terça-feira, novembro 29, 2011

Carta Natalina 2011 - Evangelização

Por Thiago Zambelli

Natal é um dia especial. É um feriado singular e pode se tornar um momento de celebração ainda mais significativo. Digo isso porque algumas pessoas, em suas próprias histórias, um dia deixaram de simplesmente comer perú, convidar os familiares, enfeitar uma árvore, trocar presentes e várias outras coisinhas, para agregar a essência do verdadeiro Natal: Jesus Cristo. Sem dúvida isso torna do dia 25 de dezembro um momento MUITO ESPECIAL.

Eu sou uma dessas pessoas. Um dia deixei de somente olhar horizontalmente e comecei a celebrar a essência do genuíno Natal. Aliás, será que posso chamar o dia 25 de dezembro de Natal se Cristo não for a razão deste dia?

Querendo que outros também percebam a necessidade do Salvador, todo final de ano eu escrevo uma carta para distribuir na minha vizinhança. Segue abaixo a deste ano (2011). Incentivo você a fazer algo parecido, ou algo ainda melhor. Copie esta carta, se for necessário, mas não desperdice a oportunidade de evangelizar no dia que possivelmente temos mais facilidade de falar sobre Cristo.

Que o Reino de Deus seja constantemente propagado!


Amigo(a) vizinho(a) de Intermares,

M
ais um final de ano se aproxima, momento em que muitos de nós fazemos uma avaliação de nossas atitudes, progressos e regressos, e recomeçamos a pensar nos alvos para o próximo ano. Não sei quanto a você, mas várias das promessas que eu fiz para 2011 ficaram somente nas palavras. Pretendo, para o próximo ano, ser mais fiel às minhas palavras. (Será que sou capaz?)
Antes do novo ano, ainda há o Natal. Acredito que são poucas as nações que não celebram este dia. Árvores são enfeitadas, famílias se juntam, crianças cantam, luzes piscam e presentes são trocados. Mas é isso que significa celebrar o Natal? Aliás, o que significa o Natal para você e sua família? Infelizmente, poucos conhecem a essência do Natal. Poucos comemoram o verdadeiro significado do Natal. Eu gostaria, através desta breve cartinha, poder lhe desejar o verdadeiro “Feliz Natal.”
Para entender melhor o que quero dizer, preciso explicar o que é essência. Imagine um elefante... Dificilmente você imaginará um elefante sem tromba, porque a tromba faz parte da essência do elefante. Você deve tê-lo imaginado numa cor próximo ao cinza e com quatro patas. O tamanho da orelha de seu elefante possivelmente foi irrelevante (ou menos importante), pois isso não traz à tona o que faz de seu elefante ser realmente um elefante. Complicado? O que eu quero dizer é que a essência do Natal não precisa ter troca de presentes, árvore enfeitada, ou tampouco luzes piscando. Na essência da celebração do dia 25 de dezembro é necessário, para que o Natal seja Natal, a presença de Jesus Cristo. Por favor, não pare de ler essa cartinha agora.
Como alguém criado por Deus, eu não posso negar que Sua Palavra (a Bíblia) é o fundamento para que eu enxergue da forma correta sobre o Criador. Nela, há vários trechos que me ensinam sobre quem realmente é Jesus: Criador, Deus, Salvador, Messias... Mas o que isso tem a ver comigo e com você?
A Bíblia mostra claramente que ninguém genuinamente busca a Deus: não há ninguém que entenda, ninguém que busque a Deus. Todos se desviaram, tornaram-se juntamente inúteis; não há ninguém que faça o bem, não há nem um sequer (Romanos 3.11-12). Perceba que este trecho não nos ensina somente que ninguém realmente deseja a Deus, mas que ninguém é capaz de fazer o bem. É por isso também que Jesus foi enviado: Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que este fosse salvo por meio dele (João 3.17). Deus foi quem tomou a primeira providência e a única coisa que ele exige de nós é a fé, perceba: Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie (Efésios 2.8-9). Deus nos salva e isso não depende do que fazemos de bom, caso contrário, poderíamos nos gloriar de merecer a entrada no céu.
Não pretendo fazer com que seu Natal seja tenha menos luz piscando e nenhuma canção. Tampouco é meu objetivo que em sua casa (ou apartamento) não tenha um banquete com seus amados. Meu objetivo é que, mesmo com tudo isso, seu Natal não seja somente um feriado, mas de fato exista o verdadeiro Natal, tendo como essência a figura do salvador Jesus Cristo. Sim, salvador! Ou você ainda acha que pode estar com Deus por causa do que você fez, faz e fará? Por acaso você ainda acha que basta não mentir, roubar ou matar? Asseguro-lhe que todos aqueles que pensam assim, frustrar-se-ão.
O Natal é um bom dia para relembrarmos acerca do que Deus fez por nós: Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna (João 3.16). Espero que todos em sua casa sejam filhos de Deus. Isso mesmo, eu espero que sejam, porque a Bíblia, Palavra de Deus, diz que somente alguns são: aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus (João 1.12). Note bem, somente os que creram em Jesus Cristo se tornaram filhos de Deus. Estes fazem parte da família de Deus. Geralmente são eles somente que celebram a verdadeira essência do Natal.
Se você ainda tem dúvida sobre a essência do Natal e seu relacionamento com Deus, se você quer saber mais e saber agora sobre isso, visite: www.saberagora.net – lá você poderá, passo a passo, notar sua necessidade de se relacionar com Deus. Poderá também enviar suas dúvidas e assistir a vídeos que esclarecerão ainda mais a você sobre a essência do Natal: Jesus Cristo, aquele que nasceu, viveu e morreu por você e por mim. Desejo a você e sua família...
...um verdadeiro Feliz Natal!

segunda-feira, novembro 28, 2011

Cinco (5) mitos sobre o perdão

Por Sam Storms

“Sejam bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando-se mutuamente, e assim como Deus, perdoou vocês em Cristo” (Efésios 4.32)

“A maioria dos avanços de Satanás na vida dos cristãos”, escreveu Neil Anderson, “é devido à falta de perdão”. Eu não poderia concordar mais. Não é difícil imaginar o porquê, uma vez que percebemos que falta de perdão gera amargura, ressentimento, raiva, maldade, e até mesmo desespero. Para nós, nada é mais importante do que saber o que é perdão, e o que não é. Então o que proponho nesse estudo é , primeiro, examinar cinco mitos sobre o perdão, isto é, cinco mentiras que muitos de nós tem abraçado sobre o que significa perdoar outra pessoa. Então, voltarei para falar sobre cinco verdades sobre perdão, ou cinco elementos essenciais que, sem eles, nunca haverá um perdão verdadeiro.

Mitos:

1. Ao contrário do que muitos têm sido levados a acreditar, perdão não é esquecer.

“Perdoe e esqueça”, temos dito por muitos anos. É bonito de dizer, mas altamente ilusório. Por quê?

Antes de tudo, apesar do que você pense que Jeremias 31:34 está dizendo (“Porque eu lhes perdoarei a maldade e não me lembrarei mais dos seus pecados”), Deus não se esquece. Esta linguagem do profeta é uma metáfora, uma figura de linguagem, com intuito de enfatizar a determinação da graça de Deus em não manter-nos responsáveis por nossos pecados. Ele cancelou o débito e nunca exigirá um pagamento. Se Deus pudesse literalmente “esquecer”, isso enfraqueceria a verdade sobre sua onisciência. Deus sempre sabe e sempre saberá todas as coisas, mas ele prometeu nunca usar nossos pecados contra nós ou nos tratar como se a realidade de nossos pecados estivesse presente em sua mente.

