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quinta-feira, outubro 24, 2013

A Oração é anterior à Missão

Por T. Zambelli



Li/escutei uma frase esta semana que espero nunca mais esquecer:
"A história de missões é uma história de oração respondida." -- Samuel Zwemer

Essa frase me liga diretamente às palavras de Jesus, segundo Mateus (9.36-39): Ao ver as multidões, teve compaixão delas, porque estavam aflitas e desamparadas, como ovelhas sem pastor.  Então disse aos seus discípulos: "A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos.  Peçam, pois, ao Senhor da seara que envie trabalhadores para a sua seara". (grifo meu)

É comum dizermos "a obra é do Senhor." O que não é comum, é cristãos, depois de lerem o texto sagrado, simplesmente conversarem com o Pai: "Senhor, envie trabalhadores para Sua seara." Não me refiro às orações fervorosas ou piedosas (que aprecio). Refiro-me simplesmente a um diálogo com o Pai, o dono da obra, dono da seara. Nem esse simples diálogo parece ser comum entre aqueles que reconhecem as Escrituras como o veículo especial de comunicação de Deus para com Suas criaturas feitas à Sua imagem e semelhança, que nos ensina, antes de ir ou enviar, pedir ao Pai.

Espero que eu e você, possamos, sem vãs repetições, mas com um coração genuinamente desejoso e verdadeiro, frequentemente (entenda diariamente) dialogar com o Pai para que envie mais trabalhadores para uma seara (mundo) que tem:
  • 7.000 grupos não alcançados dos 16.000 existentes;
  • Mais de um bilhão de pessoas que não conhecem um cristão que pode lhe dizer sobre o Evangelho de Cristo;
  • 1/3 que nunca sequer ouviu este Evangelho, poder de Deus para salvação de todo que crê (Rm 1);

"Pai, envie mais trabalhadores, por favor."

domingo, março 03, 2013

A Glória de Deus no Chamado para Pregar às Nações

Por Franklin Ferreira

Gostaria de usar o texto de Jeremias 1.4-19 para tratar de três temas vitais ao ministério cristão de ensino: a vocação, a pregação e seu conteúdo, e a coragem necessária para permanecer firme. Na verdade, gostaria de usar o texto de Jeremias como um texto de formação, que entrelace nossas vocações de ensino à vocação de Jeremias, que nos ajude a recuperar o senso de chamado para pregar a mensagem de Deus às nações. Antes de continuar, fazem-se necessárias algumas palavras introdutórias. Jeremias, que significa "aquele que exalta o Senhor", começou seu ministério no reinado de Josias, que iniciou uma reforma e renovação da aliança, de curta duração. Ele pertencia a uma família de sacerdotes e recebeu seu chamado quando tinha 18 anos, na segunda década do século sétimo a.C., na pequena cidade de Anatote, a cinco quilômetros de Jerusalém. Na verdade, Jeremias viveu em meio a um turbulento momento político na história da região: a Assíria entrara em declínio como império, o Egito tentava recuperar sua influência, e a Babilônia era o poder em ascensão no leste. Pouco depois, Josias foi morto em Megido e, em rápida sucessão, três de seus filhos, Joacaz, Jeoaquim e Zedequias, e um neto, Joaquim, sucederam-no no trono. Por não temerem a Deus, esses reis conduziram o povo da aliança aos eventos mais devastadores da história de Judá: a invasão babilônica, a destruição do templo e o exílio no estrangeiro.

Nós hoje vivemos numa encruzilhada da história. A igreja tem crescido globalmente. Aqui no Brasil há muitos pastores devotos, crentes sérios, igrejas saudáveis, sinais da obra do Espírito Santo. Ao mesmo tempo, há superficialidade e infidelidade bíblica, traição ministerial, divisões, idolatria por crescimento de igreja a qualquer custo. Na esfera pública temos governos populistas, corrupção, pessoas morrendo em portas de hospitais, violência crescendo assustadoramente e impunidade ampla, geral e irrestrita. Há preocupantes sinais de ameaças à liberdade de culto e de expressão. Diante desse quadro, (1) qual deve ser a imagem cultivada por aqueles chamados a obedecer à ordem de pregar a palavra de Deus? (2) Qual deve ser o conteúdo de tal mensagem? (3) Como aqueles chamados a pregar essa soberana Palavra devem se portar?


quarta-feira, novembro 07, 2012

Dez (10) conselhos aos missionários

Por Ronaldo Lidório

Algumas semanas atrás a revista POVOS pediu que eu escrevesse 10 conselhos aos missionários. Partilho abaixo, por entender que se aplicam a todos os que servem a Deus.

1. Cuide de sua vida com Deus. Cuide bem de sua vida pessoal, especialmente de sua vida com Deus. Não negocie os momentos devocionais diários, mesmo de
baixo das pressões do campo e do ministério.

