terça-feira, março 23, 2010

Devocional em Tiago: Guerra ou Resistência

18- Guerra ou Resistência
por Reinaldo Bui

De onde vem as guerras e contendas que há entre vocês? Não vêm das paixões que guerreiam dentro de vocês? Vocês cobiçam e não alcançam; matam e invejam, mas não conseguem obter o que desejam. Vocês vivem a lutar e a fazer guerras. Não tem, porque não pedem, não recebem, pois pedem por motivos errados, para gastar em seus prazeres. Adúlteros, vocês não sabem que a amizade com o mundo é inimizade com Deus? Quem quer ser amigo do mundo faz-se inimigo de Deus. Ou vocês acham que é sem razão que a Escritura diz que o Espírito que ele fez habitar em nós tem intensos ciúmes? Mas ele nos concede graça maior. Por isso diz a escritura: Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes. Portanto, submetam-se a Deus. Resistam ao diabo, e ele fugirá de vocês. Aproximem-se de Deus, e ele se aproximará de vocês! Limpem as mãos, pecadores, e purifiquem o coração, vocês que têm a mente dividida. Entristeçam-se, lamentem e chorem. Troquem o riso por lamento e a alegria por tristeza. Humilhem-se diante do Senhor, e ele os exaltará (Tg 4.1-10).

Adúlteros? Será que Tiago não está pegando pesado demais? Temo que não, pois flertar com o pecado é adultério. Só que ele não está tratando de infidelidade em termos sexuais, mas espirituais. De uma maneira geral, podemos definir adultério como um ato de infidelidade no contexto de um pacto de amor – como o que temos com Jesus. Esta era uma expressão comum no AT e um perigo constante em nossas vidas, portanto é bom que estejamos atentos às marcas que caracterizam o adultério espiritual.

Primeiramente, conheça a verdadeira raiz deste mal, pois é sempre a mesma: egolatria (auto-suficiência, auto-glorificação, auto-satisfação, auto-justiça, auto-defesa, etc.). Radicalmente o adultério tem em vista a não satisfação do Senhor com quem temos um pacto, mas do EU mesmo. Por isso Tiago escreve: Vocês... pedem por motivos errados, para gastar em seus prazeres. O que ele diz não é nenhuma novidade: nossos pedidos são sempre voltados para nossos desejos. Desfrutar da salvação que há em Cristo e se conduzir por motivações egoístas deste mundo, com ele flertando é adultério espiritual. A amizade com o mundo é inimizade com Deus, pois este flerte envolve amor emocional, intimidade, compartilhamento de interesses, objetivos e obediência a um ou a outro. Não há como conciliar o servir a Deus e a mim mesmo conforme os padrões do mundo.

É necessário também, perceber como este tipo de adultério se manifesta: ... guerras e contendas... entre vocês... paixões que guerreiam dentro de vocês... cobiçam... matam e invejam... vivem a lutar e a fazer guerras... pedem por motivos errados, para gastar em seus prazeres... amizade com do mundo.

Será que é mesmo assim? Quantas vezes somos tomados por um espírito faccioso diante de uma opinião adversa? Detestamos perder uma discussão, por mais boba que seja. Odiamos ter que pedir perdão. Abominamos a ideia de sequer admitir que estamos errados. Pode parecer bobagem, mas as consequências disto tudo são catastróficas! No âmbito social colhemos guerras, contendas e confusão; no âmbito pessoal culpa e frustração por não alcançar, não receber ou não obter o que desejamos; e, principalmente, o nosso relacionamento com Deus fica comprometido. Como reverter esta situação? O mais importante é entender que é só pela graça. O texto diz que Deus “nos concede graça maior!” A base do nosso relacionamento com Deus é sempre sua graça ilimitada. Paulo também tocou neste assunto quando escreveu: ... onde abundou o pecado, superabundou a graça! (Rm 5.20). Mas Tiago mostra também uma serie de ações que precisamos desenvolver para combater este mal: ...submetam-se a Deus. Resistam ao diabo, e ele fugirá de vocês. Aproximem-se de Deus, e ele se aproximará de vocês! Limpem as mãos, pecadores, e purifiquem o coração, vocês que têm a mente dividida. Entristeçam-se, lamentem e chorem. Troquem o riso por lamento e a alegria por tristeza. Humilhem-se diante do Senhor, e ele os exaltará.

Humildade é a condição para Deus trabalhar, para desfrutar de tudo o que Ele quer lhe dar. A verdadeira humildade consiste em estabelecer uma relação de submissão a Deus, resistência ao Diabo e aos nossos próprios desejos egoístas. Viver em comunhão com Deus se dá através da Palavra, oração e adoração. Quando sua razão de viver for a exaltação, a honra e a satisfação do Senhor, Ele cuidará de você.

Veja o texto anterior

domingo, março 21, 2010

Devocional em Tiago: Sabedoria Vs. Sabedoria

17- Sabedoria Vs. Sabedoria.
Por Reinaldo Bui

Quem é sábio e tem entendimento entre vocês? Que o demonstre por seu bom procedimento, mediante obras feitas com a humildade que provém da sabedoria. Mas, se vocês abrigam no coração inveja amarga e ambição egoísta, não se gloriem disso, nem neguem a verdade. Esta “sabedoria” não vem do céu, mas é terrena, não é espiritual e é demoníaca. Pois onde há inveja e ambição egoísta, aí há confusão e toda espécie de males. Mas a sabedoria que vem do alto é antes de tudo pura; depois, pacífica, amável, compreensiva, cheia de misericórdia e de bons frutos, imparcial e sincera. O fruto da justiça semeia-se em paz para os pacificadores (Tg 3.13-18).

Após breve exortação sobre os cuidados com o nosso linguajar, Tiago passa explorar um pouco mais a questão da comunicação ampliando nossa visão sobre o testemunho diário que damos através do nosso comportamento. Comunicação não é exclusividade da língua. Comunicamos muito através do nosso proceder. Aliás, mesmo que não abrirmos nossa boca para testemunhar, nossas atitudes falarão por si, e em muitos casos elas serão o único testemunho que as pessoas enxergarão em nós. Sempre há mais de uma maneira de lidar com as situações diversas da vida, e a maneira que escolhermos definirá nosso comportamento. Tiago chama estas escolhas de “sabedoria,” distinguindo-as entre sabedoria do alto e sabedoria terrena. Uma se contrapõe à outra. Em se tratando da sabedoria terrena, somos exortados por nos gloriarmos de abrigar no coração inveja amarga e ambição egoísta! Como alguém pode se gloriar disto? 