Deus sempre sabe de tudo, mas prometeu nunca nos tratar como se a realidade de nossos pecados estivesse em sua mente.
Segundo, “perdoar e esquecer” é, simplesmente, psicologicamente impossível. Assim que você se concentrar para esquecer algo, pode ter certeza que, na maioria das vezes, é a única permanecerá à frente de sua consciência. Todos nós esquecemos coisas ao longo do tempo, mas o fazemos involuntariamente. Vida, experiência e a idade acabam apagando certas coisas de nossas memórias, mas raramente, ou nunca, são feridas que sofremos ou pecados cometidos contra nós.

Terceiro, achar que perdão demanda esquecimento pode ser emocionalmente devastador. Vamos supor que Jane demora dois meses para esquecer uma traição de Sally. Ela está se saindo bem e não gasta um segundo de seu pensamento com o pecado de Sally. Então é dito a Jane que Sally agiu da mesma forma com Mary, e ela imediatamente lembra a ofensa que sofreu. De repente, ela está cheia de culpa por não ter esquecido. O que ela achava que tinha expulsado de sua mente, agora, involuntariamente, volta correndo, e ela se sente como uma completa fracassada por não ter “realmente” perdoado sua amiga. Pior ainda, agora ela sente-se como uma hipócrita por ter prometido esquecer e agora simplesmente volta ao sentimento de raiva e ressentimento contra Sally. Jane não está só devastada, mas agora percebe o quão impossível é, literalmente, esquecer algo tão doloroso. Isso a faz extremamente relutante em perdoar alguém de novo, por achar que seu coração é incapaz de esquecer.

2. Perdoar alguém não significa que você já não sente mais a dor de suas ofensas

Na maioria dos casos, a única maneira de parar a dor é parar o sentimento, e a única forma de para o sentimento é morrer emocionalmente. Mas robôs sem coração não podem amar verdadeiramente a Deus ou aos outros. Essa pode ser a principal razão das pessoas serem relutantes em perdoar. Eles sabem que não podem deixar de sentir a ferida do pecado contra eles e não querem ser hipócritas ao dizer que perdoaram quando no fundo eles sabem que não o fizeram.

Vamos supor que Barbara descobre que seu marido, Bill, teve um caso. A agonia e o sentimento de profunda traição são intensos. Embora Barbara procurasse aconselhamentos extensivos, ela acabou separada de seu marido por um tempo. Depois de se reconciliarem, ela o perdoa, mas sob o pressuposto que para ela isso significa que nunca mais sentirá a dor do adultério. Então, uma noite ela vê Bill sorrindo e conversando com outra mulher na igreja. Apesar disso não ser nada além de uma simples simpatia, a angústia e suspeita de sua traição voltam rapidamente para dentro de sua alma. Ela repreende-se e questiona sua própria sinceridade: “Qual o problema comigo que não consigo superar isso?” Barbara tem que aprender que a dor da traição de seu marido provavelmente nunca irá se dissipar, mas isso não significa que ela verdadeiramente não o perdoou.

3. Perdoar alguém que pecou contra você não significa que você não tem anseio por justiça

Esteja certo disso: vingança não é uma coisa ruim! Se fosse assim, Deus estaria encrencado, pois Paulo nos diz, “Amados, nunca procurem vingar-se, mas deixem com Deus a ira, pois está escrito, ‘Minha é a vingança; eu retribuirei’, diz o Senhor” (Romanos 12.19). Aguardar por justiça é inteiramente legítimo, mas procurá-la por si próprio não é. Deixe Deus tratar com o ofensor de seu próprio jeito e no tempo apropriado. Ele é muito melhor nisso do que eu ou você.

Deixe Deus tratar com o ofensor de seu próprio jeito e no tempo apropriado. Ele é muito melhor nisso do que eu ou você.
O ponto é que o perdão não significa que você ignora o que foi feito de errado ou que você nega o pecado que foi cometido. Perdão não significa que você está fechando seus olhos para atrocidades morais ou finge que não se machucou, ou que isso realmente não importa se o ofensor é chamado a responder por suas ofensas contra ele/ela. Você não está sendo convidado a diminuir a gravidade do delito ou dizer aos outros, “Ah, não foi nada disso, afinal de contas, não era grande coisa.” Perdão significa simplesmente que você determina em seu coração deixar Deus ser o vingador. Ele é o juiz, não você.

Frequentemente, nós recusamos perdoar os outros porque, equivocadamente, achamos que para fazermos isso temos que minimizar seus pecados. “E isso não é justo! Ele realmente me machucou. Se eu perdoar, quem irá se importar em defender minha causa e tratar minhas feridas?” Deus irá. Não devemos nunca comprar a mentira de que o perdão significa que o pecado foi limpo, ignorado, ou que o autor não será responsável por suas ações. É simplesmente que, conscientemente, escolhemos deixar Deus ser o único que determina o curso adequado de ações para lidar com justiça com a pessoa ofensora.

4. Perdoar não significa que você deixará facilmente o ofensor te machucar de novo.

Talvez eles te machuquem de novo. Isso é decisão deles. Mas você deve estabelecer limites nos seus relacionamentos com eles.  O fato de estabelecer regras que determinam como e quanto você interage com essa pessoa no futuro não significa que você não conseguiu sincera e verdadeiramente perdoá-la. Amor verdadeiro nunca auxilia e nem é cúmplice do pecado do outro. O autor pode se ofender se você definir parâmetros em sua amizade para impedi-lo de cometer novos danos. Eles podem até dizer, “Como você atreve? Isso prova apenas que você não queria dizer o que disse ao me perdoar.” Não compre essa idéia de manipulação. Perdão não significa se tornar um capacho indefeso e passivo para o pecado contínuo.
O amor verdadeiro nunca auxilia e nem é cúmplice do pecado do outro.

5. Perdão raramente é um evento único, pontual

É na maioria das vezes um processo vitalício. Entretanto, o perdão tem que começar alguma hora e em algum lugar. Sem dúvida, haverá um momento, um ato, quando você decidirá decisivamente perdoar. Isto pode muito bem ser altamente emocional e intenso espiritualmente e trazer alívio imediato; um senso de libertação e liberdade. Mas isso não significa, necessariamente, que você nunca precisará fazer de novo. Você pode precisar reafirmar a si mesmo seu perdão à outra pessoa todos os dias. Cada vez que você vê a pessoa, você pode precisar dizer a você mesmo, “Lembre que você perdoou o(a) _________!”
Podem existir muitos outros mitos sobre perdão, mas estes são provavelmente os mais importantes deles.

Traduzido por André Carvalho | iPródigo.com | Original aqui

sexta-feira, novembro 25, 2011

O futuro do movimento evangélico reformado

Nota do Editor: Este artigo foi escrito a convite do Patheos para Future of Evangelicalism series.

