terça-feira, julho 20, 2010

As Parábolas do Mestre: O Filho Perdido (Lc 15.11-32)

O Filho Perdido
Por Reinaldo Bui

Continuou: Certo homem tinha dois filhos; o mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me cabe. E ele lhes repartiu os haveres (leia Lucas 15.11-32).

Há uma progressão na relação entre as três parábolas de uma em cem; uma em cada dez; e um para um, demonstrando o amor de Deus para com toda a humanidade e sua atenção pessoal para cada indivíduo. Vemos nesta história a graça de um pai ao receber um filho arrependido que estava perdido, e não considerar os pecados que este cometeu.

Ao ouvir esta parábola, os fariseus sentiram-se certamente incomodados com o desenrolar da história, a começar pelo filho mais novo que pediu ao pai sua parte da propriedade ainda em vida. Embora fosse perfeitamente dentro de seus direitos de pedir, não era uma coisa amorosa de se fazer, pois isto implicava que ele desejasse que o pai estivesse morto. Em vez de repreender o seu filho, o pai, conscientemente, lhe concedeu o pedido. Esta é uma demonstração de como Deus age muitas vezes, deixando um pecador seguir seu próprio caminho. Todos nós possuímos (uns mais outros menos) essa ambição tola de querer ser independente. Está na raiz do pecador que persiste em seus pecados. Andar em pecado é uma partida da presença e distanciamento de Deus, mas é também um estado de insatisfação constante. Em Lucas 12:15 Jesus já havia advertido:

Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem
não consiste na abundância dos bens que ele possui.

Este filho aprendeu da maneira difícil que a cobiça conduz a uma vida de insatisfação e decepção. Aprendeu também que as coisas mais valiosas na vida são as coisas que você não pode comprar, nem substituir.

O fato deste rapaz ter “viajado a um país distante” levava os fariseus a compreenderem que ele estava se afastando do povo da promessa, bem como das alianças com Deus. É evidente, a partir de suas ações anteriores, que ele já tinha feito essa viagem em seu coração, e a partida foi uma demonstração de sua desobediência intencional a todo amor que seu pai tinha oferecido. No processo, ele desperdiçou todos os bens que sua família tinha conquistado com o suor do rosto para, de forma tão egoísta, desperdiçar tudo.

Seu desastre financeiro foi seguido por um desastre natural que veio em forma de uma fome que assolou aquele país. Neste ponto, ele se vendeu à escravidão física para os gentios, e se encontrava alimentando suínos, uma posição detestável para o povo judeu. Para completar, aparentemente ele ganhava tão pouco que desejava comer a lavagem dos porcos. Não havia quadro pior para um fariseu. Em suas mentes este era o pior estado, o mais degradante que um ser humano poderia chegar. Mesmo aqueles animais imundos pareciam ser melhores do que ele naquele momento. Jesus conseguira retratar o estado de um pecador perdido, ou de um filho rebelde que voltou a uma vida de escravidão ao pecado. É um retrato fiel do que o pecado faz na vida de uma pessoa, quando este rejeita a vontade do Pai. "O pecado sempre promete mais do que dá, toma mais do que você queria dar, e te deixa pior do que estava antes." O pecado promete liberdade, mas traz escravidão (João 6:23).

O filho começou a refletir sobre sua condição e percebeu que até os funcionários do seu pai viviam melhor do que ele. Sua deplorável situação o ajudou a olhar para o pai sob uma nova luz e lhe trouxe esperança. Este é o reflexo do pecador quando ele descobre a condição miserável de sua vida por causa do pecado. É uma constatação de que sem Deus não há esperança (Efésios 2:12, 2 Timóteo 2:25-26). Isto acontece quando um pecador arrependido "cai em si" e anseia por retornar àquele estado de comunhão que o homem tinha com Deus antes da queda. Este é o plano original de Deus, sua vontade para nós.

Em vez de condenação, há alegria e festa no céu “por um filho que estava morto, mas agora vive, que estava perdido, mas agora foi encontrado.”

Medite...
...nesta frase: Não podemos pecar mais do que Deus pode nos perdoar. Você tem esta certeza que Deus é extremamente gracioso? Você tem desfrutado ou abusado desta graça?

segunda-feira, julho 19, 2010

As Parábolas do Mestre: a Ovelha e a Moeda Perdida (Lc 15.1-10)

A Ovelha e a Moeda Perdida
Por Reinaldo Bui



Digo-vos que, assim, haverá maior júbilo no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento (Leia Lucas 15.1-10).

As parábolas da ovelha e da moeda perdidas são as duas primeiras de uma série de três, sendo a terceira a do filho perdido ou "filho pródigo". O motivo de Jesus contar estas parábolas pode ser visto nos dois primeiros versos do capítulo 15. Aqui, publicanos e pecadores estavam se reunindo ao redor de Jesus para ouvi-lo, enquanto os fariseus e os doutores da lei murmuravam (queixavam-se injustamente): "Este homem acolhe os pecadores e come com eles." Observe que os fariseus não se queixavam de Jesus estar ensinando aos pecadores. Como os fariseus se julgavam ser “os justos professores da lei”, e todos os outros maus, eles não poderiam condenar sua pregação. Por reconhecerem a autoridade dos ensinos de Jesus, eles julgavam, consequentemente, ser incompatível com a dignidade de alguém tão conhecedor das Escrituras o comer com eles. O pressuposto por trás da declaração dos fariseus: "Este homem acolhe os pecadores..." É o que move Jesus a contar-lhes estas três parábolas.

