terça-feira, fevereiro 28, 2012

Salmo 28 - Um Tratamento Especial

Por Thomas Tronco

Há alguns anos, testemunhei o início da carreira de um político que tinha uma história de luta contra as dificuldades da vida. Em suas primeiras semanas de mandato, flagrei-o carregando arquivos pesados em um posto de saúde e fazendo serviço braçal nas ruas da cidade, de enxada na mão, com a intenção de servir à população – apesar de esses trabalhos serem de responsabilidade dos funcionários da prefeitura e não dele. O fato é que, mesmo inexperiente na vida política, aquele homem, simples no falar e no agir, realmente queria fazer jus ao cargo para o qual foi eleito.

Não somente as responsabilidades eram novidades para esse político, mas, também, as prerrogativas. Ele se apresentava em todos os lugares como detentor de um cargo eletivo a fim de ser admirado pelos outros ou tratado com certa deferência. Certa vez, quando alertado por um motorista sobre a possibilidade de ser multado caso fosse pego por um policial sem usar o cinto de segurança do veículo, ele respondeu que não havia problema, pois bastava mostrar sua carteirinha de político para que o agente da lei desistisse de qualquer tipo de punição – o que popularmente chamamos de “carteirada”. É claro que seu cargo não era tão alto assim, de modo que o desejo desse tipo de tratamento diferenciado, principalmente ao infringir a lei, me pareceu até risível.

Houve outro detentor de um cargo administrativo que pediu um tratamento diferenciado e o obteve. Fora eleito por Deus para o cargo de rei da nação israelita. Ele, o rei Davi, é o autor do Salmo 28, no qual clama a Deus para ser tratado de um modo peculiar em relação a outro grupo de pessoas. Contudo, ele não pede para receber vantagens em detrimento dos pobres e necessitados. Ele, que possivelmente corria o risco de morrer na mão dos inimigos (vv.1,2), clama a fim de ser tratado de forma diferente daquela que Deus trata os perversos. Ele quer ser alvo da graça e da misericórdia do Senhor, enquanto os ímpios são punidos com justiça. Para tanto, ele apresenta a Deus três modos de agir dos perversos que não eram compartilhados por ele, motivo pelo qual solicita, em humildade, um tratamento diferente.

segunda-feira, fevereiro 27, 2012

C. S. Lewis: quando um homem se torna melhor, quando um homem se torna pior



Quando um homem se torna melhor, compreende cada vez mais claramente o mal que ainda existe em si. Quando um homem se torna pior, percebe cada vez menos a sua própria maldade.

-- C. S. Lewis

domingo, fevereiro 26, 2012

Fanáticos ou Defensores da Verdade?

Por John Kennedy

Em tempos como o nosso é fácil alguém parecer fanático, se mantém uma firme convicção sobre a verdade e quando se mostra cuidadoso em ter certeza de que sua esperança procede do céu. Nenhum crente pode ser fiel e verdadeiro nesses dias, sem que o mundo lhe atribua a alcunha de fanático. Mas o crente deve suportar esse título. É uma marca de honra, embora a sua intenção seja envergonhar. É um nome que comprova estar o crente vinculado ao grupo de pessoas das quais o mundo não era digno, mas que, enfrentando a ignomínia por parte do mundo, fizeram mais em benefício deste do que todos aqueles que viviam ao seu redor. O mundo sempre sofre por causa dos homens que honra. Os homens que trazem misericórdia ao mundo são os que ele odeia.

Sim! Os antigos reformadores eram homens fanáticos em sua época. E foi bom para o mundo eles terem sido assim. Estavam dispostos a morrer, mas não comprometeriam a verdade. Submeter-se-iam a tudo por motivo de consciência, mas em nada se sujeitariam aos déspotas. Sofreriam e morreriam, mas temiam o pecado. Esse fanatismo trouxe liberdade para a sua própria terra natal, como bem demonstra o exemplo dos reformadores escoceses. O legado deixado por esses homens . cujo lar eram as cavernas na montanha e cuja única mortalha era a neve, que com freqüência envolvia seus corpos quando morriam por Cristo . é uma dádiva mais preciosa do que todas as oferecidas por reis que ocuparam o trono de seus países ou por todos os nobres e burgueses que possuíam suas terras. Sim, eles eram realmente fanáticos, na opinião dos zombadores cépticos e perseguidores cruéis; e toda a lenha com a qual estes poderiam atear fogueiras não seria capaz de queimar o fanatismo desses homens de fé.

Foram esses implacáveis fanáticos, de acordo com a estimativa do mundo, que encabeçaram a cruzada contra o anticristo, quando na época da Reforma desceu fogo do céu e acendeu em seus corações o amor pela verdade. Esses homens, através de sua inabalável determinação, motivados por fé viva, venceram em épocas de severas provações, durante as quais eles ergueram sua bandeira em nome de Cristo. Um lamurioso Melanchthon teria barganhado o evangelho em troca de paz. A resoluta coragem de um Lutero foi necessária para evitar esse sacrifício. Em todas as épocas, desde o início da igreja, quando a causa da verdade emergiu triunfante sobre o alarido e a poeira da controvérsia, a vitória foi conquistada por um grupo de fanáticos que se comprometeram solenemente na defesa dessa causa.

Existe hoje a carência de homens que o mundo chame de .fanáticos.. Homens que possuem pulso fraco e amor menos intenso pouco farão em benefício da causa da verdade e dos melhores interesses da humanidade. Eles negociarão até sua esperança quanto à vida por vir em troca da honra proveniente dos homens e da tranqüilidade resultante do comprometimento do evangelho. Há muitos homens assim em nossos dias, mesmo nas igrejas evangélicas e na linha de frente do evangelicalismo; homens que se gloriam de uma caridade indiscriminada em suas considerações, de um sentimento que rejeita o padrão que a verdade impõe; homens que aprenderam do mundo a zombar de toda a seriedade, a queixarem- se da escrupulosidade de consciência e a escarnecer de um cristianismo que se mantém através da comunhão com os céus! Esses têm os seus seguidores. Um amplo movimento emergiu afastado do cristianismo vital, de crenças fixas e de um viver santo. As igrejas estão sendo arrastadas nessa corrente. Aproxima- se rapidamente o tempo em que as únicas alternativas serão ou a fé viva ou o cepticismo declarado.

Uma violenta maré se abate sobre nós nessa crise, e poucos mostram-se zelosos em resistir. Não podemos prever qual será o resultado nas igrejas, nas comunidades e nos indivíduos, tampouco somos capazes de tentar conjeturá-lo sem manifestar sentimentos de tristeza. Contudo, uma vitória segura é o destino da causa da verdade. E, até que chegue a hora de seu triunfo, aqueles que atrelaram seus interesses à carruagem do evangelho perceber ão que fazem parte de um grupo que está diminuindo, enquanto avançam até àquele dia; seu sentimento de solidão se aprofundará, enquanto seus velhos amigos declinarão à negligência, a indiferença se converterá em zombaria, e as lamúrias se transformar ão em amarga inimizade. Eles levarão adiante a causa da verdade somente em meio aos escárnios dos incrédulos e às flechas dos perseguidores.

Mas nenhum daqueles que amam a verdade . aqueles cujos olhos sempre descansaram na esperança do evangelho . deve acovardado fugir das provações. Perecer lutando pela causa da verdade significa ser exaltado no reino da glória. Ser massacrado até à morte, pelos movimentos de perseguição, significa abrir a porta da prisão, para que o espírito redimido passe da escravidão ao trono. Em sua mais triste hora, aquele que sofre por causa da verdade não deve recusar a alegria que os lampejos da mensagem profética trazem ao seu coração, quando brilham através das nuvens de provação. O seu Rei triunfará em sua causa na terra e seus amigos compartilharão da glória dEle. Todas as nações sujeitar-se-ão ao seu domínio. As velhas fortalezas de incredulidade serão aniquiladas até ao pó. A iniqüidade esconderá sua face envergonhada. A verdade, revelada dos céus, receberá aceitação universal e será gloriosa no resplendor de seu bendito triunfo aos olhos de todos.


sábado, fevereiro 25, 2012

A integridade do evangelho: uma avaliação do neopentecostalismo


Por Alderi Souza de Matos 

Elas ocupam um enorme espaço na televisão aberta, chegando a milhões de lares brasileiros todos os dias. As três mais conhecidas e salientes têm nomes parecidos — Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja Internacional da Graça de Deus e Igreja Mundial do Poder de Deus. Esses nomes apontam para objetivos ousados e ambiciosos. Seus líderes máximos adotam, respectivamente, os títulos de bispo, missionário e apóstolo. Elas são o fenômeno mais recente, intrigante e explosivo do “protestantismo” tupiniquim. Trata-se das igrejas neopentecostais, denominadas por alguns estudiosos “pentecostalismo autônomo”, em virtude de seus contrastes com os grupos mais antigos desse movimento.

