domingo, julho 31, 2011

A Loucura da Cruz, os Direitos Humanos e a Liberdade de Expressão

Por Tiago Santos

1 - A Sedução do relativismo:
Vivemos em tempos em que as pessoas não gostam de ser importunadas ou confrontadas com certas questões. Alguns temas que tocam nossa vida diária, não podem mais ser abordados sem que se corra o risco de ofender uma consciência aqui e ali; afinal, alguns argumentam, esses assuntos incômodos encontram-se em um campo de conceitos subjetivos, submetidos ao crivo do particular. Ou seja, o que é para mim poderá não sê-lo para você. Aliás, essa é a principal característica de nossos tempos: relativismo. Tudo é relativo.

Nas últimas décadas, essa mentalidade tem alcançado a igreja. Hoje em dia, um outro evangelho tem sido anunciado. Um evangelho “light”, que não custa nada. Um evangelho tolerante, amigável, inclusivo e fácil. Assim, os púlpitos estão sendo esvaziados e não sobra espaço para se abordar temas considerados controversos e ultrapassados. O evangelho de hoje removeu o escândalo da cruz; não tem justiça, arrependimento, sacrifício, entrega, auto-negação, as virtudes da lei, graça... O resultado dessa tendência é o sério comprometimento doutrinário. Várias doutrinas fundamentais, como as que mencionei, passam a ser questionadas ou reconstruídas com base em filosofias e pressupostos estranhos às Escrituras e à ortodoxia cristã.

Por outro lado, a agenda evangélica tem sido cada vez mais ocupada por assuntos do momento – via de regra, de cunho ecológico, social, filosófico, enfim. Os proponentes desta nova agenda evangélica, articulistas, escritores, apóstolos e pastores, televangelistas, ao abandonarem a Escritura para lidar com as questões da vida e do momento, precisam cooptar com ideologias estranhas ao cristianismo, via de regra com viés político esquerdista e com as novas hermenêuticas que as filosofias pós-modernas têm proposto, oferecendo suas fórmulas como panacéia dos males mais profundos de que padece a humanidade – ignorando que a Queda e seus efeitos é que de fato causam a mais abissal miséria do homem e que a única restauração se dá pelo genuíno evangelho do Senhor Jesus Cristo.

Mas, uma das características mais marcantes dos proponentes desta nova agenda entre o povo evangélico, é a força de sua propaganda e a virulência de sua beligerância – intolerantes em nome da tolerância, não aceitam o contraditório e rejeitam o debate na arena bíblica. A defesa da fé é reputada como conduta reacionária e fundamentalista, ao arrepio das Escrituras e de cartas bíblicas como a de Judas.

O politicamente correto em que vivemos, parece ser incompatível com a velha idéia de buscar a orientação da Escritura para “ver se as coisas são mesmo assim”.

Isso tudo se constitui num grande desafio para o cristão sincero hoje. Precisamos reaprender a pensar biblicamente e a submeter as questões mais complexas da vida ao crivo das Escrituras – no melhor espírito da nobreza bereana.

2 - A loucura da mensagem cristã:
Mas nos enganamos se achamos que esse é um problema atual. Quando pensamos no evangelho da cruz, somos logo lembrados da controvérsia que envolveu a pregação do apóstolo Paulo em Corinto.
Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus. Pois está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios e aniquilarei a inteligência dos instruídos. Onde está o sábio? Onde, o escriba? Onde, o inquiridor deste século? Porventura, não tornou Deus louca a sabedoria do mundo? Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação.
Porque tanto os judeus pedem sinais, como os gregos buscam sabedoria; mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios; mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus.
Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens. Irmãos, reparai, pois, na vossa vocação; visto que não foram chamados muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos de nobre nascimento; pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes; e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são; a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus.

Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção, para que, como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor.
(1 Coríntios 1.18-31)

Paulo está falando aqui não do ato de pregar, mas do conteúdo da pregação. O verso 18 fala da “palavra da cruz” como sendo loucura.

O conteúdo do evangelho era escandaloso então e ainda o é hoje.

A “palavra da cruz” era escandalosa aos judeus e gentios porque naquela sociedade não fazia sentido a morte estúpida e violenta de um herói. A imagem de Cristo crucificado – a pregação de Paulo – era incompatível com a idéia judaica de um Messias que estabeleceria um reino político, visível, poderoso e glorioso. Mas a idéia de um Messias na cruz era quase blasfema para um judeu.

Para o gentio era loucura um herói morto como um bandido na cruz. Para o gentio, a mensagem da cruz era algo tolo, um contra-senso.

D. A. Carson, ao analisar essa passagem, demonstra que o ponto do apóstolo Paulo é que nenhuma filosofia ou cosmovisão – seja da antiguidade ou de nossos dias – terá algum valor se seu cerne não for a cruz de Cristo – escândalo para os judeus, loucura para os gentios. Mas, nem toda sabedoria humana era insuficiente para salvar o homem do pecado – assim como hoje nada, absolutamente nada, a não ser a mensagem de Cristo – e este crucificado – pode alcançar o coração do homem. Sem a cruz, haverá ou idolatria, ou legalismo. É a loucura da pregação da mensagem da cruz que tem o poder de redimir.

E Paulo é muito assertivo ao definir a mensagem da Cruz como o poder de Deus [dinamis]. A mesma palavra que ele usa em Romanos 1.16. Poder aqui tem um sentido muito intenso – é o mesmo tipo de poder que Deus usou para criar o universo [Hb. 1-3]. A idéia aqui é demonstrar a nossa incapacidade de nos salvarmos e a necessidade da ação do próprio Deus em nossa redenção.

O verdadeiro evangelho implica a necessidade da regeneração, do novo nascimento – como Jesus ensina em João 3. Envolve o arrependimento, a auto-negação, o abandono deliberado e resoluto de nossos vícios e pecados, a fé e a obediência, a novidade de vida – luta diária contra a carne, o mundo e o diabo – o despir-se do velho homem e o revestir-se do novo homem, a adoração verdadeira, o fim da idolatria – da auto-idolatria, movido pelo orgulho e pelo ego inflamado e ensimesmado, a santidade – separação dos valores deste mundo, da mentalidade do mundo, e o dirigir de nossos afetos, de nossa mente e coração para Deus.

E não tem outro jeito. O Espírito só opera pela loucura da pregação (Rm. 10.17). Se você não experimentou essas coisas, não há boas novas para você. As boas novas só são boas quando nos levam à cruz de Cristo, que é onde encontramos o perdão de nossos pecados, somos redimidos, resgatados, propiciados, declarados justos, adotados e santificados.

Quero propor então, para todos nós, o retorno ao evangelho da cruz. Fazer isso, todavia, envolverá lutas e disposição ao sacrifício – dentro da própria igreja, cuja mentalidade está muito afetada pelos valores do presente século e em nossa sociedade, que vive uma fase pós cristã – em que rejeita e opõe-se, deliberadamente, a tudo que a fé cristã ensina e conquistou ao longo dos séculos.

3 - A relação entre a fé individual e o estado:
Neste ponto, desejo propor como podemos expressar nossa fé – nossa pregação que é louca e ofensiva – neste mundo pluralista e relativista em que vivemos.

No Brasil, vivemos em uma sociedade organizada, democrática.

A relação entre a fé e o estado tem sido sempre uma questão conturbada. Difícil.

