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terça-feira, outubro 08, 2013

O argumentum ad hominum

Por Mark Ellis
Retirado do Facebook



O "argumentum ad hominum" é uma falácia lógica, que quando não tem mais argumentos válidas ou verdadeiros contra a posição do seu adversário, alguém lança ataques pessoais contra seu adversário. É quase a prova perfeita que a pessoa não tem mais argumentos lógicos. Como o advogado que tenta anular o testemunho de uma mulher que presenciou um homicídio, por chamar atenção ao fato que ela seja prostituta e drogada. Quando usamos rótulos não por conveniência, mas para denegrir e atacar a pessoa, palavras como "Calvinista!" "Liberal!" "Fundamentalista!" ou meu predileto, "americano!" (É mais fácil dizer "Então você é calvinista?" do que, "Então, você acredita em redenção limitada, graça irresistível, depravação total, eleição incondicional, e a perseverança dos santos?") Na busca pela verdade, sempre precisamos focalizar em ideias e raciocínios, porque Deus é capaz de anunciar suas glórias através das bocas de jumentos e crianças. E quando você estiver conversando assuntos polêmicos e a pessoa ataca sua pessoa, alegre-se, porque é uma admissão que ele não tem mais argumentos lógicos.

domingo, julho 28, 2013

O que é o Evangelho?

Por Charles Ryrie

Considere essa história: dois alunos, um sempre com nota 10 e outro sempre com exames finais e recuperações para ser aprovado. O primeiro nunca tirou uma nota que não fosse 10 em toda sua vida escolar, enquanto o segundo sempre teve dificuldades em ser aprovado, desde o primeiro ano do ensino fundamental. Certo semestre ambos estavam, durante a universidade, na mesma classe. Os dois estavam com dificuldades: o aluno nota 10 tinha chance de não tirar 10, enquanto o aluno que sempre teve dificuldades na escola talvez não fosse aprovado naquela matéria.

O semestre termina e ambos estão ansiosos para ver suas notas. Agora, suponha que o professor chegue ao aluno nota 10 e diga: “eu tenho boas novas para você. Você passou.” Para o aluno nota 10 aquela não era uma genuína boa notícia, pois a única boa notícia que ele queria ter é saber que tirou 10. No entanto, ao outro aluno, a notícia que ele passou era definitivamente muito boa. Tanto “você recebeu 10” quanto “você passou” são boas notícias [evangelho], mas com conteúdos diferentes.

Evangelho, uma palavra transliterada do grego, significa em português, boas novas. Mas boas novas sobre o quê? A boa notícia deve ser definida para responder esta pergunta. Até mesmo o Novo Testamento usa a palavra “evangelho” para diferentes propósitos. Precisamos, então, saber de fato que boa notícia é essa.

Por exemplo, em 1Tessalonicences 3.6, Paulo escreveu que Timóteo trouxe boas notícias, literalmente o evangelho, que dizia a respeito da fé e do amor que os novos convertidos tinham. Este evangelho não é sobre a salvação eterna. Este evangelho era sobre a condição espiritual dos de Tessalônica.

Paulo fala também sobre o falso evangelho dos judaizantes na Galácia (Gl 1.6). O evangelho deles, ou seja, a boa nova, incluía o requerimento de ser circuncidado para a salvação. Este não era o evangelho da graça, que claramente nos ensina que obras não fazem parte do processo de conversão.

Mais um exemplo, em Gálatas 3.8 diz: Prevendo a Escritura que Deus justificaria os gentios pela fé, anunciou primeiro as boas novas a Abraão: “por meio de você todas as nações serão abençoadas.” Em outras palavras, as boas novas são a notícia que os gentios seriam abençoados por Deus através de Abraão e, mais uma vez, não a boa nova da solução divina contra o problema do pecado.

Boas novas nos Evangelhos
No Evangelho de Mateus, a palavra evangelho aparece 4 vezes. Com exceção de uma vez, todas elas são associadas ao Reino (em Mt 26.13). Esta era a mensagem de João Batista (Mt 3.1-2), de nosso Senhor (Mt 4.17) e dos doze discípulos quando eles foram pela primeira vez enviados por Jesus (Mt 10.5-7).

Qual a boa nova do Reino? A resposta correta está no significado de Reino e esperança que o povo judeu tinha no tempo da primeira vinda de Cristo. De fato, a esperança deles estava no cumprimento da promessa sobre o Messias e Seu Reino na terra, um Reino que exaltaria o povo judeu e os libertaria do domínio de Roma sobre o qual eles viviam.