Para compreender o significado desta declaração, devemos levar em conta que, praticamente tudo o que era feito naquela cultura, deveria ser considerado se seria uma atitude honrosa ou vergonhosa (mais ou menos como procedemos em nossas igrejas atualmente, certo?). Sejamos sinceros: a principal motivação para o que fazemos e como agimos se baseia na procura de honra para si e/ou para evitar a vergonha pública. Esta também era a preocupação central que movia as intenções de toda aquela sociedade, mas principalmente da elite farisaica.

Na primeira parábola, Jesus convida seus ouvintes a se colocarem na história: "Suponha que algum de vocês tenha cem ovelhas." Ao fazer isso, Jesus está apelando para o seu raciocínio intuitivo e para suas experiências de vida. Faça este exercício você também: se a ovelha fosse sua, o que você faria? Na conclusão da história, automaticamente, os fariseus mudaram de posição e, por causa de seu próprio orgulho, se recusaram a se identificar como uma ovelha perdida, associando-a aos pecadores, e buscaram ansiosamente o rótulo honroso de "justo", colocando-se na posição do grupo mais significativo das noventa e nove ovelhas. É aí que Jesus solta a seguinte sentença: "Haverá mais alegria no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento." Aqui, Jesus pode ter usado um pouco de sarcasmo na referência aos fariseus "que não necessitam de arrependimento" (leia Romanos 3:10, 23).

O mesmo se desenrola na parábola da moeda perdida. As dracmas eram moedas de prata que tinham o mesmo valor que um denário, o equivalente a um dia de trabalho. Isso podia significar pouco para os abastados fariseus, mas para um trabalhador, um dia de trabalho valia muito.

Após uma análise cuidadosa das parábolas, podemos ver que Jesus estava invertendo os valores daqueles homens, colocando de cabeça para baixo a compreensão que eles tinham da justiça humana e aceitação de Deus. Os fariseus se enxergavam como as pessoas amadas de Deus, e os pecadores como os excluídos. Na verdade, toda aquela sociedade pensava assim. Jesus usa os próprios preconceitos dos fariseus contra eles mesmos, ao valorizar os pecadores com uma mensagem desta. A mensagem é esta: “Deus tem um interesse pessoal pelo excluído e, quando Ele o encontra, coloca sobre seus ombros" (v. 5), e “busca diligentemente por pessoas que estão perdidas (em pecado) e, quando as encontra (e estas se arrependem) ele se alegra grandemente”. Jesus deixa claro que os fariseus que se achavam perto de Deus estavam distantes, e os pecadores e publicanos eram aqueles a quem Deus procurava.

Medite...
Vemos a similaridade deste recado aos fariseus em Lc 18:9-14, quando Jesus está ensinando sobre as diferentes atitudes de dois homens que oravam a Deus. Jesus os confundiu novamente quando disse que o pecador, ao invés do religioso, foi para casa justificado diante de Deus. E concluiu: “Todo aquele que se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado." Qual tem sido sua atitude diante dEle?

domingo, julho 18, 2010

As Parábolas do Mestre: Cabritos e Ovelhas (Mt 25.31-46)

Cabritos e Ovelhas
Por Reinaldo Bui

Quando vier o Filho do Homem na sua majestade e todos os anjos com ele, então, se assentará no trono da sua glória; e todas as nações serão reunidas em sua presença, e ele separará uns dos outros, como o pastor separa dos cabritos as ovelhas (Leia Mateus 25:31-46)

Os dezesseis versos que compõem esta parábola parecem sugerir que a salvação é o resultado de boas obras. O grupo de pessoas comparadas às ovelhas foram os que agiram caridosamente em dar aos necessitados alimentos, bebidas, vestuário, que demonstravam hospitalidade, e que visitavam os doentes e os presos. Os cabritos parecem ter sido negligentes em relação a essas coisas, resultando em salvação para os ovinos e condenação para os caprinos. Uma leitura casual pode nos passar esta impressão. No entanto, não é este o significado desta parábola. Escritura não pode contradizer Escritura. A Bíblia ensina de forma clara e repetidamente que a salvação é pela fé através da graça e da misericórdia de Deus e não por boas obras (veja, por exemplo, João 1:12, Atos 15:11, Romanos 3:22-24, Romanos 4:4-8, Romanos 7:24-25, Romanos 8:12, Gálatas 3:6-9 e Efésios 2 :8-10).

O que Deus, então, está tentando nos revelar nestes versículos? Note que ambos os grupos representados pelas ovelhas e cabritos não estão conscientes de suas ações em relação ao julgamento que lhes é conferido, e ambos perguntam: "Quando fizemos essas coisas?" Esta questão, em si, é muito reveladora como a condição do coração das pessoas envolvidas.

