domingo, outubro 30, 2011

“As crianças estão precisando de tapa na bunda”, diz terapeuta infantil

Para Denise Dias, que lança livro favorável à adoção de formas físicas de punição, falta de limites cria “geração de delinquentes”

Como explicar a uma criança a forma correta de agir? A dúvida, comum a muitas mães, divide especialistas. Mas há um ponto em que todos parecem concordar atualmente: bater para educar seria pouco eficaz e traumatizante para a criança. Poucos seguem outra linha de raciocínio. É o caso da terapeuta infantil Denise Dias, que lançou em outubro deste ano o livro “Tapa na Bunda – Como impor limites e estabelecer um relacionamento sadio com as crianças em tempos politicamente corretos” (Editora Matrix).

Desde 1998 o conselho da União Europeia está em campanha contra as palmadas. Ao todo, 22 países europeus, como Suécia, Áustria e Alemanha, criminalizaram punições físicas. Publicada em abril de 2010, uma pesquisa realizada com crianças entre três e cinco anos por cientistas da Universidade de Tulane, nos Estados Unidos, constatou que aquelas cujos pais costumavam disciplinar com tapas tinham 50% mais chances de desenvolver agressividade. No Brasil, tramita no congresso desde 2002 um projeto de lei que visa proibir as palmadas. Apoiado pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e por estrelas como Xuxa, o assunto ganhou notoriedade.

Com mais de dez anos atendendo crianças e adolescentes, inclusive em instituições dos Estados Unidos, Denise, no entanto, não vê problemas na adoção da palmadas educativas. “As crianças estão precisando de tapa na bunda”, diz a terapeuta. Ela vê a carência na imposição de limites às crianças como um dos principais problemas da geração atual: “virou uma bagunça tão grande que hoje nós temos uma geração de delinquentes adolescentes”. Confira a entrevista que ela concedeu ao Delas.

iG: Qual a ideia central do livro?
Denise Dias:
Eu vejo que as palmadas que os pais dão nos filhos, de vez em quando, não têm mal nenhum. “Monstrualizaram” a educação doméstica. Não se pode mais falar em tapa ou em castigo. Não se pode mais falar que os pais mandam nos filhos. Virou uma bagunça tão grande que hoje nós temos uma geração de delinquentes adolescentes. Podemos até falar que é uma geração drogada e prostituída também. A quantidade de jovens usuários de drogas só cresce ano após ano, isso não é falta de informação, é falta de limite. O que é, muitas vezes, imposto com um tapa na bunda.

iG: Qual a diferença entre palmada e agressão?
Denise Dias:
Não existe um “tapômetro” para mensurar isso quantitativamente. No Reino Unido, quando um pai é julgado (por algum tipo de agressão ao filho), eles observam se foi deixada alguma marca na criança. Esta seria uma forma mais palpável de medir.

iG: Um capítulo do seu livro fala sobre “criar monstros”. Você pode explicar essa ideia?
Denise Dias:
Em uma escada de hierarquia, onde ficam os pais? No topo. Onde ficam os filhos? Lá embaixo. Os pais possuem autoridade indiscutível perante os filhos. Para uma criança crescer saudavelmente, ela precisa de um adulto seguro que diga o que pode e o que não pode ser feito. Hoje em dia, ao invés de colocar limites, eles (os pais) estão filosofando excessivamente com as crianças. Costumo dizer que os pais ficam com “teses de doutorado”, explicando demais para uma criança de quatro, cinco anos de idade cujo cérebro não está formado adequadamente para formar abstração, formar filosofia. Por isso que um pai que mora no décimo andar não tenta explicar para a criança que ela pode cair da varanda. O que ele faz? Coloca rede em todas as janelas. É só uma criança, ela paga para ver.
iG: Você acha que a palmada é a melhor forma de exercer autoridade?
Denise Dias:
Não. Acho que é uma das alternativas e, muitas vezes, é o que resolve. Tem crianças que nunca precisam levar uma palmada, a mãe olha e ela já obedece. Tem criança, no entanto, que faz alguma coisa errada e, por mais que a mãe coloque-a de castigo e tire privilégios, continua mexendo onde não deve mexer. O que adianta? O que ela está pedindo? Tapa na bunda. As crianças estão precisando de tapa na bunda.

iG: Não existem outras formas de exercer a autoridade, como saber dizer “não”?
Denise Dias:
Com certeza. Isso eu abordo com clareza no meu livro. O tapa na bunda é um último recurso, mas muitas vezes ele é necessário.

iG: Como saber quando ele é necessário?
Denise Dias:
Quando você já chamou a atenção da criança, já tentou fazê-la parar de fazer o que não deveria estar fazendo, já tentou colocar de castigo e mesmo assim ela continua. O que essa criança está pedindo? Limites. Tem criança para as quais basta dizer algo como “vai ficar sem o cinema hoje”, que ela aprende. Ela não gosta daquilo, então se comportará, em uma próxima vez, para que não aconteça de novo. Mas existem crianças que testam incansavelmente os pais. São esses adolescentes que crescem e queimam um índio, atropelam skatistas...

iG: Bater nas crianças não pode ser considerado um pouco primitivo?
Denise Dias:
De forma alguma. Uma coisa é a palmada, depois que já tiveram vários outros tipos de punições que não deram certo. Outra coisa é um pai que chega estressado do trabalho, a criança faz algo como derrubar suco na mesa, por exemplo, e o pai, na sua ignorância, lasca um tabefe na criança. São situações muito diferentes.

iG: Qual a sua opinião sobre o projeto de lei que visa proibir a palmada?
Denise Dias:
Eu sou contra. Ele não é necessário. O Estatuto da Criança e do Adolescente já protege contra a violência. Vamos definir “violência”. A criança brasileira está prostituída na rua, está na cracolândia... A criança brasileira está chegando ao quinto ano do ensino público sem saber fazer uma conta de subtração. Isso é violência. Agora o congresso quer criminalizar uma palmada que um filho que olha para o pai e fala “cala a boca, seu idiota” toma? O pai que não coloca limites no filho está criando um monstro.

iG: O que levou você a escrever este livro agora, na contramão de diversos estudos e correntes pedagógicas que pregam justamente o fim das palmadas?
Denise Dias:
Para dizer a verdade, no meu convívio profissional o que eu mais conheço, graças a Deus, são profissionais a favor de umas palminhas para educar. Eu vinha escrevendo o livro desde 2009. Quando deu o boom sobre o assunto, por conta do projeto de lei, comecei a correr para terminar o livro.

Fonte: delas.iG

sábado, outubro 29, 2011

Lidando com a decepção na igreja

Por Kevin DeYoung

“Ninguém me apoiou.”
“Eu não era importante para ninguém.”
“Você não estava nem aí.”
Essas são algumas das coisas mais difíceis que um pastor pode ouvir de sua congregação, estejam elas se referindo diretamente a ele ou não. Essas situações também são algumas das mais agressivas que um membro pode acusar a igreja e, sem dúvida, das mais doloridas que um membro da igreja pode sentir. Mesmo assim, esses sentimentos acontecem, e esses pensamentos são verbalizados, muito freqüentemente na vida da igreja.
É fácil imaginar o que leva as pessoas a não sentirem amadas.
  • Um pastor que não visita uma família que perdeu de forma trágica uma filha em um acidente de carro.
  • Um casal visita igreja por seis meses. Eles nunca são convidados para almoçar na casa do pastor. Então começam a procurar por outra igreja.
  • Um estudante recém formado se sente invisível porque é solteiro e tímido. Ninguém se esforça para conhecê-lo. Após alguns meses saindo rapidamente da igreja após o culto para não ficar lá isolado, ele desiste da sua igreja, e talvez de qualquer igreja.
  • Um jovem rapaz é chamado ao conselho da igreja porque engravidou a namorada. Ele nunca se encontrou com o conselho assim, e se sente enfrentando a inquisição. Ele não nega que pecou, mas o cuidado pastoral que está recebendo não parece muito amoroso.
  • Uma das famílias mais tradicionais da igreja começa a faltar alguns cultos. Eventualmente, eles não aparecem mais. Quando você finalmente nota, já faz uns seis meses que eles sumiram. Quando você telefona para saber o que aconteceu, já é tarde demais.
  • Uma jovem que acabou se tornar mãe percebe que não foi convidada para o estudo bíblico das mães. Ela não sabe o porquê ao certo, mas imagina que tem algo a ver com seu passado. Após um ano se sentindo isolada, sua família deixa a igreja por causa de seus grupos fechados.
Existem muito mais situações desse tipo, todas muito doloridas, para as ovelhas e para os pastores. Como devem responder então os membros da igreja quando eles não se sentem amados, apoiados, ou se sentem como estrangeiros em sua própria igreja? E como devem responder os líderes da igreja quando são criticados por não se preocuparem com os membros ou a igreja falha por não ser muito amável?
A resposta mais fácil é assumir que o outro lado está sempre errado. Eu já conversei com cristãos (não necessariamente os da minha igreja) que mantém uma extensa lista de mágoas com a sua igreja. Eles nunca consideram que talvez sejam mais do que apenas vítimas indefesas. Eles talvez sejam parte do problema. Por outro lado, eu já estive em reuniões de pastores onde a grande afirmação por trás das conversas, piadas e reclamações é que eles têm servido fielmente, mas a igreja simplesmente não percebe.
Os dois lados seriam mais bem servidos se questionassem alguns pontos antes de baterem o pé e tirarem conclusões precipitadas.
Pastores e líderes, na próxima vez que forem criticados por não serem amáveis ou cuidadosos, se perguntem:
1. Nós temos algum mecanismo para conhecer pessoalmente nossas ovelhas? Como líderes, nós prestaremos contas pela forma como cuidamos das almas das outras pessoas (Hebreus 13.7). A Bíblia não ordena apenas uma forma única de cuidar da membresia, nós devemos trabalhar para ter algum processo que funcione. Se nunca perguntarmos “como a congregação está?”, ou ainda melhor, “como você, meu irmão, está?”, não podemos ficar surpresos ao acharmos muitas pessoas desapontadas.