É difícil categorizá-las adequadamente, não só por serem ainda recentes, mas porque, ao lado de alguns traços comuns, também apresentam diferenças significativas entre si. A Igreja Mundial investe fortemente na cura divina. Seu apóstolo garante que ninguém realiza mais milagres do que ele. Seu estilo é personalista e carismático. Caminha no meio dos fiéis, deixa que as pessoas recolham o suor do seu rosto para fins terapêuticos, às vezes é ríspido com os auxiliares. O missionário da Igreja Internacional é simpático e bonachão; parece um pastor à moda antiga. É também polivalente: prega, canta, conta piadas, anuncia produtos e serviços. Controla com rédea curta o seu pequeno império. Todavia, nenhuma dessas igrejas vai tão longe na ruptura de paradigmas quanto a IURD. Dependendo do ângulo de análise, parece protestante ou católica. Seu carro-chefe é a teologia da prosperidade. Defende sem pejo a ética da sociedade de consumo. Seu líder está entrando na lista dos homens mais ricos do país.

Desde o início, o cristianismo tem exibido uma grande variedade de manifestações, algumas bastante inusitadas. Foi o caso do gnosticismo e do marcionismo nos primeiros séculos, das seitas apocalípticas na Idade Média e de alguns grupos resultantes dos reavivamentos nos Estados Unidos do século 19. Porém, nenhum movimento tem sido tão pródigo em termos de quantidade e diversidade de ramificações quanto o pentecostalismo contemporâneo. No atual ambiente pluralista e inclusivista, muitos observadores vêem nessa multiplicidade um sinal de vitalidade, de dinamismo. Todavia, há sinais preocupantes nos ensinos e práticas de certos grupos. Na célebre Confissão de Fé de Westminster (1647), os puritanos ingleses colocaram a questão em termos de diferentes graus de pureza das igrejas cristãs — cap. 25.4,5 (igrejas mais puras e menos puras). Uma avaliação simpática e honesta das igrejas neopentecostais aponta para alguns aspectos que precisam ser reconsiderados a fim de que elas se tornem genuínos instrumentos do evangelho de Cristo.

O problema hermenêutico

Uma grave deficiência dessas novas igrejas está na maneira como interpretam a Bíblia. Os reformadores protestantes insistiram no valioso, porém arriscado, princípio do “livre exame das Escrituras”, ou seja, de que todo cristão tem o direito e o dever de ler e estudar por si mesmo a Palavra de Deus. Acontece que muitos viram nisso uma licença para a livre interpretação do texto sagrado, o que nunca esteve na mente dos líderes da Reforma. Eles lutaram contra uma abordagem individualista e tendenciosa da Escritura, insistindo na adoção de princípios equilibrados de interpretação que levavam em conta o sentido literal e gramatical do texto, a intenção original do autor, o contexto histórico das passagens e também a tradição exegética da igreja. Por essas razões, eles rejeitaram o antigo método de interpretação alegórica, isto é, a busca de sentidos múltiplos na Escritura, por entenderam que ela obscurecia e distorcia a mensagem bíblica.

Em muitas igrejas neopentecostais nada disso é levado em consideração. A Bíblia se torna um joguete, uma peteca lançada para lá e para cá ao sabor das conveniências. Tomam-se diferentes declarações, episódios e símbolos bíblicos e, sem esforço algum de interpretação, passa-se diretamente para a aplicação, muitas vezes de uma maneira que nada tem a ver com o propósito original da passagem. O que é ainda mais grave, os textos bíblicos são usados de modo mágico, como se fossem amuletos ou talismãs, como se tivessem um poder imanente e intrínseco. A Bíblia é encarada prioritariamente como um livro de promessas, de bênçãos, de fórmulas para a solução de problemas, e não como a revelação especial na qual Deus mostra como as pessoas devem conhecê-lo, relacionar-se com ele e glorificá-lo.

Uma nova linguagem

Na sua releitura da Bíblia, os neopentecostais por vezes criam uma nova terminologia, muito diferente dos conceitos bíblicos tradicionais. Privilegiam-se expressões como “exigir nossos direitos”, “manifestar a fé”, “declarar a bênção”, todos os quais apontam para uma espiritualidade antropocêntrica, ou seja, voltada para as necessidades, desejos e ambições dos seres humanos, e não para a vontade e a glória de Deus. Alguns dos temas bíblicos mais profundos e solenes redescobertos pelos reformadores do século 16 são quase que inteiramente esquecidos. Não mais se fala em pecado, reconciliação, justificação pela fé, santificação, obediência. O evangelho corre o risco de ficar diluído em uma nova modalidade de auto-ajuda psicológica, deixando de ser “o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê”.

O conceito de fé talvez seja aquele que esteja sofrendo as maiores distorções. No discurso de muitas igrejas do pentecostalismo autônomo, a fé se torna uma espécie de poder ou varinha de condão que as pessoas utilizam para obter as bênçãos que desejam. Deus fica essencialmente passivo até que seja acionado pela fé do indivíduo. É verdade que Jesus usou uma linguagem que aparentemente aponta nessa direção (“tudo é possível ao que crê”, “vai, a tua fé te salvou”). Mas o conceito bíblico de fé é muito mais amplo, a ênfase principal estando voltada para um relacionamento especial entre o crente e Deus. Ter fé significa acima de tudo confiar em Deus, depender dele, buscar a sua presença, aceitar como verdadeiras as declarações da sua Palavra. O objeto maior da fé não são coisas, mas uma pessoa — o Deus trino.

Fundamento questionável

A teologia da prosperidade, que serve de base para boa parte da pregação e das práticas neopentecostais, é uma das mais graves distorções do evangelho já vistas na história cristã. Essa abordagem teve início nos Estados Unidos há várias décadas, sob o nome de “health and wealth gospel”, ou seja, evangelho da saúde e da riqueza. No neopentecostalismo, essa se torna a principal chave hermenêutica das Escrituras. Tudo passa a ser visto dessa perspectiva reducionista acerca do relacionamento entre Deus e os seres humanos. O raciocínio é que Cristo, através da sua obra na cruz, veio trazer solução para todos os tipos de problemas humanos. Na prática, acaba se dando maior prioridade às carências materiais e emocionais, em detrimento das morais e espirituais, muito mais importantes.

Tradicionalmente, as maiores bênçãos que o homem podia receber de Deus incluíam o perdão dos pecados, a reconciliação, a paz interior e, num sentido mais amplo, a salvação. Dentro da nova perspectiva teológica, as coisas mais importantes que Deus tem a oferecer são um bom emprego, estabilidade financeira, uma vida confortável, felicidade no amor e coisas do gênero. É uma nova versão da tese do sociólogo alemão Max Weber, segundo o qual os calvinistas buscavam no sucesso econômico a evidência da sua eleição. Os problemas da teologia da prosperidade são diversos: (a) falta de suporte bíblico — a Escritura aponta na direção oposta, mostrando a armadilha em que caem os que se preocupam com as riquezas; (b) empobrecimento da relação com Deus, concebida em termos interesseiros e mercantilistas; (c) incentivo a atitudes de individualismo, egocentrismo e falta de solidariedade; (d) tendência para a alienação quanto aos problemas da sociedade.

Conclusão

O neopentecostalismo representa um grande desafio para as igrejas históricas e mesmo para as pentecostais clássicas. Esse movimento tem encontrado novas formas de atrair as massas que não estão sendo alcançadas pelas igrejas mais antigas. Nem todos os grupos padecem dos males apontados atrás. Muitas igrejas neopentecostais são modestas, evangelizam com autenticidade e não se rendem à tentação dos resultados rápidos, dos projetos megalomaníacos e dos métodos incompatíveis com o evangelho. O grande problema está nas megaigrejas e seus líderes centralizadores, ávidos de fama, poder e dinheiro. Estes precisam arrepender-se e voltar às prioridades da mensagem cristã, buscando em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça, para que então as demais coisas lhes sejam acrescentadas.