Nestes versos, estamos olhando para um homem redimido e salvo, e outro condenado e perdido. Salvação ocorre no momento em que cremos em Jesus Cristo. Salvação é pela graça mediante a fé. Neste momento, você se torna filho de Deus (cf. Jo 1,12-13). Paulo, em 2 Coríntios 5:17, nos diz que:

"Se alguém está em Cristo, nova criatura é, as coisas velhas já passaram, tudo se fez novo."

Então, o que é, exatamente, que nos torna uma "nova criação", visto que estamos ainda nesta carne (Romanos 7:14-25), ainda vivemos neste mundo (Tiago 4:4) e, sem dúvida alguma, ainda somos pecadores (cf. 1 João 1:8)?

A mudança ou transformação que ocorre em nós no momento da conversão é o fato de que somos selados por Deus com o Espírito Santo. Salvação, aqui, significa que recebemos algo de Cristo, ou seja, o perdão dos pecados. A partir deste momento, quando o Pai nos olha, Ele vê pessoas justificadas pelo sangue de seu Filho em vez de ver a nossa própria natureza pecadora, e é somente desta forma que as nossas obras se tornam aceitáveis para ele. Essas obras não são obras feitas por nossa velha natureza, mas pelo poder do Espírito que reside em nós. A partir da salvação, nosso dever como cristãos é nos tornarmos discípulos de Cristo, é ser como Ele é.

Em Gálatas 5:22 lemos que o fruto do Espírito em nossa vida é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, mansidão, fidelidade e domínio próprio. Estes são os traços característicos que Jesus Cristo exibiu por toda sua vida aqui na terra e que devem ser os nossos também. Estes frutos amadurecem num cristão em proporção direta à liberdade que este dá ao Espírito Santo para trabalhar em sua vida. As boas obras na vida do crente são o transbordamento desta habitação, e só são aceitáveis por Deus por causa da relação que existe entre o servo e seu Senhor, a ovelha e seu pastor.

Portanto, a mensagem central da parábola dos cabritos e das ovelhas é que as boas obras resultarão da nossa relação com o nosso pastor. Seguidores de Cristo produzirão naturalmente estas obras: tratarão a todos com bondade e lidarão com o próximo como Cristo faria. Aqueles que rejeitam a Cristo vivem de maneira oposta. Os "cabritos" podem, certamente, fazer atos de bondade e caridade, mas os seus corações não abrigam verdadeiramente em si o propósito correto: honrar e adorar a Deus.

Medite...
Onde, exatamente, nós estamos em relação ao nosso Pastor? Qual é a condição do seu coração? Guarde esta frase: "Não é loucura abrir mão do que não se pode manter, para abraçar aquilo que não se pode perder" (Jim Elliott).

sábado, julho 17, 2010

As Parábolas do Mestre: Entendendo Melhor

Explicando Melhor...
Por Reinaldo Bui

Quando Jesus ficou só, os que estavam junto dele com os doze o interrogaram a respeito das parábolas. Não entendeis esta parábola e como compreendereis todas as parábolas? (Leia Marcos 4.10-13)

Lembre-se que antes de começar a parábola do semeador, Jesus estava diante de uma multidão e precisou entrar num barco para falar a seus ouvintes. Mais tarde, ao terminar seu doutrinamento, Ele ficou só com seus discípulos, que o interrogaram a respeito das parábolas (detalhe revelado no evangelho de Marcos, verso 10 do capítulo 4). Foi então que Jesus os questionou:

Não entendeis esta parábola e como compreendereis todas as parábolas? (Marcos 4.13)

E, neste contexto, Ele revelou o motivo de falar em parábolas:

Por isso, lhes falo por parábolas; porque, vendo, não vêem; e, ouvindo, não ouvem, nem entendem. De sorte que neles se cumpre a profecia de Isaías: Ouvireis com os ouvidos e de nenhum modo entendereis; vereis com os olhos e de nenhum modo percebereis. Porque o coração deste povo está endurecido, de mau grado ouviram com os ouvidos e fecharam os olhos; para não suceder que vejam com os olhos, ouçam com os ouvidos, entendam com o coração, se convertam e sejam por mim curados.

Ao citar Isaías, automaticamente seus discípulos se lembrariam que houve uma época em que o coração do povo estava tão endurecido que Deus deu àquele profeta a missão nada animadora de pregar, pregar, pregar, pregar... e não ver resultado algum. O próprio Senhor endureceria de vez o solo daquelas almas para que elas não se convertessem! Ai! é a exclamação que mais se repete nesta passagem (Isaías 5 e 6). Você acha que isso ainda acontece hoje em dia? Certamente que sim. Ao mesmo tempo, no entanto, Jesus também aliviou o coração de seus discípulos:

Ao que respondeu: Porque a vós outros é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas àqueles não lhes é isso concedido. Bem-aventurados, porém, os vossos olhos, porque vêem; e os vossos ouvidos, porque ouvem. Pois em verdade vos digo que muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes e não viram; e ouvir o que ouvis e não ouviram (Mateus 13.11,16,17).

