segunda-feira, agosto 09, 2010

As Parábolas do Mestre: O Rico Insensato (Lc 12.16-21)

O Rico Insensato
Por Reinaldo Bui

Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? (Leia Lucas 12.16-21)

Somos a única geração que conseguiu destruir a capacidade dos jovens de sonhar, brigar e questionar. E isto não é, de forma alguma, algo positivo, pois ao inverso do que faziam as outras gerações, nossos jovens estão cada vez mais aceitando o lixo tecnológico que proporcionaram a eles, e desejando se entorpecer em doses cada vez maiores do luxo, conforto e do "bien vivant" que lhes é oferecido. A atual geração sabe o que é bom, não é mesmo? E estamos ensinando os nossos filhos a ser como nós somos... uma geração materialista, consumista, medíocre e avarenta. Nenhuma geração acumulou tanta riqueza aqui na terra quanto a nossa. Para nos justificar temos muitos ventos a nosso favor: a propaganda do mundo que diz “é assim que deve ser;” a conivência do meio em que convenientemente procuramos viver; a desculpa de procurar oferecer o melhor para os filhos; a necessidade de sobreviver num mundo cada vez mais competitivo; etc. Contrário a isso tudo, só para nos incomodar, temos apenas a palavra do Senhor que diz: não acumulem tesouros aqui na terra.... Apenas? Apenas! É pouco, pode não fazer muita diferença, mas seu peso é proporcional à nossa fé.

Para ilustrar isto melhor, em certa ocasião Jesus contou uma história para um sujeito que estava muito preocupado com sua herança. Para quem não sabe, herança é aquele dinheiro que o velho avarento guardava debaixo do colchão e foi obrigado a deixar aqui na terra, pois morreu e ninguém fez sua última vontade - enterrá-la junto, por isso não foi possível levá-la consigo. Parece que esta “bênção” acabou se tornando objeto de cobiça e discórdia entre os filhos. Mas a história contada pelo Senhor pode muito bem ser a história do próprio pai daquele sujeito, ou a dos nossos pais, ou a nossa mesmo. Diz que o campo de um homem rico produziu com abundâcia. Note que ele já era rico, e ficou mais rico ainda. E este homem rico arrazoava consigo mesmo, dizendo: Que farei, pois não tenho onde recolher os meus frutos? Que problemão, né? Não tenho onde enfiar mais dinheiro! Então ele pensou: farei isto; destruirei os meus celeiros, reconstruí-los-ei maiores e aí recolherei todo o meu produto e todos os meus bens. Então, direi à minha alma: tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e regala-te. Isso é que é vida, mermão! Este é o alvo de muitos de nós... fala sério! Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Mas que pergunta, Senhor!!! Esta é uma pergunta retórica, mas para quem será? Refiro-me à pergunta, não ao tesouro. Muitas vezes olhei esta história de forma equivocada: primeiro, porque achava que era uma parábola, hoje penso que é bem verídica; e segundo, achava que Jesus falava de um homem ímpio, mas cada vez mais acredito que não. Quantos crentes você conhece que pensam exatamente como este homem rico? O mundo está mergulhado num hedonismo sem precedentes e, lamentavelmente, a Igreja tem acompanhado este estilo de vida tão atraente! A Igreja, sim, o Corpo de Cristo, tem juntado muitos bens para si, sem dúvida alguma. Mas se ela for arrebatada hoje, o que temos preparado, para quem será? Temo que o tesouro deixado aqui na terra (para os ímpios desfrutarem) será infinitamente maior do que o acumulado no céu (aonde vamos morar). Por isso Jesus conclui a história: Assim é o que entesoura para si mesmo e não é rico para com Deus, ou seja, vai, no mínimo, se decepcionar. E mais à frente Ele solta aquela máxima: porque, onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração. Aprendemos a ser generosos quando se trata da satisfação dos próprios desejos, mas somos sovinas no que se refere aos outros. É nítida, dentro de nossas igrejas, a má vontade de contribuir regularmente para a divulgação do Evangelho no próprio país ou em países distantes. E ainda pertencemos a uma geração que não sabe reconhecer, honrar, respeitar o próximo. Sempre o meu tempo, minha vontade, e meus bens são mais importantes do que os dos outros.

Medite...
O que temos construído com nossas vidas? Que legado deixaremos para os nossos filhos? Eles serão obedientes porque aceitam e pensam exatamente como nós pensamos? Onde está o nosso coração? Aonde você quer que esteja o coração de seus filhos?

domingo, agosto 08, 2010

As Parábolas do Mestre: O Amigo Ponta Firma (Lc 11.5-13)

O Amigo Ponta Firme
Por Reinaldo Bui

Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o Pai celestial dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem? (Leia Lucas 11.5-13)

Para compreender esta parábola precisamos conhecer um pouco mais da cultura oriental, principalmente no que diz respeito à hospitalidade. Primeiro, é simplesmente inadmissível um vizinho recusar pão a um amigo, seja o motivo que for. Além disto, o visitante é hóspede “na comunidade” e há uma obrigação moral da comunidade em receber bem o hóspede de qualquer família. O viajante se vai sentindo-se bem recebido pela comunidade. Esta parábola ficou conhecida como a do "Amigo Importuno" por causa da frase se não se levantar para dar-lhos por ser seu amigo, todavia, o fará por causa da importunação. A palavra que foi (mal) traduzida por importunação é anaideia, que significa desaforo, imprudência, falta de moral. É imprescindível entender que esta palavra não é aplicada ao pedinte, mas ao vizinho dorminhoco, caso não suprisse a necessidade do amigo numa hora destas. Jesus não está dizendo que devemos importunar Deus até Ele dar tudo o que quisermos. Parafraseando, Jesus expõe a seguinte situação: Qual dentre vós que tiver um amigo que for lhe pedir pão à meia noite (para acudir um hóspede inesperado) teria coragem de recusar? Ainda mais dando uma desculpa esfarrapada do tipo ‘meus filhos já estão dormindo...' Vocês sabem que se não for pela amizade, fará por causa da vergonha de não cumprir com uma obrigação social. Portanto, este é outro caso de título equivocado por conta de uma má interpretação. Amigo ponta firme é aquele que não age com imprudência, que está sempre pronto para acudir uma necessidade. Deus é este amigo. Mas aí você levanta a seguinte questão: por que então nem tudo o que pedimos Ele atende? Vejo dois motivos principais. O primeiro tem a ver com a nossa obediência, compromisso e seriedade com a sua Palavra. Lemos em Provérbios 28.9: o que desvia os ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração será abominável. O versículo é bem claro. Se você não se importa em saber a vontade de Deus sobre determinado assunto e faz as coisas da sua maneira, Ele não tem obrigação alguma de responder sua oração de socorro quando as coisas derem errado. Se você não concorda comigo, tente fazer isso. O segundo motivo tem a ver com os propósitos de Deus para nós. Na sequência Jesus expõe outra situação fazendo o mesmo tipo de pergunta para seus conterrâneos: Qual dentre vós é o pai que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou se pedir um peixe, lhe dará em lugar de peixe uma cobra? Ou, se lhe pedir um ovo lhe dará um escorpião?