Observando mais de perto, as palavras traduzidas do grego por inveja amarga dão a ideia de um zelo doentio por alguma coisa ou pessoa, ciúme, rivalidade invejosa e contenciosa. Já a palavra traduzida por ambição egoísta denota a ideia de autopromoção, soberba, desejo de colocar-se acima. É aquele espírito partidário e faccioso que utiliza a astúcia para alcançar seus fins. Podemos identificar dentro da igreja este tipo de comportamento? Há aqueles que se vangloriam de suas posições galgadas através da politicagem eclesiástica. Será que esta é a vontade de Deus para sua Igreja? Tiago chama esta sabedoria de terrena, carnal e demoníaca. Em contrapartida o modelo alternativo, que nós devemos adotar, é a sabedoria que...
  1. Vem do alto: Não é uma ideia de Tiago, esta sabedoria vem do Senhor.
  2. Pura: Puro vem da mesma palavra para santo e é condição para ver a Deus (Mateus 5.8).
  3. Pacífica: Sabedoria verdadeira não produz conflito por razões egoístas, mas paz em humildade. Pacificadores serão chamados filhos de Deus (Hebreus 12.14).
  4. Indulgente ou amável: Demonstra um comportamento moderado, cortês, gentil, tolerante, até sob abusos, maus tratos e perseguição, sem ódio ou malícia, mas confiando-se a Deus (2Tm 2.24).
  5. Tratável ou compreensiva: Ensina-nos a viver sem rancor e disputa, mas sim sermos ensináveis, sujeitos à disciplina e que age conforme orientações. Isto é ser humilde de espírito.
  6. Plena de misericórdia: Compaixão deve ser uma característica marcante em nós.
  7. Cheia de bons frutos: Só posso pensar no Fruto do Espírito descrito em Gl 5.22-23.
  8. Imparcial. Não abriga uma mentalidade partidarista, sem favoritismo.
  9. Sem hipocrisia. Este era um dos pecados mais condenados por Jesus. Falsidade e hipocrisia era uma característica marcante nos fariseus.
Se colocarmos as sabedorias lado a lado, vamos encontrar pontos a favor e contra. Por qual se decidir? Cultivando a “sabedoria humana” você conquista poder, vitória, proteção, mas colhe também culpa, ofensas, tristeza, rompimento, separação, mágoa. Andando segundo a Sabedoria do Alto pode ser que você leve uma vida sem muito reconhecimento, prestígio ou privilégios; mas em compensação uma vida sem brigas, ameaças, ofensas, ressentimentos, separação, uma vida pacifica, restauradora, que edifica o próximo e comunica amor. Quem é que ganha? Ganha quem por mais que esteja com a razão, não está preocupado em preservar seus direitos, opiniões, espaço... Ganha quem deseja profundamente ser manso, pacificador, cortês, ouvinte, tratável, misericordioso, imparcial, preocupado apenas com a causa do Senhor. Sabedoria do alto se demonstra através do nosso bom procedimento. O bom procedimento é demonstrado através das boas obras, mesmo nas pequenas coisas do nosso cotidiano. Boas obras são marcadas pela humildade. Humildade é característica de quem é sábio.

Veja o texto anterior:

quarta-feira, março 17, 2010

Devocional em Tiago: Língua Doce ou Amarga

16- Língua Doce ou Amarga
Por Reinaldo Bui

Com a língua, bendizemos ao Senhor e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. Da mesma boca procedem benção e maldição. Meus irmãos, isso não pode ser assim. Acaso pode de uma mesma fonte sair água doce e água amarga? Meus irmãos, pode uma figueira produzir azeitonas ou uma videira, figos? Da mesma forma, uma fonte de água salgada não pode produzir água doce (Tg 3.9-12).

Desculpe-me se estou parecendo repetitivo, mas é que este assunto ainda não se esgotou. Ok, se você julga estar livre deste mal, está dispensado da devocional de hoje. Apenas ore por nós, para que também alcancemos a perfeição! Mas para aqueles que sabem que ainda precisam melhorar “um pouquinho,” aí vão mais algumas instruções do Senhor (através de Sua palavra).

A transformação do nosso caráter cristão se dá em vários níveis da vida. Há quem lute contra imoralidade, outros contra ganância, pessimismo, preocupação e assim por diante. Aqueles que assim o fazem já detectaram suas fraquezas e preocupam-se em agradar a Deus. Estas lutas são constantes na vida de um crente fiel e aqui, no capítulo 3, Tiago tem nos mostrado uma área que todos nós precisamos vigiar, pois facilmente podemos estar enganados. Em se tratando do nosso linguajar, geralmente pensamos num sistema de crédito e débito. Achamos que bendizer a Deus e amaldiçoar o homem pode oferecer algum equilíbrio. Explico: se falamos dez coisas boas e uma abobrinha, cremos que ainda temos um saldo positivo de nove frases completas para compensar. Assim, se falo mal de minha sogra, de um colega, reclamo do vizinho, do chefe ou do professor, mas no domingo vou à igreja adorar e cultuar a Deus, então está tudo bem. Não se engane, não há este equilíbrio. Tiago questiona: acaso pode de uma mesma fonte sair água doce e água amarga? Meus irmãos, pode uma figueira produzir azeitonas ou uma videira, figos? A resposta é óbvia. De uma árvore de figos, esperam-se figos, não azeitonas. De uma videira, uvas, não figos. Inversão não é o desejado. Da mesma forma, de uma fonte só pode sair um tipo de água. Se uma fonte de água suja encontra uma de água limpa, esta fica completamente contaminada e compromete sua qualidade. Você beberia desta fonte? Tampouco Deus aceitaria “beber desta água”. Portanto, aquele comentário queixoso, aquela ofensa, xingamento, expressões de desejo e prazer no sofrimento do outro (bem feito...) definitivamente não devem fazer parte do nosso falar diário, pois não é este o esperado. Amaldiçoar destrói o bendizer. Embora muitas vezes não notamos nossa conduta, devemos estar conscientes que todos a nossa volta percebem (pais, irmãos, colegas, vizinhos) e Deus também percebe. Tiago tinha um exemplo muito sério neste particular. Ele havia convivido 30 anos com o irmão, Jesus, que jamais cometeu nenhum erro de fala em casa no relacionamento com os pais e com os irmãos, ou na rua com os amigos durante toda sua infância e adolescência, e mesmo no auge de seu sofrimento sequer ofendeu seus ofensores. Este deve ser o nosso exemplo de vida. Posteriormente, o apóstolo Pedro, que também conviveu com Ele, testemunhou:

Porquanto para isto mesmo fostes chamados, pois que também Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos, o qual não cometeu pecado, nem dolo algum se achou em sua boca; pois ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje; quando maltratado, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente... 1Pe 2.21-23

É em Jesus que devemos nos espelhar. Conversão precisa alcançar nosso falar, levar-nos à maturidade, credenciar-nos ao repassar a Palavra a outros. Não se pode ser indiferente a este assunto. Está entre Deus e o Diabo. Não dá para desprezar, é profundamente contagiosa, mas o propósito de Deus para nossa vida depende do controle da nossa língua. Não podemos esquecer do juízo: Digo-vos que de toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no Dia do Juízo; porque, pelas tuas palavras, serás justificado e, pelas tuas palavras, serás condenado (Mt 12.36-37).

Leia o devocional anterior:

domingo, março 14, 2010

Paul Washer: Não Conhecemos o Evangelho de Jesus Cristo

Será que você sabe apresentar o evangelho de Jesus Cristo? Abaixo um vídeo que mostra vários questionamentos de Paul Washer a respeito deste assunto.


sábado, março 13, 2010

O Plano de Deus para a Agenda Gay

Por John MacArthur
Fonte: Editora Fiel

Se você tem visto os títulos de manchetes de jornais nos últimos anos, talvez tenha observado o incrível aumento do interesse por afirmar a homossexualidade. Quer esteja no âmago de um escândalo religioso, de corrupção política, de legislação radical e da redefinição do casamento, o interesse homossexual tem caracterizado a América. Isso é uma indicação do sucesso da agenda gay. Mas, infelizmente, quando as pessoas se recusam a reconhecer a pecaminosidade do homossexualismo — chamando o mal bem e o bem, mal (Is 5.20), elas o fazem em prejuízo de muitas almas e, talvez, de si mesmas.

Como você deve reagir ao sucesso da agenda gay? Deve aceitar a tendência recente em direção à tolerância? Ou ficar ao lado daqueles que excluem os homossexuais e condenam com veemência o pecado? A Bíblia nos exorta a um equilíbrio entre o que as pessoas consideram duas reações opostas — condenação e compaixão. De fato, essas duas atitudes juntas são elementos essenciais do amor bíblico, do qual os homossexuais necessitam desesperadamente. Os defensores do homossexualismo têm sido notavelmente eficazes em promover suas interpretações distorcidas de passagens da Bíblia. Quando você pergunta a um homossexual o que a Bíblia diz a respeito da homossexualidade — e muitos deles o sabem — percebe que eles absorveram uma interpretação que não é somente distorcida, mas também completamente irracional. Os argumentos a favor dos homossexuais extraídos da Bíblia são nuvens de fumaça — à medida que nos aproximamos deles, vemos com clareza o que está por trás.