Em meio a isto tudo, Jesus solta outro enigma (Mt 13.12):

Pois ao que tem se lhe dará, e terá em abundância; mas, ao que não tem, até o que tem lhe será tirado.

O que ele quis dizer com isto? Em primeiro lugar, lembre-se que o teor, o cerne, o significado de todas estas parábolas é a mensagem do evangelho. Além disso, note que dentro deste contexto Jesus exorta repetidamente: Ouça! Preste atenção! Atendei ao que ouvis! Quem tem ouvidos para ouvir, ouça! Felizes os que ouvem!... O que isto lhe sugere?

Agora, imagine que um amigo seu está desempregado e, para suprir suas necessidades, você se compromete a entregar-lhe uma cesta básica mensalmente. Alguns meses depois, você constata que seu amigo não está fazendo um bom uso deste alimento, antes o ignora, desperdiça e estraga. O que você faz? Continua a doação ou procura alguém que realmente necessite e faça bom uso dela? É disto que Jesus está falando. À medida que abrimos o nosso coração, recebemos e utilizamos bem estas sementes que são a sua Palavra, Deus terá o prazer em nos revelar cada vez mais os mistérios do seu reino – que, na sequência, é comparado a várias situações, e não coisas. Para concluir, Jesus finalmente pergunta:

Entendestes todas estas coisas? Responderam-lhe: Sim! Então, lhes disse: Por isso, todo escriba versado no reino dos céus é semelhante a um pai de família que tira do seu depósito coisas novas e coisas velhas.

Medite...
Você tem aberto seu coração diariamente para a Palavra? Tem um coração disposto a ouvir? O que você tem feito com o já que tem recebido, com o que Deus lhe tem revelado? O que você tem guardado em seu depósito?

sexta-feira, julho 16, 2010

As Parábolas do Mestre: A Semente no Coração Disposto (Mateus 13.8,23)

A Semente no Coração Disposto
Por Reinaldo Bui

"Outra, enfim, caiu em boa terra e deu fruto, que vingou e cresceu, produzindo a trinta, a sessenta e a cem por um.... Os que foram semeados em boa terra são aqueles que ouvem a palavra e a recebem, frutificando a trinta, a sessenta e a cem por um" (Mateus 13.8,23).

Chegamos à boa terra. O solo que Jesus procura para semear e cultivar a sua Palavra.

Este coração representado pela boa terra foi o que arou o terreno, removeu as pedras, limpou os espinhos, alcançou raízes profundas e se encontra num clima favorável para frutificar com abundância. Foi um longo e duro trabalho até aqui, mas agora... A terra por si mesma frutifica: primeiro a erva, depois, a espiga, e, por fim, o grão cheio na espiga (Marcos 4:28).

Estes não são movidos apenas pelo entusiasmo das boas novas, nem por um apelo emocional e nem por algum interesse, mas pelo desejo desesperado de aprender, de crescer e de mudar. Este grupo de pessoas não é, necessariamente, o mais culto, inteligente, puro, ético, religioso. Geralmente são mais complicados, têm enormes defeitos, fracassaram inúmeras vezes, são considerados inferiores e sem significância em nossa sociedade, porém, sabem superar seus conflitos e dar valor ao que realmente importa, pois abriram seu coração ao Semeador e aplicaram sua Palavra dentro de si mesmos. Alguns já erraram feio, como Pedro, mas perceberam seus erros, tiveram coragem de reconhecer suas limitações, de se esvaziar e de aprender com as próprias falhas. Não tiveram medo de chorar e de começar tudo de novo. É em corações assim que Deus trabalha.

Os discípulos aprenderam que, para seguir a Jesus, não bastava admirá-lo. Não bastava simplesmente reconhecer que Ele era o Cristo, o Filho do Deus Vivo. Segui-lo exigia um preço: reconhecer suas próprias misérias, enfrentar o egoísmo, o individualismo, o orgulho e o medo que contamina diariamente a nossa alma. Era preciso aprender a amar incondicionalmente, a oferecer a outra face e a não desistir de si e de ninguém, por maior que fossem as falhas e os fracassos...

A Palavra nos transforma, e tem o poder de nos modificar radicalmente. Entretanto, Ela não o faz automaticamente. Por toda a narrativa dos evangelhos lemos que, ano após ano, os discípulos apresentavam reações agressivas e egoístas, competiam, queriam ser um maior que o outro e, até o fim, o individualismo ainda reinava. Para piorar, no momento da cruz, o medo dominou todos eles.

Mas Jesus estava tranquilo, pois confiava que as sementes que Ele plantara logo germinariam. Para Jesus, nenhum solo era inútil ou imprestável. Uma prostituta poderia ser lapidada e ter mais destaque que um fariseu. Um coletor de impostos poderia ser transformado acima de qualquer moralista religioso. Podiam lhe esbofetear e cuspir na cara, mas ele surpreendentemente respondia com perdão.

Raramente alguém acreditou tanto no ser humano. Nunca alguém entendeu tanto os cantos escuros da nossa alma e desejou transformar a nossa vida num jardim para o mundo como Jesus o fez.

Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!