Expressar nossa fé ofensiva nos dias de hoje, no Brasil, é algo que tem causado incômodo a vários setores da sociedade. Via de regra aqueles de caráter libertário e libertino – que não podem aceitar o elevado padrão moral imposto pela fé cristã. Não raro, temos visto casos de pastores e mesmo crentes serem censurados por sua fé – quando afirma, por exemplo, que a prática e comportamento homossexual é pecado e que deve ser abandonado, ou quando afirmam que o aborto é homicídio, aos olhos de Deus [e mesmo aos olhos de uma sociedade sensata], quando dizem que, segundo as Escrituras, Deus criou homem e mulher essencialmente iguais, em dignidade e valor, mas diferentes quanto aos seus propósitos e função na economia familar. Até mesmo questões envolvendo o comportamento sexual tem sido alvo de perseguições – quando a pornografia, o adultério, a promiscuidade, a indecência, etc são nomeadas como ofensas, pecados grosseiros, e anomalias – atos que comprometem e colocam em xeque a primeira instituição fundada por Deus, a família  – há então perseguição, linchamento moral, intimidação e, vejam só, ultimamente até mesmo processos na justiça.

Isso tem acontecido diante de nossos olhos e temos feito pouco para combater esse comportamento vil e ilegal.

O cristão, às vezes, tem a tendência de se deixar martirizar – como se o martírio fosse enaltecer a causa do evangelho. Bem, ainda que sejamos “bem aventurados” quando somos injuriados pelo nome de Cristo [Mt. 5.11,12], somos também “bem aventurados” quando temos “fome e sede de justiça” Precisamos entender a “fome e sede de justiça” como sendo aquela que tem a ver com retidão e equidade, a justiça que veremos no mundo vindouro e idealizamos hoje, no mundo onde peregrinamos. A justiça que o estado tem o dever de promover, para o convívio pacífico da sociedade (Rm. 13).

É bom lembrar que o conceito de justiça enquanto eqüidade nas relações entre os homens – mediada pelo estado – é algo muito presente nas Escrituras, não só nas narrativas, mas como um princípio teológico. Vemos esse conceito em Romanos 13 e também o vemos na conduta de Paulo, quando usa sua cidadania romana como um instrumento de direito e reclama reparação moral e pública pelo julgamento, sentença e pena injustas que recebeu em Filipos [Atos 16.19-40], ainda quando questiona a pena que queriam infligir-lhe [de açoites] sem um julgamento justo em Jerusalém [Atos 22.25-30] e ainda sua defesa diante do governador [e juiz] Felix [Atos 24.10-21] também diante de Festo e Agripa e, mais adiante, usando a estrutura jurídica de sua época e o direito que lhe cabia, apelou ao imperador, a César [Atos 25].

Vemos no exemplo e mesmo nos princípios das Escrituras o dever de andarmos com retidão em nossa sociedade, sendo luz e exemplos de nosso proceder diante do ímpio e usando a espada e o poder do estado para promover a justiça e a eqüidade.

Como cristãos, temos o dever de afirmar a nossa fé com liberdade e a usarmos – como fez o apóstolo Paulo – o direito divino (contemplado e assimilado pelas leis) para defender nossa fé, nossa dignidade, nossa liberdade, nossa consciência e o direito que temos de proclamar e expressar o que cremos.

4 - O direito no Brasil e a expressão de nossa fé:
Assim sendo, em que pese as tensões existentes nesta difícil relação, é bom termos ciência de que legislação brasileira recepciona em sua carta magna, a constituição, e mesmo na legislação infraconstitucional os preceitos fundamentais do direito do homem, do ser humano, presentes na declaração universal dos direitos humanos.

O preâmbulo da declaração dos direitos humanos da ONU, elaborada em sua fundação em 1948, preceitua que:
Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo,
Considerando que o desprezo e o desrespeito pelos direitos humanos resultaram em atos bárbaros que ultrajaram a consciência da Humanidade e que o advento de um mundo em que os todos gozem de liberdade de palavra, de crença e da liberdade de viverem a salvo do temor e da necessidade foi proclamado como a mais alta aspiração do ser humano comum,
Considerando ser essencial que os direitos humanos sejam protegidos pelo império da lei, para que o ser humano não seja compelido, como último recurso, à rebelião contra a tirania e a opressão...”
E, em seus artigos XVIII e XIX, estabelece o seguinte:
Artigo XVIII.
Todo ser humano tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, em público ou em particular.
Artigo XIX.
Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.
No Brasil, todas as constituições, desde da República de Rui Barbosa, Deodoro da Fonseca e Joaquim Nabuco, em 1891, há a proteção da consciência religiosa. Mesmo a as constituições dos regimes de exceção, em 1937 e em 1964, ainda que as liberdades de imprensa e de expressão tenham sido cerceadas, a liberdade de consciência religiosa foi preservada. A atual constituição, a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, fazendo coro com a declaração dos direitos humanos, em sua seção Dos Direitos e Garantias Fundamentais [e é importante termos essas definições em mente] , diz o seguinte no caput de seu artigo 5º:
“Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes”
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;
VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva;
VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;
IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;
A Lei constitucional é a primeira e principal lei da nação. Todas as demais leis estão sob seu espectro e autoridade. A inviolabilidade da consciência implica o direito de expressar com liberdade o que cremos. O inciso VIII estabelece que nossas crenças não podem servir de subterfúgio para que sejamos privados de qualquer direito – principalmente o direito de expressá-la – além ainda do artigo VIII que estabelece a liberdade de expressão.

Na constituição, vemos ainda o seguinte:
No código penal brasileiro, por sua vez, no artigo 140, o tipo penal criminaliza a injúria contra o credo religioso:
Art. 140: Injúria
§ 3º Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes à raça, cor, etnia, religião ou origem:
E o artigo 208 foi elaborado especificamente para tratar sobre a liberdade de cultuar:
208: Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objetos de culto religioso:
Pena: Detenção, de 1 (um) mês a 1 (um) ano, ou multa.
Parágrafo único: se há emprego de violência, a pena é aumentada de um terço, sem prejuízo da correspondente à violência
Se a lei protege a consciência religiosa, chamando-a de ‘inviolável’ e fundamental, é uma inferência lógica – apoiada pela doutrina jurídica – que a expressão desta fé é igualmente inviolável e fundamental.
A constituição ainda aplica o princípio audiatur et altera pars,  que quer dizer “ouça-se também a outra parte”, também conhecido como princípio da ampla da defesa e do contraditório. Isso significa que temos ao nosso dispor todos os meios legais de defesa disponível, no caso de algum desses direitos básicos serem violados – mesmo que pelo próprio estado.

5 - Conclusão:
A fé cristã é ofensiva – sempre foi e sempre será. Sempre haverá uma tensão entre afirmá-la, praticá-la e, ao mesmo tempo, viver no meio de uma sociedade que a rejeita e a odeia.

Temos o dever de dar o testemunho da verdade neste mundo de trevas. Isto envolve dizermos e fazermos aquilo que a Escritura sagrada ensina – no campo ético, moral, relacional – amando ao próximo, respeitando a vida, vivendo com integridade, retidão, honestidade – estabelecendo famílias fortes e igrejas centradas em Deus e na Palavra. Isso será o contraponto da irracionalidade e insensatez que envolvem este mundo tenebroso.

Temos de confrontar esta anarquia de pensamentos e tendências que caracterizam nosso século com o ensino da Palavra e uma conduta que seja condizente com este ensino.

O estado, por sua vez, tem a obrigação e dever de estender a espada da justiça e equidade aos cristãos – e fazemos bem em utilizar essa espada. Não temos de nos refugiar nas cavernas e catacumbas. Temos de afirmar com fé, coragem e ousadia nossa convicção cristã e impor ao estado, pelos meios legítimos, que use a espada não para perseguir cristãos por conta de sua consciência, mas para promover a paz e a equidade. O direito de consciência religiosa é um direito sagrado, dado por Deus. O estado que o rejeita está contrariando sua vocação – e deve ser, nesse caso, confrontado.