Cerca de cinco anos atrás, algo estranho aconteceu no mundo cristão: a teologia reformada retornou. Já entendida como o brilhante, mas um pouco excêntrica e muitas vezes tratada como o garoto ignorado no canto da sala de aula, o calvinismo se tornou o novo garoto legal da galera. Para ser justo, um número significativo de evangélicos americanos sempre acreditaram nas doutrinas da graça – que Deus graciosamente regenera os pecadores que não teriam a escolha de segui-lo. Mas, durante grande parte dos séculos XIX e XX, esses evangélicos tendiam a se reunir em denominações Presbiterianas relativamente pequenas.

Na década de 1990, de uma forma relativamente calma e despretensiosa, várias igrejas e ministérios começaram a expandir sua influência por todo Estados Unidos, todos influenciados de uma forma ou de outra pela visão reformada de um Deus grande e glorioso. Além dos seminários Reformados, também haviam o Sovereign Grace Ministries (Gaithersburg, Maryland), 9Marks (Washington, DC), Desiring God (Minneapolis), Ligonier Ministries (Orlando), Grace to You (Sun Valley, California), e Acts29 ( Seattle). Adicione-se a isso o emblemático seminário da Convenção Batista do Sul, academia em que o presidente Albert Mohler trouxe um ressurgimento conservador a fim de recuperar os princípios reformados de seus fundadores. Cada ministério, valioso no seu próprio jeito e operando de forma independente um do outro. Mas também através de redes relacionais intencionais, como visto, por exemplo, no Together for the Gospel (primeira conferência em 2006), onde novas amizades surgiram e tudo parecia um novo trabalho de Deus estava levantando.

Essa comunhão entre os presbiterianos, batistas, e uma série de igrejas independentes semelhantes chamou a atenção do público. Christianity Today, Time, The New York Times, Christian Science Monitor, e da Religion Newswriters Association. Todos tomaram conhecimento. Qualquer análise apurada das tendências evangélicas de hoje notará a energia por trás desse movimento crescente.

O que vem pela frente

Nós não escrevemos este artigo para reviver o passado, mas sim para considerar o futuro. Nós não escrevemos como líderes que dão forma ao movimento, mas sobretudo como beneficiários agradecidos. Como calvinistas convictos, nós mesmos não podemos deixar de ser gratos pelo trabalho que Deus parece estar fazendo em nossa geração ao renovar igrejas, a pregação re-energizante, recuperar a beleza do compromisso doutrinário robusto, e restabelecer a glória de Deus e as maravilhas do evangelho nas cabeças e nos corações de seu povo. Só Deus poderia ter levantado uma coleção tão diversa de igrejas e ministérios neste momento de grande oportunidade e tanto perigo também.

A oportunidade à nossa frente

Onde alguns cristãos vêem a perda de consenso cristão na América e no crescente número de afiliados a religião, vemos grande oportunidade. O desaparecimento do cristianismo nominal abre novas possibilidades para o discipulado genuíno. Se as pessoas hoje em dia seguirão a Cristo, elas querem coisas fortes. Elas querem que a teologia seja robusta, um Cristo grande, um evangelho profundo, e elas não têm medo de exigências sérias. Não é coincidência que esse movimento de calvinistas evangélicos prospera pela América, onde a freqüência à igreja tem se corroído. Mark Driscoll da Mars Hill Church em Seattle, Mark Dever no Capitol Hill Baptist Church, em Washington, DC, e Tim Keller da Redeemer Presbyterian Church em Nova York têm três personalidades e estilos muito diferentes , e representam três faixas etárias. Mas cada um, à sua maneira, tem inspirado muitos jovens pastores a darem as suas vidas por igrejas mortas e começarem tudo de novo em cidades consideradas céticas pelos evangélicos.


A substanciosa teologia calvinista tem outros aspectos que pressagiam coisas boas para seu futuro. Por um lado, a natureza intelectual da fé Reformada significa que ela tende a exercer uma influência desproporcional sobre o pensamento cristão e as instituições por meio da escrita, erudição e teologia formal. Em segundo lugar, a tônica no cuidado providencial de Deus sobre todas as coisas, encoraja os cristãos a buscar o custo do discipulado em uma cultura cada vez mais hostil e confiar em Deus para o resultado. Ao longo dos séculos, missionários, tais como William Carey e Adoniram Judson encontraram incentivo para perseverar justamente na promessa da soberania de Deus. Se o futuro nos reserva maior erosão do cristianismo nominal, os calvinistas evangélicos estão preparados para suportar. Finalmente, um compromisso firme para com a confiabilidade total e autoridade das Escrituras, juntamente com uma firme convicção na expiação substitutiva e justificação pela justiça de Cristo através da fé somente, são históricos e são como guardas essenciais para manter o evangelicalismo em um caminho biblicamente fiel.

O Perigo à frente

Ao mesmo tempo, vemos perigo. No movimento evangélico popular, a riqueza do evangelho bíblico é muitas vezes marginalizada, às vezes inconscientemente. O Evangelho torna-se uma apresentação de slides com pouco poder, apenas um degrau para o ativismo social, ou a porta de entrada para o que realmente importa: ser um pai eficaz, a felicidade conjugal, e recompensas financeiras.


Nessa situação perigosa e de divisão, os calvinistas evangélicos são muitas vezes vistos como mais uma voz clamando por atenção partidária e participação no mercado. Pior, somos caricaturados como a polícia doutrinaria e mesquinha, mais conhecida pelo que (e quem) somos contra do que o que celebramos. Ainda há outros que pensam que os calvinistas são novos discípulos remanescentes dos mortos puritanos ou apenas um fã clube do John Piper. Pela graça de Deus, não vamos viver em função desses estereótipos. Se Deus usa o movimento para a sua glória, nos próximos dias e décadas, será porque ele nos deu a graça para sermos lúcidos e calorosos, doutrinários e devocionais, discernentes em espírito e ecumênicos em nossos afetos. Se Deus nos usar, será porque ele nos mantém focados diretamente no evangelho e em suas enormes implicações fluindo de Cristo como o centro. Então enquanto o movimento evangélico reformado oferecer um meio de apoio à unidade, doutrina, adoração e ação centradas no Evangelho, suspeitamos que ele vai prosperar, levantando a igreja.

Ainda assim, entendemos que os movimentos da história vêm e vão. Coalizões mudam quando a cena muda. Portanto, nesse sentido, não estamos preocupados com o futuro deste ressurgimento reformado. Deus não promete que os movimentos resistirão ao teste do tempo. Esse privilégio só pertence à instituição da Igreja (Mt 16,18). Como na igreja local, os movimentos irão sofrer as inevitáveis tensões que resultam de diversas personalidades e da persistência do pecado. Olhando para o futuro, só podemos orar a Deus e nos exortar mutuamente para resistir às tentações de buscar elogios pessoais. Pelo contrário, reconhecendo como a graça de Deus é manifestada a nós, devemos “nos dedicar uns aos outros com amor fraternal“ e “dar honra aos outros mais do que a nós mesmos” (Rm 12.10).

Olhando para o futuro, só podemos orar a Deus e nos exortar mutuamente para resistir às tentações de buscar elogios.
Cumprir este padrão não será fácil. Enquanto nosso movimento cresce, teremos de enfrentar novos desafios. Nem sempre concordamos. E agora, vemos vários perigos potenciais:

(1) Alguns de nós se esforçam para ser ousados sem ser desagradáveis, outros de nós procuram ser mansos, mas muitas vezes sucumbem à covardia. Queremos proteger a verdade, não estrangulá-la. Queremos ser sábios e inocentes, sem medo e fiéis, ousados, mas de coração. Nós queremos manter nossas afeições, na proporção das coisas que mais importam.