Deus condena a homossexualidade, e isto é muito evidente. Ele se opõe à homossexualidade em todas as épocas. Na época dos patriarcas (Gn 19.1-28), na época da Lei de Moisés (Lv 18.22; 20.13), na época dos Profetas (Ez 16.46-50), na época do Novo Testamento (Rm 1.18-27; 1 Co 6.9-10; Jd 70-8). Por que Deus condena a homossexualidade? Porque ela transtorna o plano fundamental de Deus para as relações humanas — um plano que retrata o relacionamento entre um homem e uma mulher (Gn 2.18-25; Mt 19.4-6; Ef 5.22-33). Então, por que as interpretações homossexuais das Escrituras têm sido tão bem-sucedidas em persuadir inúmeras pessoas? A resposta é simples: as pessoas se deixam convencer. Visto que a Bíblia é tão clara a respeito deste assunto, os pecadores têm resistido à razão e aceitado o erro, a fim de acalmarem a consciência que os acusa (Rm 2.14-16). Conforme disse Jesus: “Os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más” (Jo 3.19-20). Se você é um crente, não deve comprometer o que a Bíblia diz a respeito da homossexualidade — jamais.

Não importa o quanto você deseja ser compassivo para os homossexuais, o seu primeiro amor é ao Senhor e à exaltação da justiça dEle. Os homossexuais se mantêm em rebeldia desafiante contra a vontade de seu Criador, que, desde o princípio, “os fez homem e mulher” (Mt 19.4). Não se deixe intimidar pelos defensores do homossexualismo e por sua argumentação fútil — os argumentos deles não têm conteúdo. Os homossexuais e os que defendem esse pecado estão comprometidos fundamentalmente em transtornar a soberania de Cristo neste mundo. Mas a rebelião deles é inútil, visto que o Espírito Santo afirma: “Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o reino de Deus” (1 Co 6.9-10; cf. Gl 5.19-21). Então, qual a resposta de Deus à agenda homossexual? O julgamento certo e final. Afirmar qualquer outra coisa, além disso, é adulterar a verdade de Deus e enganar aqueles que estão em perigo. Quando você interage com homossexuais e seus simpatizantes, tem de afirmar a condenação bíblica.

Você não está procurando lançar condenação sobre os homossexuais, está tentando trazer convicção, de modo que eles se convertam do pecado e recebam a esperança da salvação para todos nós, pecadores. E isso acontece por meio da fé no Senhor Jesus Cristo. Os homossexuais precisam de salvação. Não precisam de cura — o homossexualismo não é uma doença. Eles não carecem de terapia — o homossexualismo não é uma condição psicológica. Os homossexuais precisam de perdão, porque a homossexualidade é um pecado.

Não sei como aconteceu, mas algumas décadas atrás alguém rotulou os homossexuais com o incorreto vocábulo “gay”. Gay, no inglês, significava uma pessoa feliz, mas posso assegurar-lhe: os homossexuais não são pessoas felizes. Eles procuram felicidade seguindo prazeres destrutivos. Esta é a razão por que Romanos 1.26 chama o desejo homossexual de “paixão infame”. É uma concupiscência que destrói o corpo, corrompe os relacionamentos e traz sofrimento perpétuo à alma — e o seu fim é a morte (Rm 7.5). Os homossexuais estão experimentando o juízo de Deus (Rm 1.24, 26, 28) e, por isso, são infelizes — muito, muito infelizes. 1 Coríntios 6 é bem claro a respeito das consequências eternas que sobrevirão àqueles que praticam a homossexualidade — mas existem boas-novas. Não importa o tipo de pecado, quer seja homossexualidade, quer seja outra prática, Deus oferece perdão, salvação e esperança da vida eterna àqueles que se arrependem e aceitam o evangelho. Depois de identificar os homossexuais como pessoas que não “herdarão o reino de Deus”, Paulo disse: “Tais fostes alguns de vós; mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus” (1 Co 6.11). O plano de Deus para muitos homossexuais é a salvação. Nos dias de Paulo, havia ex-homossexuais na igreja de Corinto, assim como, em nossos dias, existem muitos ex-homossexuais em minha igreja e em igrejas fiéis ao redor do mundo. Eles ainda lutam contra a tentação homossexual? Com certeza. Que crente não luta contra os pecados de sua vida anterior? Até o grande apóstolo Paulo reconheceu essa luta (Rm 7.14- 25). No entanto, ex-homossexuais assentam-se nos bancos de igrejas bíblicas em todo o mundo e louvam o Senhor, ao lado de ex-fornicadores, ex-idólatras, ex-adúlteros, ex-ladrões, ex-avarentos, ex-beberrões, ex-injuriadores e ex-defraudadores. Lembrem-se: alguns de vocês eram assim.

Qual deve ser a nossa resposta à agenda homossexual? Oferecer-lhe uma resposta bíblica — confrontá-la com a verdade das Escrituras, que condena a homossexualidade e promete castigo eterno para todos os que a praticam. Qual deve ser a nossa resposta ao homossexual? Oferecer-lhe uma resposta bíblica — confrontá-lo com a verdade das Escrituras, que o condena como pecador e lhe mostra a esperança da salvação, por meio do arrependimento e da fé em Jesus Cristo. Permaneçam fiéis ao Senhor, quando reagirem à homossexualidade, honrando a Palavra de Deus e deixando com Ele os resultados.

John MacArhtur, autor de mais de 150 livros e conferencista internacional, é pastor da Grace Comunity Church, em Sum Valley, Califórnia, desde 1969; é presidente do Master’s College and Seminary e do ministério “Grace to You”; John e sua esposa Patrícia têm quatro filhos e quatorze netos.

Consumo de Produtos Piratas no Brasil

Pesquisa revela que 42% dos brasileiros compram piratas
10/10/2007
Fonte: diHITT

Uma pesquisa da Federação do Comércio do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ), em parceria com o Instituto Ipsos, indica que 42% dos brasileiros assumiram que compraram produtos piratas neste ano, mesmo percentual de 2006.

Para a entidade, isso significa que os consumidores desse tipo de mercadoria engrossaram a lista de compras.

Entre o ranking de produtos mais procurados por esses consumidores, o CD ainda figura no primeiro lugar, com 86% das citações, resultado igual ao do ano passado. Em seguida, assim como em 2006, vem o DVD. Só que na comparação anual houve um salto na procura por esse item de 35% para 53%. O consumo de todos os demais produtos também aumentou.

Quase todos os consumidores de produtos piratas (97%) justificou a compra pelo preço mais baixo, contra 93% do ano passado. Subiu de 4% para 6%, o percentual de pessoas que alegaram comprar o ilegal porque ele está disponível antes do original.

Entre os 58% dos entrevistados que afirmaram não ter comprado produtos piratas, os principais motivos alegados foram: qualidade ruim (48%), falta de garantia (16%) e por prejudicar o comércio formal (10%).

A pesquisa também revela que, apesar do alto consumo, os brasileiros reconhecem os malefícios da pirataria. Entre os entrevistados, 84% afirmaram que comprar produtos falsificados prejudica o fabricante ou artista; 81% que alimenta a sonegação de impostos; 80% que prejudica o comércio; 72%, que alimenta o crime organizado; 67% que causa conseqüências negativas para o consumidor e 65% que provoca o desemprego.

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A Revista Consumidor Cristão também publicou um artigo que continha o resultado desta mesma pesquisa (se não me engano). Abaixo algumas frases deste artigo que me chamaram à atenção:
  • Os mais jovens e mais estudados formam o grupo que mais compra produto pirata no Brasil;
  • Quanto mais elevada a escolaridade, mais casos de compra de piratas;
  • O pastor se diz limitado quando o assunto é combate à pirataria, e prefere esperar a justiça divina;
  • A indústria de música e cinema,sem dúvida, são as uma das maiores prejudicadas pelo comércio ilegal.
Lembre-se, pirataria é crime e desagrada primeiramente a Deus.

quarta-feira, março 10, 2010

Devocional em Tiago: Domar a Língua

15- Domar a Língua
Por Reinaldo Bui

Quando colocamos freios na boca dos cavalos para que eles nos obedeçam, podemos controlar o animal todo. Tomem também como exemplo os navios; embora sejam tão grandes e impelidos por fortes ventos, são dirigidos por um leme muito pequeno, conforme a vontade do piloto. Semelhantemente, a língua é um pequeno órgão do corpo, mas se vangloria de grandes coisas. Vejam como um grande bosque é incendiado por uma pequena fagulha. Assim também, a língua é um fogo; é um mundo de iniqüidade. Colocada entre os membros do nosso corpo, contamina a pessoa por inteiro, incendeia todo o curso de sua vida, sendo ela mesma incendiada pelo inferno. Toda espécie de animais, aves, répteis e criaturas do mar domam-se e é domada pela espécie humana; a língua, porém, ninguém consegue domar. Ela é um mal incontrolável, cheio de veneno mortífero (Tg 3.3-8).