A resposta é obvia. O problema é que muitas vezes não sabemos pedir. Tiago diz que pedimos e não recebemos porque pedimos mal, para esbanjarmos em nossos prazeres (Tg 4.3). Note que o filho está pedindo para o pai um pão, um peixe ou um ovo, isto é, gêneros de primeira necessidade (assim como o amigo), para saciar sua fome. Lembro-me que quando era criança minha mãe me negava alguns pedidos insistentes antes das refeições. Acontece que eu estava com fome e achava que um pacote de biscoito recheado seria a solução para meu problema. A resposta era não, por mais que eu insistisse. E para piorar ainda mais minha situação, ela me deixava com fome por mais um tempo! Mas por que esta maldade? Não era maldade, mas é porque ela estava preparando o melhor para mim e sabia que se liberasse o pacote de biscoito saciaria minha fome e eu não ia mais querer o jantar. Para um infante, o biscoito é mais gostoso que uma sopa de legumes, mas um adulto sabe que não tem os nutrientes necessários para seu crescimento saudável. Para os imaturos, Deus pode parecer ruim não nos dando o que tanto queremos, mas quando crescemos, entendemos que Ele tem o melhor reservado para nós, porque nos ama. Há aquelas crianças que esperneiam até conseguir. Talvez esta seja a turminha do “eu determino.” Tudo bem, você pode até conseguir, mas sofrerá as consequências de uma saúde deficiente mais tarde.

Medite...
Qual tem sido o teor de seus pedidos nas suas orações? Como você interpreta o verso 13? Você já experimentou pedir que o Fruto do Espírito (Gálatas 5.22) transborde em sua vida?

sábado, agosto 07, 2010

As Parábolas do Mestre: O "Maldito Samaritano" (Lc 10.25-37)

O “Maldito Samaritano”
Por Reinaldo Bui

Qual destes três te parece ter sido o próximo do homem que caiu nas mãos dos salteadores? (Leia Lucas 10.25-37)

Esta é uma das parábolas mais famosas, normalmente conhecida como “A Parábola do Bom Samaritano.” Diferente da parábola dos dois devedores, esta é longa e o diálogo curto. Porém, ignorar o diálogo faz com que a parábola se torne apenas uma exortação ética para auxiliar pessoas necessitadas e, definitivamente, não é esta a intenção.

Tudo começa com um fariseu que queria testar Jesus, questionando-o sobre a maneira de herdar a vida eterna. Sua pergunta é completamente sem sentido, pois o que alguém pode fazer para ser herdeiro? Um herdeiro o é por direito, não por conquista! Certamente, o fariseu já tinha sua opinião formada e não queria aprender algo novo. Jesus poderia comprar uma briga defendendo que a herança de Israel era uma dádiva e que o homem não pode fazer nada para recebê-la; ou aliar-se à opinião rabínica de se concentrar na Lei. Jesus escolheu a segunda opção só para ‘perturbá-los,’ e quando joga a pergunta de volta, obtém a resposta decorada: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento; e: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Esta síntese da Lei é a junção de dois textos bem conhecidos daqueles homens (Dt 6.5 + Lv 19.18).

"Respondeste corretamente; faze isto e viverás," foi o fechamento de Jesus e, exatamente, a resposta que o fariseu gostaria de ouvir. Ele só não entendeu que Jesus estava colocando a questão da seguinte maneira: "Você está disposto a viver de acordo com o que você crê?"

A própria Lei que o ‘Doutor da Lei’ cita estabelece um padrão que ninguém pode alcançar. Ele poderia parar por aí e refletir um pouco sobre o que Jesus acabara de expor, mas tentando justificar-se pergunta: Quem é meu próximo. A palavra justificar-se significa que ele estava querendo se mostrar, se exibir, evidenciar sua justiça. Ele esperava que Jesus o aprovasse e desse como resposta: Seu próximo são seus parentes e amigos... aqueles que você mais ama. Em vez disso, Jesus conta uma parábola cujo herói é um... Samaritano! Como isto soava aos seus ouvidos? O título dado a esta parábola não poderia ter sido pior. Quando lemos esta narrativa tendo em mente que se tratava de um homem bom, ela deixa de causar o impacto que Jesus causou em seus ouvintes originais. Para entendermos melhor precisamos substituir os personagens por um pastor; o segundo por um dirigente de louvor e o samaritano por um ateu depravado, viciado em drogas e homossexual (faça esta releitura somente para entender o grau de intolerância que um judeu tinha de um samaritano).

A Mishna dizia que aquele que come pão dos samaritanos é como aquele que come carne dos suínos. Os samaritanos eram publicamente amaldiçoados nas sinagogas. Diariamente faziam-se petições a Deus para que os samaritanos não fossem participantes da vida eterna! Além da omissão injustificável do sacerdote e do levita, esta parábola demonstra que o samaritano faz, pelo menos, o que algum destes dois poderia ter feito. Esta história deve ter causado um tremendo mal estar, se não repugnância, nos judeus, pois receber auxílio, óleo ou vinho de um samaritano tornaria impuro aquele que recebeu. No entanto, o desconforto maior foi pela demonstração amorosa e altruísta do samaritano ao fazer o que os representantes religiosos não tiveram coragem. Eles entenderam a audácia de Jesus em fazer o desprezado samaritano aparecer como moralmente superior aos lideres religiosos do auditório. Assim, Jesus atinge um dos sentimentos de ódio mais profundos de seus ouvintes e sabiamente os expõe. Com certeza esta parábola rendeu muitos comentários a respeito de Jesus. Em João 8.48 vemos os judeus escarnecendo de Jesus e declarando: Porventura não temos razão em dizer que és samaritano e tens demônio? Duas palavras gregas contidas neste texto devem ser o motivo da nossa reflexão diante de um necessitado: justificamo-nos ou nos compadecemos? Fazer o bem ao próximo implica em gastos de nossa parte. Gasto de tempo, esforços, dinheiro e, muitas vezes, da nossa auto-imagem que tanto queremos preservar.

Medite...
O que você pode fazer para herdar a vida eterna? Que qualidades você possui para que Deus o declare seu filho por adoção? O que isto deve mudar na sua maneira de viver e de lidar com os necessitados? O que é mais fácil: justificar nossa omissão ou acudir o necessitado?

sexta-feira, agosto 06, 2010

As Parábolas do Mestre: Os Dois Devedores - A Pecadora (Lc 7.44-46)

Os Dois Devedores - A Pecadora
Por Reinaldo Bui

E, voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês esta mulher? Entrei em tua casa, e não me deste água para os pés; esta, porém, regou os meus pés com lágrimas e os enxugou com os seus cabelos. Não me deste ósculo; ela, entretanto, desde que entrei não cessa de me beijar os pés. Não me ungiste a cabeça com óleo, mas esta, com bálsamo, ungiu os meus pés (Lucas 7.44-46).

