segunda-feira, novembro 07, 2011

A parábola do açude

Por Reinaldo Bui

Havia um homem muito bondoso, senhor de muitas terras que prezava muito pela vida dos trabalhadores que viviam em sua fazenda. Nela havia um açude que ele mesmo construíra e zelava para que ninguém nadasse, pescasse ou mesmo se aproximasse do local. Desde antes de sua construção, ele dizia: Este açude será para o benefício de todos os trabalhadores e seus familiares, portanto, devemos cuidar dele como se nossa vida e de nossos filhos dependessem disto.

Um dia o senhor da fazenda precisou fazer uma longa viagem. Preocupado com a segurança do açude, esquadrinhou um jeito de preservá-lo seguro dos invasores. Ao invés de construir uma grande muralha ao seu redor, ele pensou em simplesmente espalhar alguns avisos de “proibido pisar na grama” ao longo da área gramada que cercava a beira do açude, além de ter alertado os moradores mais próximos para que o vigiasse. Ele acreditava que estas medidas eram suficientes para a boa proteção do açude. Então ele partiu.

A geração mais velha obedecia sem problemas às orientações do seu senhor. Todavia os mais novos logo começaram a questionar sobre o porquê de não poderem utilizar o açude para se refrescar. Muitos eram seus argumentos: Não faz sentido ter um açude como este se não podemos desfrutar. Quando o senhor construiu este açude, ele mesmo disse que seria para nosso benefício. Por que, então, não podemos nadar? É um desperdício! Ele não nos quer bem? Não quer que sejamos felizes? Quer nos privar do prazer de nos refrescarmos nestes dias quentes de verão? Será que ele não quer dificultar nosso direito de nos exercitarmos e dedicarmos tempo de qualidade com nossos familiares e amigos? Outros ainda se aprofundavam mais em seus argumentos e “reinterpretavam” as ordens do senhor da fazenda. Eles diziam que a ordem do senhor fazia sentido na época em que o açude foi construído, mas que agora os tempos eram outros, que esta nova geração é mais pró-ativa, exigente e não se contenta com um simples não. Eles também argumentavam que o fato dele simplesmente ter colocado alguns alertas para não pisar na grama era um insulto à inteligência deles, pois conheciam meios de chegaram à água sem pisar na grama. Ademais, muitos falavam que o significado daqueles alertas não se relacionava com a proibição de nadar no açude. Para eles, estragar o gramado era o real motivo destes alertas.

Apesar da acirrada insistência dos mais velhos em defender a ordem do senhor, seus argumentos pareciam fracos demais diante da jovial maioria, que ecoavam: Mas o senhor não quer... O senhor não quer.

A pressão dos favoráveis à liberação do açude ao público crescia a cada dia, e entre centenas de inconformados, uma pessoa tomou a iniciativa corajosa, inteligente e estratégica de construir uma passarela de pedras para que todos os interessados pudessem ter livre acesso às águas convidativas e refrescantes daquele intocável açude. E ela mesma deu o mergulho pioneiro. Diante do olhar estupefato de todos os que assistiam ainda de longe, esta pessoa nadava de um lado para o outro, floreando a atitude desbravadora. Esta foi a notícia do dia; todos só comentavam sobre a bravura, coragem e determinação daquela pessoa. No dia seguinte, mais algumas pessoas se juntaram a ela. Depois outras tantas, e mais tantas, e mais... Até chegarem ao ponto de não se ouvir mais comentários sobre aquela velha e ridícula proibição de não poder desfrutar daquela “benção” que o senhor construiu para eles.

O açude era o local para diversão de todas as famílias. Elas faziam piquenique e lavavam seus pratos e talheres naquelas águas. Entravam no açude para usá-lo como banheiro para si e seus animais de estimação. A garotada, em especial, esbaldava-se toda no futebol antes de darem aquele mergulho refrescante. Aqueles avisos de proibido pisar na grama já nem eram mais observados.

Quase todos estavam felizes. Os mais velhos ainda lamentavam, calados e indignados pela tamanha desobediência. Já nada falavam por medo de represálias ou por não quererem passar mais pelo constrangimento de serem tachados de retrógrados, radicais, bitolados, ridículos e ultrapassados.

Alguns meses depois algumas crianças começaram a adoecer e tragicamente três morreram numa mesma semana. Os mais velhos, aqueles que não entraram no açude, também adoeceram. Entre os jovens, haviam aqueles que usavam sua eloquência para transmitir uma sabedoria que nenhum deles realmente tinha. Eles diziam que o fato dos mais velhos terem igualmente adoecido, provava que a curtição no açude não estava relacionada com os recentes problemas de saúde. De fato, eles procuravam justificativas para aplacar suas consciências.
Alguns destes obedientes velhinhos também estavam morrendo em decorrência da doença. A cada um que era sepultado, todos diziam: Estava velho, havia chegado sua hora...

Depois foi a vez dos jovens e adultos. Muitos foram hospitalizados, medicados, mas alguns não resistiram e também faleceram. Os que ficavam já não tinham mais vigor para trabalhar e aquela fazenda que sempre fora muito produtiva e bem cuidada começou a definhar.

Após um ano fora de casa, o senhor, no caminho para sua fazenda, percebeu que alguma coisa estava errada. Ao chegar,um bom trabalhador de sua fazenda, esbaforido, logo relata para ele sobre a epidemia que se abatera por lá. Então o senhor lhe fez a seguinte pergunta: Vocês entraram no açude que eu ordenei que não entrassem? O trabalhador respondeu: Não vimos nada de mal nisto, senhor. Além do mais, é pouco provável que esta epidemia seja por causa dele... Estamos achando que é a água da torneira de nossas casas que está contaminada. O senhor logo replicou: Seguramente você está certo quanto à contaminação das águas das torneiras, mas absolutamente errado em não encontrar problema na desobediência de terem entrado no açude. Eu o construí para que fosse o manancial que abastece todas as residências desta fazenda.

Assustado com a resposta, o empregado perguntou ao chefe o porquê dele nunca ter revelado essa tão importante informação. Em sua resposta, o senhor da fazenda lhe perguntou: Por que vocês simplesmente não obedeceram minhas ordens? Sou eu quem deve dar satisfação a vocês do que é meu e como eu quero que seja feito?