2. Nós temos alguma forma de descobrir quando as pessoas não estão freqüentando culto? Você pode dar uma olhada, perguntar para os amigos ou se informar na recepção, mas nós precisamos ter uma idéia geral de quem não está sendo fiel à membresia do culto. No Livro de Ordem da minha Igreja estipula que sempre falemos sobre isso nas reuniões do conselho de líderes. O primeiro passo para descobrir quem está sumido é começar a procurar e começar a falar sobre isso.

3. Estamos confrontando os grupos fechados na nossa igreja? A linha que separa uma comunidade de uma elite é tênue. Mas se há uma diferença central, é a abertura. Uma comunidade saudável recebe bem as pessoas novas. Uma elite procura formas de manter as pessoas novas do lado de fora. Pastores precisam confrontar o problema dos círculos fechados de forma direta – na pregação, nas decisões da igreja, e nas conversas pessoais. Os líderes também deve se assegurar de não estarem em grupos fechados. É bom ter bons amigos. Mas os amigos que excluem todos os outros são muito ruins.

4. Há maneiras fáceis e identificáveis de os tímidos e mais reservados se envolverem e serem conhecidos pelos outros? Os mais enturmantes e extrovertidos se sentirão em casa, na igreja, rapidamente. Mas ‘pontos de entrada’ bem divulgados e convites pessoas são necessários para muitos outros.

5. É possível que estejamos mais em falta do que imaginamos? Liderar não significa dizer que está errado toda vez que o Senhor Sensível se sente ofendido. Mas significa estar sempre aberto para a possibilidade que você errou mais do imagina.

6. Temos feito promessas que não cumprimos? Não há nada mais perigoso do que boas intenções bem divulgadas e mal executadas. A liderança cria um programa de visitação às famílias, mas só visitam metade. Um pastor promete continuar uma conversa ali no hall de entrada da igreja após atender o celular, mas acaba esquecendo. A igreja promete que todos os membros terão um mentor, mas no fim das contas não há mentores o suficiente. Não crie expectativas tão altas que você fatalmente não alcançará.

7. Os críticos são sempre críticos? Pastores podem perder tempo com murmuradores. Quando o fazem, eles geralmente estão muito cansados para prestar atenção quando membros leais oferecem críticas bem fundamentadas. Não devemos gastar muito tempo ouvindo as reclamações de sempre, exceto aquelas que vêm de um novo reclamão. Em outras palavras, considere a fonte das críticas, e lembre-se que “Quem fere por amor mostra lealdade.” (Provérbios 27.6)

Quanto aos feridos e desapontados, antes de criticar seus líderes, se pergunte:
1. Eu pedi ajuda? Pastores e líderes não são oniscientes. Mesmo com as melhores estratégias de pastoreio, as pessoas cometem falhas. Se você realmente precisa de ajuda, não deixe de pedir. Eu sei que todos querem ser notados. Mas é difícil para uma dúzia de pessoas notarem cinco mil, ou vinte e poucos notarem dois mil. Ajude os seus líderes a te ajudarem.

2. Eu deixei de lado as oportunidades de me encaixar e conhecer pessoas? Antes de reclamar que você esteve na igreja por seis meses e não conheceu ninguém, pense nas maneiras que você pode fazê-lo nos próximos seis. Há algum pequeno grupo que você pode freqüentar? Há um culto mais informal que você pode comparecer? Que tal se oferecer para ajudar no berçário na próxima vez que precisarem? Você tentou aparecer nas reuniões de esportes ou de oração? 90% de “amar e ser amado” é comparecer.

3. É realista imaginar que os líderes podem dar tanta atenção pessoal para todos os membros da igreja quanto eu imagino que deveriam? É fácil pensar “tudo o que eu queria era uma visita. Não me diga que eles estavam tão ocupados que não poderiam reservar apenas uma noite para a minha família”. Mas lembre-se que você não é o único membro da igreja. Se a quantidade de carinho que você espera de seus líderes não pode ser multiplicada pelo número de pessoas da igreja, talvez você esteja esperando além da conta. Se você quer tudo, sempre estará desapontado.

4. Se eu realmente queria ser amado e notado, porque deixei de aparecer? De um lado, líderes da igreja deveriam saber quando os membros da igreja se desviaram. Bons pastores mantêm os olhos nas suas ovelhas. Por outro lado, se as ovelhas querem ser cuidadas pelo rebanho, elas não devem se afastar dele. As pessoas se magoam quando sua ausência na igreja não é notada. Mas eu tenho dificuldade em sentir muita simpatia nesse caso, a não ser que você esteja lidando com alguém com problemas de reclusão ou alguém cuja ausência não é voluntária. Não fuja se você quer ser achado.

5. Estou disposto a considerar que eu esteja mais em falta do acredito estar? Se parece que seus líderes nunca fazem nada certo, talvez seja você que está dificultando a vida – a sua e as deles.

6. É possível que eu tenha deixado de lado as maneiras que o corpo de cristo cuidou de mim porque eu esperava que uma parte diferente do corpo fosse atrás de mim? Algumas vezes os membros da igreja vão dizer “Tudo bem, meu pequeno grupo me mandou cartas, mas o pastor nunca telefonou”. Ou “Sim, os pastores sempre foram muito amigáveis comigo após o culto, mas ninguém da minha idade falou comigo”. Ou “Eu sei que os líderes se importam comigo, mas isso é o trabalho deles”. Ou, ao contrário, “Certo, meus amigos oraram por mim, mas eu nunca soube que os líderes o fizeram”. Antes de se preocupar com isso, lembre-se que o objetivo do corpo é cuidar do corpo, e não que o ombro sempre receba uma massagem especial da sua mão favorita.

7. Em geral, eu acho essa igreja e esses líderes pouco amáveis e cuidadosos? Se a resposta é sim, e você lida bem com a Questão 5, então talvez você precise de uma igreja diferente. Mas se a resposta é não, pense em dar uma segunda chance para seus líderes. Talvez eles tenham apenas dado uma mancada. Todos nós erramos de vez em quando. Eu sei que eu erro. Talvez eles estivessem muito ocupados e deram bobeira. Ou talvez você não saiba da história toda. De qualquer forma, não deixe que um equívoco afete a impressão que você tem da igreja.

Tanto para ovelhas como para pastores, os ingredientes indispensáveis para viver juntos são amor e humildade. Amor para cuidarmos dos outros como queremos ser cuidados. Humildade para considerarmos que talvez estamos em falta. É inevitável nos decepcionarmos com a igreja. Mas isso não precisa destruir a unidade do corpo de Cristo. O Senhor pode usar nossas mágoas para nos fazer lentos para falar e prontos para ouvir.

Traduzido por Filipe Schulz
Fonte: iPródigo

sexta-feira, outubro 28, 2011

O poder do encorajamento

Por Paul Tautges

Alguma vez você já experimentou o poder do encorajamento? Lembro-me de muitas vezes, ao longo dos anos, nas quais Deus providenciou crentes fiéis que foram “outrocêntricos” o suficiente para chegar ao meu lado e fortalece as minhas mãos para a Sua obra.