(2) Nós estamos tentando encontrar o equilíbrio certo entre a chamada para o discipulado radical e a aceitação que a fidelidade exige, sendo essa muito maior do que o que é mundano e ordinário. Ao longo destas linhas, ainda há muita confusão sobre se a missão da igreja no mundo tem sido muito grande ou muito pequena, demasiadamente difusa ou muito estreita.

(3) Nós prevemos que existirão inevitáveis tensões entre as gerações. Líderes se aposentarão e passarão o bastão para uma nova geração. Líderes mais jovens terão de ter grande sabedoria para mostrar respeito tanto para os seus heróis na fé, bem como saber que alguns desentendimentos com eles fazem parte do processo. Por outro lado, os líderes mais velhos devem planejar com antecedência para treinar uma nova geração de líderes e fortalecer uma rede ampla, poderosa e profunda, capacitando os jovens ministros para um ministério fiel nos próximos anos. Somos encorajados a ver muitos bons exemplos de todas essas coisas em ambas as gerações.

Esperança em Deus

Não pretendemos saber como ou se essas três tensões irão se resolver. Certamente, ficaremos desapontados se elas aumentarem o nível de divisão do movimento evangélico. Mas, nenhum movimento de Deus pode ou deve durar muito se os cristãos não conseguem tratar uns aos outros com graça. Muito nos foi concedido; concordamos em muita coisa; devemos amar muito. Acima de tudo, oramos para que Deus se agrade de levantar mais igrejas ao redor do mundo que se deleitam em nosso grande Deus, que anunciem o seu grande evangelho, e exaltem o grande Filho de Davi, nosso Senhor Jesus Cristo, por quem todas as coisas nos céus e na terra são mantidas.

Tradução: Rafael Bello | iprodigo.com | Original aqui

segunda-feira, novembro 21, 2011

A verdade sobre a compatibilidade conjugal

Por Phil Smidt

No que se refere à compatibilidade, eu e minha esposa somos muito diferentes.

Quando meu filho mais velho estava com três anos de idade, fui passear de carro com ele pela cidade. Um semáforo levou-o a me perguntar o que significava a luz amarela. "Filho", comecei a responder com minha sábia voz paternal, "uma luz amarela significa que precisamos ter cautela".

Sua mente inquisitiva queria testar essa teoria; por isso, fez a mesma pergunta à minha esposa no dia seguinte.  "Filho", ela lhe informou, enquanto agitava suas mãos enfaticamente, "uma luz amarela significa ANDE DEPRESSA!"

Minha esposa precisava ir a muitos lugares. Tinha pressa. Mas eu gostava de andar devagar e desfrutar do cenário.

O que é compatibilidade?
O dicionário define compatibilidade como "a capacidade de viver junto em harmonia". Nossa cultura valoriza muito a compatibilidade no casamento, mas acredita-se que é preciso achar a pessoa certa para se conseguir isso. Se você encontrar "aquela pessoa", haverá harmonia. No entanto, a Bíblia ensina que casamentos harmoniosos não são algo natural. Desde a Queda, relatada em Gênesis 3, o pecado nos tornou incompatíveis, porque os relacionamentos se tornaram naturalmente prejudicados e fraturados. Mas o evangelho nos dá esperança de vivermos em harmonia com os outros, quando Jesus reconstrói os relacionamentos. Focalizamos as outras pessoas em vez de focalizarmos a nós mesmos (Rm 15.5).

Compatibilidade bíblica
Então, o que a Bíblia diz especificamente sobre achar um cônjuge compatível? Um cristão verdadeiro deve casar-se com outro cristão verdadeiro (2 Co 6.14, 1 Co 7.39). Este é o ensino bíblico, porém significa muito mais.

Em vez de procurar uma pessoa compatível, os cristãos são instruídos a casarem-se com outro cristão e se tornarem cônjuges compatíveis. A transformação exige a graça e o poder de Jesus – boas novas para aqueles que procuram se casar ou já estão casados, pois Deus não deixa as mudanças por conta de nossos próprios esforços.

Perguntas que os solteiros devem fazer quando procuram um cônjuge biblicamente compatível:
1 - Como saber se ele ou ela se submete, de boa vontade, à autoridade de Deus?
Moças, se o rapaz não se submete à autoridade de Deus, ele é um homem perigoso. Rapazes, se a moça não se submete a uma autoridade piedosa agora (a um homem que, a propósito, não é você), ela é o tipo de mulher que Provérbios os adverte a evitar.

2 - Como saber se ele ou ela é submisso aos ensinos?
Se alguém gosta de discutir, está mais preocupado em ter razão do que em ser justo. Quando você pensa que venceu a discussão no casamento, na realidade perdeu. O casamento é amadurecimento manso, em que os cônjuges reconhecem que têm muito a aprender pelo resto da vida. 

3 – Ele ou ela é conhecido e envolvido na comunidade cristã?
É fácil usar uma máscara quando nos sentimos atraídos por alguém e motivados por casamento. Se a pessoa não é conhecida na comunidade, você não a conhece. Outros precisam dar testemunho quanto ao seu caráter, integridade e fé.

4 - Como ele ou ela fala dos outros?
Se a pessoa é crítica, exigente ou petulante em suas atitudes e palavras, continuará assim no casamento. Logo, você se tornará o alvo da ira e do orgulho dela.

5 - Como ele ou ela reage quando confrontado com o pecado?
Quando alguém tenta esconder, disfarçar, acusar, desculpar ou racionalizar seu pecado, ele tem uma visão distorcida do evangelho. Por causa de Jesus, podemos confessar os pecados (1 João 1.0), arrepender-nos (Rm 2.4), andar na luz (Ef 5.8-9) e reconciliar-nos com Deus (2 Co 5.17-21).

Perguntas para os casados que desejam se tornar biblicamente mais compatíveis:
1 - O que você percebe, com frequência, que está certo ou errado em seu casamento?
Se você é cristão, há muita coisa certa com você, porque Jesus o salvou da ira de Deus e você lhe pertence. Você possui todos os recursos em Cristo à sua disposição (2 Pe 1.3). Como filho redimido de Deus, o perdão e a graça podem fluir livremente de seu coração, deixando que você seja proveitoso às fraquezas do seu cônjuge. Você vive dessa maneira?

2 – Quando foi a última vez que você fez alguma coisa intencional para o seu cônjuge?
A bondade e a consideração fortalecem o casamento. Todavia, muitos casais acham que podem falar com aspereza, desdém ou falta de perdão. "Para melhor ou para pior" não é permissão para pecar. Você precisará de fé e humildade para reagir com graça quando estiver irado, magoado ou for mal interpretado.

3 - Você crê que Deus sabia o que estava fazendo quando o fez casar-se com seu cônjuge?
Quando o casamento está difícil, você pode ser tentado a pensar que cometeu um engano e esquece que o casamento nos molda, com frequência, de maneiras dolorosas. Volte no tempo e lembre o que aprecia e admira no outro. É possível que essas qualidades ainda estejam presentes, mas você permitiu que o pecado e o egoísmo entrassem sorrateiramente e obstruíssem sua visão.