Moral da história:
Questionar e racionalizar ordens e orientações do nosso Senhor pode trazer conseqüências desastrosas para todos nós.

sábado, novembro 05, 2011

A suficiência das Escrituras

Por Hernandes Dias Lopes 
 
A Reforma do século dezesseis foi um divisor de águas na vida da igreja e também na história da humanidade. A Reforma não foi uma inovação, mas uma restauração. Não foi a abertura de um novo caminho, mas uma volta às veredas antigas. Não foi a introdução de um novo evangelho, mas uma volta ao antigo evangelho. A Reforma foi uma volta à doutrina dos apóstolos, um retorno ao Cristianismo puro e simples. As verdades enfatizadas na Reforma podem ser sintetizadas em cinco “solas”: Sola Scriptura, Sola Fide, Sola Gratia, Solu Christu e Soli Deo Gloria. Vamos destacar agora o Sola Scriptura.

Todas as igrejas cristãs creem nas Escrituras e aproximam-se dela como Palavra de Deus. Porém, nem todas têm o mesmo conceito das Escrituras. A Bíblia não apenas contém a Palavra de Deus, a Bíblia é a Palavra de Deus. A Bíblia não é uma dentre as regras de fé e prática, mas nossa única regra de fé e prática. Destacaremos, aqui, três pontos importantes para a nossa reflexão.

Em primeiro lugar, as Escrituras são inerrantes. Jesus Cristo foi enfático em dizer que as Escrituras não podem falhar. Ele disse, também, que a Palavra de Deus é a verdade. Não há erros nas Escrituras. Não há contradição nos seus registros. Seus relatos não são mitológicos. A Palavra de Deus é fiel e verdadeira e digna de inteira aceitação. Nem uma das palavras de Deus pode cair por terra. Nenhuma de suas promessas pode fracassar. Pode passar o céu e a terra, mas a Palavra de Deus não vai passar. Ela permanece para sempre. Suas profecias se cumpriram, estão se cumprindo e cumprir-se-ão à risca. Deus conhece a história antes de ela acontecer. O próprio Deus que inspirou as Escrituras é quem dirige os destinos da história.

Em segundo lugar, as Escrituras são suficientes. Nada pode ser acrescentado às Escrituras. Ainda que um anjo venha do céu e pregue outro evangelho, além do que está registrado nas Escrituras, deve ser decisivamente rejeitado. Há dois desvios perigosos com respeito às Escrituras atualmente. O primeiro deles é o liberalismo teológico. Os teólogos liberais não creem na infalibilidade nem na suficiência das Escrituras. Aproximam-se dela não com fé, mas com suspeitas; não com humildade, mas com insolência; não com submissão, mas com rebeldia. Atribuem às Escrituras muitos erros. Afirmam que ela está cheia de falhas e que seus relatos históricos estão repletos de contradição. Afirmam que seus milagres não passam de mitos. Esses paladinos do engano e arautos da incredulidade retiram das Escrituras o que está nas Escrituras, atraindo sobre si mesmos a merecida punição de seu erro. O segundo desvio é o sincretismo religioso. Há muitos crentes que olham para as Escrituras como um livro mágico, usando-a apenas como uma espécie de amuleto religioso. Não a estudam com profundidade nem a aceitam como a única regra de fé e prática. Estão sempre buscando novas revelações e correndo atrás de novos sonhos e visões para nortear-lhes os passos. Se os liberais removem das Escrituras seu conteúdo, os adeptos do sincretismo acrescentam às Escrituras suas novas visões e revelações. Desta maneira, ambas as posições são um sinal de rebeldia contra Deus e uma evidência de insolente apostasia. Não precisamos de novas revelações. Tudo que precisamos saber para a nossa salvação, santificação e serviço está contido nas Escrituras. Devemos conhecê-la, obedecê-la e proclamá-la com fidelidade e senso de urgência.

Em terceiro lugar, as Escrituras são eficientes. As Escrituras não são apenas inerrantes e suficientes, elas são também eficientes. Elas realizam todo o propósito de Deus. Elas não voltam para Deus vazia. Elas são mais preciosas do que o ouro e mais doces do que mel. Elas são não apenas inspiradas, mas também úteis para toda a correção, repreensão e ensino. É por meio delas que Deus chama seus eleitos. É por meio delas que Deus santifica seu povo. É por meio delas que Deus consola seus filhos. É por meio delas que Deus fortalece a sua igreja e a equipada para cumprir sua missão.


quinta-feira, novembro 03, 2011

Minha igreja ou o Reino?

Por Ray Ortlund

“A minha paixão não é por edificar a minha igreja. Minha paixão é pelo Reino de Deus.”

Já ouviu alguém dizer isso? Eu já. Parece muito generoso, mas é errado. Pode até mesmo ser destrutivo.

Suponhamos que eu diga, “Minha paixão não é por edificar o meu casamento. Minha paixão é pelo Casamento. Eu quero que a instituição casamento seja reverênciada novamente. Vou trabalhar por isso. Vou orar por isso. Mas não espere que eu me curve às realidade diárias humilhantes de se edificar um grande casamento com a minha esposa Jani. Eu estou mirando em algo maior.”

Se eu dissesse isso, você pensaria, “Nossa, o Ray é tão comprometido”? ou você se perguntaria se eu fiquei louco?

Se você se preocupa com o Reino, seja o tipo de pessoa com quem se pode contar em sua própria igreja. Seja membro de sua igreja, ore por sua igreja, dê o dízimo a sua igreja, participe na sua igreja a cada Domingo com uma paixão inflamada em seu coração.

Nós edificamos ótimas igrejas da mesma forma que edificamos ótimos casamentos — comprometimento verdadeiro que faz a diferença todos os dias.

Traduzido e cedido gentilmente por Filipe Niel
Fonte: Iprodigo

terça-feira, novembro 01, 2011

O discipulado - bela animação

Você não vai querer não assistir a este vídeo:




Uma única observação: quando o texto bíblico diz "fazei discípulos," é necessário nos atentarmos que no original o verbo é transitivo e precisa NECESSARIAMENTE de um complemento: "de todas as nações." Não podemos evitar que a ênfasse do texto é o discipulado mundial.

domingo, outubro 30, 2011

“As crianças estão precisando de tapa na bunda”, diz terapeuta infantil

Para Denise Dias, que lança livro favorável à adoção de formas físicas de punição, falta de limites cria “geração de delinquentes”

Como explicar a uma criança a forma correta de agir? A dúvida, comum a muitas mães, divide especialistas. Mas há um ponto em que todos parecem concordar atualmente: bater para educar seria pouco eficaz e traumatizante para a criança. Poucos seguem outra linha de raciocínio. É o caso da terapeuta infantil Denise Dias, que lançou em outubro deste ano o livro “Tapa na Bunda – Como impor limites e estabelecer um relacionamento sadio com as crianças em tempos politicamente corretos” (Editora Matrix).