Mas o domínio do céu não veio na primeira vinda de Jesus, porque o povo recusou-se em arrepender-se e satisfazer as condições espirituais para o Reino. A maioria apenas queria o benefício político sem satisfazer nenhum requerimento pessoal para mudança de vida. Assim o Reino não veio porque o povo não queria se preparar apropriadamente para isso. Isso não significa que, por causa disso, nunca haverá um Reino davídico, um tempo milenar. O Senhor ensinou que ele não surgiria imediatamente (Lc 19.11), e que Evangelho do Reino seria pregado novamente no futuro durante o período da grande tribulação (Mt 24.14). Neste tempo vindouro e perverso, Satanás e as forças do mau terão quase total liberdade para reinar, será uma bela boa notícia saber que em breve o Messias governará na terra.

Todas as referências de Mateus ao evangelho relacionam-se ao Reino, exceto por uma, Mateus 26.13. Nesta passagem o Senhor disse que sempre quando a mensagem de sua morte fosse pregada, a boa obra do derramar do perfume de Maria Madalena em sinal da antecipação da morte de Jesus seria conhecida.

O uso de Marcos sobre o termo evangelho uniformemente enfatiza a pessoa de Cristo (Mc 1.1, 14-15; 8.35; 10.29; 13.10; 14.9; 16:15). Nosso Senhor é o tema central da boa nova. Lucas também usa palavra evangelho para destacar a centralidade de Cristo nas boas novas (Lc 2.10), bem como no anúncio do reino (Lc 4.43). João não usa a palavra evangelho nenhuma vez, mas obviamente que os mais importantes ensinos sobre o novo nascimento são descritas por ele.

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quarta-feira, junho 05, 2013

O que são as paixões da mocidade?

Por John D. Street


Nas Escrituras, o desejo cobiçoso é muito mais que anseios sexuais eróticos. Por exemplo, 2Tm 2.22 é um texto conhecido para tratar da tentação sexual em jovens de ambos os sexos. Mas o que são as "paixões da mocidade" mencionadas no contexto? Paulo está advertindo Timóteo sobre os falsos mestres que são uma ameaça para sua congregação. Como um pastor jovem ele é encorajado a confrontar esses homens que dividiram o rebanho. O apóstolo, então,  usa a analogia da purificação dos vasos de desonra em uma casa (i.e., a igreja) para que esse vaso seja santificado e mais útil para o Mestre. Imediatamente a seguir no v.23, ele adverte quanto ao envolver-se em "questões insensatas e absurdas, pois sabes que só engendram contendas" com estes falsos mestres. Então, as "paixões da  mocidade" não têm nada a ver com anseios sexuais, mas sim com as presunções arrogantes de um jovem pastor que pensa que pode convencer homens habituados às "contendas de palavras", ganhar argumentos e prevalecer nas disputas. Em vez disso, Paulo diz, "evita, igualmente, os falatórios inúteis e profanos."

Purificando o coração da idolatria sexual. Nutra publicações, pp.19-20.

sexta-feira, março 01, 2013

Lucas 17.20-21: O reino de Deus está dentro ou no meio de vós?

Por T. Zambelli

Falar sobre a presença física do Reino do Senhor Jesus na terra sempre causa, no mínimo, muita dúvida. Para aqueles que compreendem mais profundamente a Palavra de Deus, no mínimo, divergência.

Enquanto eu lia pela segunda vez Instrumentos nas Mãos do Redentor (Por Paul Tripp, Nutra Publicações), leitura essa que recomendo insistentemente para todo cristão, deparei-me com o seguinte comentário de Mc 1.15:
A pergunta é, "É chegada a hora para o quê? Jesus está anunciando a proximidade do reino de Deus. É uma maneira discreta de dizer, "Eu sou o Rei dos reis, e eu trouxe o poder do meu reino comigo." Em outro lugar Cristo deixa claro que seu reino não é um império terreno e político. Ele o chama de reino "dentro de você" (veja Lc 17.20-21); - p.21, grifo meu.
"Dentro de você" é a tradução da versões Revista e Atualizada (ARA), NTLH e VIVA. Acredito que as duas primeiras juntas possuem o maior número de vendas no Brasil e consequentemente tem a ideia mais difundida. Mas considere outras traduções:
  • Porque eis que o Reino de Deus está entre vós (ARC);
  • Porque o Reino de Deus está entre vocês (NVI);
  • Porque o Reino de Deus está no meio de vocês (Católica);
  • Porque o Reino de Deus está no meio de vós (TB).
Afinal, o texto bíblico ensina que o Reino está dentro de alguém ou entre as pessoas?