O apóstolo Paulo tinha um homem ao seu lado chamado Onesíforo. Ele é um dos servos que costumam passar despercebidos nas Escrituras. Seu nome já diz tudo. Onesíforo significa “portador de um benefício” − exatamente aquilo que ele era. Quando Paulo, sentado em uma prisão romana, considerava as últimas palavras que ele escreveria sob a inspiração do Espírito Santo, o nome de seu amigo fiel não poderia deixar de lhe vir à mente. E com ele aprendemos três qualidades de um encorajador fiel.

Um encorajador oferece motivação nova em meio a uma situação de rejeição ministerial.
“Você sabe que todos os da província da Ásia me abandonaram, inclusive Fígelo e Hermógenes. O Senhor conceda misericórdia à casa de Onesíforo, porque muitas vezes ele me reanimou e não se envergonhou por eu estar preso” (2Tm 1.15,16). Como pregador do evangelho e de todo o conselho de Deus, Paulo estava acostumado ao abandono. À semelhança de Jesus, ele estava cercado de muitas pessoas que pegavam carona ao seu lado, mas quando o compromisso com os caminhos de Deus e a Palavra de Deus significava desconforto e até mesmo perseguição, a multidão partia e ele ficava com poucos fiéis.

Onesíforo, um daqueles servos fiéis, reanimou Paulo. Esta é a única ocorrência da palavra reanimar no Novo Testamento. Ela retrata alguém que providencia uma brisa refrescante para a pessoa que está prestes a desmaiar. Nossos dias não são muito diferentes daqueles em que Paulo viveu. São muitas as pessoas que pegam carona e “seguem” a Jesus, até que o desapontamento bate à sua porta ou que o morrer para si mesmo torna-se uma realidade. Que Deus desenvolva em cada um de nós a perseverança necessária para sermos encorajadores fiéis em longa distância.

Um encorajador dedica-se a reanimar os outros com grande entusiasmo.
O versículo seguinte diz: “…quando chegou a Roma, procurou-me diligentemente até me encontrar” (2Tm 1.17). Onesíforo não ficou esperando nem mesmo orando por oportunidades para servir. Assim que ele soube de uma necessidade, ele agiu de acordo com ela, mesmo que isso significasse sair à procura de uma prisão romana onde encontraria seu irmão. Não devemos permitir que nossa perspectiva de ministério em vidas seja ditada pela “cultura da conveniência”. Ser um encorajador fiel exige que sejamos pessoas de iniciativa que buscam formas de reanimar outros crentes, mesmo que isso signifique sacrifício pessoal ou desconforto.

Um encorajador mostra lealdade diante da adversidade.
A adversidade revela quem são de fato os seus verdadeiros amigos. Em contraste com todos os que estavam na Ásia, e que se afastaram de Paulo, Onesíforo “não se envergonhou” da prisão de Paulo (1.16). Ele conhecia o significado de Provérbios 17.17: “O amigo ama em todos os momentos”. Mais adiante, Paulo escreveu: “Na minha primeira defesa, ninguém apareceu para me apoiar; todos me abandonaram” (2 Tm 4.16 ). No entanto, três versículos depois, ele pediu a Timóteo que levasse suas saudações à casa de Onesíforo (4.19). Seu espírito corajoso e sua devoção a Paulo estabeleceram um forte contraste com a infidelidade de tantos outros.

Ser um encorajador fiel exige uma lealdade que resiste em tempos difíceis. O exemplo de Onesíforo é digno de imitação. Que Deus nos conceda a graça de sermos “outrocêntricos” para que os crentes ao nosso redor possam experimentar o verdadeiro poder do encorajamento.

E você, a quem vai reanimar hoje?

Fonte na língua original: Counseling One Another
Original: The power of encoragement
Tradução e fonte de Conexão Conselho Bíblico

terça-feira, outubro 25, 2011

A Utilidade da Decepção

Por Thomas Tronco

Meu primeiro ano na faculdade de odontologia, dezenove anos atrás, foi um tempo marcante em todos os sentidos. Em primeiro lugar, havia uma enorme euforia de estar na faculdade aprendendo teorias e técnicas que me acompanhariam profissionalmente no futuro e abririam portas de um trabalho missionário. É claro que, com isso, a expectativa da formatura já começava a abrasar o coração inquieto. Depois, cresceu em mim um sentimento de responsabilidade, já que as matérias eram muito difíceis, exigindo o máximo empenho dos alunos, e a quantidade de livros, apostilas e roteiros a serem estudados era, às vezes, tão grande, que tornava difícil o seu transporte.

Contudo, meu primeiro ano também foi marcado por um sentimento de extrema derrota. Isso porque uma das duas matérias semestrais que tive terminou com um resultado negativo. Na primeira prova, ainda não adequado ao ritmo universitário, obtive uma nota muito difícil de recuperar. Decidido a mudar esse quadro, dediquei-me de tal maneira que estava certo de que viria a comemorar tão logo visse meu nome no quadro de notas. Mas, apesar de ter ido bem na prova, não deu! O dano causado na primeira prova tornou muito difícil a recuperação na segunda. Lembro-me, como se fosse hoje, da decepção que senti.

Infelizmente, a decepção não costuma andar sozinha. A desesperança é sua companheira de viagem. Era ela que eu carregava diariamente ao enfrentar as dificuldades das outras matérias. Como eram matérias anuais, o início, não muito convincente, podia ser revertido em aprovação. Mas quem disse que havia em mim esperança de conseguir? Eu pensava: “Se fracassei na primeira matéria, por que não fracassaria também nas outras? Se fui incapaz de passar naquelas provas, de onde tirei a ideia de que sou capaz para qualquer coisa?”. Fui consumido muito tempo por essa tristeza, amargura e frustração.

Como reação natural ao medo do fracasso, criou-se em mim a mentalidade acadêmica que pudesse cumprir as responsabilidades de estudo, de horários, de presença, de realização de trabalhos e da humildade necessária para saber como se postar ante o ensino. Contra minhas expectativas, fui aprovado nas três disciplinas que eu achava que não seria capaz de vencer, todas elas por um décimo de ponto a mais do que a nota de que eu necessitava.

O misto de sentimentos que tive ao longo das férias de verão, tanto de alegria pelo êxito como de incerteza sobre a capacidade pessoal, me fez voltar uma nova pessoa no ano seguinte. Aproveitei o melhor que pude o restante do curso, comprometendo-me além do exigido. A verdade é que o modo como passei a lidar com o aprendizado e com a responsabilidade pessoal me acompanha até hoje, pelo que nunca deixarei de ser grato pela minha derrota inicial e por toda a decepção que senti. Sempre agradeço a Deus pela preciosa lição com a qual ele me modelou.

Perece ter sido essa a mesma experiência de Pedro que, depois de afirmar orgulhosamente que nunca negaria a Cristo, chegando até mesmo ao ponto de morrer com ele (Mt 26.33-35), teve o desprazer de negar seu Mestre três vezes diante de serviçais (Mt 26.69-74). Consigo entendê-lo perfeitamente quando Mateus narra: “E, saindo dali, chorou amargamente” (Mt 26.75). Também sei o efeito que a atuação inesperada, mas restauradora, do chamado de Cristo por meio dos anjos tem: “Mas ide, dizei a seus discípulos e a Pedro que ele vai adiante de vós para a Galileia; lá o vereis, como ele vos disse” (Mc 16.7). Chamar Pedro pelo nome foi a confirmação de que ele não havia sido rejeitado e que podia por de lado a decepção e continuar. O final da vida de Pedro foi em uma cruz, com sua cabeça virada para baixo, confessando pública e ousadamente a fé no seu Senhor.

Impressionante! Quantas vezes tenho de lembrar dessa lição para não ser consumido pela decepção, frustração, desesperança e pela sensação de fracasso e incapacidade. Contudo, a lição de Deus me enche de forças, pois sei que ele está comigo; enche-me de esperanças, pois já o vi tomar-me pela mão e me erguer; enche-me, também, de conforto, pois aprendi de fato a preciosa, humilhante e encorajadora lição. Nas mãos de Deus, até a desilusão tem sua utilidade!

domingo, outubro 23, 2011

A Brevidade da Vida

Por Vlademir Hernandes

Quando alguém do nosso relacionamento morre prematura, repentina e inesperadamente, é inevitável que uma enxurrada de pensamentos flua através das nossas mentes. No meio dos mais variados questionamentos que possamos fazer e das mais inalcançáveis respostas que ansiamos encontrar, há uma indagação bastante recorrente e que de tão incômoda eventualmente acaba sendo útil: “Quando será a minha vez?”.