Desde 1998 o conselho da União Europeia está em campanha contra as palmadas. Ao todo, 22 países europeus, como Suécia, Áustria e Alemanha, criminalizaram punições físicas. Publicada em abril de 2010, uma pesquisa realizada com crianças entre três e cinco anos por cientistas da Universidade de Tulane, nos Estados Unidos, constatou que aquelas cujos pais costumavam disciplinar com tapas tinham 50% mais chances de desenvolver agressividade. No Brasil, tramita no congresso desde 2002 um projeto de lei que visa proibir as palmadas. Apoiado pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e por estrelas como Xuxa, o assunto ganhou notoriedade.

Com mais de dez anos atendendo crianças e adolescentes, inclusive em instituições dos Estados Unidos, Denise, no entanto, não vê problemas na adoção da palmadas educativas. “As crianças estão precisando de tapa na bunda”, diz a terapeuta. Ela vê a carência na imposição de limites às crianças como um dos principais problemas da geração atual: “virou uma bagunça tão grande que hoje nós temos uma geração de delinquentes adolescentes”. Confira a entrevista que ela concedeu ao Delas.

iG: Qual a ideia central do livro?
Denise Dias:
Eu vejo que as palmadas que os pais dão nos filhos, de vez em quando, não têm mal nenhum. “Monstrualizaram” a educação doméstica. Não se pode mais falar em tapa ou em castigo. Não se pode mais falar que os pais mandam nos filhos. Virou uma bagunça tão grande que hoje nós temos uma geração de delinquentes adolescentes. Podemos até falar que é uma geração drogada e prostituída também. A quantidade de jovens usuários de drogas só cresce ano após ano, isso não é falta de informação, é falta de limite. O que é, muitas vezes, imposto com um tapa na bunda.

iG: Qual a diferença entre palmada e agressão?
Denise Dias:
Não existe um “tapômetro” para mensurar isso quantitativamente. No Reino Unido, quando um pai é julgado (por algum tipo de agressão ao filho), eles observam se foi deixada alguma marca na criança. Esta seria uma forma mais palpável de medir.

iG: Um capítulo do seu livro fala sobre “criar monstros”. Você pode explicar essa ideia?
Denise Dias:
Em uma escada de hierarquia, onde ficam os pais? No topo. Onde ficam os filhos? Lá embaixo. Os pais possuem autoridade indiscutível perante os filhos. Para uma criança crescer saudavelmente, ela precisa de um adulto seguro que diga o que pode e o que não pode ser feito. Hoje em dia, ao invés de colocar limites, eles (os pais) estão filosofando excessivamente com as crianças. Costumo dizer que os pais ficam com “teses de doutorado”, explicando demais para uma criança de quatro, cinco anos de idade cujo cérebro não está formado adequadamente para formar abstração, formar filosofia. Por isso que um pai que mora no décimo andar não tenta explicar para a criança que ela pode cair da varanda. O que ele faz? Coloca rede em todas as janelas. É só uma criança, ela paga para ver.
iG: Você acha que a palmada é a melhor forma de exercer autoridade?
Denise Dias:
Não. Acho que é uma das alternativas e, muitas vezes, é o que resolve. Tem crianças que nunca precisam levar uma palmada, a mãe olha e ela já obedece. Tem criança, no entanto, que faz alguma coisa errada e, por mais que a mãe coloque-a de castigo e tire privilégios, continua mexendo onde não deve mexer. O que adianta? O que ela está pedindo? Tapa na bunda. As crianças estão precisando de tapa na bunda.

iG: Não existem outras formas de exercer a autoridade, como saber dizer “não”?
Denise Dias:
Com certeza. Isso eu abordo com clareza no meu livro. O tapa na bunda é um último recurso, mas muitas vezes ele é necessário.

iG: Como saber quando ele é necessário?
Denise Dias:
Quando você já chamou a atenção da criança, já tentou fazê-la parar de fazer o que não deveria estar fazendo, já tentou colocar de castigo e mesmo assim ela continua. O que essa criança está pedindo? Limites. Tem criança para as quais basta dizer algo como “vai ficar sem o cinema hoje”, que ela aprende. Ela não gosta daquilo, então se comportará, em uma próxima vez, para que não aconteça de novo. Mas existem crianças que testam incansavelmente os pais. São esses adolescentes que crescem e queimam um índio, atropelam skatistas...

iG: Bater nas crianças não pode ser considerado um pouco primitivo?
Denise Dias:
De forma alguma. Uma coisa é a palmada, depois que já tiveram vários outros tipos de punições que não deram certo. Outra coisa é um pai que chega estressado do trabalho, a criança faz algo como derrubar suco na mesa, por exemplo, e o pai, na sua ignorância, lasca um tabefe na criança. São situações muito diferentes.

iG: Qual a sua opinião sobre o projeto de lei que visa proibir a palmada?
Denise Dias:
Eu sou contra. Ele não é necessário. O Estatuto da Criança e do Adolescente já protege contra a violência. Vamos definir “violência”. A criança brasileira está prostituída na rua, está na cracolândia... A criança brasileira está chegando ao quinto ano do ensino público sem saber fazer uma conta de subtração. Isso é violência. Agora o congresso quer criminalizar uma palmada que um filho que olha para o pai e fala “cala a boca, seu idiota” toma? O pai que não coloca limites no filho está criando um monstro.

iG: O que levou você a escrever este livro agora, na contramão de diversos estudos e correntes pedagógicas que pregam justamente o fim das palmadas?
Denise Dias:
Para dizer a verdade, no meu convívio profissional o que eu mais conheço, graças a Deus, são profissionais a favor de umas palminhas para educar. Eu vinha escrevendo o livro desde 2009. Quando deu o boom sobre o assunto, por conta do projeto de lei, comecei a correr para terminar o livro.