2. Priorize a família. Não é segredo que a família é a instituição mais atacada em nossos dias. Priorizá-la tem sido uma ordem amplamente repetida, porém pouco praticada. De forma simples, priorizar a família é dedicar tempo e atenção à mesma.

3. Tenha um modelo de descanso. Normalmente a agenda missionária não é linear, portanto, poucos conseguem desenvolver uma rotina semanal. Se retirar um dia de descanso por semana não é um modelo viável em seu caso, use outros. O modelo de Cristo era de se engajar intensamente com o ministério e depois desengajar por um tempo para se refazer. É necessário ter um modelo de descanso.

4. Mantenha relacionamentos saudáveis. O relacionamento é possivelmente a melhor ferramenta de trabalho no universo missionário. Não se envolva com conflitos desnecessários e tenha em mente que manter um bom relacionamento com sua equipe e com o grupo-alvo determinará, em boa medida, o rumo do seu ministério.

5. Siga sua visão e chamado. Envolver-se com tudo é a melhor receita para nada concluir. Tenha uma visão clara e um ministério definido. Projete o que você, de acordo com sua visão e chamado, gostaria de ver concluído em 5 ou 10 anos.

6. Organize-se. Tenha um projeto ministerial bem definido e, preferencialmente, por escrito. Tenha clareza de alvos, estratégias e atividades. Liste as atividades em sua agenda, separando-as por mês e por semana. Faça listas diárias - se for de ajuda - e revise, sempre, a relação do que precisa ser feito.

7. Administre as críticas. A única forma de não ser criticado é nada fazer. Portanto, saber administrá-las é essencial para o missionário. Algumas dicas: (a) Não a jogue fora. Mesmo a que é formulada ou comunicada carnalmente pode conter uma verdade sobre a sua vida; (b) Não durma com a crítica. Após avaliá-la perante o Senhor, use o que for proveitoso e se desfaça dela. A crítica guardada por períodos prolongados desenvolve a capacidade de gerar profunda ansiedade na alma; (c) Não se torne um crítico. As pessoas mais críticas que conheço foram muito criticadas no passado.

8. Não faça de sua casa um lugar de refúgio. Aprender uma língua e uma cultura, plantar uma igreja ou desenvolver um projeto social, requer relacionamento com o povo local. Gaste mais tempo com o povo do que com sua equipe. Limite o tempo no computador e tenha uma rotina diária fora de casa.

9. Trabalhe enquanto é dia. Missionários tendem a deixar seus campos sem aviso prévio. As causas vão desde enfermidades, vistos, educação dos filhos, até outros fatores imprevisíveis. O tempo que você tem no lugar que Deus o colocou é, portanto, preciosíssimo. Use-o com sabedoria e intensidade.

10. Mantenha seu coração ensinável. Sempre temos muito a aprender e, às vezes, com a pessoa mais improvável. Leia, converse, participe de cursos e encontros, reflita sobre o que vê e ouve. Um coração ensinável aprende mais de Deus e não comete duas vezes o mesmo erro.
 
Fonte: retirado de uma postagem do Facebook

sexta-feira, janeiro 27, 2012

Projeto Missionário da Missão Juvep


Não me lembro de eu algum dia ter divulgado alguma viagem ou projeto missionário específico em Todah Elohim. Mas, felizmente, este eu não podia deixar de fora.

O Projeto Missionário da Juvep acontece duas vezes por ano, em janeiro e julho. Ele dura cerca de 20 dias e tem como propósito divulgar as boas novas do Reino de Jesus Cristo no coração do sertão nordestino. Ao final, uma igreja é plantada com os novos irmãos e irmãs em Cristo.

Claro, como obreiro da Missão Juvep sou suspeito em dizer qualquer coisa que seja referente à agência e ao projeto. Por causa disso, vou ser breve em palavras e deixar que o vídeo abaixo fale mais alto a você.

Seguramente Deus não precisa de você ou de mim para alcançar aqueles que Ele deseja abraçar com sua graça. Todavia, Ele escolheu eu e você, filho de Deus, para proclamarmos a melhor notícia de todas, a salvação em Cristo Jesus, o único Senhor.



Quero desafiar especialmente os meus irmãos que têm negligenciado a tarefa dada pelo Senhor Jesus Cristo à igreja:  vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo,  ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos (Mt 28.29-20 NVI).


Escute, com menos de 20 segundos, a surpresa de um senhor da zona rural de Milagres-CE, quando eu lhe disse sobre o Salvador Jesus Cristo. (Clique aqui para ouvir/baixar o áudio.)

Asseguro-lhes mais uma coisa. Você sairá de um projeto como este mais abençoado do que abençoará. Que tal conversarmos sobre isso logo depois do projeto?