Copyright© 2011 Tiago Santos e Editora FIEL.

sábado, julho 30, 2011

Pornografia: um meio perfeito para desanimar o crente

 
Ultimamente, tenho gasto um tempo com reflexões sobre o crente e sua relação pessoal com Deus. Muitos dos que se sentem fracos na fé não se dão conta da importância de retomar o caminhar com Deus. Precisam ser feitos fortes na fé. Embora peçam o tal de "renovo" espiritual, vivem a esperar por Deus fazer por eles que poderiam já estar praticando. Então, pense num crente (ou "crente") que assiste a filmes pornográficos. Ele compactua o que vê, pois reage com prazer àquela porcaria. Através desses filmes, o esposo ou a esposa cometem adultério no coração, por imaginarem-se com outra pessoa. (Mateus 5:28) O esposo preferirá masturbar-se a satisfazer as necessidades e vontades sexuais da esposa. Os filhos crescerão viciados nestes filmes e na prática da masturbação. Tais sofrem as consequências da escravidão sexual, em vez de uma luta contra a tentação sexual. Há diferença? O Dr. STREET comenta:
"Existe uma diferença bem definida entre a pessoa sexualmente tentada e a sexualmente escravizada. Para a pessoa escravizada, os desejos sexuais se tornaram idolatria. Ela adora e paga impostos a seu senhor cedendo a todo desejo e experimentando sensações inquietantes de prazer. A pessoa que é sexualmente tentada pode fracassar, mas ela não cede frequentemente a seus desejos. Uma vez que a pessoa escravizada tomou a decisão de baixar a guarda nessa luta, ela sempre se encontra numa espiral descendente de degradação e desesperança". [1]
A mente dos escravizados à pornografia se torna cauterizada; De início, ele consegue ir aos cultos, com a sensação de que tudo está bem na vida dele. Conversa com irmãos e consegue até usar textos bíblicos no seu linguajar. Ora até que de forma emotiva. Participa da Ceia do Senhor, porque basta apenas fazer uma "oraçãozinha" antes. Mas não há espírito contrito, arrependimento genuíno, mas a desculpa: "Deus me entende". Em casa, a desculpa para o cônjuge é: "Estou passando por dias muito cansativos", mas se masturba todos os dias, porque o "momento com deus" dele é sua relação pessoal com o pênis ou a vagina. Os jovens e adolescentes, em fase de fortes impulsos sexuais, conseguem da mesma forma ludibriarem-se com as frases já conhecidas: "Quando casar, melhora", "eu choro no louvor e Deus perdoa", entre outras tantas. Mas essa situação de bem-estar que os contagia não prossegue por muito tempo. Deus revela o que somos, quando há hipocrisia e idolatria, práticas ou modos de vida odiados por Deus. Então, verificam-se os sintomas de fraqueza e desânimo espirituais, como ausência aos cultos, raríssimas orações curtas e mecânicas, relacionamento sexual com o cônjuge deteriorado, e daí por diante. Será que há solução?

Sim, mas dependerá de muita luta. Buscar a ajuda de um cristão mais experiente é imprescindível. Todavia, por maiores que sejam nossos esforços contra este vício maldito, não seremos bem-sucedidos se não houver intimidade entre Deus e nós. Não adianta métodos paliativos, do tipo: Escrever a frase "Jesus te ama" no monitor do computador ou acima da tela da TV, ou ainda tatuar no pênis o nome "Jesus", como fez um rapaz; participar de sessões de quebra de maldição de pomba-gira; Programar o celular para avisar de meia em meia hora ao cristão que está na hora de ler dois minutos a Bíblia; ou então, depois de alimentar desse lixo espiritual, prostrar-se com o rosto no chão, sob a música da Aline Barros "Pai, tá difícil manter o camnho", ou o Nelson Ned cantando "Senhor, eu sei que tu me sondas". Uma evangélica me disse certa vez: "Eu sou dizimista! Não sei por que tenho problemas com sexo". O problema era a pornografia. Dar o dízimo, ou aumentar a oferta, não resolve nada. Nem repreender o mal depois do ato consumado.

Se Deus não for real para você e para mim, vamos sucumbir tantas vezes que seremos considerados por Deus como idólatras do sexo. Portanto, sugiro uma autoconfrontação com a Bíblia nas mãos. Reavalie se realmente Jesus faz sentido em seu viver. Converse com Deus com sinceridade. Se houver tal intimidade entre Deus e nós, naturalmente o Espírito Santo dEle agirá em nós, e não desejaremos magoar a Deus, e mesmo se acontecer, iremos nos arrepender, porque crente de verdade, salvo e remido na sangue de Jesus, cai mas se levanta. Que possamos amar a Deus e odiar o que é mau diante dEle (Salmo 97:10). - Fernando Galli.
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[1] DR. STREET, John D. Purificando o Coração da Idolatria Sexual. São Paulo. Nutra Publicações. 2009. Página 41.

sexta-feira, julho 29, 2011

A Igreja e a Pregação Expositiva

Por Robério Odair Basílio de Azevedo

Dentre as grandes crises que a igreja cristã contemporânea enfrenta talvez a mais séria esteja relacionada aos púlpitos das igrejas. Há uma grande multidão de famintos que freqüentam regularmente muitas igrejas, mas simplesmente não são saciados com a genuína Palavra de Deus pregada nos sermões semanais. De fato, muitos crentes verdadeiros têm demonstrado uma grande insatisfação com os pregadores modernos. Porém, apenas esse sentimento de insatisfação não é o suficiente. Uma igreja precisa orar e exigir que seus pastores ocupem seu tempo com o estudo, meditação, oração e preparação de sermões expositivos.

Mas, que tipo de pregação é essa, por que é tão importante, e, principalmente, que benefícios ela produz na igreja? Poderíamos definir como pregação expositiva aquela cujo objetivo é expor as verdades de Deus ensinadas em um texto específico da Bíblia e cujo tema, idéias principais, argumentação e aplicações são extraídas do próprio texto lido. Ou seja, ao invés de levar para um texto suas idéias, o pregador expõe fielmente o que o texto disse (primeira geração de ouvintes a quem o texto se dirigiu) e diz ao povo de Deus hoje.

Nesse tipo de pregação algumas características naturalmente serão evidenciadas. Primeiro, ela é essencialmente doutrinária, pois ainda que se baseie em um texto (ou textos!) utiliza outros textos da Bíblia para dar suporte à argumentação. Segundo, ela é cristológica, uma vez que o alvo da pregação é falar de Cristo, com Cristo e por Cristo. Jesus será o alvo da pregação, pois Ele é o “Autor e consumador da fé” (Hb 12:2) e o propósito de Deus é, através da pregação, nos tornar mais parecidos com Seu filho, Jesus Cristo. Terceiro, o pregador fala com autoridade, pois como embaixador divino não faz apenas um comentário do texto bíblico, ou simplesmente usa o texto como pretexto para dizer o que pensa, mas, diferentemente, expõe com fidelidade e autoridade a Bíblia para o povo de Deus. Ele compreende que quando a Palavra de Deus é pregada com fidelidade, Deus mesmo está falando ao seu povo, quer seja consolando-o, exortando-o, ensinando-o, ou educando-o na educação da Justiça (2Tm 3:16-17). Por último, ela é claramente experimental, pois não apenas o pregador busca em humildade viver o que prega, mas sabe que sua pregação será somente eficaz se os seus ouvintes forem afetados de forma prática pelas verdades ensinadas. Assim, diferente de uma homilia, sua pregação terá um caráter aplicatório, tanto para crentes como descrentes que o ouvem.