Fonte: delas.iG

sábado, outubro 29, 2011

Lidando com a decepção na igreja

Por Kevin DeYoung

“Ninguém me apoiou.”
“Eu não era importante para ninguém.”
“Você não estava nem aí.”
Essas são algumas das coisas mais difíceis que um pastor pode ouvir de sua congregação, estejam elas se referindo diretamente a ele ou não. Essas situações também são algumas das mais agressivas que um membro pode acusar a igreja e, sem dúvida, das mais doloridas que um membro da igreja pode sentir. Mesmo assim, esses sentimentos acontecem, e esses pensamentos são verbalizados, muito freqüentemente na vida da igreja.
É fácil imaginar o que leva as pessoas a não sentirem amadas.
  • Um pastor que não visita uma família que perdeu de forma trágica uma filha em um acidente de carro.
  • Um casal visita igreja por seis meses. Eles nunca são convidados para almoçar na casa do pastor. Então começam a procurar por outra igreja.
  • Um estudante recém formado se sente invisível porque é solteiro e tímido. Ninguém se esforça para conhecê-lo. Após alguns meses saindo rapidamente da igreja após o culto para não ficar lá isolado, ele desiste da sua igreja, e talvez de qualquer igreja.
  • Um jovem rapaz é chamado ao conselho da igreja porque engravidou a namorada. Ele nunca se encontrou com o conselho assim, e se sente enfrentando a inquisição. Ele não nega que pecou, mas o cuidado pastoral que está recebendo não parece muito amoroso.
  • Uma das famílias mais tradicionais da igreja começa a faltar alguns cultos. Eventualmente, eles não aparecem mais. Quando você finalmente nota, já faz uns seis meses que eles sumiram. Quando você telefona para saber o que aconteceu, já é tarde demais.
  • Uma jovem que acabou se tornar mãe percebe que não foi convidada para o estudo bíblico das mães. Ela não sabe o porquê ao certo, mas imagina que tem algo a ver com seu passado. Após um ano se sentindo isolada, sua família deixa a igreja por causa de seus grupos fechados.
Existem muito mais situações desse tipo, todas muito doloridas, para as ovelhas e para os pastores. Como devem responder então os membros da igreja quando eles não se sentem amados, apoiados, ou se sentem como estrangeiros em sua própria igreja? E como devem responder os líderes da igreja quando são criticados por não se preocuparem com os membros ou a igreja falha por não ser muito amável?
A resposta mais fácil é assumir que o outro lado está sempre errado. Eu já conversei com cristãos (não necessariamente os da minha igreja) que mantém uma extensa lista de mágoas com a sua igreja. Eles nunca consideram que talvez sejam mais do que apenas vítimas indefesas. Eles talvez sejam parte do problema. Por outro lado, eu já estive em reuniões de pastores onde a grande afirmação por trás das conversas, piadas e reclamações é que eles têm servido fielmente, mas a igreja simplesmente não percebe.
Os dois lados seriam mais bem servidos se questionassem alguns pontos antes de baterem o pé e tirarem conclusões precipitadas.
Pastores e líderes, na próxima vez que forem criticados por não serem amáveis ou cuidadosos, se perguntem:
1. Nós temos algum mecanismo para conhecer pessoalmente nossas ovelhas? Como líderes, nós prestaremos contas pela forma como cuidamos das almas das outras pessoas (Hebreus 13.7). A Bíblia não ordena apenas uma forma única de cuidar da membresia, nós devemos trabalhar para ter algum processo que funcione. Se nunca perguntarmos “como a congregação está?”, ou ainda melhor, “como você, meu irmão, está?”, não podemos ficar surpresos ao acharmos muitas pessoas desapontadas.

2. Nós temos alguma forma de descobrir quando as pessoas não estão freqüentando culto? Você pode dar uma olhada, perguntar para os amigos ou se informar na recepção, mas nós precisamos ter uma idéia geral de quem não está sendo fiel à membresia do culto. No Livro de Ordem da minha Igreja estipula que sempre falemos sobre isso nas reuniões do conselho de líderes. O primeiro passo para descobrir quem está sumido é começar a procurar e começar a falar sobre isso.

3. Estamos confrontando os grupos fechados na nossa igreja? A linha que separa uma comunidade de uma elite é tênue. Mas se há uma diferença central, é a abertura. Uma comunidade saudável recebe bem as pessoas novas. Uma elite procura formas de manter as pessoas novas do lado de fora. Pastores precisam confrontar o problema dos círculos fechados de forma direta – na pregação, nas decisões da igreja, e nas conversas pessoais. Os líderes também deve se assegurar de não estarem em grupos fechados. É bom ter bons amigos. Mas os amigos que excluem todos os outros são muito ruins.

4. Há maneiras fáceis e identificáveis de os tímidos e mais reservados se envolverem e serem conhecidos pelos outros? Os mais enturmantes e extrovertidos se sentirão em casa, na igreja, rapidamente. Mas ‘pontos de entrada’ bem divulgados e convites pessoas são necessários para muitos outros.

5. É possível que estejamos mais em falta do que imaginamos? Liderar não significa dizer que está errado toda vez que o Senhor Sensível se sente ofendido. Mas significa estar sempre aberto para a possibilidade que você errou mais do imagina.

6. Temos feito promessas que não cumprimos? Não há nada mais perigoso do que boas intenções bem divulgadas e mal executadas. A liderança cria um programa de visitação às famílias, mas só visitam metade. Um pastor promete continuar uma conversa ali no hall de entrada da igreja após atender o celular, mas acaba esquecendo. A igreja promete que todos os membros terão um mentor, mas no fim das contas não há mentores o suficiente. Não crie expectativas tão altas que você fatalmente não alcançará.

7. Os críticos são sempre críticos? Pastores podem perder tempo com murmuradores. Quando o fazem, eles geralmente estão muito cansados para prestar atenção quando membros leais oferecem críticas bem fundamentadas. Não devemos gastar muito tempo ouvindo as reclamações de sempre, exceto aquelas que vêm de um novo reclamão. Em outras palavras, considere a fonte das críticas, e lembre-se que “Quem fere por amor mostra lealdade.” (Provérbios 27.6)

Quanto aos feridos e desapontados, antes de criticar seus líderes, se pergunte:
1. Eu pedi ajuda? Pastores e líderes não são oniscientes. Mesmo com as melhores estratégias de pastoreio, as pessoas cometem falhas. Se você realmente precisa de ajuda, não deixe de pedir. Eu sei que todos querem ser notados. Mas é difícil para uma dúzia de pessoas notarem cinco mil, ou vinte e poucos notarem dois mil. Ajude os seus líderes a te ajudarem.

2. Eu deixei de lado as oportunidades de me encaixar e conhecer pessoas? Antes de reclamar que você esteve na igreja por seis meses e não conheceu ninguém, pense nas maneiras que você pode fazê-lo nos próximos seis. Há algum pequeno grupo que você pode freqüentar? Há um culto mais informal que você pode comparecer? Que tal se oferecer para ajudar no berçário na próxima vez que precisarem? Você tentou aparecer nas reuniões de esportes ou de oração? 90% de “amar e ser amado” é comparecer.

3. É realista imaginar que os líderes podem dar tanta atenção pessoal para todos os membros da igreja quanto eu imagino que deveriam? É fácil pensar “tudo o que eu queria era uma visita. Não me diga que eles estavam tão ocupados que não poderiam reservar apenas uma noite para a minha família”. Mas lembre-se que você não é o único membro da igreja. Se a quantidade de carinho que você espera de seus líderes não pode ser multiplicada pelo número de pessoas da igreja, talvez você esteja esperando além da conta. Se você quer tudo, sempre estará desapontado.