Por mais que eu e você evitemos pensar nestes termos ou busquemos encontrar algum alento nas estatísticas sobre a longevidade e expectativa de vida nos nossos dias, é importante que consideremos atentamente aquilo que a Palavra de Deus repetidas vezes nos ensina: “A vida é breve e nossa partida é iminente!”.

O salmista percebe a importância desta constatação quando clama: “dá-me a conhecer, SENHOR, o meu fim e qual a soma dos meus dias, para que eu reconheça a minha fragilidade” (Sl 39:4). Sua consideração subsequente é igualmente apropriada: “com efeito, passa o homem como uma sombra; em vão se inquieta; amontoa tesouros e não sabe quem os levará” (Sl 39:6).

Nesta linha, a um que encontrou segurança nos bens terrenos que tanto valorizou quanto se aplicou a acumular, Jesus pergunta: “Louco, esta noite te pedirão a tua alma, e o que tens preparado, para quem será?” (Lc 12:20). A outros que desprezavam a vontade de Deus ao fazerem planos gananciosos e prepotentes, Ele adverte: “Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa.” (Tg 4:14).

Quando o salmista reflete sobre a brevidade da vida, sobre a improdutividade e desprazer que acompanham a velhice ele treme diante da possibilidade de desperdiçar a vida no erro e na provocação a Deus. Seu clamor cabe muito bem na nossa boca: “Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio.” (Sl 90:7-12).

Nossa vida passa muito rapidamente, entretanto o nosso chamado e vocação foram revelados muito claramente. Há muita coisa relevante, conforme Sua vontade e para a Sua glória que precisamos urgentemente priorizar em nossas breves e frágeis vidas. Se você fosse partir hoje, quais seriam seus arrependimentos? Que o Senhor nos ajude a refletir nas coisas que consomem nosso tempo, talentos e recursos e nos ensine a correr atrás daquilo que de fato tem valor eterno!

Quanto sucesso profissional? Quantos bens acumulados? Quanto conforto? Quanto prestígio? Quanta roupa da moda? Quantas viagens? Quanto lazer? Quanto prazer? Quanto tempo à televisão? Quanto desperdício!

Ensina-nos, SENHOR, a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio, e vivamos de modo digno de Ti!

Fonte: IBCU

sábado, outubro 22, 2011

P.T. Forsyth: É possível...

It is possible to be so active in the service of Christ as to forget to love him.

É possível ser tão ativo no serviço de Cristo, como esquecer de amá-lO.

-- P.T. Forsyth

quinta-feira, outubro 20, 2011

Encontros e Desencontros no 6° Congresso Brasileiro de Missões

Por Thomaz Litz
Missionário da JUVEP no alto sertão paraibano, coordenador do Projeto Radical Sertão e professor na Escola de Missões Transculturais. É mestre em Missiologia (M.A.) e em Direito (LL.M.). Casado com Mayra com quem tem dois filhos (veja no site da Juvep - clique).

Nas 17 horas de viagem retornando do 6° Congresso Brasileiro de Missões em Caldas Novas / GO, com o tema “a missão transformadora diante da realidade mundial”, tive muito tempo para refletir.

1. A realidade mundial


Percebo que a realidade mundial, apesar de tema, quase não foi comentada no Congresso. Pouco se falou a respeito dos movimentos revolucionários do mundo árabe, especialmente no Norte da África e no Oriente Médio. Tampouco da crescente influência turca sobre a “primavera árabe”. Mesmo na palestra “a ação missionária e os sistemas totalitários”. Nada se comentou a respeito da secularização, da radicalização dos conflitos étnicos, do ressurgimento do nacionalismo e da crise financeira na Europa, com possibilidade real de dissolução da zona do euro. Mesmo na palestra “como tornar o Evangelho relevante num mundo secularizado”. Ninguém se lembrou do galopante desemprego nos Estados Unidos e dos problemas sociais resultantes, tais como moradores de rua e crescente mendicância. Mesmo nas palestras “projetos de ação social nas favelas dos grandes centros” e “inclusão social e a evangelização”. Passou despercebida a ascensão econômica e política da China e a dinâmica social na Ásia. Não se conversou sobre os outros emergentes (BRICS), especialmente Rússia, Índia (talvez com 70 milhões de cristãos), China (talvez com 100 milhões de cristãos) e África do Sul. Esqueceram-se dos mais dinâmicos movimentos missionários atuais, entre eles o fenômeno indiano (talvez 50.000 missionários transculturais), a força nigeriana, as contradições sul-coreanas (11.247 missionários transculturais), a simplicidade filipina (2.145 missionários transculturais), as surpresas vindas de Mianmar (1.953 missionários transculturais), Nepal (600 missionários transculturais) e Indonésia (421 missionários transculturais), o enigma chinês e egípcio.[1] Todos esses assuntos estão em pauta na arena mundial e são de profundo impacto na práxis missionária.

2. Diante da missão transformadora
Falamos, e muito, sobre a missão transformadora. Concordamos em fazer teologia de missões a partir de Gênesis 1, e não somente a partir do capítulo 3 do primeiro livro da Bíblia, ou até mesmo do Novo Testamento. Mas nesse afã integral de entender a palavra de Deus, misturamos mandato cultural com mandato missionário. Chegou-se a afirmar que “Deus fez primeiro ação social, depois evangelizou”[2], referindo-se à criação, obviamente anterior à pregação. Deixamos de ser holísticos, quando colocamos o social acima ou anterior à evangelização. Fica a pergunta: precisamos poupar o maior número de vidas através da ação social, para depois evangelizá-las? Ou precisamos viver o Evangelho em palavra e ação para o maior número de pessoas, poupando-as assim da morte física e espiritual? Ação social sem Evangelho é humanismo, não Missões. Tentou-se entender a missão diante dos impactos negativos no meio ambiente e a implicação do mandato cultural para a Igreja. Mas se perdeu a chance de reacender a chama missionária da igreja evangélica brasileira, quando se elegeu ecologia como tema central do Congresso. Não seria esse um tema da ética cristã, bem melhor inserida no próximo Encontro do RENAS (Rede Evangélica Nacional de Ação Social)? Falou-se muito, fez-se pouco. Toneladas de papel foram distribuídas aos congressistas, às vezes até contra sua vontade.

3. Faróis no oceano
Apesar de alguns desencantos, o 6° CBM também teve seus momentos de brilho. Buscou-se a unidade do corpo de Cristo com o lançamento da Aliança Evangélica. Ficamos tocados com a apresentação magistral sobre a vida missionária de Paulo feita por Hernandes Dias Lopes. Dois pastores e líderes indígenas, Henrique Terena e Eli Tikuna, nos abençoaram com sua integridade de vida e relatos sobre o avanço do CONPLEI (Conselho Nacional de Pastores e Líderes Evangélicos Indígenas). Aurivan Marinho, após discorrer com maestria sobre as falsas dicotomias entre teologia e missões, intelectualidade e piedade, dons e frutos do Espírito, espiritualidade e serviço, planejamento e direcionamento do Espírito, lembrou-nos que circunstâncias como fome, martírio e perseguição não podem determinar a agenda da igreja. Augustus Nicodemos apresentou a teologia da evangelização mundial de Paulo. Finalizando o Congresso, fomos chacoalhados por Ronaldo Lidório. Ainda existem no mundo 2.500 línguas sem tradução bíblica e 1.450 povos sem igreja autóctone. No Brasil, os oito maiores desafios missionários são: (1) as 121 etnias indígenas sem o Evangelho; (2) 10.000 comunidades ribeirinhas a serem alcançadas; (3) 700.000 ciganos da etnia calón sem escrita decifrada; (4) no mínimo 120 comunidades quilombolas sem o Evangelho; (5) inúmeros estrangeiros de países fechados ou de difícil acesso ao Evangelho vivendo no Brasil; (6) os ricos dos ricos, (7) os pobres dos pobres e (8) os excluídos vivendo às margens do Evangelho.[3]

4. Desvendando a neblina
Fazendo um balanço, o melhor do CBM não são as palestras. São os encontros e reencontros, a rede de contatos e as conversas de corredor. Num desses esbarrões no almoço recebi uma aula de missiologia por Bijoy Koshy, indiano, diretor da maior região geográfica da Missão Interseve (Américas e Pacífico Norte) e presidente da Associação de Missões da Índia, provavelmente a maior associação de missões do mundo. Conversamos sobre os movimentos missionários na Ásia e Brasil. A seguir algumas reflexões pessoais a partir desse interessante diálogo:

(1) O multiculturalismo brasileiro e a pluralidade evangélica normalmente são elencados como trunfos a favor do missionário brasileiro. No entanto, o denominacionalismo constrói muros intransponíveis e a competição entre agências missionárias muitas vezes impede parcerias amplas e solidárias.