Conheça o site
http://juvep.com.br/projetomissionario/

Planeje-se para o próximo!

quinta-feira, outubro 20, 2011

Encontros e Desencontros no 6° Congresso Brasileiro de Missões

Por Thomaz Litz
Missionário da JUVEP no alto sertão paraibano, coordenador do Projeto Radical Sertão e professor na Escola de Missões Transculturais. É mestre em Missiologia (M.A.) e em Direito (LL.M.). Casado com Mayra com quem tem dois filhos (veja no site da Juvep - clique).

Nas 17 horas de viagem retornando do 6° Congresso Brasileiro de Missões em Caldas Novas / GO, com o tema “a missão transformadora diante da realidade mundial”, tive muito tempo para refletir.

1. A realidade mundial


Percebo que a realidade mundial, apesar de tema, quase não foi comentada no Congresso. Pouco se falou a respeito dos movimentos revolucionários do mundo árabe, especialmente no Norte da África e no Oriente Médio. Tampouco da crescente influência turca sobre a “primavera árabe”. Mesmo na palestra “a ação missionária e os sistemas totalitários”. Nada se comentou a respeito da secularização, da radicalização dos conflitos étnicos, do ressurgimento do nacionalismo e da crise financeira na Europa, com possibilidade real de dissolução da zona do euro. Mesmo na palestra “como tornar o Evangelho relevante num mundo secularizado”. Ninguém se lembrou do galopante desemprego nos Estados Unidos e dos problemas sociais resultantes, tais como moradores de rua e crescente mendicância. Mesmo nas palestras “projetos de ação social nas favelas dos grandes centros” e “inclusão social e a evangelização”. Passou despercebida a ascensão econômica e política da China e a dinâmica social na Ásia. Não se conversou sobre os outros emergentes (BRICS), especialmente Rússia, Índia (talvez com 70 milhões de cristãos), China (talvez com 100 milhões de cristãos) e África do Sul. Esqueceram-se dos mais dinâmicos movimentos missionários atuais, entre eles o fenômeno indiano (talvez 50.000 missionários transculturais), a força nigeriana, as contradições sul-coreanas (11.247 missionários transculturais), a simplicidade filipina (2.145 missionários transculturais), as surpresas vindas de Mianmar (1.953 missionários transculturais), Nepal (600 missionários transculturais) e Indonésia (421 missionários transculturais), o enigma chinês e egípcio.[1] Todos esses assuntos estão em pauta na arena mundial e são de profundo impacto na práxis missionária.

2. Diante da missão transformadora
Falamos, e muito, sobre a missão transformadora. Concordamos em fazer teologia de missões a partir de Gênesis 1, e não somente a partir do capítulo 3 do primeiro livro da Bíblia, ou até mesmo do Novo Testamento. Mas nesse afã integral de entender a palavra de Deus, misturamos mandato cultural com mandato missionário. Chegou-se a afirmar que “Deus fez primeiro ação social, depois evangelizou”[2], referindo-se à criação, obviamente anterior à pregação. Deixamos de ser holísticos, quando colocamos o social acima ou anterior à evangelização. Fica a pergunta: precisamos poupar o maior número de vidas através da ação social, para depois evangelizá-las? Ou precisamos viver o Evangelho em palavra e ação para o maior número de pessoas, poupando-as assim da morte física e espiritual? Ação social sem Evangelho é humanismo, não Missões. Tentou-se entender a missão diante dos impactos negativos no meio ambiente e a implicação do mandato cultural para a Igreja. Mas se perdeu a chance de reacender a chama missionária da igreja evangélica brasileira, quando se elegeu ecologia como tema central do Congresso. Não seria esse um tema da ética cristã, bem melhor inserida no próximo Encontro do RENAS (Rede Evangélica Nacional de Ação Social)? Falou-se muito, fez-se pouco. Toneladas de papel foram distribuídas aos congressistas, às vezes até contra sua vontade.

3. Faróis no oceano
Apesar de alguns desencantos, o 6° CBM também teve seus momentos de brilho. Buscou-se a unidade do corpo de Cristo com o lançamento da Aliança Evangélica. Ficamos tocados com a apresentação magistral sobre a vida missionária de Paulo feita por Hernandes Dias Lopes. Dois pastores e líderes indígenas, Henrique Terena e Eli Tikuna, nos abençoaram com sua integridade de vida e relatos sobre o avanço do CONPLEI (Conselho Nacional de Pastores e Líderes Evangélicos Indígenas). Aurivan Marinho, após discorrer com maestria sobre as falsas dicotomias entre teologia e missões, intelectualidade e piedade, dons e frutos do Espírito, espiritualidade e serviço, planejamento e direcionamento do Espírito, lembrou-nos que circunstâncias como fome, martírio e perseguição não podem determinar a agenda da igreja. Augustus Nicodemos apresentou a teologia da evangelização mundial de Paulo. Finalizando o Congresso, fomos chacoalhados por Ronaldo Lidório. Ainda existem no mundo 2.500 línguas sem tradução bíblica e 1.450 povos sem igreja autóctone. No Brasil, os oito maiores desafios missionários são: (1) as 121 etnias indígenas sem o Evangelho; (2) 10.000 comunidades ribeirinhas a serem alcançadas; (3) 700.000 ciganos da etnia calón sem escrita decifrada; (4) no mínimo 120 comunidades quilombolas sem o Evangelho; (5) inúmeros estrangeiros de países fechados ou de difícil acesso ao Evangelho vivendo no Brasil; (6) os ricos dos ricos, (7) os pobres dos pobres e (8) os excluídos vivendo às margens do Evangelho.[3]