Fonte: Ultimato

quarta-feira, fevereiro 22, 2012

Palavras de paixão: uma necessidade da vida conjugal

Por T. Zambelli

Quando entro em grandes livrarias percebo que não falta livro que o foco do conteúdo seja sobre comunicação. Existem várias subcategorias desta área. No que envolve dinheiro temos marketing, publicidade, comércio, pequenos e grandes negócios ou empresas, etc; no que envolve línguas temos cursos de libra, braille, línguas estrangeiras, cursos que demandam 30 dias, até gramáticas de línguas extintas; no que tange a família, vemos livros para namorados, noivos, pais, filhos, netos, primos, avós e especialmente cônjuges.

Apesar da grande quantidade de informações à disposição de todos, a comunicação ainda é uma grande barreira a ser superada em diversas áreas, em especial eu destaco a conjugal. Apesar de pouco tempo de casado, seis anos, tenho notado através de experiências pessoais e interpessoais, bem como através de muita leitura, que a comunicação ainda é um assunto muito delicado e pouco bem vivenciado por grande parte das pessoas, especialmente as jovens. Uma mal comunicação reflete em negligência na educação dos filhos, na administração das finanças, no tempo de descanso, nos bens de consumo, e principalmente numa área bastante delicada: a intimidade do casal entre quatro paredes.

segunda-feira, fevereiro 20, 2012

Caráter e reputação

Por William Hersey Davis



"As circunstâncias nas quais você vive determinam sua reputação.
A verdade na qual você crê determina o seu caráter.
Reputação é o que pensam a seu respeito.
Caráter é quem você é.
Reputação é a sua fotografia.
Caráter é a sua face.
A reputação fará de você rico ou pobre.
O caráter fará de você feliz ou infeliz.
Reputação é o que os homens dizem a seu respeito no dia de seu funeral.
Caráter é o que anjos falam de você perante o trono de Deus."

Copiado de LIDÓRIO, Ronaldo. Liderança e Integridade. Ed. Betânia, p.14.

Lembre-se sempre disso: Deus avaliará seu caráter!

sábado, fevereiro 18, 2012

Testemunho de felicidade diante a luta contra o câncer

Míriam é uma amiga pessoal e, no dia 05/fevereiro/2012, ela testemunhou sobre felicidade durante o culto na IBCU, mesmo diante de uma situação tão delicada que ela ainda passa, um tratamento contra o câncer. Cresçamos com a maturidade que Deus tem  dado a ela.


sexta-feira, fevereiro 17, 2012

Vícios: novas maneiras de ver, novas maneiras de caminhar livre


Por Edward T. Welch 
A revelação das tuas palavras esclarece e dá entendimento aos simples. 

Salmo 119:130
A pesquisa sobre vícios precisa de algo novo. Sua visão tem sido controlada por uma única lente, e mesmo que esta lente realce certas características da experiência que vicia, ela pode cegar tanto quanto revela quando é a única maneira de se enxergar. Para reduzir toda a discussão dos vícios para uma única imagem poderia sacrificar perspectivas úteis que possam trazer sentido e compreensão.

No caso dos vícios, a metáfora da enfermidade tem sido a metáfora controladora e ela tem guardado com muito ciúme o seu gramado. Nenhuma outra perspectiva tem sido convidada para alargar o nosso entendimento, nem ao menos oferecer uma revisão importante do conceito. É claro que a metáfora da enfermidade tem a sua utilidade. Ela realça a maneira de como podemos nos sentir controlado por algo além da nossa vontade. O que ela não realça é que a servidão que experimentamos é uma escravidão voluntária.

Esta dependência exclusivamente em uma metáfora não é a única dificuldade nas discussões sobre vícios. Até mais problemático é o fato de que a metáfora dos vícios está perdendo sua qualidade metafórica. Em vez de dizer que vícios são como uma enfermidade, cada vez mais pessoas estão dizendo que vícios são enfermidades.

No sentido literal, uma enfermidade é uma condição diagnosticável com uma causa física. Usado assim, vícios não se encaixam nesta definição. AA mesmo declara que “o alcoolismo é em grande parte uma enfermidade espiritual que requer uma cura espiritual”.[1] Apesar de que viciados podem apresentar algumas diferenças físicas quando comparados àqueles que não tem lutado com vícios, não há nenhuma razão para crer que estas diferenças biológicas façam algo a mais do que resultar do uso pesado de uma substância, ou influenciar o vício. Como influência, essas diferenças são semelhante aos efeitos dos cuidados dos pais, amigos ou da posição sócio-econômica. Eles podem nos puxar ou nos inclinar para certas direções negativas para a dependência química, mas elas podem ser resistidas. Elas não são o destino que não se pode evitar, como muitos viciados “em recuperação“ podem afirmar. Assim, a palavra enfermidade, no seu sentido mais técnico, não é a maneira precisa para descrever os vícios.

Dado como a metáfora da enfermidade está se endurecendo na realidade, e que o uso metafórico deenfermidade tem suas limitações, uma tarefa para a teologia dos vícios é considerar outras metáforas disponíveis nas Escrituras. Considere cinco metáforas diferentes para o comportamento que vicia: idolatria, adultério, insensatez, ataques por uma besta, e depois, enfermidade.

Idolatria
Uma das representações mais comuns da condição humana, e que capta as duas experiências do vício, a de estar no controle e a de estar fora do controle, é o tema da idolatria. A partir desta perspectiva a verdadeira natureza de todos os vícios é que escolhemos sair das nossas fronteiras do reino de Deus e olhar por bênçãos no país dos ídolos. Voltando-nos para os ídolos estamos dizendo que desejamos algo na criação mais do desejamos o Criador.

Isto soa como uma linguagem estranha para ouvidos do Ocidente, mas a idolatria é talvez a imagem mais dominante nas Escrituras e é rica em aplicações potenciais. Você já percebeu quantas histórias bíblicas poderiam ser resumidas com estas questões? “Quem você adorará? O Criador ou algo criado? Deus ou o homem? O Rei divino ou o ídolo sem valor?“ A linha básica da história do Antigo Testamento é sobre pessoas que acham a idolatria algo irresistível. Então Deus, por fim, através de Jesus, vem para resgatar Seu povo das suas práticas escravizadoras. Portanto, todo pecado é resumido como idolatria ( p.e. Dt 4:23; Ef 5:5 ).

Os Dez Mandamentos dão uma proeminência especial às proibições contra a idolatria. Elas são os primeiros dois mandamentos, e eles recebem uma elaboração considerável. “Não terás outros deuses diante de mim.

quarta-feira, fevereiro 15, 2012

A alegria em Deus diante a síndrome de Patau (trissomia do cromossomo 13)

Conheça: "Nina Minha Filha" (Wordpress e Blogspot)


Pela família Zambelli

Um breve depoimento de como Deus tem nos dado alegria no meio de uma delicada situação. Nossa filha, que sairá da mamãe muito em breve, foi diagnosticada na 22a semana com Síndrome de Patau (trissomia do cromossomo 13).

Gravado dia 12/fevereiro/2012.



Testemunho escrito

Para quem não nos conhece, eu sou a Karen, este é o Zambelli. Nós moramos há dois anos em João Pessoa, trabalhando como missionários da IBCU. Temos um filho de quase três anos, o Enzo, e estamos à espera de uma menina, a Nina. Com 22 semanas de gravidez, no ultrassom morfológico, descobrimos que a Nina tem uma fenda no lábio e no palato. Alguns dias depois, ao fazermos uma ecocardiografia fetal, também foi constatado que o coração dela não é normal. Juntando estas anomalias, com o lábio leporino, e alguns outros fatores que, até então, haviam sido considerados de pouca importância, os médicos nos aconselharam a retirar um pouco do líquido amniótico para fazer um exame genético, e ver se a Nina não teria alguma doença mais grave. Fizemos o exame e, uma semana depois, recebemos o resultado: nossa bebê é portadora da Síndrome de Patau, também conhecida como trissomia do cromossomo 13, que gera deficiência cardíaca, renal, motora, mental, dentre outras da própria condição genética. De acordo com os especialistas, esta é uma condição que não é compatível com a vida.

Imediatamente os médicos nos sugeriram o aborto, como sendo o caminho mais racional e menos doloroso, tanto para nós quanto para o bebê. Porém, crentes na soberania de Deus, que tem o controle sobre a vida e a morte, optamos por levar adiante a gestação. Em apenas três semanas tivemos que mudar nossos planos, tomar decisões rápidas e lidar com emoções e realidades que, até então, pareciam tão distantes. No entanto, o que mais nos marcou nessas semanas de espera, e tem marcado até hoje, é a maneira incrível como Deus tem nos sustentado, direcionado e alegrado.