Obviamente esse tipo de pregação é importante porque a Palavra de Deus está sendo trazida com fidelidade a igreja. Por um lado, o pregador esconde-se atrás das Escrituras e decide nunca sair de lá durante seu ministério. Ele sabe que a pregação é nada mais, nada menos, do que a viva voz de Deus (viva vox Dei), e em lugar de entreter o público com estórias e piadas, o pregador sabe que seu papel não é pregar o que é popular, ou o que agrada ao povo, mas o que Deus ordena nas Escrituras. O grande imperativo bíblico, “Prega a palavra!” (2 Tm 4:2), reverbera em seu coração todas as vezes que ele se senta para preparar um sermão. Por outro lado, a igreja entende que a palavra pregada expositivamente é o único poder capaz de mudar vidas, uma vez que Deus mesmo está falando ao coração do seu povo e convertendo os ímpios através desse tipo de pregação. Os membros de uma igreja saudável se recusarão a comer palha, e o critério fundamental na escolha dos seus líderes será o de homens que manejam bem a palavra da verdade. Pois, se crêem que a Bíblia é a Palavra de Deus, estarão ansiosos para ouvi-la e dar-lhe a devida atenção.

Um resultado claro dessa centralidade da Palavra de Deus na igreja, sobretudo no púlpito, será o de produzir, em primeiro lugar, uma reavaliação do que significa ser uma “igreja saudável”. Igrejas enfermas são caracterizas por membresias onde a Palavra de Deus ocupa um lugar distante na vida e no culto dos seus membros. Por outro lado, a Bíblia é tida em alto estima em igrejas saudáveis, porque não somente lhes apresenta no que devem crer, mas, mais importante, em como devem crer. Doutrina e prática não serão duas realidades distantes, mas realidades inseparáveis na vida dos membros. Além disso, a pregação expositiva fornecerá o remédio certo para corrigir cada problema surgido no meio da igreja. Os membros apenas descobrirão a natureza, essência e características da verdadeira igreja e vida cristã através das próprias Escrituras. Igrejas enfermas, onde a pregação expositiva não é central, podem até ter aparência de igreja saudável, mas logo os sintomas da enfermidade se manifestarão (partidarismo, divisões, falta de testemunho de seus membros, etc.). De fato, igrejas enfermas podem até causar poucos problemas aos cristãos mais saudáveis que buscam um conhecimento bíblico por conta própria, mas causam um prejuízo terrível no crescimento e amadurecimento dos crentes mais novos e fracos. Pois, como pode haver crescimento, sem alimento? Como Lutero advertia seus ouvintes: “é dever dos pregadores e ouvintes, em primeiro lugar, e antes de qualquer coisa, atentar e ter plena certeza que sua doutrina vem realmente da verdadeira Palavra de Deus.”

quinta-feira, julho 28, 2011

Morre aos 90 anos o pastor britânico John Stott

O líder anglicano estava se sentindo mal nas últimas semanas e veio a falecer devido a complicações de saúde relacionadas a idade avançada, ele tinha 90 anos

O pastor britânico John Robert Walmsley Stott faleceu nesta quarta-feira, 27, às 3h15 da tarde em Londres, por complicações de saúde relacionadas à idade avançada, o pregador tinha 90 anos. De acordo com presidente da fundação que leva seu nome, Benjamin Homan, Scott estava sentindo muito desconforto ao longo das últimas semanas.

Homan disse que o pastor já vinha se preparando para sua morte nos últimos 15 anos. “Eu acho que ele foi um exemplo impecável para os líderes de ministérios de entregar as coisas para os outros líderes”, disse Homan.

John Scott foi um pastor anglicano que ficou conhecido como uma das maiores lideranças mundiais evangélicas. Ele também escreveu mais de 40 livros sobre o cristianismo, entre eles “Cristianismo Básico”, “Crer é Também Pensar”, ”Porque Sou Cristão” e outros. Este primeiro vendeu mais de 2 milhões de cópias e foi traduzido em mais de 60 línguas.

Billy Graham divulgou a seguinte declaração sobre o evangelista: “O mundo evangélico perdeu um de seus maiores porta-vozes e eu perdi um de meus amigos pessoais, estou ansioso para vê-lo novamente quando eu ir para o céu..”

Fonte: Gospel Prime
Com informações Christianity Today
Copiado de Notícias Gospel

quarta-feira, julho 27, 2011

Carta a um Jovem Pastor Reformado: Cuidado com a Maledicência

Alberto Costa

(A carta abaixo é para um personagem fictício – embora baseada em fatos muito comuns entre pastores e seminaristas nos dias de hoje).

Caro Simão,

Recebi o email em que você critica aquele famoso pregador britânico. Lá você disse que ele compromete a fé da reforma, por causa de uma mensagem que ele pregou há vários anos, em que, num dado momento, ele expressa sua posição sobre a liturgia cristã e o uso da música no culto público. Notei também que você não aprecia muito o modo como ele se veste e que o fato dele haver chamado aquele outro pregador, de tendências contemporanistas, para pregar em sua igreja faz dele, definitivamente, alguém que rompeu com a fé da reforma. Você o chama de neo-calvinista e diz que falta-lhe a solidez bíblica de homens como Calvino, Lutero, Owen, Baxter, Edwards, Hodge, Kuyper, entre outros. Diz que sua contribuição fica empalidecida por causa de algumas dessas posições suas e que, nossos pais no passado, contribuíram muito mais para o bem da ortodoxia cristã.

Bem meu irmão, visto que você me escreveu sobre o assunto – e como você tem usado as redes sociais como facebook, twitter e o blog para expressar suas críticas, senti a necessidade de orar a respeito de seus textos e preparar-lhe esta resposta. Peço até desculpas se você se sentir ofendido por algo, pois, como diz minha mulher, estou ficando um tanto rabugento com a idade.

Minha preocupação com assuntos como esses sendo tratados em listas de discussão na internet, em blogs, facebook e outras redes sociais não é, muitas vezes, com o mérito a respeito da contribuição desse ou daquele, pelo contrário. Preocupa-me mais o fato de termos um problema ético.

Sabe, na academia, talvez possamos dar-nos o direito de acusar de erro esse ou aquele autor, à distância – nesse caso, é exigido que oponhamos argumentos a pontos específicos e os documentemos e publiquemos para dar oportunidade à tréplica. Dizer que um argumento não convence implica, por honestidade intelectual, apresentar um argumento de melhor qualidade.

É o mínimo que devemos no ambiente externo à academia. Dizer "fulano está errado" ou "a contribuição desse ou daquele está sendo sobrevalorizada", sem oferecer uma discussão circunstanciada e embasada de pontos específicos, com o propósito de ensinar quem carece de ensino ou de corrigir quem carece de correção, não constitui um serviço prestado às igrejas, em geral, e aos discípulos, em particular, e fica muito próximo de "partidarismo e maledicência" (no ambiente acadêmico, os nomes seriam outros, com mais latim, ex isso, ex aquilo). E temos (eu também e não poucas vezes, no passado) feito isso amiúde.