Medite...
A quem se dirige esta parábola? Quais são seus medos? Que tipo de solo você representa? Quantas vezes você já ‘pisou na bola com Deus? Conhece pessoas que sofrem por achar que para elas não há mais solução?

quarta-feira, julho 07, 2010

As Parábolas do Mestre: A Semente no Coração Espinhoso (Mateus 13.7,22)

A Semente no Coração Espinhoso
Por Reinaldo Bui

"Outra parte caiu entre os espinhos; e os espinhos cresceram e a sufocaram, e não deu fruto.. Os outros, os semeados entre os espinhos, são os que ouvem a palavra, mas os cuidados do mundo, a fascinação da riqueza e as demais ambições, concorrendo, sufocam a palavra, ficando ela infrutífera." (Mateus 13.7,22)

Dos três que vimos até agora, este solo é o melhor. Ele é adequado para o plantio. As sementes
germinaram, criaram raízes, encontraram um excelente clima para crescer. Não há pedras. Os problemas e o sofrimento não conseguiram interferir no crescimento.

Mas, junto com a Palavra semeada, apareceram pequenas gramíneas que a princípio não aparentavam nenhum risco. Havia espaço para todas as plantas e elas pareciam poder conviver perfeitamente juntas. Logo os meses se passaram e o previsível aconteceu: os espinhos cresceram muito mais do que aquela planta. A competição foi desonesta! Competiam pelos nutrientes, oxigênio, água, sol. O desenvolvimento natural das plantas foi abalada e elas, mesmo tendo raízes e porte, não frutificaram e, por fim, desapareceram no meio do matagal.

Que tipo de pessoa este solo representa? Representa pessoas que conhecem a Palavra, são sensatas, atingiram algum nível de profundidade, permitiram o crescimento das sementes do amor, do perdão, da sabedoria e da solidariedade. Elas suportaram os sofrimentos, as pressões, o calor sufocante dos problemas, a aridez e as dificuldades externas. Dia a dia tornaram-se fortes para vencer os problemas da vida, porém, não estavam preparadas para suportar as tentações que o nosso mundo oferece, e que cresciam sutilmente à sua volta. Note que enquanto as pedras representam problemas ocultos no íntimo do seu coração, os espinhos estão do lado de fora, por toda a parte. Todo agricultor sabe que não é preciso semear o mato, ele nasce sozinho. Sabe que sua capacidade de crescimento é maior do que qualquer planta que se deseja cultivar. Sabe ainda que, se não capinar regularmente, em pouco tempo ele toma conta da plantação.

Jesus disse que estes espinhos representam as preocupações e a ansiedade por causa das coisas deste mundo, as ambições e a fascinação por riquezas. Somos bombardeados diariamente com a ideia de sucesso e prosperidade (inclusive dentro da igreja). Muitos permitem que o mato cresça, justamente, por ele exercer tanto fascínio sobre o ser humano. São coisas como: dinheiro, fama, reconhecimento, admiração, o querer ser maior do que os outros, etc.

Mas, quem não tem ambições na vida? Quem não se perturba com as incertezas do futuro? Quem não tem preocupações na vida? Algumas destas são legítimas. O problema é quando elas nos controlam, roubam nossa tranquilidade e nossa capacidade de decidir. Quem não tem o cuidado de "capinar" diariamente o seu terreno, ao longo da vida, passa a ser uma pessoa amarga e não consegue entender por que é infeliz, solitária e vive com medo do amanhã, de perder suas posses e sua posição. Embora tenha todos os motivos para sorrir (tem sucesso, dinheiro, prestígio), não consegue ser feliz. Por quê? Porque não limpou as ervas daninhas ao seu redor que se enraizaram no seu coração. Além disto, mais cedo ou mais tarde, todos teremos que deixar para trás todo este mato que acumulamos na vida e só poderemos levar os frutos colhidos das sementes da justiça. Como este dia será?

Medite...
Você tem tido o cuidado de capinar diariamente os espinhos à sua volta? Tem dado a atenção devida às principais plantas da sua vida? Tem cuidado delas (e de você)? Tem deixado a Palavra frutificar em sua alma ou tem permitido que todo tipo de mato à sua volta abafe o que é mais importante?

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terça-feira, julho 06, 2010

As Parábolas do Mestre: A Semente no Coração Pedregoso (Mateus 13.5-6,20-21)

A Semente no Coração Pedregoso
Por Reinaldo Bui

“Outra caiu em solo rochoso, onde a terra era pouca, e logo nasceu, visto não ser profunda a terra. Saindo, porém, o sol, a queimou; e, porque não tinha raiz, secou-se... Semelhantemente, são estes os semeados em solo rochoso, os quais, ouvindo a palavra, logo a recebem com alegria. Mas eles não têm raiz em si mesmos, sendo, antes, de pouca duração; em lhes chegando a angústia ou a perseguição por causa da palavra, logo se escandalizam.” (Mateus 13.5,6,20,21)

Reconheçamos: este tipo de solo é melhor do que o primeiro. Bem, pelo menos ele apresenta condições mínimas para germinar. Mas quem este solo rochoso representa?