Muitos de vocês foram instrumentos de Deus para isso. Obrigado por cada oração, palavra ou silêncio de conforto. A Palavra de Deus, também tem sido indispensável para nos ensinar e conduzir. Sem dúvida hoje nós entendemos bem melhor sobre a paz que vem de Cristo, nosso Senhor e Salvador. Muitas vezes pensamos em como deve ser desesperador para alguém passar por uma situação dessas sem conhecer o poder, a graça e a misericórdia de Deus. São nessas horas que mais agradecemos, pois somos testemunhas vivas de Sua ação. Agora, inclusive, algum tempo depois, conseguimos traçar alguns porquês de nossa história. O porquê de termos conhecido determinadas pessoas, o porquê de certas coisas terem acontecido em certas datas. Tudo parte de um plano amoroso de Deus que, mesmo que nunca compreendamos por completo, estamos aprendendo a confiar.

Nosso primeiro e maior desejo é que a Nina seja totalmente curada. Mas, queremos que a vontade do Senhor seja nossa alegria e, por isso, também pedimos que seja feita a Sua vontade e não a nossa. Sabemos que Nina já fez muitos de nós conversarmos mais com o Pai. Ela também já abriu portas para nós compartilharmos do Evangelho. A previsão é que ela nasça até o início de março. Não sabemos direito o que vai acontecer, ou quanto tempo ela vai viver. O que sabemos, o que temos certeza, é que tudo está nas mãos de Deus: o mesmo Deus que planejou nossas vidas e a vida de todos vocês. Conhecemos a promessa de Jesus e sabemos que Ele nos ama, não nos abandona e pode, realmente, nos trazer felicidade acima das circunstâncias. 

Que a força e maturidade que Deus tem nos dado inspire a todos que passam por situação semelhante. A Ele toda honra e toda glória, sempre!

In English

... I am Karen, and this is Zambelli. We’ve been living in João Pessoa for the last two years, working as missionaries for the Baptist Church of the Cidade Universitária of Campinas. We have a nearly three-year old son, Enzo, and we are now expecting the arrival of our baby daughter, Nina. On the 22nd week of pregnancy, on a morphologic ultrasound, we found out Nina had a cleft lip and palate. A few days later, when a fetal echo cardiology was performed, it was also discovered that her heart wasn’t normal. Adding these anomalies to the cleft lip, and a few other issues that until then had been considered of little importance, the doctors advised us to retrieve a bit of amniotic fluid to do a genetic test, and see if Nina would not have any further severe diseases. The test was done, and a week later we got the result: our baby was a carrier of Patau Syndrome, also known as trisomy 13, which generates heart and renal failure, plus motor and mental deficiencies, among others things. According to the experts, this is a condition which is incompatible with life.

Our doctors immediately suggested abortion, for according to them it was the more rational and less painful course, for both the baby and for us. However, as believers in the Lord’s supremacy, which has control over life and death, we opted to go ahead with the pregnancy. In just three weeks, we had to change all our plans, make quick decisions, and deal with emotions and realities that until then seemed so distant. However, what impressed us the most in all these weeks of waiting, and it continues to impress us now, is the incredible way in which God has sustained, directed and cheered us.

Many of you have been instruments of God for that. Thank you for every prayer, word of comfort or even your silence. The Word of God has also been essential in teaching and leading us. Without a doubt, today we have a much better understanding of the peace that comes from Christ, our Lord and Savior. We often imagine how much more difficult it must be for someone to go through a similar situation without the power, grace, and the mercy of God. These are the moments we are most thankful, because we are living witnesses of His cause. Even now, some time later, we can see some of the reasoning behind our story. The purpose why we have met some people, why certain things have happened in certain dates. It’s all a part of one of God’s loving plans, and even if we never fully understand it, we are learning to fully trust it.

Our first and greatest desire is for Nina to be fully healed. But we would like the Lord’s will to be our joy, and therefore that His will be done, and not necessarily ours. We know that Nina has made many of us to talk more with the Father. She has also opened doors for us to share the Gospel with others. The estimation is that she is to be born by the beginning of March. We do not know for sure what will happen, or how long she will live. What we know, what we are sure of, is that everything is in God's hands: the same God that planned our lives and the lives of all of you. We know the promise of Jesus and know that He loves us, and will not abandon us, and that He can really bring us happiness above all circumstances.

segunda-feira, fevereiro 13, 2012

O Reino de Cristo


Por D. A. Carson

Jesus falou sobre o reino como algo que já havia começado. O reino já está aqui, operando em secreto. Ele é como fermento posto em uma massa; está operando quietamente e tendo seus efeitos. Contudo, em outros momentos, Jesus falou do reino como algo que vem no final, quando haverá consumação e transformação tremenda. Portanto, o reino já está presente; mas, visto de outra maneira, ele ainda não veio. Todas essas noções do reino centralizam-se em Jesus, o rei.

Depois da Segunda Guerra Mundial, um teólogo suíço chamado Oscar Cullmann usou um dos momentos decisivos da guerra para explicar algumas destas noções. Ele chamou atenção para o que aconteceu no Dia D, 6 de junho de 1944. Nesse tempo, os aliados do Ocidente já tinham expulsado os inimigos do Norte da África e começavam a penetrar a bota da Itália. Os russos estavam vindo das estepes. Já tinham defendido Stalingrado e avançavam para e através da Polônia e outros países da Europa Oriental. No Dia D, os aliados ocidentais chegaram às praias da Normandia e, em três dias, descarregaram 1,1 milhões de homens e inúmeras toneladas de material bélico. Havia uma segunda fronte do Ocidente. Toda pessoa inteligente podia ver que a guerra estava acabada. Afinal de contas, a guerra já estava acabada em termos de energia, material bélico, número de soldados e destinos para os quais todas essas frentes e trajetórias convergiam. Isso significou que Hitler disse: “Opa! Fiz o cálculo errado!” e pediu paz? O que aconteceu depois foi a Batalha do Bulge, na qual ele quase conquistou a costa da França novamente, mas recuou por falta de combustível. Depois, houve a Batalha de Berlim, que foi uma das mais sangrentas de toda a guerra. Portanto, a guerra ainda não estava terminada. Um ano depois, a guerra terminou finalmente na Europa, depois de os combatentes haverem atravessado esse grande intervalo entre o Dia D e o Dia da Vitória na Europa.

Cullmann disse que a experiência cristã é como essa guerra. O rei prometido veio. Este é o nosso Dia D: a vinda de Jesus, sua cruz e sua ressurreição. Depois de ressuscitar dos mortos, Jesus declarou, conforme os últimos versículos do evangelho de Mateus: “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra” (Mt 28.18). Ele é o rei. Mas isso significa que o Diabo diz: “Opa! Fiz o cálculo errado! Acho que é melhor pedir paz”? Isso significa que os seres humanos dizem: “Bem, bem, você ressuscitou dos mortos. Você venceu. É melhor render-nos”? Não, o que isso significa é que você tem alguns dos mais violentos conflitos, porque Jesus ainda não derrotou todos os seus inimigos. Ele reina. Toda a soberania de Deus é mediada pelo rei Jesus. O reino já começou. Está aqui. Ou você está nesse reino, no sentido do novo nascimento, ou você está fora dele. Alternativamente, quando pensamos no reino total de Jesus (toda autoridade pertence a ele), você está nesse reino, quer goste quer não. A questão é se você se prostrará agora, alegremente, com arrependimento, fé e ações de graça, ou esperará até ao final para se prostrar em terror. O fim está chegando. O Dia da Vitoria cristã está chegando, e não há dúvida de quem será visto como Rei no último dia.

(Trecho do livro “O Deus Presente”)
Fonte: Blog Fiel

domingo, fevereiro 12, 2012

Contra quem lutamos?

Por Fernando Leite
Série de doze mensagens pregada na Igreja Batista Cidade Universitária no ano 2000. Abaixo estão os áudios de cada mensagem.

Acredito ser esta série muito valiosa especialmente para grupos pequenos.
Fica a dica!

1. Que vazio!

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2. Todo Mundo está feliz!

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3. Por que estás abatida?