Estou chamando a atenção para esse ponto, meu irmão, por dois motivos:

  • Protege-nos de nos deixarmos levar por tentações típicas não só (mas também e com muitas evidências) do movimento reformado: idealizar movimentos e autores do passado distante e desenvolver uma incapacidade notável de manter diálogo respeitoso com nossos contemporâneos e cooperação com aqueles mais próximos de nós. Motivo: é muito mais fácil ver os defeitos dos que estão mais próximos e achar que, em comparação, os antigos eram, na pior das hipóteses, um ideal buscável; duvido que fôssemos tão positivos assim em relação a Owen, ou Baxter, por exemplo, se fôssemos seus vizinhos de quarteirão ou se fôssemos pastores de alguma igreja na cidade vizinha à dele, na época dele;
  • Incentiva-nos a ser propositivos: em vez de ficarmos dizendo o que achamos uns dos outros deveríamos expor o nosso ponto, Bíblia aberta e exposta, de modo que pudéssemos ser julgados por tantos "bereanos" quantos haja em nosso meio, examinando as Escrituras para ver se não estamos "pisando na bola".

É algo bem comum lermos ou ouvirmos comentários que diminuem o valor desse ou daquele irmão (e até o acusam de erro) sem ser comum, frequente ou, mesmo, sem acontecer de jeito nenhum, uma exposição do ponto, com começo, meio e fim, que possa ser útil a quem está aprendendo. Um comentário como o que você fez a respeito daquele famoso pregador – e todos nós já fizemos em algum momento a respeito de alguém – não expõe o erro com argumento escriturístico, não ensina a verdade com argumento escriturístico, não constrói coisa alguma, exceto uma predisposição negativa a respeito de alguém que está, a duras penas, como todos nós, tentando realizar o ministério em meio a todo tipo de contradição, limitação intelectual, tentação e ambiente de luta espiritual. Se acusar aquele irmão pudesse edificar uma única congregação de 30 cristãos, eu mesmo poderia fazê-lo – e de bom grado. Mas, não sendo útil a ninguém, tudo o que resta é um certo gosto de, como eu disse antes, partidarismo e maledicência, no que temos nos tornado mestres, um hábito, não raro, contraído na academia – no seminário onde estudei, tínhamos,em meu tempo, uma praça com esse apelido: praça da maledicência.

O fato é que temos, com nossos comentários e teclados afiados, desenvolvido mais "impressões" e "predisposições" a respeito de pessoas com as quais nunca trocamos palavra, sem, com isso, acrescentar uma vírgula ao conhecimento de Cristo que temos e que têm os nossos irmãos.

Paulo se refere à repreensão que proferiu a Pedro, como exemplo no contexto de uma exposição trabalhosa do Evangelho, com o objetivo de edificar os gálatas. Nós, sem fazermos exposição de coisa alguma, damo-nos o direito de dizer que achamos que Pedro mais atrapalha que ajuda. Não se trata, então, de uma discussão teológica, mas de uma atitude ética que devemos rever.

Então, meu irmão, nesse ponto minha preocupação vai muito além da pessoal e teológica – é comunitária e tem a ver com conduta ética. Qualquer um pode discutir cessacionismo, milenismos, landmarquismo, confessionalismo, liturgismos, etc..Mas, o nosso desafio é edificar igrejas missionárias, qualificar santos para a obra do ministério em qualquer área da vida e fazer isso rápido (e não em décadas), preparar presbíteros (que raramente os temos em condições de ouvir o discurso de Atos 20:18-35). Com graça, paciência e iluminação vamos resolvendo as questões mais periféricas de nossas diferenças teológicas. Neste ponto, temos de saber em que eu concordo e como posso cooperar com o meus irmãos na reforma que há por fazer, e isso é mais importante do que afirmar que o Fulano ou Sicrano não contribui o suficiente com o calvinismo porque ele advoga esse ou aquele ponto com o qual não posso concordar, seja qual for.

Estou sendo honesto, irmão, e afirmando minha disposição de achar pontos comuns em vez de ficar discutindo a miríade de assuntos polêmicos dos quais gostamos de nos ocupar. E fazer o ministério em vez de ficar na retranca, cuidando para não levar gol.

Para você Simão, um grande e saudoso abraço. Espero revê-lo em breve.

P.S.: É curioso que o texto que você citou como alvo de suas críticas tem mais de 25 anos. Há 25 anos nem eu – e nem você e, quiçá, nem o pregador que você critica – cria em tudo que cremos agora; há 25 anos, eu achava, inclusive, que eu valia alguma coisa e sabia mais que meu pai. Uma esposa (bodas de pérola já completadas), três filhos e todos os pecados dos últimos 25 anos derrubaram a ilusão do machão aqui.

Fonte: Blog Fiel

quarta-feira, julho 20, 2011

Dinheiro e Possessões em Provérbios

Por Kevin DeYoung
Recebido por e-mail
Fonte: Editora Fiel

O livro de Provérbios é um ótimo ponto de partida para desenvolvermos uma teologia bíblica sobre possessões materiais. Para iniciantes, há muitos versículos sobre este assunto. E, o que é mais importante, há várias linhas diferentes de ensino sobre o assunto. Se você começasse por Gênesis, poderia concluir que Deus sempre faz seu povo prosperar. Se começasse por Amós, poderia pensar que todas as pessoas ricas são opressoras. Mas Provérbios examina riqueza e pobreza sob vários ângulos. E, porque Provérbios é um livro de máximas gerais, os princípios que encontramos nos provérbios são mais facilmente transferíveis ao povo de Deus em diferentes épocas e lugares.

Recentemente, num domingo à noite, dei à minha congregação dez princípios extraídos de Provérbios sobre dinheiro e possessões materiais. Não quero apresentar todo o sermão aqui, mas achei que valeria a pena alistar, pelo menos, os pontos principais. Talvez eu possa apresentar os detalhes posteriormente.

Darei os pontos em ordem de quanto o livro de Provérbios diz sobre um princípio específico. Essa maneira de apresentá-los terminará com os temas mais importantes.

Dez princípios sobre dinheiro e possessões extraídos de Provérbios

1. Há extremos de riqueza e pobreza que oferecem tentações singulares à que vivem nesses extremos (Pv 30.7-9).
2. Não se preocupe em acompanhar o estilo de vida de seus amigos e vizinhos (Pv 12.9; 13.7).
3. Os ricos e os pobres são mais semelhantes do que pensam (Pv 22.2; 29.13).
4. Você não pode dar mais do que Deus (Pv 3.9-10; 11.24; 22.9).
5. A pobreza não é agradável (Pv 10.15; 14.20; 19.4).
6. O dinheiro não lhe pode dar segurança final (Pv 11.7; 11.28; 13.8).
7. O Senhor odeia aqueles que ficam ricos por meio de injustiça (21.6; 22.16, 22-23).
8. O Senhor ama aqueles que são generosos para com o pobre (Pv 14.21, 31; 19.7; 28.21).
9. Trabalho árduo e boas decisões levam geralmente a maior prosperidade (Pv 6.6-11; 10.4; 13.11; 14.24; 21.17, 20; 22.4, 13; 27.23-27; 28.20).
10. O dinheiro não é tudo. Não satisfaz (Pv 23.4-5). É inferior à sabedoria (Pv 8.10-11, 18-19; 24.3-4). É inferior à justiça (Pv 10.2; 11.4; 13.25; 16.8; 19.22; 20.17; 28.6). É inferior ao temor do Senhor (Pv 15.16). É inferior à humildade (Pv 16.19). É inferior a bons relacionamentos (Pv 15.17; 17.1).

Chegando a conclusões delicadas e achando a Cristo

Você não pode entender o ponto de vista bíblico sobre o dinheiro se não está preparado para aceitar diversas verdades mantidas em tensão.

Você talvez obtenha mais dinheiro se trabalhar bastante e for cheio de sabedoria. Mas, se toda a sua preocupação é obter mais dinheiro, você é um grande insensato.

O dinheiro é uma bênção da parte de Deus, mas você será mais abençoado se o der.