4. Se eu realmente queria ser amado e notado, porque deixei de aparecer? De um lado, líderes da igreja deveriam saber quando os membros da igreja se desviaram. Bons pastores mantêm os olhos nas suas ovelhas. Por outro lado, se as ovelhas querem ser cuidadas pelo rebanho, elas não devem se afastar dele. As pessoas se magoam quando sua ausência na igreja não é notada. Mas eu tenho dificuldade em sentir muita simpatia nesse caso, a não ser que você esteja lidando com alguém com problemas de reclusão ou alguém cuja ausência não é voluntária. Não fuja se você quer ser achado.

5. Estou disposto a considerar que eu esteja mais em falta do acredito estar? Se parece que seus líderes nunca fazem nada certo, talvez seja você que está dificultando a vida – a sua e as deles.

6. É possível que eu tenha deixado de lado as maneiras que o corpo de cristo cuidou de mim porque eu esperava que uma parte diferente do corpo fosse atrás de mim? Algumas vezes os membros da igreja vão dizer “Tudo bem, meu pequeno grupo me mandou cartas, mas o pastor nunca telefonou”. Ou “Sim, os pastores sempre foram muito amigáveis comigo após o culto, mas ninguém da minha idade falou comigo”. Ou “Eu sei que os líderes se importam comigo, mas isso é o trabalho deles”. Ou, ao contrário, “Certo, meus amigos oraram por mim, mas eu nunca soube que os líderes o fizeram”. Antes de se preocupar com isso, lembre-se que o objetivo do corpo é cuidar do corpo, e não que o ombro sempre receba uma massagem especial da sua mão favorita.

7. Em geral, eu acho essa igreja e esses líderes pouco amáveis e cuidadosos? Se a resposta é sim, e você lida bem com a Questão 5, então talvez você precise de uma igreja diferente. Mas se a resposta é não, pense em dar uma segunda chance para seus líderes. Talvez eles tenham apenas dado uma mancada. Todos nós erramos de vez em quando. Eu sei que eu erro. Talvez eles estivessem muito ocupados e deram bobeira. Ou talvez você não saiba da história toda. De qualquer forma, não deixe que um equívoco afete a impressão que você tem da igreja.

Tanto para ovelhas como para pastores, os ingredientes indispensáveis para viver juntos são amor e humildade. Amor para cuidarmos dos outros como queremos ser cuidados. Humildade para considerarmos que talvez estamos em falta. É inevitável nos decepcionarmos com a igreja. Mas isso não precisa destruir a unidade do corpo de Cristo. O Senhor pode usar nossas mágoas para nos fazer lentos para falar e prontos para ouvir.

Traduzido por Filipe Schulz
Fonte: iPródigo

sexta-feira, outubro 28, 2011

O poder do encorajamento

Por Paul Tautges

Alguma vez você já experimentou o poder do encorajamento? Lembro-me de muitas vezes, ao longo dos anos, nas quais Deus providenciou crentes fiéis que foram “outrocêntricos” o suficiente para chegar ao meu lado e fortalece as minhas mãos para a Sua obra.

O apóstolo Paulo tinha um homem ao seu lado chamado Onesíforo. Ele é um dos servos que costumam passar despercebidos nas Escrituras. Seu nome já diz tudo. Onesíforo significa “portador de um benefício” − exatamente aquilo que ele era. Quando Paulo, sentado em uma prisão romana, considerava as últimas palavras que ele escreveria sob a inspiração do Espírito Santo, o nome de seu amigo fiel não poderia deixar de lhe vir à mente. E com ele aprendemos três qualidades de um encorajador fiel.

Um encorajador oferece motivação nova em meio a uma situação de rejeição ministerial.
“Você sabe que todos os da província da Ásia me abandonaram, inclusive Fígelo e Hermógenes. O Senhor conceda misericórdia à casa de Onesíforo, porque muitas vezes ele me reanimou e não se envergonhou por eu estar preso” (2Tm 1.15,16). Como pregador do evangelho e de todo o conselho de Deus, Paulo estava acostumado ao abandono. À semelhança de Jesus, ele estava cercado de muitas pessoas que pegavam carona ao seu lado, mas quando o compromisso com os caminhos de Deus e a Palavra de Deus significava desconforto e até mesmo perseguição, a multidão partia e ele ficava com poucos fiéis.

Onesíforo, um daqueles servos fiéis, reanimou Paulo. Esta é a única ocorrência da palavra reanimar no Novo Testamento. Ela retrata alguém que providencia uma brisa refrescante para a pessoa que está prestes a desmaiar. Nossos dias não são muito diferentes daqueles em que Paulo viveu. São muitas as pessoas que pegam carona e “seguem” a Jesus, até que o desapontamento bate à sua porta ou que o morrer para si mesmo torna-se uma realidade. Que Deus desenvolva em cada um de nós a perseverança necessária para sermos encorajadores fiéis em longa distância.

Um encorajador dedica-se a reanimar os outros com grande entusiasmo.
O versículo seguinte diz: “…quando chegou a Roma, procurou-me diligentemente até me encontrar” (2Tm 1.17). Onesíforo não ficou esperando nem mesmo orando por oportunidades para servir. Assim que ele soube de uma necessidade, ele agiu de acordo com ela, mesmo que isso significasse sair à procura de uma prisão romana onde encontraria seu irmão. Não devemos permitir que nossa perspectiva de ministério em vidas seja ditada pela “cultura da conveniência”. Ser um encorajador fiel exige que sejamos pessoas de iniciativa que buscam formas de reanimar outros crentes, mesmo que isso signifique sacrifício pessoal ou desconforto.

Um encorajador mostra lealdade diante da adversidade.
A adversidade revela quem são de fato os seus verdadeiros amigos. Em contraste com todos os que estavam na Ásia, e que se afastaram de Paulo, Onesíforo “não se envergonhou” da prisão de Paulo (1.16). Ele conhecia o significado de Provérbios 17.17: “O amigo ama em todos os momentos”. Mais adiante, Paulo escreveu: “Na minha primeira defesa, ninguém apareceu para me apoiar; todos me abandonaram” (2 Tm 4.16 ). No entanto, três versículos depois, ele pediu a Timóteo que levasse suas saudações à casa de Onesíforo (4.19). Seu espírito corajoso e sua devoção a Paulo estabeleceram um forte contraste com a infidelidade de tantos outros.

Ser um encorajador fiel exige uma lealdade que resiste em tempos difíceis. O exemplo de Onesíforo é digno de imitação. Que Deus nos conceda a graça de sermos “outrocêntricos” para que os crentes ao nosso redor possam experimentar o verdadeiro poder do encorajamento.

E você, a quem vai reanimar hoje?