4 - É preciso que você se arrependa da insatisfação e das queixas no seu casamento.
É preciso haver uma intervenção sobrenatural do Espírito Santo para que sejamos gratos. Nossa tendência é comparar e queixar. A gratidão é um estilo de vida ordenado pelas Escrituras (Cl 3.15-17), e não uma simples sugestão para os feriados de verão. Pelo que você se sente grato? O que você gosta no seu cônjuge?

5 - Você e seu cônjuge oram juntos? Vocês oram um pelo outro?
É difícil ficar com o coração endurecido e amargurado com uma pessoa por quem você ora frequentemente. Deus fará uma grande obra no seu casamento enquanto você estiver orando. A oração mostra que necessitamos de Deus e é um ato de adoração.

Traduzido por: Yolanda Mirdsa Krievin
Copyright © Resurgence 2011
Copyright © Editora Fiel 2011

sexta-feira, novembro 18, 2011

Está nascendo uma nova geração

Por Reinaldo Bui

Para garantirmos a desgraça plena de um novo e promissor amanhã, precisamos urgentemente de pais que não corrijam seus filhos. Aliás, não precisamos do modelo tradicional de família, com um pai e uma mãe que se amam e esforçam-se para criar bons cidadãos.

Precisamos, porém, de muitas crianças. Crianças acostumadas a fazer absolutamente tudo o que querem, não se importando com nada além de suas vontades.

Precisamos que, desde cedo, garotos desenvolvam uma mentalidade bad boy e garotas copiem as veneradas poposudas tuti-frutis da televisão.

Precisamos de jovens que desejem apenas curtir a vida, de maneira adoidada, inconsequentemente, sem se importar com o mundo ou com o amanhã.

Precisamos de homens e mulheres que se vendam por pouco, que não cultivem valores, que não respeitem ninguém e que amem-se a si mesmos acima de tudo e de todos. Que adoram expressar suas opiniões absurdas, mas rotulem de preconceituosa qualquer opinião que tenha fundamentos.

Precisamos de governantes que prefiram o dinheiro ao invés da ética; a satisfação pessoal ao invés da coletiva; mas que garantam pão e muita diversão para levar algum contentamento hipnótico a seus eleitores.

Precisamos de alguns corajosos que se oponham a Deus e dediquem suas vidas para, a qualquer custo, apagar Seu Nome da memória da humanidade.

Precisamos que o planeta seja habitado por bilhões de pessoas que não saibam demonstrar amor ou algum afeto. Que todos sejam amantes de si mesmos e jamais utilizem de bondade ou gratidão para com os outros, principalmente àqueles que não são de seus interesses ou que não os sirvam.

Não precisamos de educadores, mas de uma classe artística televisiva cada vez mais rica e proeminente que influencie a todos com suas opiniões doentias e distorcidas dos assuntos mais fundamentais.

Tampouco precisamos de exemplos de pacificadores ou de piedosos, mas que esta nova geração aprenda a idolatrar os indolentes, os irreverentes e os promíscuos; que cultue os orgulhosos, os avarentos, os obstinados, os cruéis e os presunçosos e que façam da mentira um estilo de vida disseminando-a como verdade.

Mas para que tudo isto se concretize, precisamos – principalmente – que os “homens de Deus” sejam meramente religiosos que preguem uma falsa piedade e façam de seus altares um grande negócio. Que reivindiquem para si autoridade e poderes divinos, preocupados apenas com sua auto projeção, seus títulos e suas instituições repletas de regras e ou modismos embrulhados em papel de Bíblia. Que amem o poder e busquem domínio sobre os mais simples, sobre aqueles que ainda alimentam alguma esperança, e – em nome de Deus – lhes roube tudo: o pouco que lhes resta.

Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes. (II Timóteo 3.1-5)

quinta-feira, novembro 17, 2011

Vitória: exemplo cristão

Vitória tem uma doença rara: dermatite bolhasa distrófica. Isso não a impede de ser quem Deus quer que ela seja e faça.


terça-feira, novembro 15, 2011

Provérbios são promessas?

Por Jay Adams

Encontro sempre pessoas que indagam sobre as “promessas” do livro de Provérbios. Você sabe, aquelas “promessas” que parecem dizer: Se você temer a Deus e viver de maneira agradável a Ele, você terá vida longa, paz com seus inimigos e assim vai… Muitos dizem: “Eu conheço uma pessoa para quem essas promessas não se tornaram realidade”. 

Qual é a resposta a essa objeção? Simplesmente esta: “Não se trata de promessas”.

Então, o que elas são? Olhe com cuidado e veja que são observações. Elas não dizem “Se você fizer isso e aquilo, então Deus vai fazer isso e aquilo outro. Em vez disso, dizem: “Um homem fez isso e aquilo, e então Deus fez isso e aquilo outro”.

Nem todos os provérbios obedecem essa forma. No entanto, do capítulo dez em diante do livro de Provérbios, você encontra vários capítulos nos quais cada versículo corresponde a esse padrão. Eu os chamo de versículos “para sua informação” – PSI. Eles fornecem informações sobre como as coisas funcionam normalmente na providência de Deus, mas não fazem promessas. Leia-os como “versículos PSI”, e você não terá dificuldade com eles!
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Fonte em português: Conselho Bíblico
Fonte: Institute for Nouthetic Studies
Original: FYI

segunda-feira, novembro 14, 2011

Gordon McDonald: Por que tantas pessoas têm dificuldades quando se trata de oração?

Why do so many people have struggles when it comes to prayer? Men and women were originally created to desire communion with God. But the effects of sin have dulled most of that original human desire. Sin turned a natural activity into an unnatural function.

(Tradução) Por que tantas pessoas têm dificuldades quando se trata de oração? Homens e mulheres foram originalmente criados para desejar comunhão com Deus. Mas os efeitos do pecado entediou grande parte daquele desejo humano original. O pecado tornou uma atividade natural em uma função não natural.

-- Gordon McDonald

sábado, novembro 12, 2011

Agostinho de Hipona: acredite para que você possa entender

Understanding is the reward of faith. Therefore seek not to understand that you may believe, but believe that you may understand.

(Tradução) Entendimento é a recompensa da fé. Portanto, não procure entender para que você possa crer, mas acredite para que você possa entender.

-- Agostinho de Hipona

sexta-feira, novembro 11, 2011

T. Zambelli: conhecimento e informação

Conhecimento não é informação acumulada ou simplesmente memorizada, mas a íntima forma de se externalizar [viver] um conjunto de paradigmas [ideias] vivos na alma.

-- T. Zambelli

quinta-feira, novembro 10, 2011

Lições de um conselheiro bíblico veterano

Por Robert Smith

Ainda estou aprendendo
Uma das coisas que aprendi é que eu ainda não concluí realmente meu aprendizado – não posso dizer que já aprendi alguma coisa de forma completa. Continuo a aprender em todas as áreas. Posso então dizer, de verdade, que estou aprendendo durante quarenta anos de ministério.

Priorizar meu tempo para a glória de Deus
Uma das lições que tenho aprendido tarde na vida é a necessidade de avaliar cuidadosamente o que faço. Como “homem idoso”, as estatísticas dizem que não me restam muitos anos de vida. Quero, porém, que esses anos de pôr do sol sejam muito produtivos. Quando me aposentei, essa se tornou minha meta para a atual etapa de vida. Ainda estou aprendendo qual é a melhor forma de usar meu tempo com as habilidades que Deus me permitiu aprender.