Como vimos anteriormente, fica claro que, os rituais de recepção de hóspedes aceitos naquela sociedade, não foram apenas esquecidos na narração da história, como haviam sido grosseiramente omitidos por um hospedeiro mal intencionado. Conseguimos perceber nesta narrativa a real motivação do fariseu ao convidar Jesus e também sua avaliação prematura e equivocada sobre a atitude da mulher e a aceitação de Jesus. No entanto, pudemos ver como esta mulher, pecadora e desprezada, compensou magnificamente as faltas daquele anfitrião.

O religioso tem uma mente muito aguçada para identificar pecados na vida do próximo e condená-lo pelos seus atos. Porém, os pecados da religiosidade não estão na aparência, mas no fundo do coração, no oculto das intenções. Este, só Deus vê! Tenha certeza, Ele vê!

No entanto, qual era a verdadeira intenção daquela ‘pecadora’ ao chegar-se aos pés de Jesus? Ao contrário do que Simão julgara (e alguns possam interpretar), os atos daquela mulher não consistiam em carícias contagiosas de uma mente impura, mas sim no derramamento de amor sincero de uma mulher arrependida. Emocionada, ela reconheceu sua condição de pecadora, humilhou-se e demonstrou sua devoção lavando, beijando e ungindo os pés do Senhor, dando a Ele toda a honra merecida. Muito provavelmente, este não foi o primeiro encontro entre os dois. Certamente Jesus estendera graça e perdão àquela alma que agora, incontida em seus sentimentos, procurava demonstrar toda sua gratidão naquele gesto singelo.

Na parábola dirigida primeiramente a Simão, e também a todos os seus convidados, os dois devedores são nivelados em suas faltas e nenhum deles é capaz de pagar. Ambos são perdoados. A mesma graça é igualmente estendida a ambos. Jesus, em poucas palavras, compara e estabelece ao mesmo tempo o contraste entre a pecadora, com sua gratidão pelo perdão de seus pecados, e Simão, que está socialmente endividado e não expressara amor algum. Esta comparação e este contraste (um ama e o outro não) agora se tornam o foco da história. Esta é a resposta de Jesus para os questionamentos obscuros e maliciosos dos fariseus. Ele mostra que aquela mulher não é uma pecadora impura, e sim uma mulher perdoada que sabe qual a extensão de sua vida má, e conhece um pouco da graça de Deus derramada sobre ela através do perdão. Este reconhecimento resulta numa demonstração de amor e gratidão. Esta parábola, que a princípio parece exaltar as diferenças entre um religioso de destaque e uma anônima pecadora, Jesus graciosamente transforma numa homenagem à fé que leva ao arrependimento, à superioridade da humilhação, à coragem da gratidão e ao amor gerado pelo perdão. Não se trata de quem é o maior ou o menor pecador, trata-se de amor e perdão!

O que deveria ser uma obrigação social para Simão foi um gesto espontâneo de amor daquela mulher por Jesus. Em João 13.12-14, vemos Jesus repetindo voluntariamente este gesto, ensinando amor, humildade, cuidado e serviço mútuo entre seus discípulos:

Compreendeis o que vos fiz? Vós me chamais o Mestre e o Senhor e dizeis bem; porque eu o sou. Ora, se eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros.

É este comportamento que Ele espera de nós. Não é a religiosidade de Simão que devemos imitar, mas a atitude corajosa daquela mulher pecadora.

Medite...
Você consegue entender a extensão do perdão de Deus? Como isto se manifesta em sua vida? Você tem demonstrado gratidão a Deus? Como? Que testemunho as pessoas à sua volta dão sobre sua vida cristã?

quinta-feira, agosto 05, 2010

As Parábolas do Mestre: Os Dois Devedores - O Religioso (Lc 7.41-43)

Os Dois Devedores: O Religioso
Por Reinaldo Bui

Dirigiu-se Jesus ao fariseu e lhe disse: Simão, uma coisa tenho a dizer-te. Ele respondeu: Dize-a, Mestre. Certo credor tinha dois devedores: um lhe devia quinhentos denários, e o outro, cinqüenta. Não tendo nenhum dos dois com que pagar, perdoou-lhes a ambos. Qual deles, portanto, o amará mais? Respondeu-lhe Simão: Suponho que aquele a quem mais perdoou. Replicou-lhe: Julgaste bem (Lucas 7.41-43).

Veja este post no novo site: www.todahelohim.com

quarta-feira, agosto 04, 2010

As Parábolas do Mestre: Investidores do Reino (Mt 25.14-30)

Investidores do Reino
Por Reinaldo Bui

Pois será como um homem que, ausentando-se do país, chamou os seus servos e lhes confiou os seus bens. A um deu cinco talentos, a outro, dois e a outro, um, a cada um segundo a sua própria capacidade; e, então, partiu (Leia Mateus 25.14-30).

Se entendermos os talentos como talentos de ouro, então os valores que o senhor confiou aos administradores são extremamente elevados, na ordem de milhões de reais. Porém, uma vez que o Senhor usa apenas o termo "talentos" não devemos fazer muitas suposições, talvez apenas a de que o dono dos talentos, o homem que viaja para um país distante, é um homem rico. Ele está confiando a sua riqueza a três homens que se tornam guardiões do seu dinheiro. Um recebe cinco talentos, outro recebe dois talentos e um terceiro mordomo recebe um talento apenas. A cada um é dado uma quantidade significativa de dinheiro, e o que é mais importante, segundo a sua própria capacidade. Supomos que estes mordomos, encarregados do cuidado do dinheiro, devem conhecer muito bem a personalidade e o caráter do seu Senhor. Este espera que seus empregados o conheçam bem o suficiente para se aplicarem diligentemente neste cuidado e seguindo claramente suas instruções. Os dois primeiros compreendem o espírito das instruções e do caráter do seu Senhor. Ambos usam os recursos para negociar e obtêm lucro. Cada um deles dobra o montante confiado em suas mãos. O terceiro deixou-se paralisar pelo medo e a desconfiança de seu Senhor (pelo menos foi esta a desculpa que ele usou). Ele enterra o dinheiro e retorna o valor original. Os dois primeiros são elogiados, e convidados a entrar na alegria do seu Senhor. O mordomo medroso é repreendido e punido.

A primeira vez que ouvi um estudo sobre esta parábola, o professor interpretou talentos como se fossem dons. Foi uma interpretação bastante literal, como se Deus desse cinco dons para uma pessoa, três para outra e um para mais outra. Disse, então, que deveríamos utilizar todos os nossos dons, (tanto quanto o recebemos) para devolvermos em dobro para Deus. Depois, estudando um pouco mais, pensei que estes talentos pudessem ser aplicados não somente aos dons, mas a qualquer outra coisa com que Deus nos agracia, como talentos artísticos e profissionais, inteligência, recursos materiais, etc.

Sem dúvida, creio que prestaremos conta de tudo o que fizermos com (como aplicamos) estes “talentos” confiados a nós individualmente. Podemos aplicá-los na expansão da obra de Deus ou, simplesmente, aplicarmos em nós mesmos, “enterrando-os” neste mundo. Creio que este princípio é válido!