(2) O viés prático do movimento missionário brasileiro é uma de suas marcas. Porém, corre-se o risco do pragmatismo metodológico. Métodos tornam-se mais importantes do que princípios, meios mais valorizados do que fins.

(3) A crescente reflexão acadêmica do movimento missionário brasileiro sobre si mesmo é perceptível. No entanto, grande parte dela ainda é feita por missionários de origem estrangeira, mesmo que os consideramos “patrimônio nacional”. Quando feita por brasileiros, boa parte da literatura missionária sai das penas de pastores à frente de grandes igrejas nos megacentros urbanos, muitos sem vivência pessoal no campo missionário transcultural. Poucos missionários brasileiros com experiência transcultural publicam livros missiológicos. Boa parte deles receberam sua formação em mestrados e doutorados norte-americanos. Fica patente: ainda somos intelectualmente dependentes do exterior. Missionários de origem estrangeira e pastores de grandes centros urbanos podem e devem refletir sobre missões. Mas o missionário brasileiro precisa refletir sua experiência missionária própria, através de formação acadêmica adequada, incentivos financeiros, tempo para estudo e ambiente reflexivo.

(4) Uma vasta experiência no contexto religioso do catolicismo popular, ou pelo menos no contexto cristão secularizado, é a nossa marca. No entanto, pouca familiaridade temos com as três maiores religiões não-cristãs do mundo: budismo, hinduísmo e islamismo. Exatamente estas são majoritárias no continente mais populoso e menos alcançado do planeta. Na Ásia, somente 8,6% das pessoas consideram-se cristãs, enquanto 91,4% seguem outras religiões e 60% das etnias são considerados não-alcançados (2.545 na Índia, 520 na China e outras tantas no Paquistão, Nepal e Bangladesh).

(5) Graças à democracia, ao avanço institucional e à estabilidade econômica, vivemos um período de paz e prosperidade financeira. Avança também o individualismo, consumismo e hedonismo. Destarte, em termos gerais, o movimento missionário brasileiro tem pouca experiência com perseguições por parte de grupos religiosos ou governos. Metodologias missionárias testadas na democracia com fundo cristão não são eficazes em países de difícil acesso ou fechados ao Evangelho. Resultado: temos pouca criatividade no acesso a países fechados e pouca flexibilidade na adoção de novas metodologias, por exemplo “business as transformation”, “business as mission” e “insider movements”.

(6) Nossa geografia gera um distanciamento natural em relação aos grandes e dinâmicos movimentos missionários da Ásia e África. Tanto é que durante o 6° CBM, pouquíssimos representantes de outros países emergentes estavam presentes.

Por conta dessas nossas características, realidades e contradições, o movimento missionário brasileiro continua concentrado nos países da América Latina, da Península Ibérica, nas ex-colônias portuguesas da África (Angola, Moçambique, Guiné Bissau, Cabo Verde) e Ásia (Timor Leste). Precisamos de um esforço consciente para quebrar as barreiras geográficas (isolamento), lingüísticas (português e espanhol), religiosas (animismo e catolicismo), denominacionais (individualismo e competição), metodológicas (pragmatismo) e intelectuais (dependência anglo-saxão) do movimento missionário brasileiro, a fim de chegar aos países mais populosos e com as etnias menos alcançadas da Ásia. Para tanto, o Congresso Brasileiro de Missões pode continuar sendo um valioso instrumento, desde que não perca o foco – o Evangelho todo, a todo homem e ao homem todo.


[1]Números apresentados por Bijoy Koshi, “Novos Paradigmas de atuação missionária na Ásia”, 6° Congresso Brasileiro de Missões, anotações pessoais.
[2]Ariovaldo Ramos, “A Missão Integral e a Ética da Manutenção”, 6° Congresso Brasileiro de Missões, anotações pessoais.
[3]Ronaldo Lidório, „O Evangelho: princípios, práticas e contextualização”, 6° Congresso Brasileiro de Missões, anotações pessoais.

quarta-feira, outubro 19, 2011

180, o filme – 33 minutos que mudarão sua opinião sobre aborto


A Living Waters produziu recentemente um documentário fantástico sobre aborto. São 33 minutos que farão você pensar sobre o assunto. Cabe lembrar que o filme possui algumas cenas fortes, então recomendamos cuidado. Por fim, esperamos que você valorize a vida humana ainda mais após vê-lo.

ATENÇÃO: você precisa ativar a legenda do Youtube em português para poder vê-la.




Fonte: Voltemos ao Evangelho

terça-feira, outubro 18, 2011

Prioridades do Senhor Jesus (8): o Pregar

Por Fernando Leite
Sermão transcrito

Esta é a última de uma série de oito mensagens sobre as prioridades do Senhor Jesus Cristo. Quero recordar inicialmente o que abordamos lá atrás, na primeira mensagem. Vimos, então, uma prioridade declarada explicitamente pelo Senhor Jesus, quando diz: Busquem em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça (Mt 6.33). Naquela ocasião, pudemos olhar para o que tem acontecido na história humana. Depois de tersido criado, o homem cai e se torna cúmplice das trevas, dos poderes das trevas, dos espíritos e de anjos rebeldes, até que Deus age, vindo até nós para nos salvar e nos resgatar como um povo para Si.

Antes mesmo que o Senhor Jesus chegasse, João Batista já viera, pregando e anunciando: Está próximo o Reino dos Céus. Arrependam-se (Mt 3.2). Mas não foi só João Batista; o Senhor Jesus Cristo fez o mesmo quando veio. O texto de Mateus diz: Daí em diante, Jesus começou a pregar: “Arrependam-se, pois o Reino dos céus está próximo” (Mt 4.17).

Quero destacar inicialmente esta expressão “pregar”, que aparece em Jesus começou a pregar. O verbo grego empregado aqui significa uma proclamação ou uma declaração oficial, que não correspondia ao modo usual de se falar. Este verbo era utilizado nas circunstâncias em que alguém fazia uma declaração oficial. Na nossa sociedade, talvez fosse correspondente a “publicar no Diário Oficial”. Portanto, quando o Senhor Jesus vem, Ele traz a palavra oficial daquele que O enviou, e dá a seguinte mensagem: Arrependam-se! O Reino dos Céus está próximo. 

sábado, outubro 15, 2011

O silêncio de quem sofre (Salmo 62)

Por Thomas Tronco

O marquês de Condorcet contou, certa vez, que o grande matemático e físico Leonhard Paul Euler (1707-1783) viveu em São Petersburgo nos dias do tirânico domínio da imperatriz Anna. Quando ele teve a oportunidade de se mudar para a Alemanha, a pedido do rei da Prússia, a rainha-mãe o procurou desejosa de conversar com o famoso estudioso. Contudo, Euler não se mostrou uma pessoa de muitas palavras. Suas respostas monossilábicas acabaram incomodando a rainha, fazendo-a criticar sua timidez e indagar-lhe: “Por que não queres me falar?”. Diante disso, o matemático explicou a razão do seu silêncio: “Eu vim de um lugar onde, se um homem diz uma palavra, ele é enforcado. Pessoas quietas e pacíficas raramente vêm a sofrer danos ou causar danos”.
 
Esse triste relato nos leva à reflexão sobre os tipos de reação à tirania e à perseguição. Um modo de reagir é, em meio à revolta, esbravejar contra a injustiça e gritar, aos quatro ventos, as razões do sofrimento, exigindo mudanças e alívio. Os livros de história estão cheios de capítulos heróicos que narram atitudes como essa que serviram de prelúdio ou de motivação para transformações sociais e políticas. Mas, também, há um grande vácuo no qual pessoas poderiam ter feito diferença e não fizeram, simplesmente porque, manifestando-se contra a injustiça, tiveram suas vidas ceifadas muito cedo. Por outro lado, um modo de agir, diferente do primeiro, é suportar o sofrimento em silêncio para não fazer algo que produza maiores consequências e pesares.