4. Desvendando a neblina
Fazendo um balanço, o melhor do CBM não são as palestras. São os encontros e reencontros, a rede de contatos e as conversas de corredor. Num desses esbarrões no almoço recebi uma aula de missiologia por Bijoy Koshy, indiano, diretor da maior região geográfica da Missão Interseve (Américas e Pacífico Norte) e presidente da Associação de Missões da Índia, provavelmente a maior associação de missões do mundo. Conversamos sobre os movimentos missionários na Ásia e Brasil. A seguir algumas reflexões pessoais a partir desse interessante diálogo:

(1) O multiculturalismo brasileiro e a pluralidade evangélica normalmente são elencados como trunfos a favor do missionário brasileiro. No entanto, o denominacionalismo constrói muros intransponíveis e a competição entre agências missionárias muitas vezes impede parcerias amplas e solidárias.

(2) O viés prático do movimento missionário brasileiro é uma de suas marcas. Porém, corre-se o risco do pragmatismo metodológico. Métodos tornam-se mais importantes do que princípios, meios mais valorizados do que fins.

(3) A crescente reflexão acadêmica do movimento missionário brasileiro sobre si mesmo é perceptível. No entanto, grande parte dela ainda é feita por missionários de origem estrangeira, mesmo que os consideramos “patrimônio nacional”. Quando feita por brasileiros, boa parte da literatura missionária sai das penas de pastores à frente de grandes igrejas nos megacentros urbanos, muitos sem vivência pessoal no campo missionário transcultural. Poucos missionários brasileiros com experiência transcultural publicam livros missiológicos. Boa parte deles receberam sua formação em mestrados e doutorados norte-americanos. Fica patente: ainda somos intelectualmente dependentes do exterior. Missionários de origem estrangeira e pastores de grandes centros urbanos podem e devem refletir sobre missões. Mas o missionário brasileiro precisa refletir sua experiência missionária própria, através de formação acadêmica adequada, incentivos financeiros, tempo para estudo e ambiente reflexivo.

(4) Uma vasta experiência no contexto religioso do catolicismo popular, ou pelo menos no contexto cristão secularizado, é a nossa marca. No entanto, pouca familiaridade temos com as três maiores religiões não-cristãs do mundo: budismo, hinduísmo e islamismo. Exatamente estas são majoritárias no continente mais populoso e menos alcançado do planeta. Na Ásia, somente 8,6% das pessoas consideram-se cristãs, enquanto 91,4% seguem outras religiões e 60% das etnias são considerados não-alcançados (2.545 na Índia, 520 na China e outras tantas no Paquistão, Nepal e Bangladesh).

(5) Graças à democracia, ao avanço institucional e à estabilidade econômica, vivemos um período de paz e prosperidade financeira. Avança também o individualismo, consumismo e hedonismo. Destarte, em termos gerais, o movimento missionário brasileiro tem pouca experiência com perseguições por parte de grupos religiosos ou governos. Metodologias missionárias testadas na democracia com fundo cristão não são eficazes em países de difícil acesso ou fechados ao Evangelho. Resultado: temos pouca criatividade no acesso a países fechados e pouca flexibilidade na adoção de novas metodologias, por exemplo “business as transformation”, “business as mission” e “insider movements”.

(6) Nossa geografia gera um distanciamento natural em relação aos grandes e dinâmicos movimentos missionários da Ásia e África. Tanto é que durante o 6° CBM, pouquíssimos representantes de outros países emergentes estavam presentes.

Por conta dessas nossas características, realidades e contradições, o movimento missionário brasileiro continua concentrado nos países da América Latina, da Península Ibérica, nas ex-colônias portuguesas da África (Angola, Moçambique, Guiné Bissau, Cabo Verde) e Ásia (Timor Leste). Precisamos de um esforço consciente para quebrar as barreiras geográficas (isolamento), lingüísticas (português e espanhol), religiosas (animismo e catolicismo), denominacionais (individualismo e competição), metodológicas (pragmatismo) e intelectuais (dependência anglo-saxão) do movimento missionário brasileiro, a fim de chegar aos países mais populosos e com as etnias menos alcançadas da Ásia. Para tanto, o Congresso Brasileiro de Missões pode continuar sendo um valioso instrumento, desde que não perca o foco – o Evangelho todo, a todo homem e ao homem todo.