Deus ainda confiou a nós uma porção da sua Palavra, segundo a capacidade de cada um. Para quê? Para passarmos adiante, espalharmos as sementes do Evangelho pelo mundo. Vejo neste termo “a cada um segundo a sua própria capacidade” a chave para interpretarmos esta parábola. Embora os homens façam uma pecaminosa distinção das pessoas que são mais ou menos capacitadas intelectualmente (também fazem com as mais bonitas, com as mais ricas, etc.), Deus não faz esta distinção. Seu julgamento não será na base de quem é mais ou menos capacitado, mesmo porque foi Ele quem nos fez assim, mas julgará segundo o aproveitamento daquilo que nos foi confiado, segundo a capacidade de cada um.

Independente de quanto Deus lhe abençoou e independente de quão capaz você é, se você utilizar seus “talentos” para aplicar apenas a este mundo (literalmente enterrar aqui) usando o argumento que “Deus colhe onde não semeou...”, saiba que esta desculpa não vai colar!

Medite...
Temos recebido inúmeros talentos das mãos de Deus. Uns menos e outros mais. A Palavra de Deus deve ser anunciada a toda criatura, sendo que é uma responsabilidade exclusivamente nossa. Então a pergunta é: o que temos feito com a porção que já nos foi confiada? Temos aplicado à nossa vida? Temos passado adiante aquilo que já aprendemos?

As Parábolas do Mestre: A Pedra (Mt 21.42-44)

A Pedra
Por Reinaldo Bui

Nunca lestes nas Escrituras: A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular; isto procede do Senhor e é maravilhoso aos nossos olhos? Portanto, vos digo que o reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que lhe produza os respectivos frutos. Todo o que cair sobre esta pedra ficará em pedaços; e aquele sobre quem ela cair ficará reduzido a pó (Mateus 21.42-44).

O Novo testamento inicia com Deus fora do Templo, local de sua habitação na antiga aliança. Lucas relata que naquele tempo (na ocasião do nascimento de Jesus) eram sumos sacerdotes Anás e Caifás. Isto já indica uma irregularidade, pois como o próprio título recomenda, sumo sacerdote indica uma unidade e não uma dupla. A politicagem religiosa havia se instituído de forma dominante e autoritária em Israel. Com isto, Deus levara o seu sumo sacerdote para o deserto: João Batista. Pense bem. Ele vinha de uma linhagem de sacerdotes (Zacarias, seu pai, e Isabel, sua mãe, eram descendentes de Arão). Tinha uma alimentação diferenciada bem como se vestia de forma também diferenciada, como era próprio do sumo sacerdote. Além disso, João era a voz do que clamava no deserto. Quem estava clamando no deserto era Deus e não João Batista. Este era o porta voz de Deus, função que cabe a um sumo sacerdote. Daí, concluímos que, pelo fato de os líderes religiosos terem transformado a Casa de Deus em um covil de ladrões, o Senhor se mudara para o deserto, levando consigo seu porta voz, juntamente com todos os excluídos da religião farisaica.

O papel de João Batista foi anunciar a vinda daquele cuja sandália ele não era digno de desatar, daquele que vinha para limpar seu eirado, purificar com seu fogo, batizar com seu Espírito. Este é aquele que não exclui a cana quebrada e nem o pavio que fumega. Este é Jesus de Nazaré, o Filho do Deus altíssimo.

O Messias de Israel trouxe salvação para todos aqueles que desejassem, para aqueles que não tinham mais esperança, pois eram profundamente atormentados com o fardo condenatório que os mestres da Lei impunham sobre seus ombros. Jesus veio quebrar a velha e rígida interpretação maléfica das Escrituras para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor. Jesus quebrou todos os paradigmas impostos pela velha religião e com isto comprou briga com os donos deste sistema. Este fato é notório quando lemos em Mateus (vs. 45-46):

Os principais sacerdotes e os fariseus, ouvindo estas parábolas, entenderam que era a respeito deles que Jesus falava; e, conquanto buscassem prendê-lo, temeram as multidões, porque estas o consideravam como profeta.

Jesus estava citando Isaías 61, confirmando a profecia que Ele viria para evangelizar (trazer boas notícias) a todos os necessitados. Ele é o Profeta prometido no Antigo Testamento. Sua Palavra cura, restaura e salva, mas também traz a condenação a todos aqueles que não creem, opondo-se a Deus. Jesus é a Pedra, a Rocha de salvação, a mesma Pedra que os construtores rejeitaram. Por causa da incredulidade gerada pela religiosidade dos judeus, o reino de Deus seria tirado do cuidado de suas mãos e entregue a um povo que lhe produziria os respectivos frutos.

Somos advertidos a não cairmos no mesmo erro dos fariseus (cuidado com o fermento...). Infelizmente, vemos que o Novo Testamento termina relatando Jesus fora da Igreja, local de sua habitação nesta Nova Aliança. Por isso, em Apocalipse 3.20 Jesus diz à sua amada (e não a incrédulos):

Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo.

Medite...
O que temos feito (como Igreja) que tem deixado Deus tão desgostoso? Qual seria o fermento dos fariseus em nossa vida? Será que Sua Igreja tem mergulhado em intenso ativismo e hipocrisia que tem deixado de cumprir o papel a nós designado?

terça-feira, agosto 03, 2010

Richard Baxter: Quanto Mais Você Demora...

The longer you delay, the more your sin gets strength and rooting. If you cannot bend a twig, how will you be able to bend it when it is a tree?

(Tradução) Quanto mais você você demora, mais o seu pecado ganha força e raiz. Se você não consegue dobrar um galho, como você vai ser capaz de dobrá-lo quando for uma árvore?

sábado, julho 31, 2010

As Parábolas do Mestre: A Parábola da Vinha (Mt 21.33-41)

A Parábola da Vinha
Por Reinaldo Bui

Atentai noutra parábola. Havia um homem, dono de casa, que plantou uma vinha. Cercou-a de uma sebe, construiu nela um lagar, edificou-lhe uma torre e arrendou-a a uns lavradores. Depois, se ausentou do país (Leia Mateus 21.33-41).

Na parábola anterior, Jesus ensina que apesar da liderança religiosa alegar que aceitava a supremacia de Deus, eles efetivamente não fizeram jus à Sua mensagem, mostrando-se desobedientes à Palavra. Externamente, eram piedosos e orgulhavam-se de sua posição e de serem ‘povo de Deus,’ mas Jesus, que os conhecia como ninguém, ‘põe o dedo na ferida’ e mostra que é lá no fundo de seus corações que eles pecavam miseravelmente. A presente parábola (da vinha) pode ser vista como que Jesus derramando sal naquela ferida. Talvez fosse o caso de eles não compreenderem o óbvio, por isso é que Jesus apresenta uma ilustração muito mais clara da mensagem que Ele quis transmitir. Obviamente, isso enfureceu ainda mais os sacerdotes, mas também forneceu aos que estavam presentes a oportunidade de ouvir Jesus explicar, completamente, as implicações da desobediência do povo judeu ao longo dos tempos.

