sexta-feira, julho 16, 2010

As Parábolas do Mestre: A Semente no Coração Disposto (Mateus 13.8,23)

A Semente no Coração Disposto
Por Reinaldo Bui

"Outra, enfim, caiu em boa terra e deu fruto, que vingou e cresceu, produzindo a trinta, a sessenta e a cem por um.... Os que foram semeados em boa terra são aqueles que ouvem a palavra e a recebem, frutificando a trinta, a sessenta e a cem por um" (Mateus 13.8,23).

Chegamos à boa terra. O solo que Jesus procura para semear e cultivar a sua Palavra.

Este coração representado pela boa terra foi o que arou o terreno, removeu as pedras, limpou os espinhos, alcançou raízes profundas e se encontra num clima favorável para frutificar com abundância. Foi um longo e duro trabalho até aqui, mas agora... A terra por si mesma frutifica: primeiro a erva, depois, a espiga, e, por fim, o grão cheio na espiga (Marcos 4:28).

Estes não são movidos apenas pelo entusiasmo das boas novas, nem por um apelo emocional e nem por algum interesse, mas pelo desejo desesperado de aprender, de crescer e de mudar. Este grupo de pessoas não é, necessariamente, o mais culto, inteligente, puro, ético, religioso. Geralmente são mais complicados, têm enormes defeitos, fracassaram inúmeras vezes, são considerados inferiores e sem significância em nossa sociedade, porém, sabem superar seus conflitos e dar valor ao que realmente importa, pois abriram seu coração ao Semeador e aplicaram sua Palavra dentro de si mesmos. Alguns já erraram feio, como Pedro, mas perceberam seus erros, tiveram coragem de reconhecer suas limitações, de se esvaziar e de aprender com as próprias falhas. Não tiveram medo de chorar e de começar tudo de novo. É em corações assim que Deus trabalha.

Os discípulos aprenderam que, para seguir a Jesus, não bastava admirá-lo. Não bastava simplesmente reconhecer que Ele era o Cristo, o Filho do Deus Vivo. Segui-lo exigia um preço: reconhecer suas próprias misérias, enfrentar o egoísmo, o individualismo, o orgulho e o medo que contamina diariamente a nossa alma. Era preciso aprender a amar incondicionalmente, a oferecer a outra face e a não desistir de si e de ninguém, por maior que fossem as falhas e os fracassos...

A Palavra nos transforma, e tem o poder de nos modificar radicalmente. Entretanto, Ela não o faz automaticamente. Por toda a narrativa dos evangelhos lemos que, ano após ano, os discípulos apresentavam reações agressivas e egoístas, competiam, queriam ser um maior que o outro e, até o fim, o individualismo ainda reinava. Para piorar, no momento da cruz, o medo dominou todos eles.

Mas Jesus estava tranquilo, pois confiava que as sementes que Ele plantara logo germinariam. Para Jesus, nenhum solo era inútil ou imprestável. Uma prostituta poderia ser lapidada e ter mais destaque que um fariseu. Um coletor de impostos poderia ser transformado acima de qualquer moralista religioso. Podiam lhe esbofetear e cuspir na cara, mas ele surpreendentemente respondia com perdão.

Raramente alguém acreditou tanto no ser humano. Nunca alguém entendeu tanto os cantos escuros da nossa alma e desejou transformar a nossa vida num jardim para o mundo como Jesus o fez.

Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!

Medite...
A quem se dirige esta parábola? Quais são seus medos? Que tipo de solo você representa? Quantas vezes você já ‘pisou na bola com Deus? Conhece pessoas que sofrem por achar que para elas não há mais solução?

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