Fonte na língua original: Counseling One Another
Original: The power of encoragement
Tradução e fonte de Conexão Conselho Bíblico

terça-feira, outubro 25, 2011

A Utilidade da Decepção

Por Thomas Tronco

Meu primeiro ano na faculdade de odontologia, dezenove anos atrás, foi um tempo marcante em todos os sentidos. Em primeiro lugar, havia uma enorme euforia de estar na faculdade aprendendo teorias e técnicas que me acompanhariam profissionalmente no futuro e abririam portas de um trabalho missionário. É claro que, com isso, a expectativa da formatura já começava a abrasar o coração inquieto. Depois, cresceu em mim um sentimento de responsabilidade, já que as matérias eram muito difíceis, exigindo o máximo empenho dos alunos, e a quantidade de livros, apostilas e roteiros a serem estudados era, às vezes, tão grande, que tornava difícil o seu transporte.

Contudo, meu primeiro ano também foi marcado por um sentimento de extrema derrota. Isso porque uma das duas matérias semestrais que tive terminou com um resultado negativo. Na primeira prova, ainda não adequado ao ritmo universitário, obtive uma nota muito difícil de recuperar. Decidido a mudar esse quadro, dediquei-me de tal maneira que estava certo de que viria a comemorar tão logo visse meu nome no quadro de notas. Mas, apesar de ter ido bem na prova, não deu! O dano causado na primeira prova tornou muito difícil a recuperação na segunda. Lembro-me, como se fosse hoje, da decepção que senti.

Infelizmente, a decepção não costuma andar sozinha. A desesperança é sua companheira de viagem. Era ela que eu carregava diariamente ao enfrentar as dificuldades das outras matérias. Como eram matérias anuais, o início, não muito convincente, podia ser revertido em aprovação. Mas quem disse que havia em mim esperança de conseguir? Eu pensava: “Se fracassei na primeira matéria, por que não fracassaria também nas outras? Se fui incapaz de passar naquelas provas, de onde tirei a ideia de que sou capaz para qualquer coisa?”. Fui consumido muito tempo por essa tristeza, amargura e frustração.

Como reação natural ao medo do fracasso, criou-se em mim a mentalidade acadêmica que pudesse cumprir as responsabilidades de estudo, de horários, de presença, de realização de trabalhos e da humildade necessária para saber como se postar ante o ensino. Contra minhas expectativas, fui aprovado nas três disciplinas que eu achava que não seria capaz de vencer, todas elas por um décimo de ponto a mais do que a nota de que eu necessitava.

O misto de sentimentos que tive ao longo das férias de verão, tanto de alegria pelo êxito como de incerteza sobre a capacidade pessoal, me fez voltar uma nova pessoa no ano seguinte. Aproveitei o melhor que pude o restante do curso, comprometendo-me além do exigido. A verdade é que o modo como passei a lidar com o aprendizado e com a responsabilidade pessoal me acompanha até hoje, pelo que nunca deixarei de ser grato pela minha derrota inicial e por toda a decepção que senti. Sempre agradeço a Deus pela preciosa lição com a qual ele me modelou.

Perece ter sido essa a mesma experiência de Pedro que, depois de afirmar orgulhosamente que nunca negaria a Cristo, chegando até mesmo ao ponto de morrer com ele (Mt 26.33-35), teve o desprazer de negar seu Mestre três vezes diante de serviçais (Mt 26.69-74). Consigo entendê-lo perfeitamente quando Mateus narra: “E, saindo dali, chorou amargamente” (Mt 26.75). Também sei o efeito que a atuação inesperada, mas restauradora, do chamado de Cristo por meio dos anjos tem: “Mas ide, dizei a seus discípulos e a Pedro que ele vai adiante de vós para a Galileia; lá o vereis, como ele vos disse” (Mc 16.7). Chamar Pedro pelo nome foi a confirmação de que ele não havia sido rejeitado e que podia por de lado a decepção e continuar. O final da vida de Pedro foi em uma cruz, com sua cabeça virada para baixo, confessando pública e ousadamente a fé no seu Senhor.

Impressionante! Quantas vezes tenho de lembrar dessa lição para não ser consumido pela decepção, frustração, desesperança e pela sensação de fracasso e incapacidade. Contudo, a lição de Deus me enche de forças, pois sei que ele está comigo; enche-me de esperanças, pois já o vi tomar-me pela mão e me erguer; enche-me, também, de conforto, pois aprendi de fato a preciosa, humilhante e encorajadora lição. Nas mãos de Deus, até a desilusão tem sua utilidade!

domingo, outubro 23, 2011

A Brevidade da Vida

Por Vlademir Hernandes

Quando alguém do nosso relacionamento morre prematura, repentina e inesperadamente, é inevitável que uma enxurrada de pensamentos flua através das nossas mentes. No meio dos mais variados questionamentos que possamos fazer e das mais inalcançáveis respostas que ansiamos encontrar, há uma indagação bastante recorrente e que de tão incômoda eventualmente acaba sendo útil: “Quando será a minha vez?”.

Por mais que eu e você evitemos pensar nestes termos ou busquemos encontrar algum alento nas estatísticas sobre a longevidade e expectativa de vida nos nossos dias, é importante que consideremos atentamente aquilo que a Palavra de Deus repetidas vezes nos ensina: “A vida é breve e nossa partida é iminente!”.

O salmista percebe a importância desta constatação quando clama: “dá-me a conhecer, SENHOR, o meu fim e qual a soma dos meus dias, para que eu reconheça a minha fragilidade” (Sl 39:4). Sua consideração subsequente é igualmente apropriada: “com efeito, passa o homem como uma sombra; em vão se inquieta; amontoa tesouros e não sabe quem os levará” (Sl 39:6).

Nesta linha, a um que encontrou segurança nos bens terrenos que tanto valorizou quanto se aplicou a acumular, Jesus pergunta: “Louco, esta noite te pedirão a tua alma, e o que tens preparado, para quem será?” (Lc 12:20). A outros que desprezavam a vontade de Deus ao fazerem planos gananciosos e prepotentes, Ele adverte: “Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa.” (Tg 4:14).

Quando o salmista reflete sobre a brevidade da vida, sobre a improdutividade e desprazer que acompanham a velhice ele treme diante da possibilidade de desperdiçar a vida no erro e na provocação a Deus. Seu clamor cabe muito bem na nossa boca: “Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio.” (Sl 90:7-12).

Nossa vida passa muito rapidamente, entretanto o nosso chamado e vocação foram revelados muito claramente. Há muita coisa relevante, conforme Sua vontade e para a Sua glória que precisamos urgentemente priorizar em nossas breves e frágeis vidas. Se você fosse partir hoje, quais seriam seus arrependimentos? Que o Senhor nos ajude a refletir nas coisas que consomem nosso tempo, talentos e recursos e nos ensine a correr atrás daquilo que de fato tem valor eterno!