[1]Números apresentados por Bijoy Koshi, “Novos Paradigmas de atuação missionária na Ásia”, 6° Congresso Brasileiro de Missões, anotações pessoais.
[2]Ariovaldo Ramos, “A Missão Integral e a Ética da Manutenção”, 6° Congresso Brasileiro de Missões, anotações pessoais.
[3]Ronaldo Lidório, „O Evangelho: princípios, práticas e contextualização”, 6° Congresso Brasileiro de Missões, anotações pessoais.

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

A alegria de receber a Bíblia na sua língua

Veja o amor deste povo ao receber a Palavra de Deus em sua língua. Isso me faz pensar e pedir perdão a Deus por muitas vezes ter desprezado Sua Palavra, que mesmo antes de eu nascer já havia em minha língua.




Texto tirado do youtube, onde o vídeo está:
Tribo Kimyal festejando a chegada da biblia traduzida na língua deles. Tradução feita pela missionária Rosa Kidd através de um plano de Deus colocado em seu coração. Através de muitas dúvidas sobre o plano de Deus e 15 anos de trabalho aprendendo a lingua, a traducao se completou em marco de 2010. Kimyal se encontra em Korupun, no oeste de Papua, a tribo tem mais ou menos 4 mil habitantes onde 98% (3.920 pessoas) falam apenas a língua nativa de Kimyal. Enquanto muitos países rejeitam a palavra de Deus, não creem, fazem piadas, e ridicularizam as histórias da Bíblia em TV aberta, Deus leva a Sua palavra para aqueles que humildemente a recebem.

sábado, setembro 04, 2010

Plano Missionário para a Igreja

Artigo escrito em 26/02/1990, por Barbara Burns, no Jornal Batista de SP.

Plano Missionário para a Igreja

"É a Junta que tem que ter 'plano missionário', não a igreja!" Assim pensam a maioria, se desligando de qualquer responsabilidade, e perdendo uma oportunidade de obediência e benção. Mas nem todos os membros das igrejas delegam missões às Juntas de Missões Mundiais, Nacionais, ou Estaduais, dando apenas uma oferta por ano. Tive o privilégio de ser criada numa igreja onde missões era central em todos os seus propósitos. Os membros nunca sentiam mais felizes do que quando enviando um dos seus membros para um campo distante, ou contribuindo para que o nome do Senhor Jesus fosse proclamado perto ou ao redor do mundo.

O primeiro modelo de uma igreja assim se acha em Atos 13.1-4. O Espírito Santo enviou, por intermédio da igreja local, os dois homens mais preparados e queridos no seu meio. Jesus mesmo disse que a razão da existência dos Seus discípulos (os membros e líderes das igrejas) era pregar o Evangelho à toda criatura, de Jerusalem até aos confins da terra! Jesus tinha preparado Seus discípulos por três anos com esta finalidade, e no fim deu a órdem prioritária para eles, e para todos que vinham depois deles. Missões é a responsabilidade de todos os discípulos de Jesus Cristo, e a razão central da existência das igrejas.

As juntas de missões foram estabelecidas para ajudar as igrejas cumprir a vontade de Deus em fazer missões. Mas há coisas que as juntas não podem fazer, que são a responsabilidade das igrejas. A seguinte lista fornece uns exemplos daquilo que cabe as igrejas no plano missionário de Deus.

As quatro responsabilidades:

1. Responsabilidade do preparo
O contato longo, o ensino da Palavra, a vida em comunidade, e o crescimento mútuo de Cristãos que se amam e ajudam uns aos outros viver dignamente do Senhor é a melhor escola missionária. O missionário vai levar junto com ele para os campos o modelo que fez parte da sua formação cristã, repetindo e imitando aquilo que experimentou e viveu (muito mais do que ele aprendeu numa escola formal). Como é importante este modelo ser de uma igreja que serve fielmente o Senhor no seu próprio trabalho evangelístico e discipulado na vida cristã!

A prática do ministério, como Deus deu para Saulo e Barnabé antes da sua primeira viagem missionárioa só pode se obter numa igreja. Deverá existir oportunidades de exercer um ministério dentro da comunidade de Deus. Os colegas e líderes de uma igreja conhece os dons, os problemas, e as áreas de necessidade dos seus membros, dando base para aconselhamento, direcionamento, e crescimento quanto vocação ministerial.

2. Responsabilidade da escolha
Assim são as igrejas que podem reconhecer aqueles que são verdadeiramente aprovados nas suas práticas e sua vida cristã. Conhecem profundamente o candidato, e devem com toda honestidade recomendar ou não as pessoas para missões. Faz parte desta responsabilidade o conhecimento das qualificações necessárias para um obreiro em missões. É preciso enviar as pessoas certas, que darão fruto em situações às vezes difíceis de comunicar e viver.