Os agentes enviados representavam os profetas que Deus enviou ao seu povo Israel e, em seguida, foram rejeitados e mortos pelas mesmas pessoas que afirmavam serem de Deus e obediente a Ele. Nesta parábola, Jesus não estava apenas mostrando como eles agiam, mas também imprimindo em suas mentes a seguinte questão: “Como vocês podem reivindicar obediência como povo de Deus e ainda rejeitar Seus mensageiros?” Nós não sabemos quantos funcionários o proprietário enviou, mas isso não é importante. O objetivo é mostrar o repetido apelo de Deus através de Seus profetas para um povo de coração endurecido.

A situação se torna ainda mais crítica quando o fazendeiro manda seu próprio filho, na esperança que eles o respeitassem. Porém, os inquilinos veem a oportunidade de matar o filho, pois acreditavam que, se assim fizessem, receberiam a vinha como herança. A lei dizia que, se não houvesse herdeiros, a propriedade passaria para aqueles que a possuíssem. Este detalhe equivalia à conspiração da liderança judaica pelo assassinato que eles cometeriam (profeticamente falando), pois Jesus está predizendo sua crucificação. Os inquilinos provavelmente pensaram ter vencido a luta pela propriedade, mas não: o proprietário ainda está vivo. Por fim, Jesus lhes pergunta: O que o proprietário fará àqueles lavradores? Com isto, Ele força os líderes religiosos e sacerdotes a declararem o seu próprio destino, ou seja, a condenação por sua flagrante desobediência. Depois de contar esta parábola, Jesus declarou àquela liderança: Portanto, vos digo que o reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que lhe produza os respectivos frutos (v. 43).

Dois mil anos se passaram e aqui estamos nós. Temo que a igreja tenha se tornado uma instituição semelhante àquela combatida por Cristo, conforme escrito acima: apesar da liderança religiosa alegar que aceitava a mensagem de Deus, eles efetivamente não fizeram jus a esta mensagem mostrando-se desobedientes à Palavra. Hoje temos a Escritura completamente revelada em nossas mãos; hoje conseguimos enxergar que esta passagem deixa claro que Jesus seria rejeitado pelos seus até ser, enfim, covardemente condenado, mas que ressuscitou ao terceiro dia e hoje está vivo ao lado do Pai.

Além disto, somos sabedores que a volta de Cristo é iminente. A voz de dezenas de profetas e milhões de testemunhas nos faz lembrar constantemente disto. Embora a Igreja não viesse substituir Israel, vejo um paralelo bastante curioso aqui. Somos responsáveis não apenas pelo cuidado com esta Igreja como um todo (o corpo de Cristo), mas também por velar por nossa vida cristã, particularmente.

Medite...
Que posição Jesus ocupa hoje em relação à Igreja? E na sua vida? Temos ouvido Suas orientações com respeito às diversas áreas da nossa existência? Como será quando o Senhor requerer de você aquilo que Ele confiou em suas mãos?

sexta-feira, julho 30, 2010

O Evangelho: O que é a salvação e como obtê-la?

Um bom texto para refletirmos ainda mais sobre os fundamentos para a salvação.
Extraído da Bíblia de Estudo de Genebra, p. 1556.

A Bíblia ensina que existe uma mensagem de boas-novas para todos os que se arrependem e creem em Jesus Cristo como seu Salvador. No entanto, ao lermos a Bíblia encontramos várias sínteses legítimas (Mt 4.23; Mc 1.15; At 2.14-38) e ilegítimas (Gl 1.9; Jd 3-19) desse ensinamento fundamental. Infelizmente, muitos cristãos se tornam complacentes e empregam somente uma síntese do evangelho, sem perceber que essa visão limitada restringe não apenas o grupo de pessoas ao qual podem levar o evangelho, mas também o grau de aplicação do mesmo na sua própria vida.

A expressão mais plena da mensagem do evangelho se encontra em Jesus Cristo, o Verbo que se fez carne. Jesus Cristo, o Filho de Deus, se tornou homem fisicamente e desceu à terra para anunciar as boas-novas de que o reino prometido de Deus havia chegado. É essa notícia do reino que constitui a base da mensagem do evangelho. Ao estabelecer o reino por meio de sua morte, ressurreição e ascensão (Lc 9.21-36; At 1.1-11), Jesus viveu o conteúdo da mensagem do evangelho - uma mensagem que deveria ser anunciada ao mundo inteiro (Jo 1.1-14; At 2.22ss).

Mas qual é, exatamente, a mensagem do evangelho? Podemos sintetizá-la da seguinte maneira: Deus ofereceu aos pecadores um modo de escapar do castigo eterno que os aguarda. Se tivermos verdadeira consciência do nosso pecado e situação miserável e compreendermos a misericórdia de Deus em Cristo Jesus, e se nos afastarmos do pecado com arrependimento e tristeza e aceitarmos a Cristo, confiando somente nele para a nossa salvação, seremos poupados da ira justa de Deus contra os pecadores. Em vez de experimentarmos essa ira, seremos unidos com Jesus, nossos pecados serão perdoados, Deus nos considerará justos aos seus olhos e nos abençoará abundantemente por toda a eternidade.

Por vezes, os cristãos podem supor equivocadamente que muitas outras doutrinas também são essenciais para a mensagem do evangelho, mas em nenhuma passagem a Bíblia indica que devemos possuir uma teologia madura antes de sermos salvos. Antes, as Escrituras demonstram com frequência a necessidade de apenas um conhecimento mínimo para se ter a fé salvadora (Lc 23.39-43; At 10.34-43; 16.25-34). Outros se enganam ao pensar que o evangelho só precisa ser ouvido pelos perdidos. Na verdade, todo cristão deve renovar constantemente a sua confiança nas verdades do evangelho e, por meio da fé e do arrependimento contínuos (Fp 1.25; Cl 1.23; 3Jo 3), ser transformado cada vez mais pelo evangelho.

Todos os cristãos são chamados a dar testemunho das boas-novas da obra de Deus em sua vida onde quer que estejam, e não apenas em ambientes seguros (Mt 28.19-20); At 1.8; 4.20; 5.27-29; 8.4). Porém, nem todos sabem como fazer essa proclamação. Um modo de comunicar as verdades do evangelho é começar relatando em poucas palavras a operação de Deus em nossa própria vida e, depois, apresentar uma síntese do conteúdo do evangelho apropriada para a situação em questão. Se alguém está lutando com uma sensação clara de falta de sentido na vida, podemos mostrar a essa pessoa como a fé em Deus implica crer que Deus enviou Jesus Cristo ao mundo para oferecer uma vida nova e abundante (Jo 7.37-38; 10.10; Gl 5.22). Se alguém está se debatendo com suas próprias fraquezas, podemos demonstrar que a fé no Deus da Bíblia nos dá o poder de superar a solidão e a tensão, o medo das pessoas e/ou do futuro e até mesmo maus hábitos que parecem impossíveis de quebrar (1Co 6.9-11; 1Jo 4.18). Ou, se alguém se sente separado de Deus, podemos confirmar a realidade dessa alienação (Rm 3.23; 6.23) acrescentando a garantia de que Deus proveu uma solução em Cristo (Rm 5; 1Co 1.30; 1Jo 1.7).