Deus lhe dá dinheiro porque ele é generoso; mas ele é generoso com você para que você seja generoso com os outros. E, se você é generoso em dar seu dinheiro, Deus será, provavelmente, mais generoso com você.

É sábio economizar dinheiro, mas não pense que o dinheiro lhe dá verdadeira segurança.

Riqueza é mais desejável do que pobreza, mas a riqueza não é tão boa quanto justiça, humildade, sabedoria, bons relacionamentos e o temor do Senhor.

Em 1 Coríntios 1.30-31, lemos que Cristo é para nós, da parte de Deus, sabedoria, justiça, santificação e redenção, para que, como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor. O dinheiro não pode lhe dar qualquer das coisas que você necessita essencialmente. Não pode torná-lo santo. Não pode torná-lo justo. Não pode salvá-lo de seus pecados. A riqueza é um sinal de bênção, mas é também uma das maiores tentações porque seduz você a gloriar-se em si mesmo. O dinheiro promete ser a sua dignidade e promete torná-lo auto-suficiente. Ele o convida a gloriar-se em outras coisas ou em outras pessoas, exceto no Senhor.

Portanto, dinheiro é totalmente uma questão de fé. Creia que fazer coisas à maneira de Deus é o melhor caminho para você. Creia que, se você der seu dinheiro, Deus pode dá-lo de volta. Creia que o dinheiro pode ser bom. Mas não ouse crer que ele é tudo. O dinheiro é um dom de Deus, mas os dons de que você realmente precisa só podem ser achados em Deus.

terça-feira, julho 19, 2011

A Missão do Filho de Deus


Por T. Zambelli
Texto escrito para o boletim da Igreja Batista de Tambaú (João Pessoa-PB)

...O que se requer dos despenseiros é que cada um deles seja encontrado fiel (1Coríntios 4.2).

Conheço a Deus há pouco mais de 10 anos. Desde que fui agraciado por Deus e me tornei Seu filho, já ouvi e li renomados irmãos na fé sobre o propósito da vida. Supreendentemente, para alguns, vários deles respondem de forma diferente às perguntas: “Para que sou salvo?” “Qual a razão maior de eu ser filho de Deus?” “O que Deus espera de mim?” “Qual a missão do crente?”

Uma das respostas mais comuns que eu escuto é: “você vive para ser sal e luz, para proclamar o Reino de Deus e o Rei Jesus Cristo.” Concordo com esta resposta, de que devemos viver sendo sal e luz e espalhar o conhecimento de que o Reino já foi inaugurado e que o Rei deste eterno reino já providenciou um meio para que todo aquele que queira fazer parte, pela fé seja feito. Todavia, acredito que esta resposta não supri totalmente à questão do propósito. É verdade que devemos ser sal e luz, que devemos refletir a Jesus Cristo e levar esperança a todos os homens e mulheres do mundo, mas e quanto aos outros mandamentos de nosso Senhor? Por exemplo: buscai as coisas lá do alto (Cl 3.1). Pensai nas coisas lá do alto (Cl 3.2). São tão ordens quanto viver sendo sal e luz.

Outra resposta bastante comum é: “nós devemos glorificar e louvar a Deus.” Também concordo com esta resposta, mas acredito que ela seja maior do que o escopo que a resposta precisa. A Bíblia diz que todo homem e mulher foi criado para glorificá-lO (Is 43.7). Isso significa que não são somente os crentes que devem glorificá-lO, mas os incrédulos também. Claro, sabemos que estes últimos são incapazes de agradá-lO (Rm 8.8) e para que eles cumpram com este propósito, é necessário ter fé na pessoa e obra de Jesus Cristo; única forma.

O melhor local para realmente obtermos a verdadeira resposta é a Palavra de Deus. Quando Paulo escreveu à congreção de Corínto, ele mostrou qual era a expecttaiva de Deus quanto aos despenseiros (ou encarregados), que somos nós. Em resumo, ele disse: sejam fiéis! Este é o propósito de Deus para Seus filhos, a fidelidade.

A fidelidade a Deus nos levará a ser sal e luz para todos. Igualmente, nos conduzirá ao propósito pelo qual todo homem e mulher foram criados: glorificar a Deus. Ademais, se somos fiéis a Deus, também somos alguém que demonstra publicamente nosso amor por Ele (2Jo 1.6).

Se você quer viver debaixo do propósito pelo qual Deus lhe chamou, não tenha dúvidas quanto a sua responsabilidade em ser fiél a Ele, a sua primeira responsabilidade. “Para que sou salvo?” “Qual a razão maior de eu ser filho de Deus?” “O que Deus espera de mim?” “Qual a missão do crente?” Não tenha dúvidas, você é uma nova criatura para ser fiel ao Criador.

segunda-feira, julho 18, 2011

Simone Weil: fale coisas eternas...

Não sei se a autora desta frase reconheceu a Jesus como salvador. O fato é que, mesmo que ela não fosse crente no único Salvador, ela estava certa:

To be always relevant, you have to say things which are eternal.

(Tradução) Para ser sempre relevante, você tem de falar coisas que são eternas.

-- Simone Weil

quarta-feira, julho 06, 2011

Três expectativas para um líder cristão em 1 e 2 Timóteo (parte 4/5)

Por T. Zambelli

As exigências de Paulo a Timóteo

Paulo sabia que Timóteo caminhava na trilha de Deus e tinha potencial, talentos e dons, para se estabelecer na igreja como modelo, mestre e mentor. Não foi por menos que essas foram algumas das exigências do apóstolo ao seu filho na fé, com quem tem duas cartas de orientação canônicas.

Tais exigências vão além de Timóteo, fazendo-nos, leitores das cartas 2.000 anos depois, questionar se também não devemos acatar as exigências de Paulo às nossas vidas, com especial atenção àqueles que lideram ou desejam liderar. É a visão deste autor que nos atentemos ao texto e extraiamos o que deve ser observado pelo crente do século XXI sem que distorçamos a verdade do texto bíblico.

Fato é que há valores inegociáveis expressos diversas vezes nas cartas a Timóteo. Competência, caráter e compaixão são bons exemplos disso.

Expectativas de Paulo em relação à liderança cristã

Paulo compreendia que Timóteo era um jovem capaz de exercer a liderança cristã à semelhança de si mesmo. Paulo almejava que Timóteo desempenhasse papéis que são fundamentais para o crescimento da igreja. De uma forma semelhante, o escritor de tantas cartas neotestamentárias também deixa no texto sagrado suas expectativas para com as pessoas que exerceriam liderança no seio da igreja. Entre estas expectativas, reconhecidamente ele buscava crentes com competência, caráter e compaixão.

Competência

Uma pessoa competente, na prática, é alguém que desempenha algum encargo com excelentes eficiência e eficácia. No campo das ideias, é alguém altamente conhecedor de um assunto. Em várias passagens, Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, mostra que um bom líder deve buscar ser sempre competente.

Todo líder deve ter características básicas para exercer tal posição. Ter a disposição de hospedar, aptidão para ensinar e administração familiar são fundamentais (1Tm 3.2,4) para aquele que almeja o episcopado (1Tm 3.1). Todas essas são características visíveis para que a igreja perceba se a pessoa tem condições, ou seja, competência para o cargo que deseja. Não obstante, o candidato não deve ser recém-convertido (1Tm 3.6), sendo antes experimentado (1Tm 3.10). A razão é clara e expressa no texto bíblico: para que não se ensoberbeça e caia na mesma condenação em que caiu o Diabo (1Tm 3.6).