Como o próprio Jesus disse, são aqueles que receberam a palavra com alegria, mas um dia se deixaram dominar pelos problemas, perdas e perseguições. São pessoas que perceberam que Deus não eliminaria todas as suas dificuldades e se decepcionaram ao crer que todas as suas orações seriam atendidas. Pensaram que seguir a Jesus seria um céu sem tempestade, trabalho sem fracassos, vida sem sofrimento... Mas se enganaram.

Lembre-se que Jesus nunca fez estas promessas. Prometeu, sim, força nas tribulações, refrigério nos momentos de aflição e coragem nos momentos de fraqueza. Os evangelhos testemunham momentos de crise na vida de Jesus, até risco de morte. Os próprios discípulos ficaram abalados. João Batista chegou a questionar: será que é o Messias? 

Não poucas vezes, em momentos de provações, quando o sol do sofrimento bate em nossas cabeças, nos questionamos: vale a pena segui-lo?

Desanimados, muitos desistem e o abandonam. Creio que todos passam por momentos de crise depois da conversão. Nenhum de nós é um gigante, temos a mesma natureza e somos feitos do mesmo material. No entanto, enquanto que para alguns um problema representa uma pequena pedra, fácil de remover, para outros representa uma montanha.

Não é fácil suportar o sol do sofrimento sobre nossa cabeça, mas é necessário. Fugir é covardia, enfrentá-lo demonstra fé e confiança. Porém, qual é a melhor maneira de enfrentar os problemas e suportar o calor do sofrimento? Aprofundando nossas raízes. Nas raízes de uma árvore está o segredo do seu crescimento. Muitas vezes invejamos o crescimento de alguém, mas não atentamos para o duro caminho que ele percorreu. Observamos só o resultado, mas não olhamos para a fé, determinação, paciência, perseverança, humildade, abnegação, coragem, simplicidade... 

Vivemos numa cultura que se preocupa apenas com resultados imediatos e não se interessa em cultivar raízes. Agindo assim, não pense que encontrará água nos dias mais secos e quentes. Sua semente recém germinada fatalmente secará.

Uma planta que vence as rochas e atinge águas profundas, esta permanece.

Todos nós passaremos por dias difíceis. Pode ser uma perda, doença, expectativas não correspondidas, uma depressão, desespero, vontade de jogar a toalha...

São estes momentos que Deus utiliza para trabalhar em nossas almas e aprofundar raízes internas. Os problemas e os sofrimentos são as ferramentas que Deus usa para que nós cavemos mais profundamente; para que nós enxerguemos nossas pedras e aprendamos a removê-las do nosso interior; para que a semente da Palavra possa aprofundar suas raízes em nossa alma.

Medite...
Responda sinceramente: Que pedras você carrega no subsolo do seu coração que impedem o enraizamento da Palavra? Existe algo que você fez no passado que prefere não lembrar? Há alguma ofensa a ser perdoada? Algum relacionamento a ser restaurado? Algum pecado a ser confessado?

segunda-feira, julho 05, 2010

As Parábolas do Mestre: A Semente no Coração Endurecido (Mt 13.4,19)

A Semente no Coração Endurecido
Por Reinaldo Bui
E, ao semear, uma parte caiu à beira do caminho, e vieram as aves e a comeram... São estes os da beira do caminho, onde a palavra é semeada; e, enquanto a ouvem, logo vem Satanás e tira a palavra semeada neles” (Mateus 13.4,19)

Normalmente aplicamos esta parábola a um contexto evangelístico, esquecendo-nos que a Palavra não se limita apenas às boas novas da salvação. Ela existe também para nos ensinar, repreender, corrigir e educar na justiça, a fim de que sejamos amplamente capacitados para toda boa obra. Estas sementes visam também o nosso crescimento espiritual. Jesus foi o maior dos semeadores e, nesta parábola, Ele se posiciona como tal e nos compara a um terreno onde serão depositadas suas sementes, classificando a alma, isto é, o coração humano, em vários tipos de solo. O que impressiona é que ele não os classificou pela capacidade de errar e acertar ou vencer e fracassar, mas sim pela receptividade, desprendimento e disposição para aprender. Para ele, o coração humano é o solo mais apropriado para receber suas sementes. O que mais podemos fazer com estas sementes senão enterrá-las em nossos corações? Só uma semente enterrada pode germinar, e uma vez desenvolvida deve frutificar, transformando nossas emoções e nossos pensamentos. Este fruto é caracterizado por amor, alegria, paz, paciência, bondade, benignidade, fé, mansidão, domínio próprio, além de uma capacidade sobre-humana para perdoar e servir.

Os quatro tipos de solo que Jesus descreve nesta parábola podem representar quatro tipos de personalidades distintas ou quatro estágios da mesma personalidade.