A conversão verdadeira traz transformação no caráter e no uso da língua. Este é um assunto tão crítico e estratégico que Tiago diz que quem refreia a língua é capaz de refrear todo o corpo. Para ilustrar isto ele utiliza duas figuras: o freio na boca dos cavalos e o leme de um navio. Quando o homem controla estas pequenas coisas ele controla, nestes casos, todo o animal e/ou o navio. Assim é com a nossa língua. Se a controlarmos, estaremos traçando o destino de todo nosso ser. A língua representa você, o que você é, o que você pensa, o que se passa dentro do seu coração. Por ser estratégica, pode afetar positivamente toda a vida, e você só tem a ganhar com seu controle: evita conflitos, constrangimentos, pedidos de perdão, etc. Mas além destas, Tiago utiliza outra figura para ilustrar o estrago que o mau uso da língua pode causar: uma centelha ou uma pequena faísca. Quem já teve a experiência de apagar um incêndio no mato sabe o estrago que aquelas pequenas fagulhas causam. Elas são levadas pelo vento a um local um pouco adiante e ali se inicia um novo foco de incêndio. Nossa língua tem o mesmo poder destrutivo, demonstrando assim seu caráter mundano. Note o que Provérbios diz: 18.21; 13.3; 11.9, 11
  • A morte e a vida estão no poder da língua; o que bem a utiliza come do seu fruto.
  • O que guarda a boca conserva a sua alma, mas o que muito abre os lábios a si mesmo se arruína.
  • O ímpio, com a boca, destrói o próximo, mas os justos são libertados pelo conhecimento.
  • Pela bênção que os retos suscitam, a cidade se exalta, mas pela boca dos perversos é derribada.

Colocada entre a mente e o coração, quando damos liberdade a nossa língua para praticar sua corrupção inerente estamos em cumplicidade com Satanás, com as atividades deste mundo e sofreremos as consequências. Deste modo, nada se compara a seu poder destrutivo, é mundana, satânica, afeta todo o ser e a todos os seres por todo o tempo. Um comentário negativo sobre alguma pessoa pode destruí-la e também toda sua geração! Um escritor chamado Morgan Blake escreveu o seguinte sobre este assunto:

“Sou mais mortal do que um ruidoso projétil de morteiro. Venço sem matar. Levo lares ao choro, quebro corações e destruo vidas. Viajo nas asas do vento. Nenhuma inocência é forte o suficiente para intimidar-me, nenhuma pureza é pura o suficiente para atemorizar-me. Não tenho consideração pela verdade, nem tenho respeito pela justiça, nem sou bondoso com os indefesos. Minhas vítimas são numerosas como as areias do mar e comumente são inocentes. Eu nunca esqueço e raramente perdôo. Meu nome é fofoca.”

Queridos, não podemos ficar indiferentes diante deste veneno mortífero que potencialmente carregamos dentro de nós. Somos capazes de dominar toda espécie de animais ferozes, mas não conseguimos refrear a nossa língua? É aqui que precisamos parar de tentar agir com nossas próprias forças (que força?) e entregar nossos corpos (incluindo a língua) como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. Uma fé verdadeira e consciente apresenta também este tipo de testemunho: era fofoqueira, passou a falar só do bem que pode ser falado; era ofensivo, mas se tornou dócil e terno; era murmurador e passou a dar graças a todas as coisas.

Veja o devocional anterior:

terça-feira, março 09, 2010

Devocional em Tiago: Tropeçar na Língua

14- Tropeçar na Língua
Por Reinaldo Bui

Meus irmãos, não sejam muitos de vocês mestres, pois vocês sabem que nós, os que ensinamos, seremos julgados com maior rigor. Todos tropeçamos de muitas maneiras. Se alguém não tropeça no falar, tal homem é perfeito, sendo também capaz de dominar todo o seu corpo (Tg 3.1-2).

Lembre-se que esta carta está apresentando testes comprobatórios da verdadeira fé. No capitulo um Tiago nos ensina que o verdadeiro cristão suporta o sofrimento, luta para vencer as tentações, deseja a Palavra e é obediente. No capítulo dois nos mostra que não devemos discriminar ninguém, mas ser compassivo. Agora, no capitulo três, passa a desenvolver o que talvez seja o principal assunto desta carta, pois em todos os capítulos ele fala deste assunto: o uso da nossa língua. Em 1.19 já havia dito para sermos prontos para ouvir e tardio para falar (talvez por isso nascemos com dois ouvidos e uma boca, dizem, para ouvirmos mais do que falamos), e no versículo 26 do mesmo capitulo diz que religiosidade sem o controle da língua é igual a nada.

Aqui, Tiago demonstra que a língua é estratégica e perigosa, pelo fato de estar colocada em um lugar tão molhado e, por conseguinte escorregadio. Cuidado! O assunto é tão sério que Deus a posicionou atrás dos dentes como numa prisão. Como seria bom se consagrássemos não apenas nossa língua, mas também nossos dentes para mordê-la quando fosse preciso. Imagine que verdadeira bênção seria. O primeiro pecado após a queda envolveu um tropeço do falar (Gn 3.12), e a partir daí vemos a expressão da perversidade humana cada vez mais acentuada e perpetuada neste mal (Rm 3.10-14). Nenhum de nós foge desta condenação, esta é a realidade de todos. Note que Tiago escreve no v.2: todos nós tropeçamos. Assim, encontramos pessoas que mentem, justificam seus erros com falsidade, dão versões inadequadas às situações para se beneficiar, zombam do próximo para se mostrar mais engraçadas, passam a vida a “espalhar” notícias sobre a vida alheia (por mais verdadeiras que sejam) com a intenção de denegrir a imagem do outro, e assim por diante. Estas são apenas algumas proezas que nossa língua é capaz de produzir. A língua permite pecar especificamente. Você pode ser violento ou agressivo contra alguma pessoa. Assassinar alguém, desde que tenha uma arma e uma vítima. Cometer adultério desde que tenha alguém e certas condições. A língua não depende de nada disto. A pessoa não precisa nem estar presente e você é capaz de destruí-la, sem que ela sequer possa se defender. Além disto, não há limite de idade para este mal. Uma pessoa violenta com o tempo perde suas forças e deixa de ser, assim também acontece com a pessoa promíscua. Mas com a língua é diferente: pode ser uma velhinha fraquinha, toda arcada e enrugada, mas se sua língua estiver funcionando...

A nossa conversão não muda a nossa conduta imediata e totalmente. Como uma criança que nasce, embora tenha a natureza de seus pais, semelhança, etc, ela precisará de tempo para que tenha as marcas presentes. Ao aceitarmos a Cristo, sua Palavra foi implantada, e nova vida surgiu, sem que a outra fosse totalmente destruída. Paulo diz que o querer do bem está nós, sem poder efetuá-lo. Não acredite que um crente não peca mais (leia 1Jo 1.8,10). Todos tropeçamos (v.2), e o primeiro passo para a correção é reconhecer. Temos escolhas a fazer no dia a dia e devemos ser aperfeiçoados. Não é possível viver verdadeira espiritualidade sem que haja controle da língua, ser espiritual, religioso, carola, sem que haja mudança no falar. A língua é a expressão mais direta do coração, ela reflete o que há no nosso interior. O Senhor Jesus conhece a natureza humana:

Não compreendeis que tudo o que entra pela boca desce para o ventre e, depois, é lançado em lugar escuso? Mas o que sai da boca vem do coração, e é isso que contamina o homem. Porque do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias. São estas as coisas que contaminam o homem... (Mt 15.17-19)

Não podemos ser negligentes considerando o que falamos como menos importante. A quem nós queremos enganar? O domínio da língua indica a nossa própria maturidade.