Davi viveu situações em que lançou mão do segundo tipo de reação a fim de depender totalmente do Senhor. Uma dessas situações surge como pano de fundo do Salmo 62. Nele, Davi se dirige aos seus inimigos nos seguintes termos (v.3): “Até quando arremetereis vós contra um homem?” (‘ad-’anâ tehôtetû ‘al ’îsh). Essa é uma declaração de quem está no limite, com a paciência e a disposição de administrar o sofrimento chegando ao fim. Não é para menos. A perseguição estava intensa e prestes a causar a ruína completa do salmista: “Todos vós sois assassinos tal qual uma parede que cai, um muro a ponto de ruir” (teratsehû kullekem keqîr natûy gader haddehûyâ). Davi quer dizer que seus perseguidores eram tão perigosos, em seu intento de matá-lo, quanto os riscos de morte em um desabamento que deixa soterradas as suas vítimas.

Utilizando-se ainda da figura do desabamento, Davi fala da dedicação integral dos inimigos para prejudicar seu nome e sua honrosa posição (v.4): “Eles ficam conspirando para derrubá-lo da sua condição digna” (’ak misse’etô ya‘atsû lehaddîah). A ideia de conspirar ou de ficar planejando a derrocada do salmista mostra que essa não é uma perseguição aberta ou de caráter militar. Também não se trata de inimigos externos, mas de gente próxima que mantém uma postura falsa, já que “eles se comprazem na falsidade”. Sendo assim, a aparência desses homens perigosos e hipócritas, diante de Davi, era de pessoas de bem, amigos do salmista. Porém, na verdade, de forma diametralmente oposta, eles nutriam ódio e aguardavam a oportunidade de atacar, visto que “com sua boca eles bendizem, mas no seu íntimo eles amaldiçoam” (bepîw yebarekû ûbeqirbam yeqallû).

Diante dessa descrição, podemos perguntar: “Já que Davi sabia das tramas e do ódio dos inimigos, por que, então, ele não tomava providências quanto a isso?”. Como o salmo é dirigido a Jedutum, a quem Davi instituiu como cantor e instrumentista a fim de louvar a Deus (1Cr 16.41; 25.6; 2Cr 35.15), é certo que ele foi escrito quando o salmista era rei sobre todo o Israel. Logo, tendo poder real, por que Davi não deu cabo dos traidores? Não sabemos o porquê. Talvez, envolvesse pessoas na nobreza, de modo que a solução poderia gerar uma crise política. Ou, talvez, o inimigo fosse da sua própria casa e Davi não quisesse punir a quem amava. Seria o caso de Absalão que, por quatro anos (2Sm 15.7 cf. vv.1-6), trabalhou para ganhar a simpatia do povo e gerar descontentamento com relação ao rei (2Sm 15.1-6) – algo que era impossível fazer sem que o rei soubesse. Mas, sendo filho do próprio salmista, isso explicaria a falta de providências duras do rei e a ausência de um clamor a Deus pela ruína dos adversários, como ocorre em outros salmos. Finalmente, é também possível que Davi soubesse da existência de oposição, mas não identificasse, exatamente, quem eram os opositores.

Assim, sem poder resolver por si a situação, o rei lança mão de um recurso legítimo: esperar em Deus. Essa declaração, com pequenas diferenças no texto hebraico, Davi faz duas vezes (vv.2,3 e vv.5,6). Em primeiro lugar, surge o alvo da confiança: o Senhor. Ele diz (v.2): “Somente por Deus minha alma se aquieta” (’ak ’el-’elohîm dûmîyâ nafshî). Se alguém podia dar paz ou calma a Davi em uma situação tão terrível como aquela, esse alguém não era ele mesmo. Na verdade, só um poderia produzir paz em meio à guerra: o próprio Senhor. Assim, Davi não confia no seu cargo real, nem na sua guarda pessoal, nem tampouco em recursos questionáveis. O alvo da sua confiança é o Deus bondoso e soberano.

Contudo, essa confiança não existe a despeito dos sentimentos do salmista. Ela interfere completamente no modo como Davi se comporta enquanto espera em Deus. Assim, o texto nos revela o modo da confiança: a paz (v.2). O mesmo texto que traduzimos acima, se tomado de modo literal, significa: “Somente em Deus há silêncio para minha alma”. A palavra “silêncio” (dûmîyâ) também significa “descanso”, “quietude” e “repouso”. Ela aponta para o fato de Davi ter deixado de lado o desespero que leva a ações impensadas e extremas. Em lugar disso, confiante em Deus, Davi permanecia quieto a fim de não provocar outros problemas, nem desagradar o Senhor.

Essa forma de proceder não se devia à covardia de agir ou à tolice do rei. Ela se baseava em algo real e superior à lógica humana. O próprio Davi apresenta a razão da confiança: a proteção de Deus (v.2): “A minha salvação vem dele” (mimmennû yeshû‘atî). Diferente do que críticos do cristianismo afirmam, Deus não é o ópio do povo. A figura do Senhor não produz uma falsa sensação de segurança. Deus se relaciona com seus servos e, de fato, olha para suas necessidades a fim de atendê-las. Isso não significa sempre ausência de problemas, mas, também, conforto, proteção e firmeza nas angústias (v.3): “Somente ele é a minha rocha e a minha salvação” (’ak-hû’ tsûrî wîshû‘atî). Para completar a figura, Davi introduz a imagem de uma guerra e um cerco militar para dizer que Deus é, para ele, como aquelas fortalezas dentro das cidades fortificadas, mais altas que as próprias muralhas: “Meu alto refúgio” (mishgavvî). O resultado dessa certeza se vê na declaração final: “Eu não serei abalado” (lo’-’emmôt). Um modo paralelo e enfático de dizer tudo isso é (v.7): “De Deus vem a minha segurança e a minha honra. A minha rocha forte e o meu refúgio estão em Deus” (‘al-’elohîm yish‘î ûkevôdî tsûr-‘uzzî mahsî be’lohîm).
Essa é uma esperança tão gloriosa que Davi não a guarda para si. Ele compartilha com seus súditos, dizendo (v.8): “Confiem nele em todo tempo, ó povo. Lancem diante dele seus corações. Deus é o nosso refúgio” (bithû bô becol-‘et ‘am shifkû-lepanayw levavkem ’elohîm mahaseh-lanû). Não há como deixar de perceber que a esperança de Davi no Deus a quem chama “meu refúgio”, é, também, a esperança de todos os servos do Senhor, os quais devem chamá-lo “nosso refúgio”. 

Se antepondo à primeira instrução (“confiai nele”), Davi os informa sobre as fontes nas quais não há segurança, fazendo-o na forma de outra instrução, mas uma instrução sobre o que não fazer (v.10): “Não confiem na exploração, nem na opressão. Não se iludam com a riqueza quando ela aumentar. Não ponham nela o coração” (’al-tivtehû be‘osheq ûbegazel ’al-tehbalû hayil kî-yanûv ’al-tashîtû lev). Visto que essa mensagem é dirigida a todos, tanto plebeus como os de fina estirpe (cf. v.9), Davi mostra que nem a riqueza nem o poder dos ricos podem assegurá-los como o Senhor. A lição é clara e marcante: “Todos” devem confiar no Senhor e pôr “nele” o coração. E, ao fazê-lo, manter o controle das ações, de modo calmo e pacífico, por causa da verdadeira e viva esperança.

sexta-feira, outubro 14, 2011

Prioridades do Senhor Jesus (7): o Servir

Por Fernando Leite
Mensagem transcrita

Na primeira mensagem desta série, focalizei as idéias do Senhor Jesus sobre o Reino de Deus. João Batista já vinha falando sobre isso e quando o Senhor Jesus vem, Ele reafirma esta prioridade: Arrependam-se, pois o Reino dos Céus está próximo (Mt 4.17). Na verdade, o Senhor estava anunciando ali um contra-ataque de Deus, que intervinha neste mundo caído e governado por Satanás. Quando o Senhor estabelece o Seu Reino, Ele diz: Vocês têm que buscar o Reino e a sua justiça (Mt 6.33). A expressão justiça, na verdade, tem a ver com os valores, os princípios e a cultura que fazem parte deste novo Reino. A verdade é que, pela proposta de Deus, participar do Reino dEle não significa simplesmente ingressar num outro reino, mas implica ingressar no Seu reino com outros valores, outros princípios, outros padrões, outra cultura. As Escrituras não se cansam de falar sobre coisas que devem ser mudadas no ato da nossa conversão.