São várias as passagens que o escritor foca as competências do ensino, ordem e exortação: ordene e ensine estas coisas (1Tm 4.11); dedique-se à leitura pública da Escritura, à exortação e ao ensino (1Tm 4.13); Dê-lhes estas ordens, para que sejam irrepreensíveis (1Tm 5.7); Ensine e recomende essas coisas (1Tm 6.2); Ordene... Ordene-lhes... (1Tm 6.17-18); Pregue a palavra, esteja preparado a tempo e fora de tempo, repreenda, corrija, exorte com toda a paciência e doutrina (2Tm 4.2); roguei-lhe que permanecesse em Éfeso para ordenar a certas pessoas... (1Tm 1.3); obreiro que não tem do que se envergonhar e que maneja corretamente a palavra da verdade (2Tm 2.15). Todo líder deve saber ensinar, repreender e dar ordens sempre que necessário. Estas são características inegociáveis para liderar os filhos de Deus à santidade.

O ensino de um bom líder não tem conteúdo qualquer. Seja diligente nessas coisas; dedique-se inteiramente a elas, para que todos vejam o seu progresso. Atente bem para a sua própria vida e para a doutrina, perseverando nesses deveres, pois, agindo assim, você salvará tanto a si mesmo quanto aos que o ouvem (1Tm 4.15,16). O próprio ensino está intrínseco à vida do pregador, que guarda a sã doutrina imaculada em seu coração, mas também a confia a homens que saberão igualmente compartilhá-las: Guarde este mandamento imaculado e irrepreensível, até a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo (1Tm 6.14); Timóteo, guarde o que lhe foi confiado (1Tm 6.20); E as palavras que me ouviu dizer na presença de muitas testemunhas, confie-as a homens fiéis que sejam também capazes de ensinar outros (2Tm 2.2); Quanto a você, porém, permaneça nas coisas que aprendeu e das quais tem convicção, pois você sabe de quem o aprendeu (2Tm 3.14).

Paulo combateu o bom combate (2Tm 4.7) e diz para Timóteo fazer o mesmo: Timóteo, meu filho, dou-lhe esta instrução, segundo as profecias já proferidas a seu respeito, para que, seguindo-as, você combata o bom combate (1Tm 1.18); Combata o bom combate da fé (1Tm 6.12). Na realidade, todo cristão que zela por este título (cristão) e especialmente por esta função (líder), deve estar ciente da batalha e preparado para a guerra que tem como cabeça e vencedor Jesus Cristo. Nesta peleja todo crente deve buscar a justiça, a piedade, a fé, o amor, a perseverança e a mansidão (1Tm 6.11). Essa busca é mais uma competência do homem, devendo ser ela notória na vida dos líderes.

A busca também deve ser por conhecimento: Saiba disto: nos últimos dias sobrevirão tempos terríveis (2Tm 3.1). Sem a informação que a Palavra de Deus dá, haverá pouca eficiência tanto no ensino, como no proceder do líder. No caso, não haverá reconhecimento do tempo de Deus e o proceder do homem que em nada é capaz de agradar a Deus (Rm 3.11-12). Ademais, como ele será capaz de exortar seus irmãos na fé se não poderá distinguir entre o certo e errado que a Palavra de Deus revela? Não pode haver negligência nos estudos, tampouco no dom ou dons que Deus dá àqueles que são dEle: Não negligencie o dom que lhe foi dado por mensagem profética com imposição de mãos dos presbíteros (1Tm 4.14).

Em suma, tudo que for da alçada do cristão, que seja feito (Ec 9.10). Deus sem dúvida tem uma direção específica para cada um de seus filhos. Se assim não fosse, não seríamos diferentes membros no Corpo. 2Timóteo 4.5 conclui a competência que um cristão deve exercer: Você, porém, seja moderado em tudo, suporte os sofrimentos, faça a obra de um evangelista, cumpra plenamente o seu ministério.

Caráter

A bíblia portuguesa traduz δοκιμὴν algumas vezes como “caráter aprovado” (cf. Fp 2.22-ARA; Rm 4.5-NVI). O dicionário da Bíblia Almeida diz que caráter é o “conjunto de qualidades boas.” Segundo o dicionário Webster, caráter “é as qualidades peculiares, impressas por natureza ou hábito em uma pessoa.” O caráter de uma pessoa torna-se visível por suas corriqueiras ações, especialmente aquelas tomadas sobre estresse. Se o dicionário Webster estiver certo quanto ao caráter ser algo da natureza, podemos concluir que sem a mão de Deus no processo de edificação ele dificilmente pode ser mudado.

Entretanto Deus quer que tenhamos o caráter dEle e Paulo, através de seus inspirados escritos nos mostra muitas vezes o que Ele espera e contribui em nós.

Reconhecer a própria identidade é o primeiro passo para o agir de Deus na transformação do caráter. Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o pior (1Tm 1.15). Se não nos vemos como agentes passíveis de pecado, mesmo que já justificados, acabamo-nos por desperdiçar bênçãos e motivos para orar e desfrutar da comunhão com Deus.

O crente deve ser aprovado por Deus: Procure apresentar-se a Deus aprovado (2Tm 2.15). O líder tem que preencher certos requisitos de caráter para desempenhar a função de liderança: É necessário, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma só mulher, moderado, sensato, respeitável, não deve ser apegado ao vinho, nem violento, mas sim amável, pacífico e não apegado ao dinheiro. Também deve ter boa reputação perante os de fora, para que não caia em descrédito nem na cilada do Diabo (1Tm 3.2,3,7). A diaconia, que também exerce liderança na igreja, não deve ser nem mais nem menos santa do que os bispos ou presbíteros: Os diáconos igualmente devem ser dignos, homens de palavra, não amigos de muito vinho nem de lucros desonestos. Devem apegar-se ao mistério da fé com a consciência limpa (1Tm 3.8-9). Tal exigência de caráter não se restringe ao homem, mas é também especificada em alguns detalhes à mulher: As mulheres igualmente sejam dignas, não caluniadoras, mas sóbrias e confiáveis em tudo (1Tm 3.11). Suas vestimentas são levadas em conta: da mesma forma, quero que as mulheres se vistam modestamente, com decência e discrição, não se adornando com tranças e com ouro, nem com pérolas ou com roupas caras (1Tm 2.9). Sua compreensão no papel de mulher e esposa também reflete seu caráter, que não deve ser machista, tampouco feminista: A mulher deve aprender em silêncio, com toda a sujeição (1Tm 2.11). Num culto público ela deve reconhecer seu lugar e importância: Não permito que a mulher ensine, nem que tenha autoridade sobre o homem. Esteja, porém, em silêncio (1Tm 2.12).

Um crente de (bom) caráter sabe que brigar não é uma opção: Ao servo do Senhor não convém brigar mas, sim, ser amável para com todos, apto para ensinar, paciente (2Tm 2.24). Isso não torna o crente um covarde, pois Deus não nos deu espírito de covardia, mas de poder, de amor e de equilíbrio (2Tm 1.7), tampouco parcial, como quem a si próprio se beneficia: procure observar essas instruções sem parcialidade; e não faça nada por favoritismo (1Tm 5.21). Ele sempre se destacará como um exemplo em áreas relevantes dentro do Reino de Deus: Ninguém o despreze pelo fato de você ser jovem, mas seja um exemplo para os fiéis na palavra, no procedimento, no amor, na fé e na pureza (1Tm 4.12). Ao mesmo tempo que ele se afasta da imoralidade, ele se aproxima do Ser moral.