3. Responsabilidade do envio
Em Atos 13 o Espírito Santo não falou apenas com Saulo e Barnabé; falou com a igreja. Foram membros da igreja que colocaram suas mãos sobre os dois, assim declarando sua solidariedade e identificação com eles. Eram embaixadores daquela igreja, conforme a direção do Espírito Santo. As igrejas hoje devem estar alertas para saber a vontade de Deus sobre seus membros. Que privilégio Deus dá a igreja em usá-la para enviar seus melhores membros a serem pioneiros em campos sem a Palavra e o conhecimento de Deus.

4. Responsabilidade do apoio
Depois de longos anos de serviço frutífero, Paulo ainda reconhece a absoluta necessidade de apoio em oração. Em Efésios 6:18-20 ele diz para a igreja:

Orando em todo o tempo com toda a oração e súplica no Espírito, e vigiando nisto com toda a perseverança e súplica por todos os santos, e por mim; para que me seja dada, no abrir da minha boca, a palvra com confiança, para fazer notório o mistério do evangelho, pelo qual sou embaixador em cadeias; para que possa falar dele livremente, como me convém falar.

Paulo sabia que sem a oração, nem ele teria sucesso em missões!

A responsabilidade não termina com a oração. O apoio financeiro também é um importante ingrediente para missões. Paulo menciona este fato várias vezes, especialmente em Filipenses 4:10-20, onde ele agradece a oferta sacrificial dos irmãos pobres da Macedonia. A oferta foi uma benção para ele, porque supriu necessidades e demonstrou o amor e a solidariedade da igreja com ele. Acima de tudo foi uma benção para a própria igreja, porque a oferta foi como uma dádiva a Deus, colocada na conta celestial da igreja.

Assim temos o desafio e as responsabilidades missionárias das igrejas. Mas como fazer? Quais alguns passos práticos?

1. Mensagens e ensino missionário
É difícil estudar a Bíblia sem estudar missões. Se enfatizamos missões à medida que a Bíblia o faz, a igreja estará crescendo no seu conhecimento de como e porque fazer missões.

2. Testemunhos dos missionários
Devemos convidar missionários a pregarem e ensinarem nas igrejas, encorajando os membros a convidá-los a se hospedarem nas suas casas. Devemos ser membros de igrejas que se alegram com a presença e o trabalho dos missionários.

3. Oração semanal em favor de missões e os missionários
Cada culto deve incluir um momento da igreja levar as necessidades dos missionários a Deus em oração. Podem ser lidas cartas, artigos em jornais, informações missionárias, que ajudarão os membros se involverem pessoalmente na vida dos missionários e nas necessidades ao redor do mundo.

4. Convenções missionárias
Missões podem ser enfatizadas de uma forma especial uma ou duas vezes por ano. Pessoas de todos os departamentos da igreja podem participar e tomar responsabilidade de dirigir e compartilhar.

5. Conselhos missionários
Se a igreja for grande, um grupo pode se formar para informar e ajudar a igreja no conhecimento e prática de missões. O conselho não deve se tornar mais uma "junta," mas sim, levar a igreja toda tomar decisões e se envolver no preparo, na escolha, e no apoio de missionários.

6. Ser modelo de missões
Uma igreja ativa na evangelização e discipulado não apenas oferece oportunidades de prática de ministério, como se torna o modelo ideal que o missionário vai repetir em outros lugares. Cada igreja deve procurar expandir ao seu redor, formando pontos de pregação e congregações. Assim a igreja providencia oportunidades de treinamento e envolvimento pessoal no ministério da igreja enquanto está cumprindo fielmente o propósito pelo qual foi criada.

quarta-feira, setembro 01, 2010

Missões e Predestinação

Não adianta ir fazer missões; os predestinados vão ser salvos mesmo.

Realmente a Bíblia deixa claro que os salvos são predestinados à salvação. Efésios 1.4-5 diz: Porque Deus nos escolheu nele antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença.  Em amor nos predestinou para sermos adotados como filhos, por meio de Jesus Cristo, conforme o bom propósito da sua vontade (NVI). O v.11 no mesmo capítulo repete a mesma verdade, Nele fomos também escolhidos, tendo sido predestinados conforme o plano daquele que faz todas as coisas segundo o propósito da sua vontade.

Deus é soberano! A predestinação é um ensinamento da Bíblia apesar da dificuldade em entendê-la. De fato, grandes teólogos em toda a história da Igreja Cristã têm debatidos esta doutrina sem chegar a uma conclusão unânime. Alguns enfatizam mais o lado que Deus faz tudo e o homem não tem escolha nenhuma diante dEle. Outros se baseiam em outros textos que deixam claro que o homem também tem que buscar e obedecer a Deus, enfatizando a livre vontado do homem.