Veja o devocional anterior:

segunda-feira, março 08, 2010

Devocional em Tiago: Obras da Fé

13- Obras da Fé
Por Reinaldo Bui

Insensato! Quer certificar-se de que a fé sem obras é inútil? Não foi Abraão, nosso antepassado, justificado por obras, quando ofereceu seu filho Isaque sobre o altar? Você pode ver que tanto a fé como as suas obras estavam atuando juntas, e a fé foi aperfeiçoada pelas obras, cumprindo-se assim a Escritura que diz: Abraão creu em Deus, e isso lhe foi creditado como justiça, e ele foi chamado amigo de Deus. Vejam que uma pessoa é justiçada por obras e não apenas pela fé. Caso semelhante é o de Raabe, a prostituta: não foi ela justificada pelas obras, quando acolheu os espias e os fez sair por outro caminho? Assim como o corpo sem espírito está morto, também a fé sem obras está morta (Tg 2.20-26).

Já vimos as distinções necessárias para entendermos esta passagem, conciliando-a com o apóstolo Paulo. Tiago não está questionando a salvação pela fé somente, acrescentando obras, mas está afirmando que a fé genuína repercute em obras, ou seja, as provas de autenticidade da nossa fé partem de uma verdadeira confissão e se manifestam externamente. Podemos provar esta realidade nos dois exemplos que Tiago cita: Abraão e Raabe. Ambos declararam através de suas obras (procedimento não verbal) aquilo que criam. Pode ser que nossas ações estejam tão fora de sintonia com nossa confissão que faz com que esta se torne nula e vazia, por isso devemos nos examinar diariamente. Se um diagnóstico médico equivocado pode ser tão prejudicial a nossa saúde e vida física, quanto mais um diagnóstico errado de nossa fé e conduta? Como podemos então nos avaliar? Veja por exemplo que Tiago demonstra a importância da bondade e compaixão por pessoas em sua carta. Ele menciona o socorro aos necessitados (1.27), e fala do tratamento igual que devemos ter independentemente da condição social, financeira, e isto vale para étnica, intelectual e cultural (2.1-13). São coisas simples, mas estas pequenas coisas revelam grandes verdades. Este espírito solidário e bondoso com os demais é coerente com o caráter de Deus (2.5). Suponha que haja na sua igreja alguns irmãos passando necessidade de alimento e roupa. O que você faz? É possível que você nem queira saber para não correr o risco de ter que ajudar. Então preste atenção ao que Provérbios 29.7 diz: o justo se informa da causa dos pobres, mas o perverso de nada disso quer saber. Só o não querer se informar da necessidade alheia já é uma atitude egoísta e mesquinha, tachada como perversa pelas Escrituras. Pode ser ainda que você queira demonstrar um pouco mais de compaixão com o irmão e diga: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, sem, contudo, lhes dar o necessário para o corpo... qual é o proveito disso? (v.16). Tiago questiona a validade desta atitude hipócrita! Há ainda os mais espirituais que levantam um grande clamor ao Senhor em prol da necessidade que nosso próximo se encontra, sem considerar o pecado de jogar sobre os ombros de Deus uma responsabilidade que é nossa. O apóstolo João escreve em sua primeira carta:

Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos. Ora, aquele que possuir recursos deste mundo, e vir a seu irmão padecer necessidade, e fechar-lhe o seu coração, como pode permanecer nele o amor de Deus? Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade (1Jo 3.16-18).

Repare que gastamos tanto tempo medindo nossas emoções na frente da televisão nas novelas e dramas fictícios e não nos sensibilizamos com as necessidades do nosso vizinho, parentes e irmãos. Viva a realidade e não auto-centrado em um mundo de ficção e fantasia. A indústria do entretenimento lucra à medida que o mundo padece. Precisamos sair do casulo egocêntrico, virtual e fantasioso e encarar a realidade da vida à nossa volta, expressando a bondade de Deus em ações concretas. Pense: o que Deus quer de você? Identifique um ponto em sua vida que você está objetivamente ignorando ou desobedecendo a Deus. Faça como Abraão: Coloque no altar aquilo que você possui de mais valioso. Além disto, identifique um necessitado acerca de quem você possa se informar e estabeleça uma forma possível de você ajudá-lo. Faça a diferença.

Veja a mensagem anterior:

domingo, março 07, 2010

Era ou não Samuel? (1Sm 28.7-25)

Uma frequente discussão entre evangélicos é se era ou não Samuel quem estivera presente no episódio de Saul e a médium de En-Dor. Abaixo o texto bíblico (NVI) e então, um trecho da apostila de Teologia Bíblica do Antigo Testamento (TBAT), por Carlos Osvaldo, que eu creio ter escrito muito bem sobre este tema. O negrito no texto é meu.

7 Então Saul disse aos seus auxiliares: "Procurem uma mulher que invoca espíritos, para que eu a consulte". Eles disseram: "Existe uma em En-Dor".8 Saul então se disfarçou, vestindo outras roupas, e foi à noite, com dois homens, até a casa da mulher. Ele disse a ela: "Invoque um espírito para mim, fazendo subir aquele cujo nome eu disser".9 A mulher, porém, lhe disse: "Certamente você sabe o que Saul fez. Ele eliminou os médiuns e os que consultam os espíritos da terra de Israel. Por que você está preparando uma armadilha contra mim, que me levará à morte?"10 Saul jurou-lhe pelo SENHOR: "Juro pelo nome do SENHOR que você não será punida por isso". 11 "Quem devo fazer subir?", perguntou a mulher. Ele respondeu: "Samuel". 12 Quando a mulher viu Samuel, gritou e disse a Saul: "Por que me enganaste? Tu mesmo és Saul!" 13 O rei lhe disse: "Não tenha medo. O que você está vendo?" A mulher respondeu: "Vejo um ser que sobe do chão".14 Ele perguntou: "Qual a aparência dele?" E disse ela: "Um ancião vestindo um manto está subindo". Então Saul ficou sabendo que era Samuel, inclinou-se e prostrou-se, rosto em terra. 15 Samuel perguntou a Saul: "Por que você me perturbou, fazendo-me subir?" Respondeu Saul: "Estou muito angustiado. Os filisteus estão me atacando e Deus se afastou de mim. Ele já não responde nem por profetas nem por sonhos; por isso te chamei para me dizeres o que fazer". 16 Disse Samuel: "Por que você me chamou, já que o SENHOR se afastou de você e se tornou seu inimigo? 17 O SENHOR fez o que predisse por meu intermédio: rasgou de suas mãos o reino e o deu a seu próximo, a Davi. 18 Porque você não obedeceu ao SENHOR nem executou a grande ira dele contra os amalequitas, ele lhe faz isso hoje. 19 O SENHOR entregará você e o povo de Israel nas mãos dos filisteus, e amanhã você e seus filhos estarão comigo. O SENHOR também entregará o exército de Israel nas mãos dos filisteus". 20 Na mesma hora Saul caiu estendido no chão, aterrorizado pelas palavras de Samuel. Suas forças se esgotaram, pois ele tinha passado todo aquele dia e toda aquela noite sem comer. 21 Quando a mulher se aproximou de Saul e viu que ele estava profundamente perturbado, disse: "Olha, tua serva te obedeceu. Arrisquei minha vida e fiz o que me ordenaste. 22 Agora, por favor, ouve tua serva e come um pouco para que tenhas forças para seguir teu caminho".23 Ele recusou e disse: "Não vou comer". Seus homens, porém, insistiram com ele, e a mulher também; e ele os atendeu. Ele se levantou do chão e sentou-se na cama. 24 A mulher matou depressa um bezerro gordo que tinha em casa; apanhou um pouco de farinha, amassou-a e assou pão sem fermento. 25 Então ela serviu a Saul e a seus homens, e eles comeram. E naquela mesma noite eles partiram.