Dar às Escrituras a devida importância
Um dos conceitos mais importantes que tenho aprendido é o valor da memorização das Escrituras. Quando foi tentado, Jesus derrotou Satanás citando as Escrituras. Visto que Satanás é um leão que ruge à espreita de alguém para devorar (1Pe 5.8 ), preciso ter a Palavra de Deus à disposição em todos os momentos. Ela é chamada de espada do Espírito (Ef 6.17), que eu preciso ter sempre desembainhada e pronta para uso. Isso só é possível por meio da memorização.

Junto à importância da memorização está a superioridade da Bíblia com relação a qualquer um dos bens desta vida: dinheiro (Sl 119.72 ), alimento (Sl 119.103), horas de sono (Sl 119.62, 148) e fartura (Sl 4.7).

Depender da Palavra de Deus como meu guia
Outro aspecto de aprendizado contínuo é que não posso depender de minhas emoções para me guiar nas decisões importantes. Meu guia deve ser a Palavra de Deus. Minhas emoções são muito suscetíveis aos meus desejos pecaminosos. Quando me sinto bem, torno-me excessivamente otimista sobre as minhas capacidades e me sobrecarrego de compromissos. Quando estou agitado, reajo pecaminosamente nos momentos em que eu deveria ouvir para entender melhor a questão. Quando estou abatido, desperdiço muito tempo com meus sentimentos de autopiedade. No ministério, a minha confiança deve estar no meu relacionamento com Deus e Sua Palavra. É uma luta contínua mantê-los como autoridade ao invés de meus sentimentos.

Ouvir com atenção e compaixão
Outro aspecto importante do aconselhamento, no qual ainda estou crescendo, é ouvir atentamente o aconselhado antes de apresentar qualquer solução bíblica. Para que eu possa ajudar integralmente a pessoa, preciso saber o que motiva as ações. Isso exige ouvir e fazer perguntas com base naquilo que o aconselhado me diz.

Mais recentemente, tenho aprendido a importância de compreender a situação de sofrimento que os aconselhados vivenciam. A maioria de suas ações pecaminosas atuais resulta de suas tentativas de reduzir a dor do sofrimento que enfrentaram. Nesse processo, devo mostrar compaixão para com eles no sofrimento. Visto que não sofri como eles, uma das formas de mostrar compaixão é ouvir sua história com o propósito de compreender melhor sua situação.

Aprender com meus aconselhados
Tem sido interessante ver como o Senhor traz ao meu encontro aconselhados que me lembram de mudanças que preciso fazer na minha vida. Devido a isso, mais de uma vez tenho agradecido a Deus por pessoas que sentam à minha frente. Tive de admitir muitas vezes que minha boca acabara de dizer alguma coisa que meus ouvidos precisavam ouvir.

Aprender que necessito da ajuda de Deus
Aprender sobre a necessidade da ajuda de Deus no aconselhamento também é algo contínuo. Mais de uma vez, no meio de um encontro de aconselhamento, fiz uma oração a exemplo de Neemias. Refiro-me a Neemias 2.2-5. Depois de Neemias ter contado ao rei que seu rosto estava triste devido ao fato de sua cidade de origem estar completamente destruída e em ruínas, o rei lhe perguntou qual era sua necessidade. A frase curta do versículo 4 serve de modelo para mim: “Então orei ao Deus dos céus”.

Não há indicação de que Neemias tenha se ajoelhado para orar, juntado as mãos e nem mesmo dito ao rei que iria orar. Parece que o rei fez a pergunta e, enquanto Neemias tomava fôlego para responder, ele orou por orientação para sua resposta. Faço isso muitas vezes em encontros de aconselhamento e minha oração, com frequência, é: “Socorro!”. E Deus atende.

Colocar o foco nas vantagens daquilo que posso fazer
Como estamos falando em quarenta anos de ministério, isso traz à tona a questão do envelhecimento. À medida que o corpo envelhece, ele se deteriora devido à maldição do pecado. Em vez de crescer em força, como acontece nas primeiras duas ou três décadas de vida, o corpo entra em um processo de lento declínio da força física e de algumas habilidades. Na juventude, era fácil eu pensar no envelhecimento como algo pouco importante. No entanto, quando a idade ficou mais avançada, ele ganhou importância. A mente quer fazer certas coisas, mas o corpo recusa-se a acompanhá-la. A vida costumava correr aparentemente sem limites −  como o “Energizer Bunny”[1] com um par de pilhas grandes “D” novas. Agora, o fornecimento de energia é reduzido ao de um par de pilhas pequenas “AA” gastas.

O que tenho aprendido, porém, é que isso contribui para que eu me concentre mais nas vantagens daquilo que posso fazer do que nas limitações do que já não posso mais fazer. Meus anos de estudo e memorização da Bíblia são agora recursos preciosos para minhas aulas e aconselhamentos. Eles produziram uma sabedoria baseada apenas na Palavra de Deus, não em minha habilidade intelectual. A impossibilidade de fazer algumas coisas físicas mantém o meu foco nas habilidades com que Deus tem me abençoado nas áreas espiritual e mental.

Não me deixar ameaçar pela mudança: ser um modelo de mudança
Mais um aspecto importante é aprendermos a não nos sentirmos ameaçados quando as coisas mudam ou quando somos substituídos. Nós não gostamos da ideia de sermos trocados por outros, pois é fácil pensarmos que somos insubstituíveis. Os jovens, porém, chegam e querem mudar as coisas. Isso significa que nossa forma de atuar não é mais tida como satisfatória. Conforme envelhecemos, somos gentilmente colocados de lado de várias maneiras. Se formos honestos, isso é bom. Os mais jovens estão fazendo apenas aquilo que nós mesmos fizemos quando éramos jovens.

Se crescemos em santidade ao longo de toda a nossa vida, sermos substituídos não significa que agora somos inúteis. Com tantos anos de experiência acumulada em mudança bíblica, não deveríamos ter dificuldade para mudar ao chegarmos à terceira idade. Na verdade, podemos demonstrar aos mais jovens os benefícios da mudança. Devemos ser modelos de mudança.

Tudo isso fica mais fácil se visualizarmos o quadro maior da vida e do ministério em vez de olharmos os detalhes de cada dia. Veja a mudança numa perspectiva maior. Deixe-me ilustrar. Quando nossa igreja passou da música tradicional para a contemporânea, esse foi um grande problema para mim. Meu treinamento passado (que eu deveria ter, em parte, contestado) fez disso uma questão espiritual. No entanto, havia também a questão espiritual de submeter-me a meus líderes e ver o quadro maior desta mudança: ela aumentaria o alcance do ministério de nossa igreja, com o qual eu estava inteiramente comprometido. Precisei, então, decidir o que era mais importante: minha preferência musical ou o alcance ministerial de nossa igreja. Muitos outros fatores estavam presentes, mas olhar o quadro maior ajudou-me a entender e aceitar as alterações na área da música. Mesmo que a música contemporânea não seja minha favorita, vejo como ela está ampliando o alcance ministerial da nossa igreja. Na verdade, muitas das letras que cantamos hoje são versículos bíblicos e certamente honram a Deus.