Vejamos a passagem (Lucas 17.20-21) em duas diferentes versões:

Sendo Jesus interrogado pelos fariseus sobre quando viria o reino de Deus, respondeu-lhes: O reino de Deus não vem com aparência exterior; nem dirão: Ei-lo aqui! ou: Ei-lo ali! pois o reino de Deus está dentro de vós. (ARA)

Os fariseus perguntaram a Jesus sobre o momento em que chegaria o Reino de Deus. Jesus respondeu: "O Reino de Deus não vem ostensivamente. Nem se poderá dizer: 'Está aqui' ou: 'está ali', porque o Reino de Deus está no meio de vocês." (NVI)


quinta-feira, fevereiro 21, 2013

Eu preciso me arrepender para ser salvo?

Por T. Zambelli

Não precisamos gastar muitas linhas para oferecer a correta resposta à pergunta: "eu preciso me arrepender para ser salvo?" Sim é a verdadeira e correta resposta, no entanto, outra pergunta precisa ser feita:

"preciso me arrepender do quê?"

Mourners' bench
No início do século passado, nas igrejas americanas, havia muitos bancos colocados próximos do púlpito para pessoas lamentar por seus pecados e ali, entregarem suas vidas a Cristo. Hoje, muitos cristãos semelhantemente a estes que usavam os mourners' bench (banco dos pranteadores), consideram que o lamento ou tristeza são expressões essenciais de um genuíno arrependimento. Entretanto, o conceito bíblico de arrependimento não se refere às emoções como parte do significado básico, ou fundamental, mas a uma mudança de paradigma, de mentalidade, direção, de ideia. Lamentar-se ou entristecer-se pode ou não incorporar um genuíno arrependimento, mas o fato é que nem lamentar, nem entristecer fazem parte do verdadeiro significado de arrependimento.

Quando falamos sobre arrependimento no contexto soteriológico (de salvação) não faltam perguntas, tais como: "qual a relação de arrependimento e salvação?" "O arrependimento deve proceder a salvação?" "O arrependimento é sinônimo de fé?" "Alguém pode ser salvo sem se arrepender?" "O que significa arrepender-se?" Que essas e outras parecidas perguntas não sejam problemas para você depois de lido este artigo, praticamente um resumo do capítulo "Repent! About What?" do livro So Great Salvation, de Charles Ryrie.

quinta-feira, outubro 18, 2012

Eu preciso me arrepender para ser salvo?

Por T. Zambelli

Não precisamos gastar muitas linhas para oferecer a correta resposta à pergunta: "eu preciso me arrepender para ser salvo?" Sim é a verdadeira e correta resposta, no entanto, outra pergunta precisa ser feita:

"preciso me arrepender do quê?"

Mourners' bench
No início do século passado, nas igrejas americanas, havia muitos bancos colocados próximos do púlpito para pessoas lamentar por seus pecados e ali, entregarem suas vidas a Cristo. Hoje, muitos cristãos semelhantemente a estes que usavam os mourners' bench (banco dos pranteadores), consideram que o lamento ou tristeza são expressões essenciais de um genuíno arrependimento. Entretanto, o conceito bíblico de arrependimento não se refere às emoções como parte do significado básico, ou fundamental, mas a uma mudança de paradigma, de mentalidade, direção, de ideia. Lamentar-se ou entristecer-se pode ou não incorporar um genuíno arrependimento, mas o fato é que nem lamentar, nem entristecer fazem parte do verdadeiro significado de arrependimento.

Quando falamos sobre arrependimento no contexto soteriológico (de salvação) não faltam perguntas, tais como: "qual a relação de arrependimento e salvação?" "O arrependimento deve proceder a salvação?" "O arrependimento é sinônimo de fé?" "Alguém pode ser salvo sem se arrepender?" "O que significa arrepender-se?" Que essas e outras parecidas perguntas não sejam problemas para você depois de lido este artigo, praticamente um resumo do capítulo "Repent! About What?" do livro So Great Salvation, de Charles Ryrie.

Significado Genérico

Em primeiro lugar é muito importante que entendamos que várias palavras ou expressões na Bíblia possuem um significado genérico ou básico, uma ideia primária. Por exemplo a palavra "salvação", que significa resgatar ou salvar. Se você quer entender o texto onde a palavra salvação está inserida, então você deve se perguntar: "salvar ou resgatar do quê?" Em Filipenses 1.19 Paulo usa esta palavra não para se referir à salvação da condenação eterna, mas do encarceramento que ele ali participava: Porque sei que isto me resultará em salvação, pela vossa súplica e pelo socorro do Espírito de Jesus Cristo. Claro, em outras passagens Paulo usa esta mesma palavra para falar da exclusiva salvação eterna em Cristo, por exemplo: E em nenhum outro há salvação; porque debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, em que devamos ser salvos (Atos 4.12). É necessário perceber que nem todas as aparições da palavra salvação no texto bíblico refere-se à salvação da condenação eterna.

sábado, abril 07, 2012

Declaração da SIL International sobre as Melhores Práticas de Tradução de Termos Familiares Divinos na Bíblia

Infelizmente a tradução dos termos familiares de Deus nas Escrituras tem gerado considerável controvérsia. Nós queremos deixar clara qual a nossa posição sobre esta importante questão.

