólatras, nem caluniadores, nem trapaceiros herdarão o Reino de Deus. Assim foram alguns de vocês. Mas vocês foram lavados, foram santificados, foram justificados no nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito de nosso Deus.” 1 Coríntios 6.9-11
Por mais que isso pareça ser bem direto após uma leitura mais rápida, não creio que esse trecho apóie a idéia de que homossexuais não possam ser cristãos por duas razões principais. Primeiro, as pessoas para quem Paulo estava escrevendo eram pecadores e estavam sendo exortados por Paulo. Olhe o que ele escreve três capítulos antes:
“Irmãos, não lhes pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a crianças em Cristo. Dei-lhes leite, e não alimento sólido, pois vocês não estavam em condições de recebê-lo. De fato, vocês ainda não estão em condições, porque ainda são carnais. Porque, visto que há inveja e divisão entre vocês, não estão sendo carnais e agindo como mundanos?” 1 Coríntios 3.1-3
Eles eram carnais. Os pecados descritos em 6.9-10 são pecados carnais. Isso significa que os coríntios não estam indo necessariamente muito bem. Mesmo assim, Paulo fala que eles eram lavados e santificados. Dessa forma, ou Paulo sofria de algum tipo de amnésia ou nós precisamos entender 6.9-11 de forma diferente, o que nos leva à segunda razão pela qual acredito que essa passagem não possa ser usada para sustentar a idéia de que homossexuais não possam ser cristãos. Paulo identifica os cristãos com Cristo, não com a sua disposição pecaminosa. No pensamento Paulino, aqueles que foram envolvidos pela justiça de Cristo não são mais identificados de acordo com suas inclinações pecaminosas, mesmo que essas inclinações continuem a envolvê-los. Os coríntios estavam envolvidos com suas inclinações, mas Paulo os enxerga através da justiça de Cristo. É por isso que Paulo poderia dizer “assim foram alguns de vocês”. Isso não fez que os pecados fossem menos severos, mas isso significa que a redenção de Cristo, na teologia Paulina, redimiu o pecador, mesmo ainda em estado de pecado. Aqueles que não possuem a cobertura da justiça de Cristo ainda são identificados pelos seus pecados perante os olhos de Deus. Logo, entendendo esse contexto, é verdade, imorais, ladrões, adúlteros, homossexuais e todos os outros ímpios (que não estão cobertos pela justiça de Cristo) não herdarão o Reino de Deus. Mas, ainda bem, nós fomos cobertos pela justiça dEle e fomos separados, mesmo sendo ainda pecadores.

Mais uma coisa. Muitas vezes eu ouço essa concessão: tudo bem, eu acredito que homossexuais possam ser salvos, mas eles não podem acreditar que seu pecado é aprovado por Deus ou tentar justificá-lo. Por mais que eu entenda e concorde até certo ponto com isso, ainda tenho algum cuidado e acho que isso não é sempre o caso. Todos nós temos maneiras de justificar nossas inclinações, seja lá quais sejam elas. Às vezes, nós minimizamos o peso delas e, às vezes, simplesmente as negamos. Também é comum que a situação seja tal que nós simplesmente não as tratemos de forma alguma. Pedro viveu doze anos após a ressurreição de Cristo justificando sua crença de que os judeus eram melhores que os gentios. Ele viveu por doze anos após se tornar um cristão acreditando que, por ser um judeu, era tão melhor que os gentios que não poderia pisar na casa de um. Falando a Cornélio, um gentio, e a sua família, ele disse “Vocês sabem muito bem que é contra a nossa lei um judeu associar-se a um gentio ou mesmo visitá-lo. Mas Deus me mostrou que eu não deveria chamar impuro ou imundo a homem nenhum.” (Atos 10.28). E se Pedro tivesse morrido no ano onze? Ele teria morrido após viver toda a sua vida cristã sendo um racista orgulhoso. No Novo Testamento, o racismo é considerado muito mais ímpio que o homossexualismo. Logo, por mais que eu acredite que a convicção do Espírito Santo deva estar lá e vai mudar nossos corações, nós temos essa grande inclinação a justificar nossa pecaminosidade para nós mesmos, para os outros, ou simplesmente ignorá-la.