O primeiro tipo de solo aqui apresentado está compactado, endurecido e impermeável. Ele representa aquelas pessoas que têm seu próprio caminho e não estão abertas para algo novo, não estão dispostas a aprender. Elas se fecham dentro do seu mundo, são orgulhosas, não conseguem se abrir para novas possibilidades ou novos pensamentos. São inquestionáveis e sentem-se donas absolutas da verdade. Seus corações são compactados como a terra pisada de uma estrada. Quando põem uma coisa na cabeça, ninguém consegue fazê-las mudar de idéia. Quantas pessoas nós conhecemos que possuem estas características? É fácil identificar? Agora pense: quantas vezes não agimos assim? Somos turrões, teimosos, não permitimos que nos questionem e explodimos diante da menor ameaça de confronto. O mundo tem que girar em torno do que pensamos, achamos e sentimos. As dores e experiências difíceis deveriam funcionar como um arado, mas em vez de aprendermos com elas, só pioramos a situação! Dessa maneira, vamos ficando cada vez mais intolerantes e fechados. 

Assim eram os fariseus, assim eram os discípulos de Jesus e assim somos nós. A diferença é que, em algum momento, os discípulos abriram o coração. Eles tinham inúmeros defeitos, mas eram pessoas ensináveis. O orgulho deles não tinha grandes raízes, o que os diferenciava dos fariseus. Nem as sementes de amor que Jesus semeava germinam num solo compactado. Por quê? Porque Deus não violenta a alma de nenhum ser humano, mas trabalha no coração daqueles que lhe permitem. Quanto àqueles que insistem em manter seus corações tão endurecidos...

“vendo, vêem, e não percebem; e ouvindo, ouvem, e não entendem... não se convertem e não são perdoados”. (Mt 13.13)

Por isso Deus exorta: "Quando ouvirem a minha voz, não endureçam seus corações..." (Hb 3.8)

Medite...
Como está o terreno do seu coração? Você consegue ser ajudado pelas pessoas que o rodeiam? Seus erros (se os reconhece) e sofrimentos conseguem sulcar seu coração e torná-lo apto para que mais sementes possam germinar?

domingo, julho 04, 2010

As Parábolas do Mestre: Introdução

Esta é uma nova série de devocionais criada por Reinaldo Bui, o mesmo autor de "Devocional em Tiago." Agora, todavia, seu foco de reflexão é nas Parábolas do Mestre.

Introdução
Por Reinaldo Bui

Desde a queda do homem no Éden, e seu consequente afastamento de Deus, o coração humano deixou de ser um jardim onde Deus passeava para se tornar um lugar árido, duro, pedregoso, espinhoso e difícil de lidar. O Senhor poderia ter desistido de nós, mas, em vez disso resolveu nos restaurar. Ele não cessou sua comunicação, pois tinha um plano maior que nos foi sendo revelado progressivamente. Porém, desde muito, ele cedo assistia às reações hostis e violentas de uma humanidade cujo coração insensível é marcado pela rebeldia. É este coração que Ele quer transformar, tal como um agricultor que transforma uma paisagem morta num campo produtivo. Jesus veio executar definitivamente esta obra através de uma Eterna Aliança. Ele é o ápice da revelação de Deus. Ele conhece como ninguém a alma do homem, seu potencial e suas limitações, pois se encarnou, viveu e sofreu as mesmas aflições que nós. Pode-se dizer que a grande tarefa de Jesus no mundo foi transformar o coração de uma dúzia de homens iletrados e incultos, para que estes semeassem o planeta com sua mensagem de amor. Jesus não desejava corrigir o comportamento exterior e nem produzir pessoas que reagissem como robôs bem comportados. Ele não queria dar meros ensinamentos, regras de comportamentos e normas de conduta como: - Isso pode, isto não pode.

Numa Antiga Aliança, Deus havia dado leis que procuravam corrigir o homem, discipliná-lo, fazê-lo ter uma convivência social saudável. Essas leis falharam, não por culpa da Lei (que é perfeita, boa), mas porque: "...pela Lei vem o pleno conhecimento do pecado". (Romanos 3.20). A lei e as regras de conduta buscam moldar o homem exterior. As sementes que Jesus semeava, uma vez geminadas, mudariam o homem interior para sempre.

Jamais houve alguém que desejasse transformar mais o mundo do que Jesus, porém, ele não usou de qualquer tipo de violência e pressão para isso. Ele preferiu utilizar a sabedoria e o amor ao invés da força e do poder. Seu objetivo era atingir o interior do ser humano e inspirar desejo de mudança, criatividade e a capacidade de pensar em coisas eternas; era plantar boas sementes no coração de seus discípulos para que estes o compreendessem e o amassem a ponto de darem suas vidas por Ele.

Esta tarefa, entretanto, era gigantesca, pois, assim como nós, eles tinham uma natureza bastante corrompida por causa do pecado. Assim como eles, somos imperfeitos e superficiais. Jesus sabe que nossa natureza não muda da noite para o dia, mas Ele é persistente. Este é o Senhor a quem nós adoramos e servimos!