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4. Ansiedade é meu nome

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5. Cavando Trincheiras

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6. Estou me sentindo culpado
 
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7. Definitivamente esta é a última vez

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8. Não me irritem mais

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9. Você está na minha lista

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10. Decididamente indeciso

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11. Eu não tenho tempo

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12. Que solidão!

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sexta-feira, fevereiro 10, 2012

Orientações para Odiar o Pecado (Parte 4)

Por Richard Baxter

IX. Orientação – Considere seu primeiro e principal trabalho matar o pecado em sua raiz; limpar o coração, que é a fonte; pois é do coração que vem todo o mal em nossa vida. Saiba quais são as principais raízes; e use o seu maior cuidado e diligência para mortificá-las, especialmente as seguintes:
  • Ignorância. 
  • Incredulidade. 
  • Inconsideração. 
  • Egoísmo e orgulho. 
  • Carnalidade, em agradar um apetite, luxúria e fantasia selvagens.
  • Insensibilidade, dureza de coração e sonolência no pecado.


X. Orientação – Conte o mundo todo e todos os seus prazeres; honras e riquezas não são melhores do que aparentam ser; assim satanás não vai conseguir encontrar iscas para te pegar. Como Paulo, considere tudo como esterco (Fil. 3:8) e nenhum homem vai pecar e vender sua alma, pois ele conta estas coisas como esterco.

XI. Orientação – Mantenha-se em conversas celestiais, e então sua alma estará sempre na luz, assim como aos olhos de Deus; e ocupe-se com aqueles afazeres e deleites que o livram do prazer com as iscas do pecado.

XII. Orientação – Que seu trabalho diário seja ser um cristão vigilante; embora haja distração e um medo desencorajador, nutra a perseverança.

XIII. Orientação – Preste atenção no começo do pecado e suas primeiras abordagens. Oh quão grande diferença faz um pouco desse fogo aceso! E se você cair, levante rápido através de um profundo arrependimento, não importando o quanto isso pode te custar.

XIV. Orientação – Faça do seu único labor e regra diligente o entender a Palavra de Deus.

XV. Orientação – Em casos de dúvidas, não se aparte facilmente do julgamento unânime da maioria dos sábios e piedosos de todas as épocas.

XVI. Orientação – Não seja precipitado nem aja por emoções, mas proceda deliberadamente e prove bem todas as coisas antes de se firmar nelas.

XVII. Orientação – Esteja familiarizado com a sua temperatura corporal e em quê o pecado é mais inclinado a você, e também em que situação o pecado te deixa mais vulnerável, e nisso você deve ser mais rigoroso.

XVIII. Orientação – Mantenha sua vida em ordem santa, tal como Deus ordenou que você vivesse. Pois não há preservação para os retardatários que não se mantém no caminho, que abandonaram a ordem e o mandamento de Deus. E esta ordem está principalmente nestes pontos:
  1. Que você mantenha união com a universal igreja. Não esteja separado do corpo de Cristo sobre qualquer pretensão que seja. Esteja na igreja como um regenerado, mantendo a comunhão espiritual em fé, amor e santidade; como um congregado, mantendo a comunhão externa, na profissão de fé e na adoração. 
  2. Se vocês não são mestres, vivam sob seus fiéis pastores como obedientes discípulos de Cristo. 
  3. Que os mais piedosos, se possível, sejam seus amigos íntimos.
  4. Seja esforçado em algum chamado externo.


XIX. Orientação – Coloque todas as providências de Deus, quer a prosperidade ou adversidade, contra seus pecados. Se ele te der saúde e prosperidade, lembre-se que por meio disso Ele requer sua obediência e tem um chamado especial para você. Se Ele te afligir, lembre-se que pode ser algum pecado pelo qual Ele está ofendido; portanto, agarre isso como Seu remédio e veja que você não obstrua essa obra, mas seja diligente, pois isso pode purgar seu pecado.

XX. Orientação – Espere pacientemente em Cristo até que ele tenha realizado a cura, que não acabará até que essa árdua vida chegue ao fim. Persevere na assistência do Seu Espírito e dos Seus meios; pois Ele virá no tempo certo e não tardará. “Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor; como a alva, a sua vinda é certa; e ele descerá sobre nós com a chuva serôdia que rega a terra” (Os. 6:3). Ainda que você diga: “Não há cura para nós” (Jer. 14:19) “Eu curarei sua infidelidade, eu de mim de mesmo os amarei” (Os. 14:4). “Mas para vós outros que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, trazendo curas nas suas asas” (Mal. 4:2) “e bem-aventurado todos os que nele esperam” (Is. 30:18).

Deste modo, eu dei algumas orientações que podem ser úteis para o ódio ao pecado, humilhação e libertação dele.

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quinta-feira, fevereiro 09, 2012

Orientações para Odiar o Pecado (Parte 3)

Por Richard Baxter

Embora a principal parte da cura seja fazer com que a vontade odeie o pecado, e isso é feito descobrindo sua malignidade; eu ainda adicionarei mais algumas orientações para a parte prática, supondo que o que já foi dito tenha causado efeito.

I. Orientação – Quando você descobrir a sua enfermidade e perigo, se entregue a Cristo como o Salvador e médico de almas, e para o Espírito Santo como seu Santificador, lembrando que ele é suficiente e disposto a fazer o trabalho que Ele mesmo prometeu fazer. Não são vocês que devem salvar e santificar a vocês mesmos (a não ser que vocês façam isso através de Cristo). Mas aquele que assumiu fazê-lo, o faz para a sua glória.

II. Orientação – Você deve estar preparado a ser obediente em aplicar os remédios que Cristo prescreveu a você; e observando as Suas orientações para que haja cura. Não seja tímido ou fraco dizendo que é muito amargo e muito dolorido; mas confie em Seu amor e no Seu cuidado; pegue aquilo que Ele te prescreveu ou te deu e não adicione mais nada. Não diga: “É muito penoso, e eu não consigo”. Porque o que Ele te ordena é seguro, proveitoso, e necessário; e se você não consegue, tente então carregar sobre você sua enfermidade, morte e o fogo do inferno! São a humilhação, confissão, restituição, mortificação e a santa diligência piores que o inferno?

III. Orientação – Veja que você não tome parte com o pecado, nem dispute ou lute contra seu Médico, ou com qualquer coisa que lhe faça bem. Justificar o pecado, ir em direção a ele e subestimá-lo, lutar contra o Espírito e a consciência, ir contra os ministros e amigos piedosos, odiando a disciplina; estes não são os meios pelos quais você será curado e santificado.

IV. Orientação – Veja aquela malignidade em cada um dos seus pecados particulares, que você pode ver e dizer que é generalizada. É um grotesco engano de vocês mesmo, se você vai falar muito do mal do pecado e não ver nenhuma malignidade em seu orgulho, em seu mundanismo, paixões e perversidades, em sua malícia e severidade, em suas mentiras, maledicências, escândalos, ou pecando contra a consciência por comodidade e segurança mundana. Que contradição é um homem orar e agravar seu pecado, e quando ele é reprovado por isso, tentar se esquivar ou justificar-se. É como se ele fosse falar contra a traição e contra os inimigos do rei, mas porque os traidores são os seus amigos e parentes, irá proteger ou escondê-los e tomar parte com eles.

V. Orientação – Mantenha-se o mais longe que puder das tentações que alimentam e fortalecem o pecado que você dominaria. Ponha um cerco em seus pecados e os deixe morrer de fome afastando a comida e o combustível que o mantém vivo.

VI. Orientação – Viva no exercício das graças e deveres que são contrários ao pecado que você está mais em perigo. Pois a graça e o dever são contrários ao pecado, isso o mata e nos cura, como o fogo nos cura do frio ou como a saúde nos cura da doença.

VII. Orientação – Não seja enfraquecido ouvindo a incredulidade e a desconfiança, e não jogue fora os confortos de Deus, pois eles são sua força e podem te encorajar. Não é assustador, deprimente, nem desesperadamente desencorajador, estar apto a resistir ao pecado; mas o senso do amor de Deus e o senso de gratidão da graça recebida é um grande encorajamento (com temor cauteloso).