Há muitas outras lições que tenho aprendido e agradeço ao Senhor pela oportunidade que Ele me dá de ministrar enquanto continuo neste processo de aprendizado.
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Fonte: Conexão Conselho Bíblico

quarta-feira, novembro 09, 2011

Ação que Beneficia o Mundo (Salmo 67)

Por Thomas Tronco

Assim como eu, minha mãe também é dentista. Ela voltou a estudar depois que os filhos já tinham certa idade e se formou com quarenta anos de idade. Cursamos odontologia na mesma universidade em que iniciei meu curso no ano seguinte ao da formatura da minha mãe. Desse modo, tivemos os mesmos professores. Um deles tinha um modo de avaliação que envolvia um exame oral. O problema é que a matéria em si já era complicadíssima. Juntando a isso o fato de que o professor era um tanto amedrontador, o resultado eram alunos em pânico antes do exame oral e vários deles chorando, pois frequentemente se esqueciam do que haviam estudado devido ao nervosismo do momento.

Depois de algumas dessas provas – ou “provações” –, minha mãe procurou o professor e argumentou com ele sobre os efeitos que seu sistema de avaliação produzia nos alunos e como, diante de tanto pânico, a avaliação não refletia o real conhecimento do aluno. Por fim, o professor aboliu esse jeito de avaliar os alunos. Eu não me beneficiei dessa mudança, pois no ano em que cursei aquela matéria, o professor voltou a aplicar as chamadas orais. De qualquer modo, todos os alunos até a minha turma foram beneficiados pela iniciativa da minha mãe.

O Salmo 67 também fala de uma atuação cujos benefícios se estendem a outros. Mas não se trata de uma turma; trata-se do mundo. Assim como no Salmo 65, a ocasião é a colheita farta vinda como suprimento de Deus ao seu povo (v.6): “A terra deu sua safra” (’erets notnâ yevûlah). O motivo da alegria é a colheita, mas a fonte da colheita e da alegria é o próprio Deus: “Deus, o nosso Deus, nos abençoa” (yevarkenû ’elohîm ’elohênû). Sendo assim, essa poesia é, conforme diz seu título, uma alegre “música” (mizmôr), uma “canção” (shîr) de louvor a Deus pelo suprimento.

Esse assunto não é novidade a essa altura do livro de Salmos. Entretanto, há um fator que torna singular esse capítulo: o modo como, por meio da bênção de Deus ao povo de Israel, há benefício para outros, a saber, as nações da Terra. Esse enfoque explica porque o salmista, por duas vezes, vislumbrando a colheita dos agricultores israelitas, se refere aos homens de todas as nações e os conclama a adorar o Deus soberano (vv.3,5): “Aclamem-te os povos, ó Deus, aclamem-te todos os povos” (yôdûka ‘ammîm ‘elohîm yôdûka ‘ammîm cullam). Apesar de não parecer em um primeiro momento, a ação de Deus em benefício do suprimento de Israel é motivo de bênção para pessoas do mundo todo. Assim, esse salmo evidencia três efeitos da bondade de Deus em relação a Israel que abençoa o mundo, o qual, pela verdade e pelo conhecimento, pode se tornar alvo das maiores benesses do Senhor.

O primeiro efeito produzido pela demonstração da bondade de Deus é tornar sua salvação conhecida ao mundo. O salmista inicia o salmo expressando seu desejo (v.1): “Que Deus mostre seu favor para conosco e nos abençoe” (’elohîm yehannenû wîvorkenû). Esse é o pedido geral de bênçãos vindas da graça de Deus. Porém, em um salmo alegre por causa da colheita, é claro que o salmista tem em mente a bênção dada por Deus enchendo os celeiros do povo a fim de garantir sua subsistência. Pensando nisso, o salmista vê esse ato gracioso de Deus como uma oportunidade de tornar seu caráter conhecido dos homens: “Que ele faça sua face resplandecer sobre nós” (ya’er panayw ’ittanû). Outra maneira de dizer isso seria: “Que o Deus invisível se mostre aos homens na sua atuação favorável a nós”.

O desejo do salmista é justificado. Ele deseja que o conhecimento de Deus não fique restrito apenas aos israelitas de fala hebraica, mas a todos os povos. Ele deseja de coração que as nações conheçam a salvação que vem de Deus conhecendo o próprio Deus que salva (v.2): “A fim de que o teu caminho seja conhecido na Terra e, em todos os povos, a tua salvação” (lada‘at ba’arets darkeka bekol-gôyim yeshû‘ateka). Eis um dos propósitos divinos ligados à eleição de Israel. Deus escolheu um povo por meio de quem sua Palavra, seu caráter e o Evangelho da salvação fossem manifestos e anunciados pelo mundo todo. Deus escolheu a nação israelita para se revelar aos homens e para trazer salvação.

O segundo efeito é garantir uma direção justa para o mundo. Depois de convocar os povos para a adoração ao Senhor (v.3), o salmista explica a razão para o efusivo louvor (v.4): “Que os povos celebrem e deem brados de louvor, pois tu julgas as nações com retidão e guias os povos na Terra” (yismehû wîrannenû le’ummîm kî-tishpot ‘ammîm mîshôr ûle’ummîm ba’arets tanhem). A segunda cláusula desse versículo traz um problema para os exegetas, pois pode ser compreendida, como aqui traduzida, na forma de uma ação presente e contínua – “tu julgas... guias”. Isso revela o controle soberano de Deus sobre a História e o modo justo de tratar aqueles que o temem e punir os que desprezam o bem, garantindo que o mal não cresça sem limites. Porém, é possível e teologicamente aceitável traduzir tais ações no tempo futuro – “tu julgarás... guiarás” –, aludindo à vinda do Messias para reinar com justiça e poder, trazendo ao mundo paz e retidão (Is 2.1-4; Mq 4.1-4). Problema para os exegetas, mas não para as pessoas que, vendo o poder de Deus no sustento de Israel, passam a ter convicção e esperança de que Deus é poderoso para, agora, refrear o mal e, no futuro, debelá-lo definitivamente no reinado anunciado e prometido do Deus Filho.

Por fim, o terceiro efeito é inspirar um sentimento de temor no mundo. A observação atenta da atuação poderosa e graciosa de Deus, sustentando o povo que ele chamou para si, não permite que se ignorem a grandeza de Deus e a veracidade das suas promessas e caminhos. Eis a razão porque, muitas vezes, as pessoas se curvam em devoção ao Senhor, Deus do universo. O salmista não está alheio ao efeito que a atuação de Deus tem sobre o coração dos homens (v.7): “Que Deus nos abençoe e, assim, temam a ti todas as extremidades da Terra” (yeborkenû ’elohîm weyiyre’û ’otô kol-’afsê-’arets).

É nítida a conexão entre a ação misericordiosa e soberana de Deus para com Israel e o temor que deve ser produzido no mundo pela observação do ato. O que precisa ficar claro é como esse temor liga o homem perdido ao Deus salvador. Em primeiro lugar, significa reconhecer a divindade, singularidade e primazia do Senhor sobre tudo que existe. Em segundo, estar convicto de que, pela justiça divina, há punição para quem não puder comparecer plenamente inocente em seu tribunal. Por último, crer que só ele pode conceder o perdão que homem pecador necessita para ser salvo do juízo e ser recebido nos braços calorosos e amáveis do Pai eterno: “Se observares, Senhor, iniquidades, quem, Senhor, subsistirá? Contigo, porém, está o perdão, para que te temam” (Sl 130.3,4).