A Bíblia aparentemente nos apresenta os dois lados, claramente ensinados. J.I. Packer (Evangelismo e a Soberania de Deus, Ed. Vida Nova) chama este dilema de "paradoxo. " Um paradoxo é algo que tem dois lados que parecem opostos, mas são ambos a verdade. Em nossa mente finita, não podemos entender esta verdade infinita que origina nos conselhos de Deus. Mesmo difícil para a mente, a predestinação é algo que todos nós que somos do Senhor entendendemos na experiencia pois no íntimo sabemos que não merecemos ser filhos e filhas de Deus, e que não fizemos nada para comprar a salvação. Sabemos que nem tinhamos condições de buscar a Deus até achar, pois em Romanos 3:11 diz: Não há quem entenda, não há quem busque a Deus. Depois em versículo 23, Romanos diz algo que com humildade nós sabemos: pois todos pecaram e carecem da glória de Deus.

Nós não recebemos a salvação por nosso mérito; somos salvos por causa da graça de Deus em enviar Jesus Cristo para morrer numa cruz, pagando o preço do nosso castigo e tomando sobre si o nosso pecado. Fomos justificados gratuitamente por sua graça, por meio da redenção que há em Cristo Jesus. Deus o ofereceu como sacrifício para propiciação mediante a fé, pelo seu sangue, demonstrando a sua justiça (Romanos 3:24-25a). Porém a salvação vem para nós no momento em que dobramos diante de Deus com corações contritos pelo pecado e desobediência, pedindo perdão e aceitando pela fé Jesus Cristo como Salvador e Senhor. Temos que abrir nossos corações para receber aquilo que Deus predestinou que seria nosso!

Então uma parte da primeira sentença deste artigo é a verdade: "os predestinados vão ser salvos mesmos." No entanto a outra frase, "não adianta fazer missões", é bem errada! Fazer missões é o centro da vontade de Deus para nossas vidas e uma das mais importantes razões dEle ter nos predestinado! Ele escolhe Seu povo para ser canal da Sua glória ao mundo (compare Êxodo 19:4-5 e 1 Pedro 2:9).

Uma ilustração disto seria a vida de Cornélio em Atos 10. Cornélio era um homem piedoso: orava, dava esmola, e era temente a Deus. Mas Cornélio, apesar de predestinado, não era salvo ainda. Era necessário o Apóstolo Pedro ir até a casa dele para explicar o caminho de salvação. Era necessário Cornélio aceitar na sua vida a presença real de Jesus Cristo. Deus não mandou um anjo para evangelizar (apesar que uns anjos participaram no preparo do caminho). Pedro era um servo dEle, pronto a obedecê-lO, mesmo difícil por causa do egoísmo e etnocentrismo do Apóstolo.

O texto mais difícil a entender no Novo Testamento é Romanos 9-11. Predestinação é um dos assuntos principais deste texto onde Paulo tenta levar os crentes de Roma a apreciar quem são dentre dos propósitos eternos de Deus. Para os que queixam contra a doutrina de predestinação Paulo responde:
Mas algum de vocês me dirá: "Então, por que Deus ainda nos culpa? Pois, quem resiste à sua vontade?" Mas quem é você, ó homem, para questionar a Deus? "Acaso aquilo que é formado pode dizer ao que o formou: 'Por que me fizeste assim?'" O oleiro não tem direito de fazer do mesmo barro um vaso para fins nobres e outro para uso desonroso? E se Deus, querendo mostrar a sua ira e tornar conhecido o seu poder, suportou com grande paciência os vasos de sua ira, preparados para a destruição? Que dizer, se ele fez isto para tornar conhecidas as riquezas de sua glória aos vasos de sua misericórdia, que preparou de antemão para glória, ou seja, a nós, a quem também chamou, não apenas dentre os judeus, mas também dentre os gentios?
 (Romanos 9:19-24)

Um texto assim, difícil a entender, é apenas um lado do paradoxo. O outro lado vem logo em seguida quando Paulo deixa claro que os Judeus não predestinados tinham rejeitados a Deus em dureza de coração e desobediência. Ainda bem que no final deste texto a Bíblia diz:

O profundidade da riqueza, tanto da sabedoria, como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos e quão inescrutáveis os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem primeiro lhe deu a êle para que lhe venha a ser restituído? Porque dele e por meio dele e para ele são todas as cousas. A ele pois, a glória eternamente. Amém."

O que tem tudo isto haver com missões? É que muitas vezes nós tomamos apenas um lado do paradoxo de Deus, tirando qualquer responsabilidade nossa em relação a salvação de outros. Nos tornamos fatalistas em nossa conduta cristã, pensando que Deus "vai dar um jeito" para os povos que nunca ouviram a mensagem do Evangelho.