VIII. Orientação – Sempre suspeite do amor próprio carnal, fique atento a isso. Pois essa é a fortaleza onde o pecado se esconde, e é também o seu patrono; sempre pronto para te arrastar para o pecado e para justificá-lo. Nós somos sempre muito propensos a sermos parciais em nosso próprio caso; como no caso de Judá com Tamar e Davi quando Natã o reprovou em sua parábola; isso mostra nossas próprias paixões, nosso próprio orgulho, nossa própria censura, nossa própria maledicência, nossas relações prejudiciais, nossa negligência nos deveres; estas coisas para nós parecem pequenas, desculpáveis, senão justificáveis. Considerando que poderíamos ver facilmente a culpa disso tudo nos outros, especialmente em um inimigo, deveríamos estar ainda mais familiarizado conosco e deveríamos amar mais a nós mesmos e, portanto odiando mais ainda nossos próprios pecados.

quarta-feira, fevereiro 08, 2012

Orientações para Odiar o Pecado (Parte 2)

Por Richard Baxter 

VI. Orientação - Pense bem quão puros e doces deleites uma alma santa pode desfrutar de Deus em Sua santa adoração; e então você verá o que o pecado é, pois ele rouba-nos destes deleites e prefere uma luxúria carnal ao invés deles. Oh com quão grande felicidade poderíamos realizar cada dever, quão grandes frutos poderíamos produzir servindo nosso Senhor, e que deleites encontraríamos em Seu amor e aceitação, e como pensaríamos mais na bem-aventurança eterna, se não fosse o pecado; o qual afasta as almas dos portões dos céus, e as faz cair, como um suíno, no seu amado lamaçal.

VII. Orientação - Considere a vida que você deverá viver para sempre, se você for para o céu; e a vida que os santos vivem lá agora; e então não pense que o pecado, que é tão contrário a isso, não seja uma coisa tão vil e odiosa. Ou você viverá no céu, ou não. Se não, você não é um daqueles para quem eu falo. Se você for, você sabe que lá não há prática de pecado; não há mente mundana, orgulho, paixões, luxúria e prazeres carnais lá. Oh se você pudesse ver e ouvir apenas uma hora, como aqueles abençoados espíritos estão elevadamente amando e magnificando o glorioso Deus em pureza e em santidade, e quão longe eles estão do pecado, isso faria você repugnar o pecado e ver os pecadores num estado de extrema decadência como homens nus nadando em seus excrementos. Especialmente, pensar que vocês têm esperança de viver para sempre com aqueles santos espíritos; e, portanto o pecado será desgostoso para você.

VIII. Orientação - Olhe para o estado e tormento dos condenados, e pense bem na diferença entre anjos e demônios, e aí saberá o que é o pecado. Anjos são puros; demônios são sujos; santidade e pecado são extremos. Pecado habita no inferno, e santidade no céu. Lembre-se que toda tentação vem do diabo, para fazer você ser como ele; e toda santa disposição vem de Cristo, para fazer você como Ele. Lembre-se que quando você peca, você está aprendendo e imitando o diabo, e está até agora sendo como ele (João 8:44). E o fim de tudo isso é que você sinta também os sofrimentos dele. Se o inferno de fogo não é bom, então o pecado não é também.

IX. Orientação - Sempre veja o pecado como alguém que está pronto a morrer e considere como todo homem o julga no final. O que os homens no céu dizem a respeito do pecado? O que os homens no inferno dizem a respeito do pecado? E o que os homens à beira da morte dizem a respeito do pecado? E o que as almas convertidas e as consciências despertadas dizem? O pecado traz deleite e é algo que eles não temem como é agora? Eles o aplaudem? Irão alguns deles falar bem do pecado? Porém, todo mundo fala mal do pecado em geral agora, mesmo quando eles amam e cometem diversos atos; Você irá pecar quando estiver à beira da morte?

X. Orientação - Sempre veja o pecado e o julgamento juntos. Lembre-se que você terá que responder por isso diante de Deus, dos anjos, e de todo o mundo; e você o conhecerá melhor.

XI. Orientação - Olhe para a doença, pobreza, vergonha, desespero, podridão e morte na sepultura; e isso vai te ajudar um pouco a entender o que é o pecado. Estas são coisas que estão diante de ti e em seus sentimentos; você não precisa de fé para entendê-las. E por tais efeitos você poderá entender um pouco da sua causa.

XII. Orientação - Olhe para algumas pessoas santas e eminentes sobre a terra e para o louco, profano e maligno mundo. E a diferença vai te dizer em parte o que é o pecado. Não há afabilidade numa pessoa santa e irrepreensível, que vive em amor para com Deus e para com as pessoas, e na alegre esperança da vida eterna? Não é um abominável beberrão, promíscuo, blasfemador, malicioso, perseguidor, uma criatura muito repugnante e deformada? Não é uma visão muito miserável o estado ímpio, louco, confuso e ignorante deste mundo? Não é nisso tudo em que o pecado consiste?

terça-feira, fevereiro 07, 2012

Orientações para Odiar o Pecado (Parte 1)

Por Richard Baxter 

I. Orientação - Se esforce tanto para conhecer a Deus quanto para ser afetado pelos Seus atributos. Viva sempre diante Dele. Ninguém pode conhecer o pecado perfeitamente porque ninguém pode conhecer Deus perfeitamente. Você não pode conhecer o pecado mais do que você conhece a Deus, contra quem o seu pecado é cometido; a malignidade formal do pecado é relativa, pois é contra a vontade e os atributos de Deus. O homem piedoso tem algum conhecimento da malignidade do pecado porque ele tem algum conhecimento do Deus que é ofendido pelo mesmo. O ímpio não tem um conhecimento prático e prevalente da malignidade do pecado porque eles não têm um conhecimento de Deus. Aqueles que temem a Deus temerão o pecado; aqueles que em seus corações são irreverentes e impertinentes para com Deus, serão, em seus corações e em suas vidas, a mesma coisa para com o pecado; o ateísta, que acha que não existe Deus, também acha que não há pecado contra Ele. Nada no mundo inteiro irá nos mostrar de maneira tão simples e poderosa a maldade do pecado, do que o conhecimento da grandeza, bondade, sabedoria, santidade, autoridade, justiça, verdade, e etc., de Deus. Portanto, o senso da Sua presença irá reviver em nós o senso da malignidade do pecado.

II. Orientação - Considere bem o ofício de Cristo, Seu sangue derramado e Sua vida santa. Seu ofício é expiar o pecado e destruí-lo. Seu sangue foi derramado por ele. Sua vida o condenou. Ame a Cristo e você odiará o que causou Sua morte. Ame-O e você irá amar ser feito à imagem Dele, e odiará aquilo que é tão contrário a Ele.

III. Orientação - Pense bem o quão santo é a obra e o ofício do Espírito Santo, e quão grande misericórdia isto é para nós. Irá o próprio Deus, a luz celestial, descer a um coração pecaminoso para iluminá-lo e purificá-lo? E ainda devo manter minha escuridão e corrupção, em oposição a essa maravilhosa misericórdia? Embora nem todo pecado contra o Espírito Santo seja uma blasfêmia imperdoável, tudo é ainda mais agravado por meio disso.

IV. Orientação - Considere e conheça o maravilhoso amor e a misericórdia de Deus, e pense no que ele tem feito por você e você odiará o pecado, e terá vergonha dele. É um agravamento do pecado até mesmo para a razão comum e a ingenuidade, que devemos ofender um Deus de infinita bondade que encheu nossas vidas de misericórdia. Você será afligido se você tem injustiçado um extraordinário amigo; seu amor e sua bondade virão aos seus pensamentos e você sentirá raiva de sua própria maldade. De um lado veja a grande lista das misericórdias de Deus pra você, para sua alma e seu corpo. Do outro, observe satanás, escondendo o amor de Deus de você, e tentando você debaixo de uma pretensa humildade de negar Sua grande e especial misericórdia; procurando destruir seu arrependimento e humilhação escondendo também o agravamento do seu pecado.

V. Orientação - Pense no propósito da existência da alma humana. Para que ela fora criada? Para amar, obedecer, e glorificar nosso Criador; e você verá o que é o pecado, pois ele perverte e anula esse propósito. Quão excelentemente grande e santa é a obra para o qual fomos criados e chamados para fazer! E deveríamos desonrar o templo de Deus? E servir ao diabo em sua imundície e tolice, quando deveríamos receber, servir, e glorificar nosso Criador?

domingo, fevereiro 05, 2012

Por que é difícil ser pastor hoje? (parte final)

Por Marcos Granconato
Veja as publicações anteriores desta série
Parte 1Parte 2Parte 3


Desde que comecei a publicar esta série, as reações foram as mais diferentes. Teve gente que aplaudiu, dizendo que escrevi tudo o que sempre quiseram dizer; teve gente que se preocupou, achando que eu estava passando por alguma crise no ministério; e teve gente que me atacou com paus e pedras, acusando-me de ensinar a salvação pela “instituição” igreja (???) ou dizendo que eu escrevi porque estava com raiva do Caio Fábio. Nesse último caso, fiquei especialmente surpreso. Até porque eu sequer pensei no Caio quando escrevi. Pra mim o Caio é um fenômeno. Tudo o que ele ensina faz lembrar o nome dele. É verdade! Sempre que o escuto, eu penso: “Nossa! Se aceitar essa doutrina eu Caio!”.