Na SIL afirmamos fortemente a divindade eterna de Jesus Cristo, e exigimos que isso seja preservado em todas as traduções. As traduções das Escrituras devem promover a compreensão do termo "Filho de Deus" em toda a sua riqueza, incluindo a relação de Jesus como Filho com Deus Pai.

Sem reservas, a prática de tradução das Escrituras adotada pela SIL é usar palavras que comuniquem com precisão ao público-alvo a relação que Deus Pai escolheu para descrever a si mesmo em relação ao seu Filho, Jesus Cristo, nas línguas originais das Escrituras.

Existem alguns casos nos quais pode ser mostrado que uma tradução literal desses termos familiares poderia comunicar significados incorretos (ou seja, que Deus teve relações sexuais físicas com Maria, mãe de Jesus, o que não só obviamente transmite um significado errado, mas também pode dar aos leitores a impressão de que a tradução seja corrompida). Nessas situações, as traduções transmitem o significado exato usando termos que têm significado familiar, mas não envolvem uma relação de procriação. Sempre que necessário, as traduções das Escrituras devem incluir uma explicação do significado dos termos da família divina. Isto pode ser feito em uma introdução, em uma ou mais notas de rodapé, ou num item de glossário, conforme apropriado para a situação.

A tradução da Bíblia é um trabalho complexo realizado por equipes de tradução altamente qualificadas e dedicadas. Na SIL, todo o pessoal é adepto de uma declaração de fé que afirma a Trindade, a divindade de Cristo e a inspiração das Escrituras. A SIL está empenhada em traduzir as Escrituras da melhor maneira possível, para preservar e não distorcer a essas verdades. Respeitando os princípios bem estabelecidos e as práticas de tradução da Bíblia, as decisões de tradução são sempre feitas em consulta com outros parceiros e com as comunidades alvo, a fim de alcançar a melhor tradução possível da Palavra de Deus.

Janeiro de 2012
Fonte: SIL.org

quinta-feira, outubro 14, 2010

Ofício do Profeta no Antigo Testamento

Os profetas do Antigo Testamento desempenhavam algumas funções básicas:
  • Servir de intercessor entre Deus e a humanidade: Ele é profeta, e orará em seu favor, para que você não morra. Mas se não a devolver, esteja certo de que você e todos os seus morrerão (Gn 20.7);
  • Servir de porta-voz do Senhor: Ouçam as minhas palavras: Quando entre vocês há um profeta do SENHOR, a ele me revelo em visões, em sonhos falo com ele. Não é assim, porém, com meu servo Moisés, que é fiel em toda a minha casa. Com ele falo face a face, claramente, e não por enigmas; e ele vê a forma do SENHOR. Por que não temeram criticar meu servo Moisés? (Nm 12.6-8);
  • Aconselhar ou direcionar: Nesta cidade mora um homem de Deus que é muito respeitado. Tudo o que ele diz acontece. Vamos falar com ele. Talvez ele nos aponte o caminho a seguir. Saul disse a seu servo: Se formos, o que lhe poderemos dar? A comida de nossos sacos de viagem acabou. Não temos nenhum presente para levar ao homem de Deus. O que temos para oferecer? O servo lhe respondeu: Tenho três gramas de prata. Darei isto ao homem de Deus para que ele nos aponte o caminho a seguir. (Antigamente em Israel, quando alguém ia consultar a Deus, dizia: "Vamos ao vidente, pois o profeta de hoje era chamado vidente.) (1Sm 9.6-9);
  • Falar de coisas futuras: Mas talvez vocês perguntem a si mesmos: Como saberemos se uma mensagem não vem do SENHOR? Se o que o profeta proclamar em nome do SENHOR não acontecer nem se cumprir, essa mensagem não vem do SENHOR. Aquele profeta falou com presunção. Não tenham medo dele. (Dt 18.21,22; Veja também 2Sm 7.4-16).