Quanto sucesso profissional? Quantos bens acumulados? Quanto conforto? Quanto prestígio? Quanta roupa da moda? Quantas viagens? Quanto lazer? Quanto prazer? Quanto tempo à televisão? Quanto desperdício!

Ensina-nos, SENHOR, a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio, e vivamos de modo digno de Ti!

Fonte: IBCU

sábado, outubro 22, 2011

P.T. Forsyth: É possível...

It is possible to be so active in the service of Christ as to forget to love him.

É possível ser tão ativo no serviço de Cristo, como esquecer de amá-lO.

-- P.T. Forsyth

quinta-feira, outubro 20, 2011

Encontros e Desencontros no 6° Congresso Brasileiro de Missões

Por Thomaz Litz
Missionário da JUVEP no alto sertão paraibano, coordenador do Projeto Radical Sertão e professor na Escola de Missões Transculturais. É mestre em Missiologia (M.A.) e em Direito (LL.M.). Casado com Mayra com quem tem dois filhos (veja no site da Juvep - clique).

Nas 17 horas de viagem retornando do 6° Congresso Brasileiro de Missões em Caldas Novas / GO, com o tema “a missão transformadora diante da realidade mundial”, tive muito tempo para refletir.

1. A realidade mundial


Percebo que a realidade mundial, apesar de tema, quase não foi comentada no Congresso. Pouco se falou a respeito dos movimentos revolucionários do mundo árabe, especialmente no Norte da África e no Oriente Médio. Tampouco da crescente influência turca sobre a “primavera árabe”. Mesmo na palestra “a ação missionária e os sistemas totalitários”. Nada se comentou a respeito da secularização, da radicalização dos conflitos étnicos, do ressurgimento do nacionalismo e da crise financeira na Europa, com possibilidade real de dissolução da zona do euro. Mesmo na palestra “como tornar o Evangelho relevante num mundo secularizado”. Ninguém se lembrou do galopante desemprego nos Estados Unidos e dos problemas sociais resultantes, tais como moradores de rua e crescente mendicância. Mesmo nas palestras “projetos de ação social nas favelas dos grandes centros” e “inclusão social e a evangelização”. Passou despercebida a ascensão econômica e política da China e a dinâmica social na Ásia. Não se conversou sobre os outros emergentes (BRICS), especialmente Rússia, Índia (talvez com 70 milhões de cristãos), China (talvez com 100 milhões de cristãos) e África do Sul. Esqueceram-se dos mais dinâmicos movimentos missionários atuais, entre eles o fenômeno indiano (talvez 50.000 missionários transculturais), a força nigeriana, as contradições sul-coreanas (11.247 missionários transculturais), a simplicidade filipina (2.145 missionários transculturais), as surpresas vindas de Mianmar (1.953 missionários transculturais), Nepal (600 missionários transculturais) e Indonésia (421 missionários transculturais), o enigma chinês e egípcio.[1] Todos esses assuntos estão em pauta na arena mundial e são de profundo impacto na práxis missionária.

2. Diante da missão transformadora
Falamos, e muito, sobre a missão transformadora. Concordamos em fazer teologia de missões a partir de Gênesis 1, e não somente a partir do capítulo 3 do primeiro livro da Bíblia, ou até mesmo do Novo Testamento. Mas nesse afã integral de entender a palavra de Deus, misturamos mandato cultural com mandato missionário. Chegou-se a afirmar que “Deus fez primeiro ação social, depois evangelizou”[2], referindo-se à criação, obviamente anterior à pregação. Deixamos de ser holísticos, quando colocamos o social acima ou anterior à evangelização. Fica a pergunta: precisamos poupar o maior número de vidas através da ação social, para depois evangelizá-las? Ou precisamos viver o Evangelho em palavra e ação para o maior número de pessoas, poupando-as assim da morte física e espiritual? Ação social sem Evangelho é humanismo, não Missões. Tentou-se entender a missão diante dos impactos negativos no meio ambiente e a implicação do mandato cultural para a Igreja. Mas se perdeu a chance de reacender a chama missionária da igreja evangélica brasileira, quando se elegeu ecologia como tema central do Congresso. Não seria esse um tema da ética cristã, bem melhor inserida no próximo Encontro do RENAS (Rede Evangélica Nacional de Ação Social)? Falou-se muito, fez-se pouco. Toneladas de papel foram distribuídas aos congressistas, às vezes até contra sua vontade.

3. Faróis no oceano
Apesar de alguns desencantos, o 6° CBM também teve seus momentos de brilho. Buscou-se a unidade do corpo de Cristo com o lançamento da Aliança Evangélica. Ficamos tocados com a apresentação magistral sobre a vida missionária de Paulo feita por Hernandes Dias Lopes. Dois pastores e líderes indígenas, Henrique Terena e Eli Tikuna, nos abençoaram com sua integridade de vida e relatos sobre o avanço do CONPLEI (Conselho Nacional de Pastores e Líderes Evangélicos Indígenas). Aurivan Marinho, após discorrer com maestria sobre as falsas dicotomias entre teologia e missões, intelectualidade e piedade, dons e frutos do Espírito, espiritualidade e serviço, planejamento e direcionamento do Espírito, lembrou-nos que circunstâncias como fome, martírio e perseguição não podem determinar a agenda da igreja. Augustus Nicodemos apresentou a teologia da evangelização mundial de Paulo. Finalizando o Congresso, fomos chacoalhados por Ronaldo Lidório. Ainda existem no mundo 2.500 línguas sem tradução bíblica e 1.450 povos sem igreja autóctone. No Brasil, os oito maiores desafios missionários são: (1) as 121 etnias indígenas sem o Evangelho; (2) 10.000 comunidades ribeirinhas a serem alcançadas; (3) 700.000 ciganos da etnia calón sem escrita decifrada; (4) no mínimo 120 comunidades quilombolas sem o Evangelho; (5) inúmeros estrangeiros de países fechados ou de difícil acesso ao Evangelho vivendo no Brasil; (6) os ricos dos ricos, (7) os pobres dos pobres e (8) os excluídos vivendo às margens do Evangelho.[3]

4. Desvendando a neblina
Fazendo um balanço, o melhor do CBM não são as palestras. São os encontros e reencontros, a rede de contatos e as conversas de corredor. Num desses esbarrões no almoço recebi uma aula de missiologia por Bijoy Koshy, indiano, diretor da maior região geográfica da Missão Interseve (Américas e Pacífico Norte) e presidente da Associação de Missões da Índia, provavelmente a maior associação de missões do mundo. Conversamos sobre os movimentos missionários na Ásia e Brasil. A seguir algumas reflexões pessoais a partir desse interessante diálogo:

(1) O multiculturalismo brasileiro e a pluralidade evangélica normalmente são elencados como trunfos a favor do missionário brasileiro. No entanto, o denominacionalismo constrói muros intransponíveis e a competição entre agências missionárias muitas vezes impede parcerias amplas e solidárias.