Desculpem o trocadilho infame e vamos ao que interessa. O problema sobre o qual vou tratar aqui talvez não seja tão grave, mas como tem incomodado com frequência, acho bom apontá-lo – até para dar ao fim desta série um tom mais light. É muito difícil ser pastor hoje porque as pessoas perderam o tato. Isso significa que muitos crentes não têm mais nenhuma noção de coisas que não convêm e adotam comportamentos que, de fato, não são errados quando considerados em si mesmos, mas que mostram a total ausência daquele grau de sensibilidade que os crentes maduros devem ter.


Há muitas coisas que não são propriamente pecado. No entanto, essas mesmas coisas, dependendo das circunstâncias, devem ser evitadas a fim de que a nossa vida reflita a sobriedade, a sensatez e a sabedoria que o Senhor requer do crente. Deixem-me exemplificar: não é errado dar uma sonora gargalhada; não é errado aproximar-se de uma moça para conhecê-la melhor; e também não é errado conversar animadamente sobre o jogo de futebol do domingo. Mas se um homem faz tudo isso durante o velório da esposa... 



Essa noção do que não convém, essa percepção daquilo que, como diziam os antigos, “não fica bem”, essa sensibilidade acerca do que é impróprio para o momento parece ter desaparecido da mente das pessoas, inclusive dos crentes. Até alguns pastores parecem precisar de “Simancol” – aquele velho remédio que todo mundo com um mínimo de bom senso receitava para os mais “avoados”. Conheci um pastor que, quando sabia que alguém estava passando por uma fase de muita angústia, em vez de chorar com os que choram (Rm 12.15), levava um grupo na casa do coitado para fazer uma “pizzada” e animá-lo. Conheci outro que, durante os cultos fúnebres que dirigia, em vez de prantear o irmão falecido como faziam os homens piedosos da Bíblia (At 8.2), ficava inventando piadinhas e fazendo gracejos com a família do morto (acreditem se quiserem) pois, segundo ele, o dia da morte do crente era um dia alegre (!!!???).



Se esse é o tato demonstrado pelos homens de Deus, qual é a situação do povo? Há muito tempo atrás eu tratei o caso de uma moça que havia praticado imoralidade. A igreja soube do problema, mas antes que houvesse disciplina, a moça se arrependeu de verdade, dando ensejo a um processo de restauração e amparo. Até aí, tudo bem. O problema é que, passadas algumas semanas, a moça começou a paquerar um rapaz. Então eu disse a ela: “Olha, não há nada de errado em uma moça crente se aproximar de um moço da igreja, mas a fase pela qual você está passando impõe uma postura diferente, com marcas de cuidado mais intenso. Você precisa adotar neste momento uma postura menos aberta e também uma espécie de solenidade de comportamento, própria de quem acabou de se recuperar de uma queda vergonhosa”. A moça olhou pra mim do mesmo jeito que um pastor neopentecostal olha para um Novo Testamento grego. Percebi que ela não estava entendendo nada e tentei explicar-lhe inutilmente algumas noções de tato, pedindo que ela fosse sensível ao momento e às circunstâncias, evitando a aproximação de rapazes. A moça não contestou. Mais tarde, porém, o pai dela me procurou para dizer que sentia que eu estava “pegando no pé” de sua filha. Outros parentes dela concordaram e, talvez, alguns leitores deste artigo concordem com ele também.



Ao escrever sobre a atitude que os crentes devem nutrir diante dos escrúpulos de outros irmãos, Paulo disse: “Tudo é permitido, mas nem tudo convém” (1Co 10.23). O problema dos crentes de hoje é que eles acolhem a primeira parte do versículo e até a estendem para áreas que o apóstolo jamais teve em mente. Quanto à segunda parte, eles perderam totalmente a noção do que é inconveniente, criando, no final das contas, mais um encargo para o pastor: o de ensinar tato às ovelhas, explicando-lhes noções que elas deviam ter aprendido por si mesmas, através da simples experiência de vida, através da singela sensibilidade aos escrúpulos dos outros e da mais elementar observação da atmosfera que as cerca. Como é difícil ser pastor hoje! 

sábado, fevereiro 04, 2012

Por que é difícil ser pastor hoje? (parte 3)

Por Marcos Granconato
Veja a parte 1 e parte 2

Este já é o terceiro artigo da série Porque é difícil ser pastor hoje? Prometo que só vou escrever mais um. Não que não tenha mais assuntos. Na verdade, há várias tendências atuais que dificultam o trabalho pastoral. Aqui, porém, tenho destacado somente as que mais têm chamado minha atenção e que não parecem ter sido tão comuns em épocas passadas.


O terceiro motivo pelo qual é difícil ser pastor hoje é que os crentes não conseguem mais enxergar a dimensão comunitária do cristianismo. Isso significa que eles não reconhecem o valor imenso da igreja, não buscam um envolvimento mais profundo com ela e não se preocupam em promover os interesses ou aliviar os pesos da comunidade da fé.


Não sei ao certo quando e como tudo isso começou, mas o fato é que, além desse descaso por parte de muitos crentes, há também uma verdadeira campanha contra o envolvimento do indivíduo na igreja local. Artigos e livros são escritos, palestras são proferidas e aulas são ministradas em seminários afirmando que, nesta época pós-moderna, as pessoas devem viver o cristianismo do seu jeito, de acordo com suas percepções individuais, sem ter de se “sujeitar” a esta ou aquela instituição.


Parece lindo, mas os resultados desse discurso têm sido trágicos. Primeiro, essas ideias têm fornecido a base teórica para a apostasia. Encorajados por esses pensamentos, aqueles crentes irresponsáveis que só iam à igreja de vez em quando e, ainda por cima, “pela orelha”, encontraram uma linda desculpa para sumirem de vez. Agora, eles dizem coisas mais ou menos assim: “Eu sirvo muito melhor a Deus em casa ou indo com minha família a um parque do que frequentando a igreja onde há tanta hipocrisia!”. Puxa! Isso tem de ser piada! Só uma anta com cérebro de minhoca não percebe a hipocrisia dessa frase!


Leiam 1João 4.20 e pensem: será que essa gente que nunca foi capaz de amar o irmão que via em sua frente, que mal sabia o nome dos líderes da igreja, que ia embora correndo dos cultos enquanto o poslúdio ainda estava tocando; essa gente que nunca visitou um irmão doente, que nunca socorreu uma ovelha fraca e nunca, nem com um dedo, ajudou o povo redimido a levar seus fardos, agora serve a Deus, a quem não vê, em casa e no parque? Ora, tenham dó! Se esse tipo de crente reflete o modelo que Jesus quer que sigamos, então eu sou o Bozo! (querido Bozo, caso leia este artigo, quero que saiba que não tenho nada contra você; só usei seu nome aqui por força de expressão).


O ensino de que o cristianismo pode ser vivido plenamente sob a capa da individualidade, por incrível que pareça, produziu também um novo tipo de igreja! É “meio” contraditório, mas tudo começou mais ou menos assim: alguns líderes “cristãos” resolveram alcançar pessoas que foram “feridas” nas igrejas de que participavam e que, por isso, se afastaram, apoiadas na ideia de que podiam ser crentes sozinhas. O suposto objetivo daqueles líderes era reunir esses crentes sem igreja, aceitá-los com todas as suas “fraquezas” e restaurar-lhes a paz e a alegria depois do grande sofrimento e de todas as “injustiças” que os pobrezinhos sofreram nas mãos de pastores e comunidades “sem amor”. 