Se Deus lhe conceder a oportunidade de dar sequência a essa apresentação do evangelho convidando a pessoa a reconhecer sua necessidade, se arrepender de seus pecados, orar a Deus pedindo perdão e aceitando a Jesus como Senhor e Salvador, não a desperdice! É pelo poder do Espírito Santo, combinado com o evangelho poderoso da graça que Deus chama os eleitos para si.

Obs.: Este artigo foi publicado em Todah Elohim para que os leitores pudessem refletir ainda mais sobre o foco da mensagem do evangelho. Não tenho concordância com todas as palavras supra.

quinta-feira, julho 29, 2010

As Parábolas do Mestre: O Filho (Des)obediente (Mt 21.23-31)

O Filho (Des)obediente
Por Reinaldo Bui

Qual dos dois fez a vontade do pai? Disseram: O segundo. Declarou-lhes Jesus: Em verdade vos digo que publicanos e meretrizes vos precedem no reino de Deus (Leia Mateus 21.23-31).

A chave para a interpretação desta parábola está na compreensão do relacionamento de Jesus com os fariseus. Para isso, precisamos voltar um pouco e olhar para o contexto geral da passagem. O ponto central do evangelho de Mateus é apresentar Jesus como o Messias esperado, e o capítulo 21 começa com a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. A multidão responde dando louvores ao rei, gritando Hosana, hosana. Esta palavra deriva da união de duas palavras em hebraico (hoshiah na), que literalmente querem dizer "salva, pedimos.” Com o tempo essa oração se tornou uma exclamação de louvor.

O primeiro ato do rei à entrada de Jerusalém é a purificação do templo (21:12-17). Depois, vemos Jesus amaldiçoar uma figueira (21:18-22). O relato da figueira pode parecer uma história isolada, mas este fato estava carregado de importantes significados. A figueira era uma das figuras de Israel, conforme vemos em Oséias 9:10 ou Joel 1:7. O fato de que a figueira tinha muitas folhas e nenhum fruto simbolizava a intensa atividade religiosa de Israel, com todos os artifícios da espiritualidade, mas sem substância alguma. Israel podia apresentar sua exuberante folhagem da religiosidade, mas não o fruto do arrependimento, e a obediência a Deus era inexistente. Por este motivo, Jesus diz àqueles que eram responsáveis pela vida religiosa que as prostitutas e os cobradores de impostos os precediam no reino.

Mais uma manhã se inicia e Jesus está ensinando no templo. Neste contexto, o sumo sacerdote e alguns anciãos começam a confrontá-lO querendo saber com que autoridade Ele estava ensinando. Para não ‘entrar na deles,’ Jesus toma o controle da conversa respondendo à pergunta com outra pergunta. Eles foram pegos de surpresa e não conseguiram pensar em uma resposta que satisfizesse a pergunta de Jesus sem complicá-los. Jesus, muito sabiamente, estava mostrando que não iriam se livrar daquela tentativa óbvia de persuasão, e que Ele não era obrigado a responder à pergunta deles. Ademais, Jesus comunicara a seus opositores que a autoridade que João Batista recebera partia da mesma fonte. Essa vergonhosa “rasteira” que levaram publicamente de Jesus despertou grande fúria naqueles líderes religiosos, além de desencadear enorme oposição. Jesus, então, aborrece ainda mais os sacerdotes, contando duas parábolas.

A primeira é a parábola dos dois filhos. É uma história bem simples, de um homem que pede a seus filhos que fossem para a vinha trabalhar. O primeiro filho concordou, mas depois deliberadamente desobedeceu e não foi. O segundo filho, que a princípio se recusou a ir, obedeceu e foi. Este foi o filho que, finalmente, fez a vontade do seu pai. Jesus, então, claramente o associa aos publicanos e prostitutas, párias da sociedade judaica, porque eles, aceitando "o caminho da justiça," creram na mensagem de arrependimento de João Batista apesar de serem evidentes não-cumpridores da Lei. Já os líderes de Israel são representados pelo primeiro filho, pois alegavam obediência, mas não faziam a vontade do pai.

Não era simplesmente uma questão de conhecer ou não a vontade do pai, visto que ambos conheciam. No caso de Israel, seus líderes eram os que mais conheciam a vontade de Deus, e orgulhavam-se disto. Seu motivo de orgulho, no entanto, seria o principal agente de sua condenação. No capítulo 23, Jesus ‘bate de frente’ com seus opositores religiosos, e as acusações não são outras senão o fato de eles serem zelosos cumpridores de tradições e regrinhas humanas (Paulo as chama de ensinos de demônios), distorcendo, acrescentando ou omitindo os princípios mais importantes da Lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade.

As motivações que moviam estes homens eram, basicamente, o reconhecimento público, a fascinação pelas riquezas e a ambição pelo poder. Por isso a advertência:

Vede e acautelai-vos do fermento dos fariseus e dos saduceus (Mateus 16.6).

Medite...
Como é fácil cair na religiosidade e esquecer-se de Deus. Quais são os cuidados que precisamos tomar para não cair neste erro? Que fermento é este que pode nos contaminar?

segunda-feira, julho 26, 2010

As Parábolas do Mestre: O Filho Intolerante (Lc 15.11-32)

O Filho Intolerante
Por Reinaldo Bui

Ora, o filho mais velho estivera no campo; e, quando voltava, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças. Ele se indignou e não queria entrar; saindo, porém, o pai, procurava conciliá-lo (Leia Lucas 15.11-32).

O palco estava montado para apresentar o último personagem da parábola: o filho mais velho. Este ilustrava os escribas e fariseus, aparentemente obedientes, mas visivelmente intolerantes. Aparentemente porque eles demonstravam um viver piedoso, mas interiormente as suas atitudes eram abomináveis, como Jesus relata em Mateus 23:25-28.

O filho mais velho sempre trabalhou duro e, obediente a seu pai, nunca envergonhou sua família ou povo. Porém, fica evidente por suas palavras e ações, que ele não compartilhava a alegria de seu pai e irmão. Ainda assim o pai, com muita paciência, saiu ao seu encontro a fim de aplacar a raiva deste filho. O pai sábio não o repreende nem por em suas ações, nem pela forma desrespeitosa com que este se dirige a ele em sua justificativa. A compaixão deste pai amoroso também não cessa enquanto ouve suas queixas e críticas. Ele procura a restauração, salientando tudo o que ele é e tem para pedir ao seu filho obediente compreensão.

No entanto, este filho obstinado, em sua ira, nunca utilizou as bênçãos à sua disposição, assim como os fariseus tinham uma religião de obras meritórias. Eles esperavam ganhar as bênçãos de Deus por seu mérito e obediência à Lei. Nunca conseguiram entender a graça de Deus, nem compreender o significado do perdão. Não foi o que eles fizeram que se tornou um obstáculo ao seu crescimento, mas sim o que eles não fizeram que os afastou de Deus. Eles estavam irados com o fato de Jesus receber e comer com pecadores (estes sim enxergavam sua necessidade de um Salvador).