O caráter de alguém que busca a Deus demonstra respeito aos chefes, todos os que estão sob o jugo da escravidão devem considerar seus senhores como dignos de todo o respeito (1Tm 6.1) e suporta os mais variados sofrimentos em detrimento do rei Jesus: Suporte comigo os meus sofrimentos, como bom soldado de Cristo Jesus (2Tm 2.3). Gratidão transborda no coração de uma pessoa de (bom) caráter: tendo o que comer e com que vestir-nos, estejamos com isso satisfeitos (1Tm 6.8), mesmo quando aos olhos de muitos ele parece miserável.

Enfim, tais homens de caráter são dignos de levantar suas mãos aos céus e dizer a Deus: “estou limpo.” Eles oram por seus adversários e se preocupam com a condição de seus corações: Quero, pois, que os homens orem em todo lugar, levantando mãos santas, sem ira e sem discussões (1Tm 2.8). As próprias palavras de Paulo concluem a utilidade e necessidade de uma condição pura perante Deus e os homens, num reino onde, enquanto aqui na terra, há cidadãos celestes de bom e mau caráter: Numa grande casa há vasos não apenas de ouro e prata, mas também de madeira e barro; alguns para fins honrosos, outros para fins desonrosos. Se alguém se purificar dessas coisas, será vaso para honra, santificado, útil para o Senhor e preparado para toda boa obra (2Tm 2.20-21).

Compaixão

Ninguém nunca teve mais compaixão que o próprio Cristo. Tendo Jesus como alvo inequívoco, Paulo também sugere que todos os crentes sejam compassivos e apresentem misericórdia, mesmo quando diante, por exemplo, de instruções exortativas: o objetivo desta instrução é o amor que procede de um coração puro, de uma boa consciência e de uma fé sincera (1Tm 1.4).

Ser misericordioso, ou demonstrar compaixão é, à priori, refletir a misericórdia do próprio Deus que por razões exclusivas de Sua parte, escolheu-nos à vida eterna: Mas por isso mesmo alcancei misericórdia, para que em mim, o pior dos pecadores, Cristo Jesus demonstrasse toda a grandeza da sua paciência, usando-me como um exemplo para aqueles que nele haveriam de crer para a vida eterna (1Tm 1.16). A escolha divina não nos libertou de dificuldades na terra, mas nos garantiu que quando vivêssemos piedosamente seríamos perseguidos: fato, todos os que desejam viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos (2Tm 3.12). Todo crente deve orar por toda gente, isso significa os parentes, amigos, adversário, chefes e reis! Antes de tudo, recomendo que se façam súplicas, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens (1Tm 2.1).

A compaixão que Deus espera do crente, especialmente do líder cristão, também reflete no zelo pelo idoso, não repreenda asperamente o homem idoso, mas exorte-o como se ele fosse seu pai; trate os jovens como a irmãos (1Tm 4.1) e pureza pelas idosas e moças, as mulheres idosas, como a mães; e as moças, como a irmãs, com toda a pureza (1Tm 4.2). As viúvas que tem real necessidade não podem ser negligenciadas e neste quesito, Paulo chama à atenção das mulheres: Se alguma mulher crente tem viúvas em sua família, deve ajudá-las (1Tm 5.16); Trate adequadamente as viúvas que são realmente necessitadas (1Tm 4.3).

A falta de compaixão aos próprios familiares é visto como algo pior que a apostasia, tamanha falta que é: Se alguém não cuida de seus parentes, e especialmente dos de sua própria família, negou a fé e é pior que um descrente (1Tm 5.8). Um coração insensato à necessidade humana alheia desqualifica a fé do cristão e por consequência, prejudica o ministério da Igreja em proclamar as virtudes do Reino de Jesus Cristo.

sexta-feira, julho 01, 2011

Três expectativas para um líder cristão em 1 e 2 Timóteo (parte 3/5)

Por T. Zambelli

Paulo como mentor

Segundo o dicionário virtual Dicio, Mentor é um “autor intelectual; responsável pela idealização ou pelo planejamento de alguma coisa, para cuja execução influencia o comportamento de outrem.” Paulo sem dúvida foi alguém notório na arte do mentoreamento.

Paulo e Barnabé formavam uma dupla digna de muito elogio. Eles trabalharam juntos e foram capazes de conduzir muitas pessoas ao conhecimento do Messias. Lucas, autor de Atos, escreveu: durante um ano inteiro Barnabé e Saulo se reuniram com a igreja e ensinaram a muitos (At 11.25). Os dois comissionados, Paulo e Barnabé, também indicaram crentes aptos à liderança em várias igrejas: Paulo e Barnabé designaram-lhes presbíteros em cada igreja; tendo orado e jejuado, eles os encomendaram ao Senhor, em quem haviam confiado (At 14.23). Depois da separação de Marcos no time missionário, Paulo era reconhecidamente o líder da equipe, visto a forma como Lucas descreve a equipe: Paulo e seus companheiros... (At 13.13). Como líder e companheiro de equipe, Paulo possivelmente foi um ótimo mentor a Barnabé, que inclusive exortou este último quando necessário: os demais judeus também se uniram a ele nessa hipocrisia, de modo que até Barnabé se deixou levar (Gl 2.13).

Barnabé foi apenas uma das várias pessoas mentoreadas por Paulo. São muitos os nomes que Paulo cita em algumas de suas cartas, possivelmente vários deles tiveram o privilégio de ser influenciados pelo grande mentor Paulo: Epêneto, Maria, Andrônico, Júnias, Amplíato, Urbano, Estáquis, Herodião, Narciso, Trifena, Trifosa, Rufo, Filólogo, Júlia, Nereu e muitos outros. Estes são exemplos somente da carta aos romanos (cap. 16).

Timóteo indubitavelmente foi mentoreado por Paulo. Ele trilhou juntamente do apóstolo por muitos lugares e pôde observar muito bem o proceder do mentor. Paulo, quando reconheceu que Timóteo estava pronto, enviou-o para que o jovem fosse mestre na igreja de Corinto: Por essa razão estou lhes enviando Timóteo, meu filho amado e fiel no Senhor, o qual lhes trará à lembrança a minha maneira de viver em Cristo Jesus, de acordo com o que eu ensino por toda parte, em todas as igrejas (1Co 4.17). Mas Paulo não queria que Timóteo fosse apenas mestre.

Timóteo como mentor

A segunda epístola de Paulo a Timóteo nos dá indícios de que o apóstolo sabia que sua vida estava próxima do final (cf. 2Tm 4.6). Ele não podia deixar nada fora de sua carta que não fosse extremamente importante ao jovem mestre Timóteo, mas que antes ainda, fosse extremamente importante à Igreja: E as palavras que me ouviu dizer na presença de muitas testemunhas, confie-as a homens fiéis que sejam também capazes de ensinar outros (2Tm 2.2)

O depósito (παραθήκην) que Paulo havia somente dito para Timóteo antes guardar (cf. 1Tm 6.20; 2Tm 1.14), agora ele pede para confiar (παράθου) a homens fiéis (πιστοῖς ἀνθρώποις), pessoas capazes (ἱκανοὶ) de também continuar o ciclo de ensinar a outros. Sobre estes homens fiéis, John Gill disse:
“tais não apenas receberam a graça de Deus e são simplesmente verdadeiros crentes em Cristo, mas são homens de grande retidão e integridade, que em posse da Palavra de Deus, falarão corajosa e fielmente, não retendo nada que os impeça de lucrar, mas declara todo o aconselhamento de Deus, sem qualquer mistura nem adultério. ”

É notório que Paulo especifica muito bem o público para o qual Timóteo deveria confiar (transmitir na ARA) o que havia ouvido de seu mentor. O crescimento saudável da igreja também depende disso e Paulo reconhecia que Timóteo tinha as virtudes de um mentor.