Na época do surgimento profético canônico, o ministério profético passou a ser associado a dois propósitos:
  • Profecia: fala do ministério e da mensagem dirigidas basicamente à audiência contemporânea do profeta;
  • Previsão: sem negligenciar o presente, anseia pelo desenrolar dos eventos futuros, independentes de quais sejam eles, quer ameaças de julgamento quer promessas de salvação e bênçãos.
De qualquer modo, o verdadeiro profeta de Deus era reconhecido como tal porque tinha uma posição independente, sem qualquer ligação com os poderes político e religioso – na verdade, em oposição a esses poderes políticos, se isso fosse necessário – e ele proclamava a palavra do Senhor com autoridade, convicção e precisão em sua previsão.

As mensagens os profetas canônicos estavam invariavelmente alinhadas com a Torá. E este era o fundamento da autoridade deles e fonte de reflexão teológica deles. Os temas de seus escritos, portanto, são temas da Torá; e, na realidade, embora os profetas tenham isso além da essência da revelação mosaica, eles jamais a contradisseram. Ao contrário, eles estruturaram sobre ela, desenvolvendo as ideias teológicas com maturidade crescente e percepções elaboradas, conforme o Espírito as direcionava.

Fonte: MERRILL, Eugene H. Teologia do Antigo Testamento. Shedd Publicações, pp.473-474

quarta-feira, outubro 13, 2010

O que Significa Adorar?

Por Russell Shedd

Adorar e cultuar, juntamente com palavras como fé e amor, pertencentes aos mais profundos níveis da verdade cristã, não se enquadram facilmente dentro de definições nítidas. Mais susceptível à descrição e experiência do que às limitações de uma definição verbal, qualquer tentativa de definir adoração será falha. Assim fala um sábio desejoso de expressar com palavras o que seria realmente a adoração: “O transbordar de um coração grato, impulsionado pelo sentimento do favor divino”.

No contexto em que Jesus instrui a mulher de Samaria, acerca da verdadeira adoração, Ele declara que a água que Ele daria ao sedento, “seria nele uma fonte a jorrar para a vida eterna” (Jo 4.14). A fonte se abre no novo nascimento (Jo 3.5), jorra em adoração (4.14) e flui em rios de água viva em serviço obediente (7.37,39).

O salmista aproximou-se do cerne da adoração genuína quando disse: “Tu és o meu Senhor, outro bem não possuo, senão a ti somente” (16.2). Adoração, tal como a palavra inglesa, “worship” (worthship, “valor reconhecido”) exprime a riqueza que Deus representa para o adorador.

Quem se assenta num banco da igreja aparenta ser adorador, mas, muitas vezes não o é. Quantas refeições suculentas têm sido planejadas na hora solene do culto, ao contrário do que ocorreu com Maria, sentada “aos pés de Cristo” (Lc 10.39). Quantos negócios têm sido planejados, rascunhados e contratos fechados nas mentes daqueles que lotam os bancos da casa de Deus! Contudo, um ato de adoração reconhece a preciosidade de um encontro vital com Deus e tem para quem busca ao Senhor a vantagem incomparável de conquistar a pérola de grande valor (Mt 13.45). Fundamentalmente, adoração pode ser definida como “a resposta de celebração a tudo que Deus tem feito, está fazendo e promete fazer”.

Para o verdadeiro adorador, a pessoa de Deus é tão preciosa quanto um copo de água fresca, puríssima, num dia de calor. “O Senhor é a porção da minha herança e do meu cálice” (Sl. 16.5). Adorar implica em peneirar nossos valores. Comunhão com Deus é ou não nosso alvo? Ele, ou nossos interesses, oferecem a maior atração? Cultuar, portanto, é pôr em ordem bíblica as nossas prioridades. Procuramos conhecer a Deus, e vamos conhecendo-O cada vez melhor, de modo a exalta-lO: “ Louvarei ao Senhor em todo tempo; o seu louvor estará sempre nos meus lábios. Gloriar-se-á no Senhor a minha alma. Engrandecei ao Senhor comigo e todos à uma lhe exaltemos o nome” (Sl 34. 1–3).

sexta-feira, setembro 17, 2010

Tipos de Casamento no Tempo do Apóstolo Paulo

Nos tempos em que o apóstolo Paulo estava escrevendo esta carta (1Coríntios), existiam praticamente quatro formas distintas de casamento aceitas pela sociedade de Corinto.

A primeira delas era o Contubernium: união feita entre escravos, normalmente autorizada pelo senhor dos escravos, que também determinava o tempo de duração.

Uma segunda forma de união era o Usus: consistia no reconhecimento das pessoas que viviam juntas há mais de um ano como casadas.

A terceira forma era o Coemptio in manum: o pai vendia sua filha, após um acordo, para casar-se com alguém.