Ao dizer "esse teu filho," o irmão mais velho evita reconhecer que o pródigo é seu próprio irmão. Assim como os fariseus, o irmão mais velho estava definindo o pecado por ações externas, e não atitudes interiores. Em essência, o irmão mais velho estava dizendo que ele era o único digno de celebração e seu pai tinha sido injusto e ingrato para com ele, por toda a sua obra, por todo seu esforço. Agora o que tinha esbanjado sua fortuna estava recebendo o que não merecia. O pai carinhosamente dirige-se ao mais velho como "meu filho" e corrige o erro na sua forma de pensar, mostrando que o filho pródigo é "este teu irmão".

O foco do irmão mais velho era em si mesmo e, como resultado, não havia alegria na chegada de seu irmão para casa. Ele se consumia tanto com questões de justiça e equidade, que não conseguiu ver o valor no fato de que seu irmão havia se arrependido e voltado. Ele não percebeu que:

Aquele que diz estar na luz e odeia a seu irmão, até agora, está nas trevas. Aquele que ama a seu irmão permanece na luz, e nele não há nenhum tropeço. Aquele, porém, que odeia a seu irmão está nas trevas, e anda nas trevas, e não sabe para onde vai, porque as trevas lhe cegaram os olhos (1 João 2.9-11).

Este filho intolerante permitiu que a ira e a amargura criassem raízes em seu coração a ponto de ser incapaz de perdoar ou mostrar compaixão para com seu irmão. Ele preferiu alimentar sua raiva em vez de gozar da comunhão com o pai, o irmão e a comunidade. Escolheu o sofrimento e o isolamento ao invés da restauração e reconciliação. Ele viu o retorno de seu irmão como uma ameaça à sua própria herança. Afinal, por que ele teria que dividir a sua parte com um irmão esbanjador, que procurou se alegrar longe da presença do Pai através de anos de infidelidade e libertinagem?

Não sabemos como essa história terminou para o filho mais velho, mas sabemos que os fariseus continuaram a oposição declarada a Jesus e a discriminar seus seguidores. Apesar dos apelos do Pai pedindo-lhes que se voltassem a Ele, eles não apenas se recusaram como quiseram calar Aquele que trouxe até nós as boas novas de reconciliação, promovendo a prisão e crucificação de Jesus Cristo. Sem dúvida, um final trágico para uma história cheia de tanta esperança, misericórdia, alegria e perdão.

Medite...
Quais sentimentos você abriga em seu coração com respeito aos que estão longe de Deus?

sábado, julho 24, 2010

Augustus Nicodemus: Por que Seminaristas Costumam Perder a Fé Durante os Estudos Teológicos?

Artigo extraído da Revista Apologética Cristã. O presente artigo foi escrito por Augustus Nicodemos Lopes. 

Não quero dizer que acontece com todos, mas acontece com muitos. Conheço vários casos, inclusive próximos a mim, de jovens cristãos fervorosos, dedicados, crentes, compromissados com Deus, que gostavam de orar e ler a Bíblia, que evangelizavam em tempo e fora de tempo, e depois de entrar no seminário ou faculdade de teologia esfriaram na fé, tornaram-se confusos, críticos, incertos e até cínicos.

E isso pode acontecer até mesmo em seminários cujos professores são conservadores, que acreditam na Bíblia de capa a capa. Vejamos alguns fatores que colaboram para que os seminaristas percam a fé:

1) Precocidade e ausência de vocação

Acho que tudo começa quando as denominações mandam para os seminários e faculdades de teologia jovens que não têm absolutamente a menor condição de serem pastores, professores, obreiros e pregadores. Muitos são enviados sem qualquer preparo intelectual, espiritual e emocional. Alguns mal fizeram 17 anos e foram enviados simplesmente porque eram líderes destacados dos adolescentes de sua igreja, líderes do grupo de louvor ou filhos de pessoas influentes da igreja.

Não é sem razão que Paulo orienta que o líder não pode ser neófito, isto é, novo na fé (1 Tm 3.6). Eles não têm a menor estrutura intelectual, bíblica e emocional para interagir criticamente com os livros dos liberais e com os professores liberais que vão encontrar aos montes em algumas instituições para onde serão mandados. Não estarão inoculados preventivamente contra o veneno que professores liberais costumam destilar em sala de aula.

2) Docentes frios espiritualmente

Acho também que a culpa é das denominações que mantêm professores liberais ou conservadores frios espiritualmente nas cátedras de suas escolas de teologia. O que um professor que não acredita em Deus, nem que a Bíblia é a Palavra de Deus, não ora, tem para ensinar a jovens que estão na sala de aula para aprender mais de Deus e de sua Palavra?

Há seminários e escolas de teologia que mantêm no corpo docente professores que nem vão mais a uma igreja local, que usam o título de pastor apenas para ocupar uma vaga na cátedra dos seminários. Nunca levaram ninguém a Cristo nem estão interessados nisso. Não tem vida de oração, de piedade. Que exemplo eles poderão dar aos jovens que estão ali, desejosos de ter modelos e exemplos para começar seus próprios ministérios?

3) Docentes descompromissados

Alguns desses professores têm como alvo pessoal destruir a fé de todos os seus estudantes antes mesmo que terminem o primeiro ano de estudos. Começam desconstruindo o conceito que a Bíblia é infalível e inspirada Palavra de Deus. Com grandes demonstrações de sapiência e erudição, mostram os erros da Bíblia e o engano da Igreja cristã, influenciada pela filosofia grega, em elaborar doutrinas como a Trindade, a Divindade de Cristo, a Expiação. Mesmo sem usar linguagem direta (alguns usam), lançam dúvidas sobre a ressurreição literal de Cristo de entre os mortos. A pá de cal na sepultura da fé desses meninos é a vida desses professores.

Além de não terem vida devocional alguma, alguns deles ensinam seus pobres alunos a beber, fumar e frequentar baladas e outros locais.

sexta-feira, julho 23, 2010

A. W. Tozer: O que Significa Aceitar Cristo

Extração resumida de O Melhor de A. W. Tozer, estação do livro, Mundo Cristão, 1997, pp. 87-89.

Poucas coisas, felizmente poucas, são assuntos de vida ou morte. Ignorar coisas vitais não é só lançar sortes ou correr um risco, mas puro suicídio.

Nosso relacionamento com Cristo é uma questão de vida ou morte e num plano ainda mais superior. O homem que conhece a Bíblia sabe que Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores e que os homens são salvos apenas por eles sem qualquer influência por parte de quaisquer obras meritórias deles.

Tal coisa é verdadeira e sabida, mas a morte e ressurreição de Cristo evidentemente não salvam todos de maneira automática. Como o indivíduo entra numa relação salvadora com Cristo? Como é coberto o abismo entre a redenção provida objetivamente e a salvação recebido subjetivamente? Como o que Cristo fez por mim opera em meu interior? Para a pergunta: “o que devo fazer para ser salvo?” devemos aprender a resposta correta. Falhar neste ponto não envolve apenas arriscar nossas almas, mas garantir o exílio eterno da face de Deus. É aqui que devemos estar certos ou perder-nos para sempre.

Os cristãos “evangelicais” fornecem três respostas a esta pergunta ansiosa:
• Creia no Senhor Jesus Cristo;
• Receba Cristo como seu Salvador Pessoal;
• Aceite a Cristo.