Tendo dito tudo isso, é necessário reconhecer a profunda pecaminosidade da perversão sexual. Homossexualismo é um pecado, e um dos mais destrutivos. Mas precisamos tomar cuidado e sermos graciosos com aqueles que lutam contra esse pecado, entendendo que a luta contra o pecado é comum a todos nós. A solução é não se comprometer com a agenda politicamente correta da nossa cultura, que transforma qualquer pecado em uma escolha de estilo de vida perfeitamente aceitável, mas ao mesmo tempo, sermos graciosos, sabendo que a única esperança que alguém pode ter é ser coberto pela justiça de Cristo, não a nossa.

Um homossexual pode ser um cristão? Sim. Todos os pecadores podem ser cristão. De fato, todos os cristãos são pecadores. Que olhemos todos para essa questão importante à luz de um entendimento profundo da luta contra o pecado e que Deus nos ajude a vencer as nossas inclinações.
“O pecado o ameaça à porta; ele deseja conquistá-lo, mas você deve dominá-lo” Gênesis 4.7
Fonte: iPródigo

segunda-feira, março 07, 2011

A igreja está cheia de hipócritas?

Por R. C. Sproul


Há 30 anos, meu colega e amigo íntimo Archie Parrish, que naquela época liderava o programa de Evangelismo Explosivo (EE) em Fort Lauderdale, veio até mim com um pedido. Ele percebeu que, nas centenas de visitas evangelísticas feitas pelas equipes do EE, havia um registro das respostas que as pessoas davam nas discussões sobre o Evangelho. Eles coletaram as questões e objeções mais frequentes que as pessoas levantavam sobre a fé cristã, e agrupou essas perguntas ou questionamentos nas 10 mais frequentemente feitas. Dr. Parrish perguntou se eu poderia escrever um livro respondendo a essas objeções, para ser usado em sua missão. Esse esforço resultou no meu livro Objections Answered, agora entitulado Reason to Believe. Entre as 10 objeções mais levantadas estava a objeção de que a igreja está cheia de hipócritas. Naquela época, o Dr. D. James Kennedy a respondeu dizendo: “Bem, sempre há lugar pra mais um”. Ele alertou as pessoas que, caso encontrassem uma igreja perfeita, elas não deveriam congregá-la, pois isso a estragaria.

O termo hipócrita vem do mundo do teatro grego. Era usado para descrever as máscaras que os atores usavam ao dramatizar certos papéis. Ainda hoje, o teatro é simbolizado pelas máscaras gêmeas da comédia e da tragédia. Na antiguidade, certos atores atuavam em mais de um papel, e eles identificavam seu personagem ao segurar uma máscara em frente ao rosto. Essa é a origem do conceito de hipocrisia.

Mas a acusação de que a igreja está cheia de hipócritas é claramente falsa. Embora nenhum cristão alcance a medida perfeita da santificação nesta vida, e que nós todos lutemos com o pecado constantemente, isto não justifica o veredito de hipocrisia. Um hipócrita é alguém que faz coisas que ele afirma não fazer. Observadores externos da igreja cristã veem pessoas que professam ser cristãs e veem que elas pecam. Uma vez que veem o pecado na vida dos cristãos, se apressam em julgar que, portanto, esses cristãos são hipócritas. Se uma pessoa diz não ter pecado e então se mostra pecadora, certamente essa pessoa é hipócrita. Mas o simples fato de um cristão demonstrar que é pecador não o condena como hipócrita.

Essa lógica invertida funciona mais ou menos assim: Todos os hipócritas são pecadores. João é um pecador; portanto, João é um hipócrita. Qualquer pessoa que conheça as leis da lógica sabe que esse silogismo não é válido. Mas se simplesmente mudarmos a acusação de “a igreja está cheia de hipócritas” para “a igreja está cheia de pecadores”, aí seríamos rápidos em nos declarar culpados. A igreja é a única instituição que eu conheço que exige o reconhecimento de ser pecador para alguém tornar-se membro. A igreja está cheia de pecadores porque a igreja é o lugar onde pecadores que confessam seus pecados encontram redenção de seus pecados. Então, neste sentido, simplesmente porque a igreja está cheia de pecadores não se justifica a conclusão de que ela está cheia de hipócritas. Novamente: toda hipocrisia é pecado, mas nem todo pecado é o pecado da hipocrisia.