Por fim, a quarta forma era o Confareatio: casamento de nobres. Posteriormente, a igreja católica e também a reforma acabaram por assimilar a idéia desse casamento de nobres, fazendo-o ter uma forma muito próxima aos casamentos de hoje. Esses tipos de casamento, como podemos ver, ainda existem em nossa sociedade, ainda que em diferentes proporções e com algumas diferenças.

Por Fernando Leite
Trecho da pregação em 1Co 7.10-16

quinta-feira, julho 23, 2009

Elohim - O que é?

Uma das formas como as pessoas descobrem este BLOG é através da pesquisa da palavra "Elohim." Senti-me então incentivado em falar um pouco sobre esta palavra, uma das mais usadas no Antigo Testamento.


Elohim (אלהים) é geralmente visto como o plural de Eloah, todavia usado coerentemente com o verbo no singular, bem como adjetivos e também pronomes. Tal plural é descrito como de majestade, como em português quando nos dirigimos a uma pessoa somente, como um rei, e dizemos, "vossa majestade." Albright sugeriu que este plural era uma tendência do Antigo Oriente, quando se referiam à totalidade da manifestação divina (ALBRIGHT, F. Williams, From the stone age to Christianity, 2. ed., p.213). Uma razão bastante provável é a necessidade de um termo que comunicasse a pluralidade de Deus já perceptível no primeiro versículo da Bíblia.

בְּרֵאשִׁית בָּרָא אֱלֹהִים אֵת הַשָּׁמַיִם וְאֵת הָאָרֶץ

Esta palavra, usada 2605 vezes de acordo com a concordância da versão King James, foi também traduzida por:
  • deuses (primeira aparição em Gn 31.30)
  • juízes (Ex 21.6)
  • anjos (Sl 8.5)
  • deusa (1Rs 11.5)
  • grande (Gn 30.8)
Elohim quase sempre aparece acompanhada do tetragrama YHWH (em portguês, Javé). Ela faz o título de muitas formas da qual o povo de Deus veio a conhecê-lO:
Deus que formou a terra (Is 45,18), Deus do céu que fez o mar e a terra (Jn 1.9), Deus de toda terra (Is 54.5), Deus dos montes (1Rs 20.28), Deus de toda carne (Jr 32.27), Deus dos céus (Ne 2.4,20), Senhor Deus dos céus e da terra (Gn 24.3), Deus da eternidade (Is 40.28), Deus de justiça (Is 30.18), Deus vivo (Jr 10.10), etc.

Pois o SENHOR, vosso Deus, é o Deus dos deuses e o Senhor do senhores, o grande Deus, poderoso e temível...
(Dt 10.17 ARA)

Fonte: DITAT

segunda-feira, julho 13, 2009

Significado do Batismo – Bapto Vs. Baptizo

Nicander de Cólofon (Νίκανδρος ὁ Κολοφώνιος) foi um poeta e médico grego que viveu aproximadamente 200 a.C., na época helenística. Ele foi autor de obras em prosa e poemas didáticos. Escreveu sobre animais, plantas venenosas, seus sintomas e a utilização na medicina.

Entre um de seus escritos, está uma receita para a fabricação de picles, que nos ajuda a entender a diferença entre dois verbos gregos que significam "imergir", baptw e baptizw. Encontrei este texto na Bíblia Online:

O exemplo mais claro que mostra o sentido de baptizo é um texto do poeta e médico grego Nicander. É uma receita para fazer picles. É de grande ajuda porque nela o autor usa as duas palavras. Nicander diz que para preparar picles, o vegetal deveria ser primeiro 'mergulhado' (bapto) em água fervente e então 'batizado' (baptizo) na solução de vinagre. Ambos os verbos descrevem a imersão dos vegetais em uma solução. Mas o primeiro descreve uma ação temporária. O segundo, o ato de batizar o vegetal, produz uma mudança permanente.

O texto abaixo é da apostila da classe de "novos membros" da IBCU, também conhecida como classe dos catecúmenos. Ela diz de forma sucinta o que este autor também crê ser o papel do batismo:
O Batismo na Bíblia era a maneira da pessoa expressar sua fé ao ouvir a mensagem. Com o tempo, por causa da falta de sentido por questões culturais distintas, o batismo passou a ser feito após esclarecimentos da conversão e do que é o batismo. O batismo em si não salva e não introduz ninguém na igreja (corpo de Cristo). O Batismo é importante devido ao seu significado. Assim como o batismo no Espírito (I Co 12:13) introduz o crente na Igreja, que é o seu Corpo, o "batismo na água é o meio pelo qual os crentes são publicamente introduzidos no discipulado (Mt. 28:19,20) e reunidos à Igreja Local" (Dr. Paul Jackson).