Diante disso, quem duvidará da sabedoria de Deus em chamar um povo por meio de quem ele se revelasse ao mundo como Deus eterno e poderoso e como Pai amoroso, compassivo e salvador? Quem defenderá a ideia de que Deus foi frustrado pelo modo como a história do Antigo Testamento se desenhou? Quem ignorará que tudo que Deus fez no passado foi para alcançar homens e mulheres perdidos ao redor do globo em todas as eras? Quem poderá desprezar um amor tão grande e a oferta da gratuita salvação que vem pela fé no sacrifício do Senhor Jesus no Calvário? Bem disse o apóstolo Paulo: “Pois tudo quanto, outrora, foi escrito para o nosso ensino foi escrito a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança [...] para que concordemente e a uma voz glorifiqueis ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 15.4,6).

Fonte: Batista da Redenção

segunda-feira, novembro 07, 2011

A parábola do açude

Por Reinaldo Bui

Havia um homem muito bondoso, senhor de muitas terras que prezava muito pela vida dos trabalhadores que viviam em sua fazenda. Nela havia um açude que ele mesmo construíra e zelava para que ninguém nadasse, pescasse ou mesmo se aproximasse do local. Desde antes de sua construção, ele dizia: Este açude será para o benefício de todos os trabalhadores e seus familiares, portanto, devemos cuidar dele como se nossa vida e de nossos filhos dependessem disto.

Um dia o senhor da fazenda precisou fazer uma longa viagem. Preocupado com a segurança do açude, esquadrinhou um jeito de preservá-lo seguro dos invasores. Ao invés de construir uma grande muralha ao seu redor, ele pensou em simplesmente espalhar alguns avisos de “proibido pisar na grama” ao longo da área gramada que cercava a beira do açude, além de ter alertado os moradores mais próximos para que o vigiasse. Ele acreditava que estas medidas eram suficientes para a boa proteção do açude. Então ele partiu.

A geração mais velha obedecia sem problemas às orientações do seu senhor. Todavia os mais novos logo começaram a questionar sobre o porquê de não poderem utilizar o açude para se refrescar. Muitos eram seus argumentos: Não faz sentido ter um açude como este se não podemos desfrutar. Quando o senhor construiu este açude, ele mesmo disse que seria para nosso benefício. Por que, então, não podemos nadar? É um desperdício! Ele não nos quer bem? Não quer que sejamos felizes? Quer nos privar do prazer de nos refrescarmos nestes dias quentes de verão? Será que ele não quer dificultar nosso direito de nos exercitarmos e dedicarmos tempo de qualidade com nossos familiares e amigos? Outros ainda se aprofundavam mais em seus argumentos e “reinterpretavam” as ordens do senhor da fazenda. Eles diziam que a ordem do senhor fazia sentido na época em que o açude foi construído, mas que agora os tempos eram outros, que esta nova geração é mais pró-ativa, exigente e não se contenta com um simples não. Eles também argumentavam que o fato dele simplesmente ter colocado alguns alertas para não pisar na grama era um insulto à inteligência deles, pois conheciam meios de chegaram à água sem pisar na grama. Ademais, muitos falavam que o significado daqueles alertas não se relacionava com a proibição de nadar no açude. Para eles, estragar o gramado era o real motivo destes alertas.

Apesar da acirrada insistência dos mais velhos em defender a ordem do senhor, seus argumentos pareciam fracos demais diante da jovial maioria, que ecoavam: Mas o senhor não quer... O senhor não quer.

A pressão dos favoráveis à liberação do açude ao público crescia a cada dia, e entre centenas de inconformados, uma pessoa tomou a iniciativa corajosa, inteligente e estratégica de construir uma passarela de pedras para que todos os interessados pudessem ter livre acesso às águas convidativas e refrescantes daquele intocável açude. E ela mesma deu o mergulho pioneiro. Diante do olhar estupefato de todos os que assistiam ainda de longe, esta pessoa nadava de um lado para o outro, floreando a atitude desbravadora. Esta foi a notícia do dia; todos só comentavam sobre a bravura, coragem e determinação daquela pessoa. No dia seguinte, mais algumas pessoas se juntaram a ela. Depois outras tantas, e mais tantas, e mais... Até chegarem ao ponto de não se ouvir mais comentários sobre aquela velha e ridícula proibição de não poder desfrutar daquela “benção” que o senhor construiu para eles.

O açude era o local para diversão de todas as famílias. Elas faziam piquenique e lavavam seus pratos e talheres naquelas águas. Entravam no açude para usá-lo como banheiro para si e seus animais de estimação. A garotada, em especial, esbaldava-se toda no futebol antes de darem aquele mergulho refrescante. Aqueles avisos de proibido pisar na grama já nem eram mais observados.

Quase todos estavam felizes. Os mais velhos ainda lamentavam, calados e indignados pela tamanha desobediência. Já nada falavam por medo de represálias ou por não quererem passar mais pelo constrangimento de serem tachados de retrógrados, radicais, bitolados, ridículos e ultrapassados.

Alguns meses depois algumas crianças começaram a adoecer e tragicamente três morreram numa mesma semana. Os mais velhos, aqueles que não entraram no açude, também adoeceram. Entre os jovens, haviam aqueles que usavam sua eloquência para transmitir uma sabedoria que nenhum deles realmente tinha. Eles diziam que o fato dos mais velhos terem igualmente adoecido, provava que a curtição no açude não estava relacionada com os recentes problemas de saúde. De fato, eles procuravam justificativas para aplacar suas consciências.
Alguns destes obedientes velhinhos também estavam morrendo em decorrência da doença. A cada um que era sepultado, todos diziam: Estava velho, havia chegado sua hora...

Depois foi a vez dos jovens e adultos. Muitos foram hospitalizados, medicados, mas alguns não resistiram e também faleceram. Os que ficavam já não tinham mais vigor para trabalhar e aquela fazenda que sempre fora muito produtiva e bem cuidada começou a definhar.

Após um ano fora de casa, o senhor, no caminho para sua fazenda, percebeu que alguma coisa estava errada. Ao chegar,um bom trabalhador de sua fazenda, esbaforido, logo relata para ele sobre a epidemia que se abatera por lá. Então o senhor lhe fez a seguinte pergunta: Vocês entraram no açude que eu ordenei que não entrassem? O trabalhador respondeu: Não vimos nada de mal nisto, senhor. Além do mais, é pouco provável que esta epidemia seja por causa dele... Estamos achando que é a água da torneira de nossas casas que está contaminada. O senhor logo replicou: Seguramente você está certo quanto à contaminação das águas das torneiras, mas absolutamente errado em não encontrar problema na desobediência de terem entrado no açude. Eu o construí para que fosse o manancial que abastece todas as residências desta fazenda.

Assustado com a resposta, o empregado perguntou ao chefe o porquê dele nunca ter revelado essa tão importante informação. Em sua resposta, o senhor da fazenda lhe perguntou: Por que vocês simplesmente não obedeceram minhas ordens? Sou eu quem deve dar satisfação a vocês do que é meu e como eu quero que seja feito?

Moral da história:
Questionar e racionalizar ordens e orientações do nosso Senhor pode trazer conseqüências desastrosas para todos nós.