Quando soube desses ministérios, pensei: “Ou esses caras são muito ingênuos ou são muito safados. Será que eles acreditam mesmo que os que abandonaram a igreja são santinhos magoados? A Bíblia diz que os crentes piedosos, que andam mesmo na luz, têm comunhão com os irmãos (1Jo 1.7). Será que esses são exceção? Mas, talvez os criadores desse novo tipo de igreja sejam, na verdade, muito malandros. Talvez queiram um ministério nesses moldes para se livrar da parte amarga do pastorado, para evitar aquele trabalho de correção em que ninguém joga confete, para fugir dos enfrentamentos difíceis e desgastantes que o pastor de verdade tem de encarar (2Tm 4.2). Talvez queiram apenas isto: um ministério fácil, um pastorado cheio de tapinhas nas costas, que só gera elogios e um bom salário.


Qualquer que tenha sido o impulso por trás desses “ministérios”, o fato é que, para alcançar seu público-alvo, eles ofereceram aos que abandonaram a comunhão tudo aquilo com que sempre sonharam: um novo modelo de igreja em que você “vem como está” e, se quiser, permanece como está. Nada de compromissos, nada das chatas admoestações pastorais e, especialmente, nada de disciplina contra o pecado obstinado. Ali, dizem, “o indivíduo é respeitado e valorizado enquanto ente singular, com todas as suas falhas e imperfeições”.


A estratégia deu certo e surgiram igrejas compostas por aquela gente que é só encrenca, que não dá certo em lugar nenhum, que quando vai embora não deixa qualquer saudade. Com isso, o cristianismo foi mais uma vez desfigurado e a consciência já enfraquecida de quem vivia longe da verdade, encontrou mais uma almofada em que se recostar, dizendo: “Ufa!, agora ninguém mais pode dizer que estou desviado!”


Há muitos outros prejuízos que a concepção meramente individualista de espiritualidade gerou. A apostasia e aquelas estranhas igrejas novas são apenas dois exemplos que estão longe de abarcar todos os males dessa forma de pensamento. Infelizmente, não há espaço aqui para mostrar outros problemas oriundos disso. Por isso, vou encerrar. Antes, porém, quero dar um recadinho para esse grupo imenso de apóstatas que vive criticando as igrejas de verdade de onde saíram. Lá vai: 


Prezado ente singular com falhas e imperfeições:



Venho por meio destas maltraçadas linhas dizer que sei que você não vê valor nenhum em ser parte de uma igreja e que o deus fanfarrão que você inventou se satisfaz com sua adoração imaginária, feita em casa e no parque. Gostaria, porém, de dizer que você está errado. Pegue a Bíblia (se tiver) e leia (se souber) os seguintes textos: 1Coríntios 12.20-27, Efésios 4.1-16 e Hebreus 10.25. Talvez essas passagens o ajudem a mudar de ideia. 


Outra coisa: pode ser que você esteja fora da igreja séria porque ela não aceitou o seu modo de vida e você esteja agora procurando uma igreja “mais amorosa” que o aceite do jeito que você é. O que vou dizer talvez o faça cair da cadeira, mas como você já está acostumado a cair, vou dizer assim mesmo. É o seguinte: a igreja não é o lugar de pecadores, onde os maiores perversos são recebidos de braços abertos. Não! A igreja é o lugar de pecadores arrependidos. É verdade que ela é o refúgio onde os maiores perversos são recebidos, mas ela é também a comunidade onde esses mesmos perversos são convidados a viver uma vida de honra a Cristo e onde deverão permanecer, desde que deixem para trás o chiqueiro em que viviam (1Co 6.9-11). 

Por isso, se você é só pecador e teima em permanecer nos seus erros, o último lugar em que você deve estar é a igreja (1Co 5.1,2). Nesse caso, meu apelo é que você viva bem longe do aprisco santo e siga o seu caminho de mentiras, quem sabe dentro de uma igreja de mentira, servindo um deus de mentira, sob a orientação de um pastor de mentira que prega um amor de mentira.



sexta-feira, fevereiro 03, 2012

Por que é difícil ser pastor hoje? (parte 2)


Por Marcos Granconato

Eu disse no artigo anterior que um dos motivos pelos quais é difícil ser pastor hoje é que os crentes pensam no pecado meramente como fraqueza. Isso conduz ao segundo motivo pelo qual ser pastor neste início de século não é nada fácil: os crentes acreditam que firmeza e severidade no trato com o pecador rebelde são falta de amor. Achando que quem persiste no pecado é só um crente fraquinho, as pessoas consideram inadmissível que o pastor o admoeste com seriedade ou o leve à disciplina. Se o fizer, imediatamente vão transformar o pastor no bandido da história e, assim, tudo será invertido: o safado que emporcalhou a igreja com sua sem-vergonhice se torna a indefesa vítima do pastor que agora é o líder religioso perverso e sem amor, igualzinho àqueles que condenaram Jesus à morte.

Em meus mais de vinte anos de ministério pastoral já vi de tudo e lidei com quase todo tipo de “cristão”. Conheci diáconos mentirosos, maridos violentos, esposas infiéis, pais viciados, meninos delinquentes, adolescentes ladrões, jovens alcoólatras, velhos golpistas e até um pigmeu antropófago. Eu admoestei todas essas pessoas e, por longo tempo, tentei pacientemente convencê-las a abandonar o pecado. De todas elas, somente o pigmeu antropófago se arrependeu. Hoje ele é vendedor de órgãos (musicais) e dizem até que virou vegetariano.

Brincadeiras à parte, o que quero destacar é que a maioria daquelas pessoas nunca acolheu a palavra pastoral por mais fundamentada que fosse na Bíblia. Mas isso não foi tudo. Se hoje você perguntar para elas porque estão longe da comunhão, a resposta será mais ou menos assim: “Eu estava passando por uma fase muito difícil na minha vida e cometi alguns erros. Então o pastor, em vez de dar o apoio de que eu precisava, foi logo jogando tudo na minha cara e me disciplinou. Aí eu não aguentei e caí de vez. Fiquei tão traumatizado que até hoje passo mal quando ouço falar de igreja!”.

Ah, e os parentes e amigos dessas pessoas vão concordar com esse testemunho. Você duvida? Então pergunte às mães de jovens desviados por que os filhos delas não vão mais à igreja. Oito entre dez dessas mães dirão: “Meu filho era um crente firme. Se não fosse aquele pastor...”.

Prossiga em seu teste. Pergunte sobre pecados realmente graves: “Como seu filho entrou para as drogas? Por que aquela moça abandonou a igreja e foi para a prostituição? Como aquele moço do louvor foi cair de vez no homossexualismo? Por que aquela senhora se envolveu com essa seita?” Ouvindo as respostas você descobrirá que o pastor é o culpado por todas as calamidades da raça humana, como se os “crentes fraquinhos” também não tivessem forças para, sozinhos, destruir suas vidas com as próprias mãos.

Eu já me acostumei tanto a ser responsabilizado pelos descaminhos dos outros que hoje já nem estranho mais. Pelo contrário: quando um pecado aparece na igreja e eu começo meu trabalho de aconselhamento, admoestação e correção, muitas vezes já sei de antemão onde tudo vai acabar. No final, o culpado de tudo serei eu. Rancores e críticas vão surgir contra mim, pessoas irão embora, partidos vão se formar... Numa certa altura eu gritarei sozinho: “Ei, um momento! O criador de todo esse problema não sou eu! Quem começou isso tudo, lembram? Foi aquela ovelha travessa que nunca ouviu os conselhos bíblicos, não foi? Onde ela está agora? Ah, já sei! Ela está em casa atendendo ao telefone de algum irmão da igreja que ligou para lhe dar apoio!”.

Tudo isso tem de mudar. Sim, pois a Bíblia mostra que o pastor pode e deve tratar o pecado com firmeza e severidade quando o arrependimento não vem (At 5.1-11; 1Tm 5.20; Tt 3.10). A Bíblia vai além e diz que, nessa forma de agir, o pastor deve ser acompanhado por toda a igreja (1Co 5.13). Isso não é falta de amor. Na verdade, a Bíblia ensina que essa é uma das formas mais produtivas de mostrar amor por alguém (Pv 27.6).

E tem mais: está na hora de os crentes pararem com essa mania cruel, covarde e injusta de culpar alguém (o pastor ou quem quer que seja) pelos próprios erros ou dos seus queridos, pois, mesmo que alguém tenha dado um empurrãozinho para nos ajudar a cair, diante de Deus a culpa pela nossa queda permanece conosco (Gn 3.17-19). No final de tudo, o fato é que cada um dará contas de si mesmo a Deus (Rm 14.12; 2Co 5.10), tanto o que empurrou (por ser tão maldoso), como o que caiu (por ser não só maldoso, mas também fraco e bobo).