Nesta mensagem, quero destacar alguns aspectos relacionados a uma atitude que, mesmo quando passamos a fazer parte do povo de Deus, nós perdemos a perspectiva (ou nem chegamos a entender) de que se trata de algo que deve ser mudado.

Em Lc 22.25, o Senhor Jesus diz aos discípulos: Os reis das nações dominam sobre elas; e os que exercem autoridade sobre elas são chamados benfeitores. Ele sabe que é normal, na sociedade humana, haver reis e pessoas que exerçam autoridade e dominem sobre os homens. Esses reis e pessoas de poder têm a possibilidade de exercer esta autoridade sobre a sociedade com legitimidade, princípios e objetividade. Mas podem também agir de maneira a oprimir, corromper e se aproveitar do poder. O fato é que, entre reis e autoridades, estão todos esses que nos governam: presidentes, senadores, deputados, vereadores, prefeitos. Faz parte da sociedade humana reproduzir a mentalidade de que sempre haja alguém dominando, que recebe honra e reconhecimento, que está em destaque e que, muitas vezes, exerce opressão sobre outros. 

quinta-feira, outubro 13, 2011

Seis razões pelas quais jovens cristãos deixam a igreja

Veja no próprio site do grupo pesquisador: Barna (em inglês) 
Título original: "Six Reasons Young Christians Leave Church"

Por que metade dos jovens cristãos abandona a igreja antes de atingir a maioridade? Uma nova pesquisa do Grupo Barna tem algumas possíveis respostas. A maioria dos jovens vê a igreja como um lugar pouco amigável e cheio de julgamento. As principais críticas são por acharem que a Igreja em geral é:

1) superprotetora e exclusivista
2) oferece uma experiência cristã superficial
3) antagônica à ciência
4) um lugar em que o sexo é tratado de maneira errada
5) não valoriza outros tipos de fé e espiritualidade
6) hostil com quem não crê no que ela ensina

Este é o resultado de um estudo de cinco anos, compilado agora no livro “You Lost Me: Why Young Christians are Leaving Church and Rethinking Faith” [Por que os jovens cristãos estão abandonando a Igreja e repensando a fé], escrito pelo atual presidente do Barna, David Kinnaman. Seu estudo envolveu entrevistas com 1.296 jovens que são ou já foram membros de igrejas.

Os pesquisadores descobriram que a grande maioria (59%) abandona a vida da igreja de forma permanente ou durante um longo período de tempo após completar 15 anos de idade. Um em cada quatro jovens entre 18  e 29 anos afirma que “os cristãos demonizam tudo que está fora da igreja”. E um terço deles simplesmente acha que “ir à igreja é chato.”

De modo geral, o confronto entre as expectativas da Igreja e a experiência sexual dos jovens tem colaborado em muito para o distanciamento. Um em cada seis jovens cristãos afirmam que “cometeram erros e sentiram-se julgados pela igreja por causa deles”. Enquanto isso, 40% dos entrevistados católicos entre 18 e 29 anos acreditam que a doutrina de sua igreja em relação à sexualidade e ao controle de natalidade estão “desatualizados”.

Kinnaman classifica essa evasão dos jovens da igreja como um problema que requer providências urgentes, já que normalmente os jovens saem de casa cedo, vão para a faculdade ou começam logo a trabalhar, casam e têm filhos antes dos 30 anos.

“As igrejas não estão preparados para lidar com o ‘novo padrão’”, diz Kinnaman. “No entanto, o mundo está mudando de maneira significativa, como um acesso cada vez maior ao mundo e a diversas ideologias, em especial por conta da tecnologia, fazendo crescer seu ceticismo em relação a figuras externas de autoridade, incluindo o cristianismo e a Bíblia.”




Fonte: Pavablog

quarta-feira, outubro 12, 2011

Prioridades do Senhor Jesus (6): o Interior

Por Fernando Leite
Sermão transcrito

Em Marcos 4, o Senhor Jesus nos instrui sobre o fato de que, ainda que tenhamos algum poder para definir para onde estamos indo, é o Senhor quem nos impulsiona para chegarmos onde queremos, seja seguindo a direção errada para a qual tenhamos dirigido a nossa vida, seja seguindo o rumo certo, conforme proposto por Deus. Este foi um tema sobre o qual refletimos em detalhe na 2ª. mensagem desta série.

Nesta mensagem de agora, quero focalizar uma passagem que está em Marcos 7, que foi uma das oito controvérsias em que o Senhor Jesus se envolveu. Na verdade, trata-se de uma das seis controvérsias que Ele teve especificamente com os fariseus. A discussão se dá em torno de duas questões: 1ª.) Quem é que tem autoridade sobre nossas vidas para nos dizer o que é certo e o que é errado? 2ª.) O que é o certo e o errado? Ou seja, qual é a autoridade e qual é a moral que devemos seguir? Jesus, naquela ocasião, estava discutindo sobre esses assuntos com os fariseus, que praticamente representavam o pensamento da religião oficial. Esse grupo religioso tinha como ideal levar a vida no seu dia-a-dia à maneira como um sacerdote devia viver lá no Templo. Era esse o pensamento deles e era assim que pensavam deveria viver todo o povo. 

segunda-feira, outubro 10, 2011

Prioridades do Senhor Jesus (5): a Oração

Por Fernando Leite
Sermão transcrito

Esta é a quinta mensagem da série sobre as prioridades da vida espiritual, conforme a visão de nosso Senhor Jesus Cristo.

Na primeira mensagem, abordamos a prioridade do Reino de Deus (Mt 6.33): Busquem em primeiro lugar o Reino de Deus. Associamos àquela mensagem a imagem de que fomos chamados para estar de joelhos diante do trono do nosso Deus e Senhor. A segunda mensagem foi sobre o quão importante é dar ouvidos à Palavra de Deus. A ilustração que empregamos foi a de uma bicicleta, que Deus impulsiona para o lado que você direciona. Se você está desejoso de ouvir as verdades de Deus, Ele vai “dar um empurrão nessa bicicleta” no sentido de você entender mais e mais o Seu recado. Mas se, por outro lado, você colocar a bicicleta em outra direção, ou seja, de indiferença à Palavra, Ele também vai empurrar a bicicleta nesta outra direção, e o resultado será de distanciamento e falta de discernimento. Na terceira mensagem, falamos sobre a prioridade do amor. O Senhor Jesus disse que este é o segundo mandamento. A idéia é que temos de amar independentemente das condições. A figura que empregamos foi aquela que aparece em João 13: Jesus com a toalha na cintura, para servir como escravo, fazendo isso como expressão de amor. Na mensagem passada, falamos de uma expressão objetiva desse amor que é o perdão. Talvez a figura que tenha ficado mais forte, pelo menos para mim, corresponde à idéia de me colocar como um juiz com o martelo na mão, pronto para declarar alguém inocente, por mais que esta pessoa tenha me ofendido.

A quinta prioridade, que estudaremos a partir de agora, é a que trata da oração. Quando começamos esta série, fiz questão de salientar que essas prioridades não estavam colocadas necessariamente em uma ordem hierárquica. Portanto, embora esta seja a quinta mensagem, isto não significa que a oração venha em quinto lugar. Na verdade, a oração está intimamente relacionada à primeira prioridade, que focaliza a busca pelo Reino de Deus.

Da minha experiência e vivência com relação à oração, tenho observado o seguinte: mesmo as pessoas que mais se caracterizam por uma vida de oração sentem que ainda estão em falta com a vida de oração que deveriam ter. Às vezes, tomo isto até como consolo para mim mesmo, pois certamente não me reconheço como um “campeão” nesta área de oração.

Quando olhamos, então, para a pessoa do Senhor Jesus Cristo, aí é que as coisas se complicam, porque a Sua vida e os Seus ensinamentos acerca de oração sãoabsolutamente marcantes. São perto de 100 versículos que narram alguma coisa sobre oração na vida de Jesus. Desses, 50 versículos são dedicados a descrever a vidade oração de Jesus, enquanto os outros 50 versículos são empregados para descrever os ensinamentos de Jesus sobre este tema. 


Fonte: IBCU

sábado, outubro 08, 2011

Prioridades do Senhor Jesus (4): o Perdão

Por Fernando Leite
Mensagem transcrita

Nesta série de mensagens, temos falado sobre as prioridades do Senhor Jesus Cristo, sendo esta a quarta prioridade. A primeira prioridade é a do Reino de Deus e a imagem que ficou em nossa mente foi a do Senhor no trono e nós de joelhos diante dEle. A segunda imagem foi quando falamos sobre o Senhor dizendo “Me escuta, preste atenção à minha Palavra!” e a imagem que ficou foi a de uma bicicleta (!): você coloca a bicicleta voltada para a direção que quiser e o Senhor vai dar o empurrão. Isto se referia à atitude que escolhemos de valorizar ou não a Palavra de Deus. Na semana passada, falamos sobre a prioridade do Amor e suponho que a imagem que ficou foi a do Senhor Jesus, vestido com uma toalha em torno da cintura e pronto para servir.