Este famoso incidente é uma fonte de perplexidade para os evangélicos e uma falsa mina de ouro para os chamados espiritualistas. Estes, buscam aqui apoio para o mediunismo, entendendo que a médium foi capaz de trazer Samuel dos mortos. A reação da médium (v.12), todavia, revela o terror de que foi possuída quando percebeu que a aparição não era aquela à qual estava acostumada, fosse essa um ambuste ou uma manifestação demoníaca. Além disso, o conteúdo dessa entrevista fere frontalmente o perfil psicológico das sessões espiritas, onde o tom é sempre de conforto, de reafirmação e otimismo.

Já os evangélicos insistem em que não poderia ser Samuel pois sua aparição violaria o mandamento de não consultar os mortos (Lv 20.27; Dt 18.10-12). Argumentam ainda, que o relato de 1 Samuel 28.7-25 é resultado do testemunho ocular dos servos de Saul, que eram supersticiosos e indignos de confiança. (1Sm 21.7; 26.6). O relato, portanto, seria incorreto. Argumentam ainda, à luz da história do rico e Lázaro (Lc 16.20-31), que Samuel não poderia ter voltado, porque Jesus declarou que tal volta é impossível. Um último argumento é que a profecia e a cronologia descritas na entrevista de En-Dor não se cumpriram, pois o Espírito anunciara a morte de Saul e de todos os seus filhos no dia seguinte. Esta última não teria se cumprido porque há um intervalo de pelo menos três dias entre o encontro com a médium e a morte de Saul. Além disso, alegam alguns estudiosos evangélicos, os filhos de Saul não morreram todos no combate.

Uma outra abordagem me parece mais convincente. Em primeiro lugar, manter a integridade da narrativa ao invés de rebaixar este capítulo a uma espécie de sub-inspiração. Quando opiniões ou relatos errôneos são inseridos na narrativa bíblica os autores cuidam para que haja alguma indicação de que tal ocorreu (cf. a mulher de Tecoa em 2Sm 14). Em segundo lugar, reconhecendo que há claras proibições divinas quanto à necromancia, e que a norma é a impossibilidade de retorno dos espíritos dos mortos, percebemos também que Deus, em Sua soberana vontade, suspende temporariamente algumas de Suas leis, desde que isso não fira Seu caráter santo. Assim é que, apesar de estar "ordenado aos homens morrer uma única vez, e depois disso o juizo" (Hb 9.27), o filho da sunamita, a filha de Jairo e Lázaro de Betânia (entre outros) foram ressuscitados em seus corpos naturais e morreram pela segunda vez! Isso se aplica também ao fato de Deus ter permitido que Samuel aparecesse para cumprir Seus soberanos propósitos nas vidas de Saul e Davi.

Em terceiro lugar, algumas "pistas" do autor de Samuel, que foi guiado pelo Espírito Santo (2Pe 1.20-21), sugerem que Deus usou sua narrativa para deixar clara aos leitores a completa rejeição de Saul. A menção ao manto (em hebraico me'il) nos remete ao incidente da rejeição (cf. 15.27-28), que foi anunciado de modo absoluto e inescapável em 28.17. As palavras e os objetos aqui mencionados espelham o incidente do manto rasgado, em que Samuel anuncia que o reino seria arrancado das mão de Saul. A mensagem é clara: Saul já passou do ponto de retorno, não há mais esperança. Ninguém, nem os vivos nem os mortos, poderá ajudá-lo a escapar do juízo de Deus. Esta mensagem por si só já elimina a acusação falsa de que defender a aparição de Samuel é declarar que o espiritismo é aceitável. Algumas vezes Deus permite o erro para ensinar mais dramaticamente as suas terríveis consequências.

Em quarto lugar, a acusação de imprecisão histórica revela pouca sensibilidade ao estilo de narrativa de 1 e 2 Samuel, que alterna Saul e Davi para fazer contrastes entre o rei rejeitado e o rei aprovado. Nesta divisão, por exemplo, Saul não obtem qualquer resposta de Deus (pois havia expulso o sumo sacerdote e rejeitado os profetas), ao passo que Davi tem comunicação frequente e positiva com o Senhor (30.7-8). Assim, dizer que Samuel errou a predição pois Saul não teria morrido senão três dias depois da famosa entrevista é ignorar o uso frequente de contraste, não de cronologia, como o princípio dominante da narrativa. Os três dias são referentes a Davi, e dizem respeito ao que aconteceu entre os filisteus enquanto Saul preparava seu exército próximo aomonte Giboa. En-Dor ficava a uma distância pequena da cena de batalha, e Saul teria facilmente voltado às suas linhas a tempo para a batalha fatídica. De passagem, ele teve de atravessar as linhas inimigas, o que mostra que, apesar de desesperado, não era covarde nem estava mentalmente incapacitado. Quanto aos filhos de Saul, Samuel não afirmou que TODOS morreriam, incorrendo assim um erro. Somente quem já pressupõe falsidade da narrativa é que vê a afirmação do profeta abrangendo todos os filho de Saul. Um conhecimento mais preciso de história ajudaria a entender que os monarcas não levavam todos os filhos à batalha, evitando assim a extinção da dinastia.

Por fim, o suposto argumento teológico de Samuel não teria dito a Saul que este se acharia no mesmo lugar que ele, dada a condição espiritual de cada um, revela insensibilidade ao progresso da revelação. Mesmo adimitindo que Samuel já estivesse no seio de Abraão (i.e., em comunhão com Abraão [e Deus]), a narativa histórica foi feita de acordo com a revelação concedida por Deus naquela época, que apesar de correta, era incompleta. Saul estaria com Samuel na mesma esfera de existência, que o Antigo Testamento descreve como SHEOL. Estabelecer uma definição teológica absoluta nesta passagem é impor a teologia do Novo Testamento, em lugar de deixar esta último falar por si. Tal colocação revela outra pressuposição tradicional entre evangélicos: a de que Saul não podria ir para o "céu," por ter cometido suicídio, questão que permanece aberta a discussão.

À luz destas observações, é possível concluir que Samuel de fato apareceu, soberanamente enviado por Deus para revelar Sua inflexível determinação de julgar Saul por sua rebeldia. A passagem de maneira nenhuma ensina que tal prática é aceitável perante Deus ou que possa repetir-se hoje. Ensina, isto sim, que a obediência a Deus não é uma questão de conveniência humana; quem escolhe adiar a obediência,na esperança de um tempo mais apropriado ou de circunstâncias mais convenientes, poderá se arrepender amarga e eternamente de tal escolha.


Fonte:
PINTO, Carlos Osvaldo. Telogia Bíblica do Antigo Testamento I. Apostila preparada para os alunos do Seminário Bíblico Palavra da Vida (SBPV), 2006.

sábado, março 06, 2010

Devocional em Tiago: Fé Sem Obras

12- Fé Sem Obras
Por Reinaldo Bui

De que adianta, meus irmãos, alguém dizer que tem fé, se não tem obras? Acaso a fé pode salvá-lo? Se um irmão ou irmã estiver necessitando de roupas e do alimento de cada dia, e um de vocês lhe disser: Vá em paz, aqueça-se e alimente-se até ficar satisfeito, sem, porém lhe dar nada, de que adianta isso? Assim também a fé, por si só, se não for acompanhada de obras, estará morta. Mas alguém dirá: Você tem fé, eu tenho obras. Mostra-me sua fé sem obras e eu lhe mostrarei a minha fé pelas obras. Você crê que existe um só Deus? Muito bem, até mesmo os demônios crêem - e tremem (Tg 2.14-19).