(2) O viés prático do movimento missionário brasileiro é uma de suas marcas. Porém, corre-se o risco do pragmatismo metodológico. Métodos tornam-se mais importantes do que princípios, meios mais valorizados do que fins.

(3) A crescente reflexão acadêmica do movimento missionário brasileiro sobre si mesmo é perceptível. No entanto, grande parte dela ainda é feita por missionários de origem estrangeira, mesmo que os consideramos “patrimônio nacional”. Quando feita por brasileiros, boa parte da literatura missionária sai das penas de pastores à frente de grandes igrejas nos megacentros urbanos, muitos sem vivência pessoal no campo missionário transcultural. Poucos missionários brasileiros com experiência transcultural publicam livros missiológicos. Boa parte deles receberam sua formação em mestrados e doutorados norte-americanos. Fica patente: ainda somos intelectualmente dependentes do exterior. Missionários de origem estrangeira e pastores de grandes centros urbanos podem e devem refletir sobre missões. Mas o missionário brasileiro precisa refletir sua experiência missionária própria, através de formação acadêmica adequada, incentivos financeiros, tempo para estudo e ambiente reflexivo.

(4) Uma vasta experiência no contexto religioso do catolicismo popular, ou pelo menos no contexto cristão secularizado, é a nossa marca. No entanto, pouca familiaridade temos com as três maiores religiões não-cristãs do mundo: budismo, hinduísmo e islamismo. Exatamente estas são majoritárias no continente mais populoso e menos alcançado do planeta. Na Ásia, somente 8,6% das pessoas consideram-se cristãs, enquanto 91,4% seguem outras religiões e 60% das etnias são considerados não-alcançados (2.545 na Índia, 520 na China e outras tantas no Paquistão, Nepal e Bangladesh).

(5) Graças à democracia, ao avanço institucional e à estabilidade econômica, vivemos um período de paz e prosperidade financeira. Avança também o individualismo, consumismo e hedonismo. Destarte, em termos gerais, o movimento missionário brasileiro tem pouca experiência com perseguições por parte de grupos religiosos ou governos. Metodologias missionárias testadas na democracia com fundo cristão não são eficazes em países de difícil acesso ou fechados ao Evangelho. Resultado: temos pouca criatividade no acesso a países fechados e pouca flexibilidade na adoção de novas metodologias, por exemplo “business as transformation”, “business as mission” e “insider movements”.

(6) Nossa geografia gera um distanciamento natural em relação aos grandes e dinâmicos movimentos missionários da Ásia e África. Tanto é que durante o 6° CBM, pouquíssimos representantes de outros países emergentes estavam presentes.

Por conta dessas nossas características, realidades e contradições, o movimento missionário brasileiro continua concentrado nos países da América Latina, da Península Ibérica, nas ex-colônias portuguesas da África (Angola, Moçambique, Guiné Bissau, Cabo Verde) e Ásia (Timor Leste). Precisamos de um esforço consciente para quebrar as barreiras geográficas (isolamento), lingüísticas (português e espanhol), religiosas (animismo e catolicismo), denominacionais (individualismo e competição), metodológicas (pragmatismo) e intelectuais (dependência anglo-saxão) do movimento missionário brasileiro, a fim de chegar aos países mais populosos e com as etnias menos alcançadas da Ásia. Para tanto, o Congresso Brasileiro de Missões pode continuar sendo um valioso instrumento, desde que não perca o foco – o Evangelho todo, a todo homem e ao homem todo.


[1]Números apresentados por Bijoy Koshi, “Novos Paradigmas de atuação missionária na Ásia”, 6° Congresso Brasileiro de Missões, anotações pessoais.
[2]Ariovaldo Ramos, “A Missão Integral e a Ética da Manutenção”, 6° Congresso Brasileiro de Missões, anotações pessoais.
[3]Ronaldo Lidório, „O Evangelho: princípios, práticas e contextualização”, 6° Congresso Brasileiro de Missões, anotações pessoais.

quarta-feira, outubro 19, 2011

180, o filme – 33 minutos que mudarão sua opinião sobre aborto


A Living Waters produziu recentemente um documentário fantástico sobre aborto. São 33 minutos que farão você pensar sobre o assunto. Cabe lembrar que o filme possui algumas cenas fortes, então recomendamos cuidado. Por fim, esperamos que você valorize a vida humana ainda mais após vê-lo.

ATENÇÃO: você precisa ativar a legenda do Youtube em português para poder vê-la.




Fonte: Voltemos ao Evangelho

terça-feira, outubro 18, 2011

Prioridades do Senhor Jesus (8): o Pregar

Por Fernando Leite
Sermão transcrito

Esta é a última de uma série de oito mensagens sobre as prioridades do Senhor Jesus Cristo. Quero recordar inicialmente o que abordamos lá atrás, na primeira mensagem. Vimos, então, uma prioridade declarada explicitamente pelo Senhor Jesus, quando diz: Busquem em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça (Mt 6.33). Naquela ocasião, pudemos olhar para o que tem acontecido na história humana. Depois de tersido criado, o homem cai e se torna cúmplice das trevas, dos poderes das trevas, dos espíritos e de anjos rebeldes, até que Deus age, vindo até nós para nos salvar e nos resgatar como um povo para Si.

Antes mesmo que o Senhor Jesus chegasse, João Batista já viera, pregando e anunciando: Está próximo o Reino dos Céus. Arrependam-se (Mt 3.2). Mas não foi só João Batista; o Senhor Jesus Cristo fez o mesmo quando veio. O texto de Mateus diz: Daí em diante, Jesus começou a pregar: “Arrependam-se, pois o Reino dos céus está próximo” (Mt 4.17).

Quero destacar inicialmente esta expressão “pregar”, que aparece em Jesus começou a pregar. O verbo grego empregado aqui significa uma proclamação ou uma declaração oficial, que não correspondia ao modo usual de se falar. Este verbo era utilizado nas circunstâncias em que alguém fazia uma declaração oficial. Na nossa sociedade, talvez fosse correspondente a “publicar no Diário Oficial”. Portanto, quando o Senhor Jesus vem, Ele traz a palavra oficial daquele que O enviou, e dá a seguinte mensagem: Arrependam-se! O Reino dos Céus está próximo.