Quando observamos o problema da hipocrisia na época do Novo Testamento, vemos mais claramente expresso nas vidas daqueles que clamavam ser mais justos. Os fariseus eram um grupo de pessoas que, por definição, se enxergavam como separados da pecaminosidade normal das massas. Eles começaram bem, procurando uma vida de piedade e submissão devotadas à Lei do Senhor. Entretanto, quando seu comportamento falhou em alcançar seus ideais, eles começaram a abraçar o fingimento. Eles fingiam que eram mais justos do que eles eram. Usavam uma fachada externa de justiça, o que servia simplesmente para mascarar a corrupção radical de suas vidas.

Embora a igreja não esteja cheia de hipócritas, não há dúvidas de que a hipocrisia é um pecado que não está limitado ou restrito aos fariseus do Novo Testamento. É um pecado que os cristãos devem combater. Um alto padrão de comportamento reto e espiritual foi proposto para a igreja. Nós frequentemente somos envergonhados por nossas falhas em alcançar esses objetivos altos, e somos inclinados a fingir que alcançamos um ponto mais alto de justiça do que realmente conseguimos. Quando fazemos isso, colocamos a máscara de hipócrita e estamos debaixo do julgamento de Deus sobre esse pecado em particular. Quando nos encontramos enrascados neste tipo de fingimento, um alarme deve tocar em nossas mentes, a fim de que corramos de volta para a cruz e para Cristo, e entendamos onde nossa verdadeira justiça reside. Devemos encontrar em Cristo não uma máscara que esconde nossa face, mas um verdadeiro guarda-roupas, que são a Sua justiça. De fato, é somente debaixo da veste que é a justiça de Cristo, recebida pela fé, que qualquer um de nós pode ter esperança de permanecer diante de um Deus santo. Vestir pela fé os trajes de Cristo não é um ato de hipocrisia. É um ato de redenção.

Fonte: iProdigo

quarta-feira, setembro 30, 2009

Hamartiologia (Teologando)

No site Teologando, você pode encontrar sobre Hamartiologia. Abaixo o sumário.

I. INTRODUÇÃO

II. CONDIÇÃO ORIGINAL DO HOMEM
A. Semelhança Natural com Deus
B. Semelhança Moral com Deus

III. QUEDA
A. Queda como Fato Histórico
B. Queda como Fato Teológico

IV. DEFINIÇÃO DO PECADO
A. Conceito no Velho Testamento
B. Conceito no Novo Testamento

V. DEPRAVAÇÃO HUMANA
A. Depravação Total
B. Incapacidade Total
C. Depravação, Incapacidade e a Liberdade Humana

VI. CONSEQUÊNCIAS DA QUEDA
A. Separação Espiritual: o homem e o Criador
B. Separação Psico somática: o homem em si mesmo
C. Separação Sociológica: o homem do homem
D. Separação Antroecológica: o homem da natureza
E. Separação Ecológica: a natureza da natureza
F. Separação Final

domingo, setembro 27, 2009

Declaração Pessoa de Fé: Pecado

O homem foi criado perfeitamente (Gn 1.31), justo, mas decidiu buscar intrigas (Ec 7.29), o pecado contra seu próprio Criador (Gn 3), facilitado pelo Diabo (Gn 3; Ap 12.9). Por causa disso, o primeiro homem e toda sua descendência se distanciaram do perfeito relacionamento que tinham com Deus, dando-lhes a chance quase que inevitável de morrer (Rm 5.12-19, 3.23, Gn 5.24). Os homens são todos pecadores e inclinados à prática do mal (Rm 1.18-32, 3.23, 7.14-20). Todos os pecados são, à priori, cometidos contra Deus (Gn 39.9; Sl 51.4; 1Co 8.12) e seu próprio Corpo (1Co 11.29, 12.12), mas também engloba o próximo (Mt 6.14-15). O homem é incapaz de obter a salvação por seus próprios meios (Rm 3.20; Ef 2.8-9), mas a fé é capaz de transferir a culpa que o condena ao cordeiro de Deus (Rm 3.20; Gl 3.10-11; Ef 2.8,9; Cl 3.13-15). A incredulidade é o pecado que leva o homem à condenação certa (Jo 3.36, 1Jo 5.10-12), o pecado sem perdão (Mc 3.29). Somente a graça de Deus pode sobrepor a culpa do pecado (Rm 5.15-17; Ef 2.8,9).