Como administrar um possível erro ou discordância dentro da Bíblia? Se cada escritor da Bíblia desse sua própria ideia, então a credibilidade das Escrituras estaria comprometida. Lutero lutou contra este trecho da carta (chegando a chamá-la de epístola de palha), pois a igreja católica defendia por esta passagem a ideia de salvação pelas obras. Aparentemente há um choque com o que Paulo escreve em Romanos 3.28, onde argumenta que a justificação é exclusivamente por fé. Digo aparentemente, pois quando entendemos a mensagem de Tiago compreendemos que está em plena harmonia com a de Paulo. Precisamos entender que o assunto central deste capítulo não é obras, mas fé, com ou sem obras, e isto fica claro quando lemos os versículos 1, 5, 14, 17, 19, 20 e 22 deste capítulo. Tiago não está questionando outra coisa, se não, tipos de fé. Precisamos lembrar que os apóstolos estavam familiarizados com (e pregavam!) a doutrina da salvação pela fé. O que é ela? É a confiança de que podemos nos chegar a Deus somente por ação divina, ou seja, Cristo pagou nossos pecados, e por crer na suficiência da Sua obra, somos declarados justos. Paulo deixa isto muito bem claro em Romanos 5.1. O que Tiago questiona em sua carta é: se a fé que você declara ter não traz implicações na sua vida (v. 14), tem ela poder para salvar? Ele chama esta fé de “morta” (v. 17 e 26), inoperante (v. 20) e chega a comparar ao mesmo tipo de fé dos demônios (v. 19). Ele não está questionando a salvação pela fé, mas sim a fé estática, sem obras, diferente da fé genuína que vai muito além de ser de conversa, declaração, etc. Tiago questiona não a fé em si, mas uma fé específica, e afirma que se não há manifestações na vida, esta já é uma evidência de uma falsa fé.

A genuína fé leva primeiramente a aceitação por Deus do homem como justo, para depois ir sendo aperfeiçoado dia a dia. Não fomos salvos pelas obras, mas fomos salvos para andarmos nas obras que Deus preparou de antemão para nós. Da mesma forma, de nada adiantará vivermos mergulhados em boas obras (caridade), se não cremos que é Deus quem nos justifica independentemente das obras. Esta idéia está em pleno acordo com o que Paulo escreve em Efésios 2.8-10:

Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie. Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas.

Estou cada vez mais convencido de que estamos aqui (neste mundo) para fazer diferença na vida de outras pessoas. Por isso, precisamos trabalhar enquanto é dia! Lembre-se:
1. Seu testemunho é importantíssimo;
2. Suas ações podem falar mais alto do que imagina.

Veja o texto anterior:

sexta-feira, março 05, 2010

Devocional em Tiago: A Quem Deus Escolhe

11- A Quem Deus Escolhe
Por Reinaldo Bui

Ouçam, meus amados irmãos: Não escolheu Deus os que são pobres aos olhos do mundo para serem ricos em fé e herdarem o Reino que Ele prometeu os que o amam? Mas vocês têm desprezado o pobre. Não são os ricos que oprimem vocês? Não são eles que os arrastam para os tribunais? Não são eles que difamam o bom nome que sobre vocês foi invocado? Se vocês, de fato, obedecerem à lei real encontrada na Escritura, que diz: ‘Amarás a teu próximo como a ti mesmo’, estarão agindo corretamente. Mas se fizerem acepção de pessoas, cometerão pecado e serão condenados pela lei como transgressores. Pois quem obedece toda a Lei, mas tropeça em apenas um ponto, torna-se culpado por quebrá-la inteiramente. Pois Aquele que disse: ‘Não adulterarás’, também disse: ‘Não matarás’. Se você não comete adultério, mas comete assassinato, torna-se transgressor da Lei. Falem e ajam como quem vai ser julgado pela lei da liberdade, porque será exercido juízo sem misericórdia sobre quem não foi misericordioso. A misericórdia triunfa sobre o juízo! (Tg 2.5-13.)

Se o problema de discriminação fosse tão evidente na igreja de Jerusalém talvez Tiago precisasse gastar um pouco mais de pergaminho para abordar o assunto. Ainda que não seja o seu caso ou não aconteça na sua igreja como acontecia com nossos irmãos no passado, considere a gravidade de se quebrar este princípio da igualdade. Neste texto, Tiago lança mão de alguns argumentos para estimular os crentes a não fazer diferença entre as pessoas. O primeiro diz respeito à incoerência da nossa escolha. Já parou para pensar no porque tendemos a escolher o rico em detrimento do pobre? Embora Deus tenha criado ambos, Ele dá preferência ao pobre por este ser rico em fé, enquanto o rico confia na instabilidade da sua riqueza. Jesus chocou seus discípulos quando afirmou que era mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus porque havia naquela época um consenso que o sujeito era rico porque era abençoado por Deus, enquanto o pobre era desprezado por Ele ou estava debaixo de alguma maldição. É diferente de hoje? Amamos a riqueza, portanto amamos o rico porque este reflete o que queremos para nós. Jesus nos deixou um ‘novo mandamento’ que é “Amar o próximo como Ele nos amou”. Portanto a referência não somos nós ou nossos desejos, mas o amor de Cristo.

O segundo argumento diz respeito a transgredir a Lei. Precisamos compreender que matar, para o judeu, não significava pôr fim à existência, mas cortar comunhão ou relacionamento. Assim, morte espiritual é a quebra de relacionamento com Deus, como morte física é a quebra do relacionamento com o mundo dos viventes. Creio que Tiago utiliza uma metáfora entre a comunhão e estes dois pecados (adultério e assassinato) para frisar quão grave é a discriminação, comparável com o segundo.

O terceiro argumento apela para o juízo e a misericórdia. Podemos entender misericórdia em três níveis:
1. Sentimento ou desejo de ajudar quem sofre ou encontra-se numa posição desprivilegiada; 
2. Ato concreto de manifestação deste sentimento (pode ser perdão, clemência,...); 
3. Benefício que se presta a um sofredor (através de um auxílio).

A misericórdia de Deus para conosco é plena, ou seja, abrange todos os níveis. Misericórdia significa que não recebemos aquilo que merecíamos. Além disto, fomos agraciados por Ele. Graça significa que recebemos aquilo que não merecemos. Quando não acudimos o necessitado simplesmente menosprezando-o, estamos demonstrando claramente falta de misericórdia. Portanto, Tiago completa, falem e ajam como quem vai ser julgado pela lei da liberdade. Se lembrarmos que na lei da liberdade somos livres para amar e para servir, provavelmente nosso justo Juiz perguntará: Por que você não amou? Por que não serviu? Por que não usou de misericórdia como fiz com você, pois tinha toda a liberdade do mundo para fazê-lo? Não, não seremos condenados por isto, mas profundamente envergonhados diante daquele que é rico em nos perdoar, sabe todas as coisas e sonda os nossos corações.

Veja o devocional anterior:

quinta-feira, março 04, 2010

Devocional em Tiago: Ame o Próximo Como...

10- Ame o Próximo Como...
Por Reinaldo Bui

Meus irmãos, como crentes no nosso Glorioso Senhor Jesus Cristo, não façam acepção de pessoas. Supunham que na reunião de vocês entre um homem com anel de ouro e roupas luxuosas, e também entra um homem pobre com roupas velhas e sujas. Se vocês derem atenção especial ao homem que está vestido com roupas luxuosas e disserem: ‘Aqui está o lugar apropriado para o Senhor’, mas disserem ao pobre: ‘Você, fique de pé ali´ ou: ´Sente-se ao chão, junto ao estrado onde ponho os meus pés’, não estarão fazendo discriminação, tornando-se juízes com pensamentos maligno? (Tg 2.1 -4.)

A sequência deste texto bem poderia ser: Portanto...
Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz (Fp 2.5-8).

Aprofundamo-nos no estudo das escrituras com o propósito de conhecer mais e mais a mente de Cristo. Isto deveria gerar em nós um sentimento cada vez maior de humildade e servidão. Mas em geral – e infelizmente, não é isto que acontece. É fácil perceber a soberba de quem alcançou uma posição, um título ou acrescentou uma letra a mais no seu currículo diante dos menos favorecidos (inclusive no meio evangélico). Não se trata de uma questão cultural, mas em todos os níveis, em todas as culturas, em todos os segmentos sociais há uma tendência reinante no homem de se reconhecer “o melhor”. Hostilidade e competição fazem parte da nossa natureza. Já falamos que há três moedas de muito valor que cultuamos em nossa sociedade, que são: beleza, inteligência e riqueza. Quanto mais você possuir, mais bem aceito você será. Este é o padrão do mundo, não de Deus. A igreja por vezes assimila tal conduta e passa a viver não em função da forma que Deus espera que vivamos, mas nos padrões da sociedade humana.