A nossa quarta prioridade é acerca do Perdão. Como vimos na mensagem passada, a experiência do Senhor em termos de precisar perdoar foi marcante. Durante a última ceia, relatada em João 13, vimos o Senhor tendo que perdoar, superando a indiferença, a traição e o abandono. A indiferença talvez tenha sido fruto de uma ação involuntária ou de uma omissão involuntária, mas a traição deve ser qualificada como uma ação voluntária. Quanto à fraqueza dos discípulos, abandonando o Senhor Jesus, não ser trata de ser voluntária ou involuntária, foi simplesmente fruto da fraqueza e da mediocridade do ser humano pecador. O fato é que, ainda que o perdão pudesse ser tratado dentro do conceito de amor, o Senhor dedica tantas palavras a ele e tem tanta experiência sobre perdão e perdoar que acho que vale a pena dedicar uma mensagem exclusivamente a este tema.


Fonte: IBCU

quinta-feira, outubro 06, 2011

Estatísticas sobre os pastores e suas dificuldades

Retirado do Blog "Pastoreando Multidões"
Título original: "Razões porque você deve orar pelo seu pastor"


Algumas pessoas pensam que exercer o ministério pastoral é fácil. Talvez elas não entendam a complexidade do cumprimento de tão árdua tarefa. Na verdade, muitos não sabem a responsabilidade e a pressão que o ministério exerce na vida do pastor. Para piorar a situação, a Igreja do Senhor não trata de seus pastores como devia. Infelizmente conheço inúmeros casos de pastores marcados por igrejas intransigentes, que exigem de seus líderes atitudes sobre-humanas, levando-os a exaustão espiritual.

Uma pesquisa feita nos Estados Unidos afirma que cerca de 90% dos pastores estão trabalhando entre 55 a 75 horas por semana. O percentual de esgotamento está no máximo, com somente 50% dos pastores cumprindo seus anos de trabalho como pastor. A pesquisa também afirma que mais de 50% dos graduados nos seminários deixam o ministério depois de 5 anos. Mais de 1200 pastores a cada mês deixam o ministério devido a tensão ou situações relacionadas com a igreja, assuntos familiares ou falha moral.

O divórcio entre os ministros subiu em mais de 65% nos últimos 20 anos. Cerca de 94% dos ministros sentem a pressão de ter que ter uma “família perfeita”. Pesquisas revelam que 71% dos pastores dizem que estão tendo problemas financeiros. Cerca de 67% das esposas de pastores dizem que não estão satisfeitas com seu matrimônio e 33% dos casamentos pastorais sofrem de tensões causadas pela quantidade de trabalho.

Mais de 90% dos pastores levam para casa “bagagem mental e emocional do trabalho ministerial. Dados confirmam que 75% dos pastores dedicam menos de uma noite por semana a seu cônjuge e amizades. Cerca de 80% dos pastores crêem que o ministério afetou suas famílias de uma maneira negativa. 70% dizem que não têm alguém que consideram como amigo mais chegado e 97% dizem que não foram preparados adequadamente para enfrentar assuntos que encontram na igreja. Com uma realidade como esta, mais do que nunca, precisamos orar pelos nossos pastores.

E você? De que forma tem lidado com seu pastor? Em suas orações você tem lembrado dele? E se você fosse pastor? Gostaria de ter uma ovelha como você? Pense nisso!

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Enviei um comentário para a pessoa que colocou este artigo no ar no site de origem. Infelizmente não há fonte da pesquisa e assim que eu souber, colocarei junto a este post.

quarta-feira, outubro 05, 2011

Novelas da Rede Globo

Voz de alguém, até onde eu saiba, não reconheceu ainda Jesus Cristo como Salvador.
Por Carlos Alberto de Nóbrega

video

terça-feira, outubro 04, 2011

Penetrado pela Palavra de Deus

Por John Piper

“A Palavra de Deus”

A expressão “Palavra de Deus” pode significar uma palavra falada por Deus sem um porta-voz humano. Mas, no Novo Testamento, esta expressão normalmente significa uma palavra ou mensagem que um homem fala como representante de Deus. Por exemplo, Hebreus 13.7 diz: “Lembrai-vos dos vossos guias, os quais vos pregaram a palavra de Deus; e, considerando atentamente o fim da sua vida, imitai a fé que tiveram”. Portanto, a expressão, “Palavra de Deus”, em Hebreus 4.12, provavelmente se refere à verdade de Deus revelada nas Escrituras e que homens falaram uns para os outros na dependência da ajuda de Deus para entendê-la e aplicá-la.

“Viva e eficaz”

A Palavra de Deus não é morta ou ineficaz. Ela tem vida. E, devido a isso, ela produz resultados. Existe algo sobre a Verdade revelada por Deus, que a conecta com Deus como a fonte de toda a vida e poder. Deus ama a sua Palavra. Ele tem predileção por sua Palavra. Ele a honra com sua presença e poder. Se queremos que nosso ensino e testemunho produza efeitos, devemos permanecer fiéis a Palavra revelada de Deus.

“Mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas.”

O que faz esta Palavra viva e eficaz? Ela penetra. Com que propósito? Para dividir. O quê? Alma e espírito. O que isto significa?

O escritor sagrado nos dá uma analogia. É semelhante a dividir juntas e medulas. As juntas são a parte mais grossa, dura e exterior do osso. As medulas são a parte mais mole, macia, viva e interior do osso. Isso é uma analogia de “alma e espírito”. A Palavra de Deus é como uma espada bastante afiada, capaz de cortar diretamente da parte exterior, dura e grossa do osso até à sua parte interior, macia e viva. Algumas espadas, menos afiadas, podem atingir um osso, resvalar e não penetrar. Outras espadas penetram somente até ao meio das juntas grossas e duras de um osso. Mas uma espada pontuda, bem afiada, de dois gumes (afiados em cada lado da ponta), penetrará a junta até alcançar a medula. “Alma e espírito” são como juntas e medulas de ossos. “Alma” é aquela dimensão invisível da vida que somos por natureza. “Espírito” é aquilo que somos pelo novo nascimento sobrenatural. Jesus disse: “O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito” (Jo 3.6). Sem o poder vivificador, criador, regenerador do Espírito de Deus em nós, somos apenas um “homem natural”, e não um “homem espiritual” (1 Co 2.14-15). Por conseguinte, o “espírito” é aquela dimensão invisível de nossa vida que somos por meio da obra regeneradora do Espírito Santo.

Qual é o principal ensino da afirmativa de que a “Palavra de Deus” penetra até ao ponto de “dividir alma e espírito”? O principal ensino desta afirmativa é que a Palavra de Deus revela o nosso verdadeiro “eu”. Somos espirituais ou naturais? Somos nascidos de Deus e estamos espiritualmente vivos? Ou enganamos a nós mesmos e ainda estamos espiritualmente mortos? “Os pensamentos e propósitos” de nosso coração são espirituais ou apenas naturais? Somente a “Palavra de Deus” pode “discernir os pensamentos e propósitos do coração”, como afirma Hebreus 4.12.

Falando em termos práticos, quando lemos ou ouvimos a Palavra de Deus, sentimos que ela penetra em nós mesmos. O efeito deste penetrar é revelar se há espírito ou não. Existe medula e vida em nossos ossos? Ou somos apenas um esqueleto sem medula viva? Existe “espírito” ou somente “alma”? A Palavra de Deus penetra fundo o suficiente, para mostrar-nos a verdade de nossos pensamentos e motivos, e o nosso próprio “eu”.

Renda-se a esta Palavra de Deus, a Bíblia. Use-a para conhecer a si mesmo e confirmar sua própria vida espiritual. Se existe vida, haverá amor, gozo e um coração obediente à Palavra. Dedique-se a esta Palavra, de modo que suas palavras se tornem a Palavra de Deus para outros e revelem a condição espiritual em que eles estão. Então, sobre a ferida causada pela Palavra, derrame o bálsamo da Palavra.

Extraído do livro: Penetrado pela Palavra, de John Piper.
Copyright: © Editora FIEL 2009