As duas primeiras são extraídas quase que literalmente das Escrituras (At 16.31; Jo 1.12), enquanto a terceira é uma espécie de paráfrase, resumindo as outras duas. Não se trata então de três, mas de uma só.
Somos espiritualmente preguiçosos e por isso, tendemos a gravitar na direção mais fácil a fim de esclarecer nossas questões religiosas. Assim, a fórmula “aceite a Cristo”tornou-se uma panacéia (remédio pretensamente eficaz na cura de todos os males) de aplicação universal e acredito que tem sido fatal para muitos.

A dificuldade está em que a atitude “aceite a Cristo” está provavelmente errada. Ela mostra Cristo como suplicando a nós, em lugar de nós a Ele. Ela faz com que Cristo aguarde nosso veredicto a respeito dEle, em vez de nos ajoelharmos com os corações contritos esperando que Ele nos julgue.

Para esta maneira ineficaz de tratar de um assunto vital, podemos imaginar alguns paralelos: como se, por exemplo, Israel tivesse “aceito” no Egito o sangue da Páscoa, mas continuasse vivendo em cativeiro, ou o filho pródigo “aceitasse” o perdão do pai e continuasse entre os porcos no país distante.

Aceitar Cristo é dar ensejo a uma ligeira ligação com a Pessoa de nosso Senhor Jesus absolutamente única na experiência humana. Essa ligação é intelectual, volitiva e emocional. Além disso, sua ligação com Cristo é toda exclusiva. O Senhor torna-se para ele a atração única e exclusiva para sempre, e não apenas um entre vário interesses rivais.

O fato de aceitarmos Cristo desta maneira toda inclusiva e toda exclusiva é um imperativo divino. A fé salta para Deus neste ponto mediante a Pessoa e a obra de Cristo, mas jamais separa a obra da Pessoa. Ele crê no Senhor Jesus Cristo, mas jamais separa a obra da Pessoa. Ele crê no Senhor Jesus Cristo, o Cristo abrangente, sem modificação ou reserva, e recebe e goza assim tudo o que Ele fez na sua obra de redenção, tudo o que está fazendo agora no céu a favor dos seus, e tudo o que opera neles e através deles.

Aceitar Cristo é conhecer o significado de 1Jo 4.17, porque neste mundo somos como ele (NVI). Nós aceitamos os amigos dEle como nossos, Seus inimigos como nossos, Seus caminhos como os nossos, Sua rejeição como nossa, Sua cruz como a nossa cruz, Sua vida como a nossa vida e Seu futuro como nosso.

Se é isto que queremos dizer quando aconselhamos alguém a aceitar Cristo, será melhor explicar isso a ele, pois é possível que se envolva em profundas dificuldades espirituais caso não explanarmos o assunto.

Breve comentário:
Gostei muito do artigo, especialmente o parágrafo que destaquei em negrito. Todavia não creio que, como pareceu-me que Tozer assim acredita, que o filho de Deus deve crer no Senhorio de Cristo para obtenção da salvação. (Para mais informações sobre este assunto, leia O Evangelho Segundo Jesus Cristo, de John MacArthur e Tão Grande Salvação, de Charles Ryrie.)

quinta-feira, julho 22, 2010

As Parábolas do Mestre: o Pai Amoroso (Lc 15.11-32)

O Pai Amoroso
Por Reinaldo Bui

“O pai, porém, disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, vesti-o, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés; trazei também e matai o novilho cevado. Comamos e regozijemo-nos” (Leia Lucas 15.11-32 )

O filho pródigo percebeu que não tinha direito de reivindicar nada para retornar à casa de seu pai, nem tinha nada para oferecer, exceto uma vida de serviço pelo arrependimento de seus atos anteriores. Com isso ele estava preparado para cair aos pés de seu pai na esperança de obter perdão e misericórdia. É exatamente isto que a conversão representa: o fim de uma vida de escravidão do pecado, através da confissão ao Pai, e da fé em Jesus Cristo, dispondo-se a se tornar um escravo da justiça.

O filho pródigo estava satisfeito por voltar para casa como um escravo, mas para sua surpresa e alegria os privilégios de ser filho foram restaurados por seu pai. Ele passou de um estado de miséria para completa restauração. Isso é o que a graça de Deus faz por um pecador arrependido. Não só estamos perdoados, mas recebemos um espírito de adoção como Seus filhos, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo. O pai então ordenou aos servos para levarem a melhor roupa (significando dignidade e honra, a prova de sua aceitação de volta para a família), um anel para a mão do filho (autoridade e filiação) e sandálias para seus pés (um sinal de que ele era livre, pois escravos não usavam sapatos).

Este pai amoroso ainda manda matar um novilho gordo e realizar uma festa. O sangue de um inocente foi derramado para expiação dos pecados, visto que naquele tempo bezerros cevados eram guardados para ocasiões especiais como o Dia da Expiação. Podemos imaginar a indignação dos fariseus a esta altura da narrativa, pois se o rapaz tivesse sido tratado em conformidade com a Lei deveria haver um funeral, e não uma festa ( veja Dt 21.18-21). Mas...

O SENHOR é misericordioso e compassivo; longânimo e bastante benigno. Não repreende perpetuamente, nem conserva para sempre a sua ira. Não nos trata segundo os nossos pecados, nem nos retribui consoante as nossas iniquidades. Pois quanto o céu se alteia acima da terra, assim é grande a sua misericórdia para com os que o temem. Quanto dista o Oriente do Ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões. Como um pai se compadece de seus filhos, assim o SENHOR se compadece dos que o temem (Salmo 103:10-13).

Jesus retrata o pai à espera de seu filho talvez diariamente, buscando-o pelo caminho distante ou esperando por sua volta. No momento em que o avistou, ainda longe, este pai compassivo se condói com o estado lastimável do filho. Naquela época não era o costume dos homens correr, mas aqui o pai corre para abraçar o seu filho. Por que um homem de posição quebraria o convencionalismo por um jovem rebelde que havia pecado contra ele? A resposta óbvia é porque ele o amava incondicionalmente, estava ansioso para compartilhar com ele seu amor e restaurar o relacionamento outrora perdido. Quando o pai alcançou seu filho, não só o acolheu em seu abraço, como também o cumprimentou com um beijo afetuoso. Ele está tão cheio de alegria pelo retorno de seu filho que não se dá conta da imundície que o filho se encontra, não o permite terminar a sua confissão, nem tampouco passa um sermão nele. Em vez disso, o perdoa incondicionalmente e o aceita de volta à comunhão.

A figura do pai correndo para seu filho, cumprimentando-o com um beijo e ordenando a celebração de uma festa de boas vindas é um retrato de como nosso Pai Celeste se sente em relação aos pecadores que se arrependem. Deus nos ama muito e espera pacientemente nosso arrependimento para que Ele possa nos mostrar Sua grande misericórdia.

O apóstolo Pedro representou bem esta ideia em sua carta (2 Pedro 3:9):
Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento.

Medite...
Não importa o que você tenha feito no passado; o quanto você se sinta culpado; o quanto você se julgue indigno. Nosso Pai estará sempre de braços abertos a nos esperar. Você crê nisto?