Espero que este artigo tenha ajudado o leitor a entender um pouco mais sobre o significado do batismo cristão.

sexta-feira, junho 26, 2009

Af - "A Ira da Narina"


Af refere-se, em hebraico, primeiramente a parte anatômica que chamamos de "nariz". Foi através dele que Deus soprou a vida.

Ainda assim, af também é a palavra hebraica para "ira". Acredito que af seja uma onomatopéia, pois imita o som do ar através das narinas de uma pessoa irada. A ira pode ser legítima (2Sm 12.5), mas ela é perigosa e pode causar conflitos (Pv 29.22). O homem sábio se desvia da ira (Pv 29.8).

O duplo significado de af, como "nariz" e "ira" aparece evidentemente somente em hebraico, ao observar as outras antigas línguas do oriente médio. A relação entre os dois significados são algumas vezes expresso nas Escrituras.

Das suas narinas subiu fumaça;
da sua boca saíram brasas vivas e fogo consumidor.

Salmo 18.8 (NVI)

Fontes
DITAT
Theological Dictionary of the Old Testament

quarta-feira, junho 24, 2009

Sheol - O que é?


Sheol é o verbete hebraico traduzido por sepultura, inferno, túmulo e seus correlatos. Todavia, há diferentes opiniões sobre o significado do termo, de etimologia incerta. O certo é que a palavra se refere ao lugar dos mortos. Há somente uma aparição desta palavra fora do AT, nos papiros judaicos de Elefantina.

Uma dificuldade de se entender o termo como inferno é que tanto homens bons quanto maus vão para lá. Isso abriu margem para a igreja primitiva crer no limbus patrum. À luz do NT, é impossível sustentar um meio termo entre os céus e inferno. Devemos pensar em sheol em seu uso original que significava somente sepultura, cova, ou túmulo, como é entendido no Pentateuco.

Um exame detalhado mostra que a palavra sepultura é a melhor tradução em grande parte das aparições da palavra sheol. Às vezes ela pode referir-se ao livramento de castigo futuro (Pv 15.24; 23.14) e morte prematura (Sl 86.13). Às vezes também, sheol é usado como abismo profundo. De qualquer modo, este vocábulo não apresenta um detalhamento da situação dos mortos, ele mostra um quadro típico de um túmulo na Palestina.

Fonte: Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento.
Observação: alguns links direcionam o leitor para "wikipedia", de conteúdo às vezes duvidoso quanto à certeza dos fatos descritos.

quinta-feira, junho 18, 2009

"Sonho" na Bíblia

O que é um sonho?
Um sonho é uma série de pensamentos, imagens ou emoções que ocorrem durante o sono. Há uma aparência de realidade que tem sequência correta ou próxima disso de imagens durante o período de sono. FROMM define sonho como uma significativa expressão de qualquer tipo de atividade mental sob a condição do sono.

O uso no Antigo Testamento
Os sonhos podem ser naturais (Ec 5.3), divinos (Gn 28.12) ou de origem maligna (Dt 13.1-2; Jr 23.32).

O uso mais comum é o sonho como meio de comunicação de Deus ao homem (Nm 12.6), como fez com Abimeleque (Gn 20.3), Jacó (Gn 31.10-11), Labão (Gn 31.24) e Salomão (1Rs 3.5), um aviso sobre algo no presente momento.

Outro uso de sonhos é Deus contando futuros eventos como fez com José e também com o padeiro, o copeiro e o faraó, que tiveram seus sonhos revelados por José como instrumento de Deus (Gn 41.16, 28, 32). Alguns outros exemplos são Gideão (Jz 7.13-15), Nabucodonosor (Dn 2.1-45 e 4.4-28) e Daniel (7.1-28).

Em nossos dias, sabemos que existem igrejas que colocam os sonhos em patamares que a própria Palavra de Deus condena, às vezes, tornando-as doutrinas ou algo semelhante a isso. Os israelitas sabiam que as revelações de Deus por meio de sonhos eram inferiores às revelações recebidas pelos profetas, conforme Moisés apontou em Números 12.6-8:

Então, disse: Ouvi, agora, as minhas palavras; se entre vós há profeta, eu, o SENHOR, em visão a ele, me faço conhecer ou falo com ele em sonhos. Não é assim com o meu servo Moisés, que é fiel em toda a minha casa. Boca a boca falo com ele, claramente e não por enigmas; pois ele vê a forma do SENHOR; como, pois, não temestes falar contra o meu servo, contra Moisés? (ARA)

Os sonhos poderiam também ser usados de forma figurativa (Jó 20.8, Sl 73.19-20; 126.1). Veja o exemplo em Isaías 29.7-8:

Como sonho e visão noturna será a multidão de todas as nações que hão de pelejar contra a Lareira de Deus, como também todos os que pelejarem contra ela e contra os seus baluartes e a puserem em aperto. Será também como o faminto que sonha que está a comer, mas, acordando, sente-se vazio; ou como o sequioso que sonha que está a beber, mas, acordando, sente-se desfalecido e sedento; assim será toda a multidão das nações que pelejarem contra o monte Sião (ARA).