É de alta importância que no meio de Romanos 9-11, o texto mais profundo sobre a soberania de Deus, temos também um dos textos mais enfáticos sobre missões.

Se com a tua boca confessres a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvos. Porque com o coração se crê para justiça, e com a boca se confessa a respeito da salvação. (. . .) Porque: todo aquele que invocar o nome do Senhor, será salvo. Como, porém, invocarão aquele em que não creram? e como crerão naquele de quem nada ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão se não forem enviados? (Romanos 10:9-10, 13-15)

Como ouvirão se não há missões? Como haverá missões se nós, todos nós, da Igreja de Jesus Cristo, não começarmos a nos preocupar em cumprir a vontade de Deus? Ele nos escolheu justamente porque Ele ama os povos em toda a terra. Ele nos enviou para eles, claramente ensinado no Antigo e no Novo Testamento. Jesus preparou os pais da Igreja, ensinando-os a serem missionários, e no fim enviando-os em Seu lugar e em Seu Nome até aos confins da terra. Predestinação e missões andam juntos; não se contradizem, mas são interdependentes.

Deus nos predestinou para glorificá-lO e para levar as Sua glória às nações. Ele nos predestinou para sermos dEle, raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz (1 Pedro 2:9).

Fonte: Preparo Missionário, da Escola de Missões da Juvep. 

sexta-feira, junho 18, 2010

A Importância dos Missionários de Base

por Reinaldo Bui

Neste momento, em algum lugar do nosso país (para não estender este apelo a outras nações), há um crente frustrado em seu trabalho. Este irmão ou irmã é apaixonado por missões, seu coração ferve sempre que ouve uma mensagem desafiadora para “ir pelo mundo” aos povos que ainda não ouviram o Evangelho para pregar a mensagem de salvação. Mas ele vive num impasse. Seu paradigma de missionário é o mesmo da igreja em geral: aquele intrépido e desprendido ser que largou tudo e todos para se enfiar no meio de uma mata longínqua, a fim de viver sem um mínimo de conforto, disposto a se habituar à culinária nada convencional do povo que ele escolheu, só para levar as Boas Novas de Cristo.

Sua frustração só aumenta. Quanto mais este irmão ou irmã busca aconselhamento com seus pastores, mais distante suas esperanças ficam do “campo missionário”. Seu perfil é de alguém que adora rotina e desenrola muito bem o serviço burocrático. Talvez ele trabalhe numa empresa de telecomunicações, talvez ela seja uma secretária eficiente. Ou então este irmão/irmã seja um advogado, ou algum profissional da área administrativa, ou sei lá. Pode ser qualquer coisa, mas nunca conseguiu se imaginar comendo turu e morando numa maloca por amor às almas perdidas. Não que este sentimento não lhe incomode, mas por ser urbano demais, não conseguiria chegar tão longe. Por isto, cala-se, frustrado. Não consegue imaginar em que poderia ser útil para a proclamação do Reino. Ah, sim. Ele/ela é ativo em sua igreja. Mas quem tem o coração em missões está sempre com a cabeça lá longe.


Talvez alguns o questionem sobre a autenticidade do seu “chamado”, e este é outro paradigma que precisa ser quebrado. Chamado missionário não é algo místico. Se você está esperando uma revelação por sonho ou alguma visão extática, esqueça. Olhe para a Palavra (que vale muito mais do que qualquer visão). Atente, por exemplo a textos como:

...sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra (Atos 1.8).

...Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. (Marcos 16.15).


Este chamado, não é para poucos. Esta convocação é para todos os crentes. A questão é se você vai obedecer ou não... E aonde você vai cumprir esta comissão.

Voltemos ao nosso irmão frustrado. Ele tem convicção da importância desta santa convocação e perturba-se profundamente com isto. Para complicar ainda mais, seu teste de dons não apontou para evangelismo, ou ensino, nem para apostolado. Como era de se esperar, ele/ela é apto para administrar ou presidir. Desconsolado, chora: "continuarei orando por missões..."

Neste momento, em algum lugar do nosso país há um crente apaixonado por missões, mas frustrado porque o velho paradigma o impede de ir; e neste mesmo momento, em alguma base missionária, há um missionário que está louco para ir embora pro meio do mato, comer turu com o povo local e morar numa maloca, a fim de desenvolver seu dom de compartilhar o Evangelho de maneira contextualizada... Mas não pode porque alguém tem que fazer o serviço burocrático e rotineiro na base da missão. Ele ora: "Senhor, mande alguém prá fazer este serviço porque senão eu vou ficar louco com esta papelada aqui!"

Somente quem desconhece quantos dons e habilidades diferentes são necessários para se compor uma equipe missionária ignora que “missionários de base” são tão importantes quanto os “missionários de campo.”