Este problema não é novo. A igreja nos dias de Tiago já sofria com isto. Aliás, este problema é tão velho quanto o pecado na humanidade. Os locais em que se reuniam os crentes em Jerusalém eram geralmente pouco espaçosos, sem muitas acomodações e com poucos assentos. Muitos dos que participavam dos cultos e das reuniões permaneciam em pé ou sentavam-se no chão. Nesta condição, Tiago imagina pessoas convertidas chegando à igreja pela primeira vez. Precisavam ser bem recebidas e orientadas (assim com acontece em nossas igrejas atuais). Pelo texto, podemos supor que o “pessoal da recepção” estaria dando mais importância a quem tinha dinheiro e menos atenção ao pobre e andrajoso (assim como acontece em nossas igrejas atuais). Agindo desta forma, estamos “fazendo distinção entre nós mesmos e nos tornando juízes tomados de perversos pensamentos” (ARA). Discriminação social, conforme relatado neste texto, é pecado e é um pensamento perverso! Será que este é o ideal que Jesus planejou para sua Igreja? Tiago, assim como Paulo, conhecia a mente de Cristo. O ideal da igreja é que indistintamente todos sejam honrados, não pela aparência, inteligência ou posição social, mas pelo que realmente valem.

Se verdadeiramente pretendemos nos aprofundar nas Escrituras para conhecer a mente do Senhor, precisamos começar a transformar nossa mentalidade a partir deste ponto. Só para a gente se lembrar:
1. Deus não faz acepção de pessoas;
2. Deus não julga segundo as aparências;
3. Deus resiste ao soberbo, mas dá graça ao humilde;
4. Deus exaltará o humilhado e humilhará o que se exalta.

Paulo conclui o trecho de Filipenses com a consequência natural da atitude de Cristo:
Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai (Fp 2.9-11).

Devemos incorporar o sentimento de Cristo em nossa vida, não buscando a nossa própria exaltação, mas sabedores de que agindo assim, Jesus será exaltado através do nosso proceder.

Veja o texto anterior:
9- Língua e Religião

terça-feira, março 02, 2010

A. W. Tozer: Oração Para o Início do Ministério

Enviado por uma amiga e irmã a mim, por e-mail, quando eu e minha família nos mudamos para Cabedelo-PB, para iniciar uma nova vida ministerial. Linda oração, que em MUITO repito.


Senhor Jesus, aproximo-me de ti em busca de preparação espiritual. Pousa a tua mão sobre mim. Unge-me com o óleo do profeta do Novo Testamento. Impede que eu me transforme num religioso e perca assim a minha vocação profética. Salva-me da maldição que paira sombriamente sobre o sacerdócio moderno: a maldição da transigência, da imitação, do profissionalismo. Salva-me do erro de julgar uma igreja pelo número de seus membros, pela sua popularidade ou pelo total de suas ofertas anuais. Ajuda-me a lembrar-me de que sou profeta, não animador de auditório ou um gerente religioso.

Que eu nunca me transforme num escravo das multidões. Cura a minha alma das ambições carnais e livra-me do prurido da publicidade. Salva-me da servidão das coisas materiais. Faze o teu temor pousar sobre mim, ó Deus, e impele-me para o lugar de oração, onde eu possa lutar com os principados e potestades, e príncipes das trevas deste mundo. Livra-me de comer demais e de dormir demais. Ensina-me a autodisciplina para que eu possa ser um bom soldado de Jesus Cristo.

Não peço um cargo fácil. Aceito trabalhar duro e ter pequenas compensações nesta vida. Se outros procuram o caminho mais plano, eu procurarei o caminho mais árduo, sem os julgar com demasiada severidade. Esperarei oposição e procurarei aceitá-la serenamente quando ela vier. Ou se, como por vezes sucede aos teus servos, o teu povo bondoso me obrigar a aceitar ofertas expressivas de gratidão, conserva-me ao teu lado e salva-me da praga que a isso frequentemente se segue; ensina-me a usar o que porventura receber de tal modo que não prejudique a minha alma nem diminua o meu poder espiritual. E se a tua providência permitir que eu receba honras da tua igreja, que eu não esqueça que sou indigno da mais ínfima das tuas misericórdias, e que, se os homens me conhecessem tão intimamente como eu me conheço a mim mesmo, me retirariam tais honrarias para as darem a outros mais dignos.

Consagro-te agora, Senhor do céu e da terra, o resto dos meus dias, sejam eles poucos ou muitos, consoante a tua vontade. Quer eu me erga perante os grandes, quer ministre aos pobres e humildes, que eu tenha em vista que essa escolha não é minha, e eu não a influenciaria, mesmo que pudesse. Sou teu servo para cumprir a tua vontade. Ela é mais doce para mim do que posição, riquezas ou fama, e escolho-a acima de tudo o mais na terra ou no céu.

Embora eu tenha sido escolhido por ti e honrado por uma alta e santa vocação, que eu nunca esqueça que não passo de um homem de pó e cinza, com todos os defeitos e paixões naturais que atormentam a humanidade. Rogo-te, portanto, meu Senhor e Redentor, que me salves de mim mesmo e de todo o mal que eu puder fazer a mim mesmo enquanto procuro ser uma bênção para os outros. Enche-me do teu poder pelo Espírito Santo, e eu caminharei na tua força e proclamarei a tua justiça – a tua tão somente.

Anunciarei a mensagem do teu amor redentor enquanto tiver forças. E, Senhor amado, quando eu for velho e estiver fatigado, demasiado cansado para prosseguir, prepara-me um lugar lá em cima, e conta-me entre o número dos teus santos na glória eterna. Amém.

A. W. Tozer
...para um jovem que se preparava para iniciar seu ministério.

segunda-feira, março 01, 2010

A. W. Tozer: O Relacionamento da Igreja e o Mundo

Enviado por e-mail, por um irmão em Cristo.

O Cristianismo está tão envolvido com o mundo que milhões não notam o quanto se afastaram do padrão do Novo Testamento. Concessões em toda parte. O mundo foi caiado o bastante para passar a inspeção por homens que se dizem crentes.

E o Cristianismo evangélico se vendeu. E está tragicamente abaixo do padrão do Novo Testamento. O mundanismo é parte aceita do nosso modo de viver, a vida religiosa e social em vez de espiritual. Perdemos a arte da adoração! Não produzimos santos! Nossos modelos são certos homens de negócios, atletas famosos e personalidades do teatro. Praticamos as nossas atividades religiosas de acordo com a propaganda moderna.

Nossos lares se tornaram teatros, nossa literatura é superficial os nossos hinos são sacrílicos, mas ninguém parece se importar. Muito do que se passa por Cristianismo do Novo Testamento é pouco mais do que a verdade objetiva adoçada para se tornar agradável ao paladar religioso. Jesus convida os homens a levar a Cruz, e nós os convidamos a se divertirem. Ele o chama para deixar o mundo, e nós dizemos que se eles aceitarem Jesus o mundo será deles. Ele os chama a sofrer, nós os chamamos a gozar do conforto que a civilização moderna oferece. Ele os chama a santidade, e nós os chamamos a uma felicidade barata, que seria rejeitada com desprezo até pelos filósofos estóicos sem falar dos apóstolos.

O novo decálogo, o novo mandamento foi adotado pelos neocristãos dos nossos dias. E a primeira frase diz: "Tu não deves discordar". É um grupo de bem-aventuranças que começa "Bem-aventurado os que toleram tudo porque eles não serão responsáveis por nada". É costume agora falar de diferenças religiosas em público ficando entendido que ninguém vai tentar converter o outro nem mostrar os erros da sua fé. Imagine só Moisés concordando em participar de um debate com Israel sobre o bezerro de ouro; ou o profeta Elias mantendo um diálogo cordial com os profetas de Baal; ou Jesus Cristo procurando se reunir com os fariseus para desfazer as diferenças.

Texto de autoria do Dr. A.W. Tozer escrito há cerca de 50 anos.