O uso no Novo Testamento
Todos os usos da palavra sonho nos evangelhos tem relação à pessoa de Jesus Cristo. Seis de todas essas aparições estão em Mateus. O anjo avisa José sobre a gravidez de Maria (1.20-23); o sábio é avisado para, depois de encontrar Jesus Cristo, não retornar a Heródes (2.12); José é avisado para fugir para o Egito com a criança e Maria (2.13); um anjo avisou José que poderia retornar a Israel (2.19-20); José, avisado em sonho, retirou-se para a região da Galiléia com os seus (2.22), o sonho da esposa de Pilatos, de que Jesus era um homem inocente (27.19).

A única aparição fora dos evangelhos da palavra sonho é uma citação de Joel 2.28 em At 2.17.


Sonhos em nossos dias (declaração pessoal)
Deus é onipotente, e por isso, capaz de fazer qualquer coisa que não seja contra seu santo caráter. Deus claramente administrou Seus propósitos de forma diferente na história e escolheu o sonho como uma delas. Assim como Deus usou o sonho no passado, ele é capaz e pode usá-lo no presente.

Todavia, não podemos negligenciar que hoje temos toda a Escritura Sagrada à disposição. Não foi assim com José, filho de Jacó, que não tinha um livro bíblico sequer para consultar. Semelhantemente, José, marido de Maria, somente tinha o Antigo Testamento, que pouco lhe ajudaria na decisão do que fazer para poupar a vida de seu recém chegado filho, Jesus. Se "revelação" é a palavra-chave dos propósitos dos sonhos, nada maior e melhor do que a própria Bíblia para cumprir este objetivo. Nas palavras de Pedro:  temos ainda mais firme a palavra dos profetas, e vocês farão bem se a ela prestarem atenção (2Pe 1.19 - Pedro coloca as Escrituras como mais importante que seu próprio testemunho pessoal da mais vislumbrante cena do ministério de Jesus, a transfiguração.)

É verdade que os sonhos que a Bíblia apresenta revelam algo bem específico e, para quem tinha discernimento para interpretá-lo, não havia dúvidas de seu significado. Em segundo lugar, os sonhos precediam os fatos revelados e não o contrário.

Sonhos como os apresentados na Bíblia podem acontecer em nossos dias, mas não são corriqueiros. Tenho amigos piedosos que disseram ter tido sonhos que revelavam algo em benefício do Reino de Deus. Não tive instrumentos para avaliar a veracidade de suas palavras e por isso nunca dei como mentira. Eu mesmo nunca tive um sonho que eu tivesse interpretado como algo vindo de Deus, como uma mensagem dEle diretamente para mim ou que eu fosse o mensageiro de tal mensagem. A maioria de meus irmãos em Cristo também nunca tiveram tais sonhos e interpretações de origem divina. Já vivi a experiência de evangelizar mais de uma cidade onde muitos de seus moradores (descrentes) disseram ter tido sonhos que incluíam a minha e a presença da equipe de evangelização. Continuo orando para que Deus dê estes sonhos às pessoas.

Com tudo isso em mente, uma coisa é certa: a Palavra de Deus é fundamento para nossas ações como servos e filhos dEle. Nenhum sonho pode tomar o lugar de Suas Palavras, nem mesmo contrariá-las (Dt 13.1-2; Jr 23.30-32). Lembre-se, a Palavra de Deus é perfeita para preparar o homem plenamente para toda boa obra (2Tm 3.16-17). Receber revelações através dos sonhos não o torna mais nem menos espiritual, pois com firmeza temos a Sua Palavra (1Pe 1.18-19).


O coração do que tem discernimento adquire conhecimento;
os ouvidos dos sábios saem à sua procura. (Pv 18.15)


Fontes:
- TENNEY, Merril C. (General Editor). The Zondervan Pictorial Encyclopedia of the Bible. Volume 2. Zondervan Publishing House, Grand Rapids, Michigan, 1972.
- DOUGLAS J. D. (Editor Organizador) e SHEDD R. P. (Editor em português). O Novo Dicionário da Bíblia. Volume 3. Ed. Vida Nova, 2ª edição, 1978.