Alguns homens, envolvidos pelas palavras de Jesus, deixaram tudo para trás para segui-lo, mas suas obras e atitudes os confundiam. Muitos pensaram que ele era um grande estadista, alguém capaz de reunir um grande exército, alguém cujo mundo se inclinaria diante de seu poder. Não poucos se decepcionaram com sua humildade e com a simplicidade de suas ações, pois mesmo sendo grande, ele parava para atender aos mais sofridos e desprezados daquela sociedade: atendia aos pedidos dos leprosos, cegos e aleijados e até advogava a favor de prostitutas e mulheres de má fama. Quando o povo queria aclamá-lo rei, ele se retirou para assumir o papel de um humilde servo. Era impossível ficar indiferente à pessoa de Jesus! Seus discípulos não compreendiam exatamente a quem seguiam e ficavam profundamente admirados com seus gestos; seus inimigos, extremamente irados, não sabiam quem perseguiam. No entanto, uma coisa não podiam negar: Ele tinha o poder de alcançar com sua mensagem o mais íntimo do coração humano. De forma bastante econômica e precisa no falar, Jesus conseguia tratar em uma parábola o que precisaria de um livro para ser explicado.

Certa vez, Jesus contou uma parábola:
- Eis que o semeador saiu a semear*...
Explicou: - O semeador é o que semeia a palavra**...
E advertiu: - Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!*

Portanto, comece prestar mais atenção às Palavras de Jesus.

(*Mateus 13.3,9; **Marcos 4.14)

terça-feira, junho 29, 2010

Charles Spurgeon: Sobre a Mulher do Pastor

Dois anos antes da morte de Spurgeon, ele escreveu:

Se eu fosse uma jovem, e estivesse pensando em casar-me, certamente não me casaria com um ministro da Palavra, porque a posição de esposa de ministro é muito difícil para qualquer mulher. As igrejas não pagam dois salários aos pastores casados, um para o marido e outro para sua esposa; mas, em muitos casos, também procuram pelos serviços da esposa, quer estejam pagando por isso ou não. Também é esperado que a esposa de um pastor saiba tudo sobre a igreja, e, olhando por outro prisma, não é obrigação dela saber; no entanto, para algumas pessoas, ela é sempre culpada, tanto por saber tudo ou por nada saber a respeito da igreja. Suas obrigações resumem-se a estar sempre em casa para atender a seu marido e sua família, e estar sempre fora de casa, visitando os membros da igreja, ou fazendo toda sorte de coisas por eles! Bem, é claro que isto é impossível; ela não pode estar à disposição de todos, e nem espera-se que ela agrade a todos. Seu marido não conseguiria fazer isto, e eu penso que ele seria um grande tolo, caso o tentasse; também estou convencido de que, se o marido não pode agradar a todos, muito menos o pode sua esposa. Certamente sempre haverá descontente, especialmente se este alguém tinha esperanças de se tornar esposa de pastor. Dificuldades surgem continuamente até mesmo nas melhores igrejas; e, como disse antes, a posição da esposa do pastor é sempre muito difícil.

No entanto, penso que se eu fosse uma jovem cristã, me casaria com um pastor cristão, caso eu conseguisse, porque existiria aí uma oporunidade de realizar tantas boas obras, ao auxiliá-lo em seu serviço para Cristo. É uma grande ajuda para a causa de Deus manter o pastor em boas condições para o trabalho. É função da esposa cuidar para que ele não esteja desconfortável em casa, a fim de que tudo lá esteja bem e livre de preocupações da pregação. A mulher cristã que desta forma ajuda seu marido a pregar melhor, é ela mesma uma pregadora da Palavra, ainda que nunca fale em público, tornando-se então extremamente útil para a igreja de Cristo, comprometida com o trabalho de seu marido.


Fonte:
Amado Timóteo, ed. Fiel, pp.24,25. Compilado por Thomas Ascol.
Citação de Spurgeon's Sermons Preached on Unusual Occasions, Pilgrins Publications, 1978, 248.

segunda-feira, junho 28, 2010

Ed Cole: Desejo e Oração

Wishing will never be a substitute for prayer.

(Tradução)  O desejo nunca será substituto pela oração.


-- Ed Cole

A Bíblia Permite Divórcio em Caso de Adultério?

Por John Piper

Excelente vídeo sobre o assunto de divórcio e recasamento.

Veja no novo site: www.todahelohim.com


Para aqueles que se interessarem mais sobre o assunto, veja o artigo Divórcio e Novo Casamento: Uma Declaração (clique), também por John Piper.

sexta-feira, junho 18, 2010

A Importância dos Missionários de Base

por Reinaldo Bui

Neste momento, em algum lugar do nosso país (para não estender este apelo a outras nações), há um crente frustrado em seu trabalho. Este irmão ou irmã é apaixonado por missões, seu coração ferve sempre que ouve uma mensagem desafiadora para “ir pelo mundo” aos povos que ainda não ouviram o Evangelho para pregar a mensagem de salvação. Mas ele vive num impasse. Seu paradigma de missionário é o mesmo da igreja em geral: aquele intrépido e desprendido ser que largou tudo e todos para se enfiar no meio de uma mata longínqua, a fim de viver sem um mínimo de conforto, disposto a se habituar à culinária nada convencional do povo que ele escolheu, só para levar as Boas Novas de Cristo.

Sua frustração só aumenta. Quanto mais este irmão ou irmã busca aconselhamento com seus pastores, mais distante suas esperanças ficam do “campo missionário”. Seu perfil é de alguém que adora rotina e desenrola muito bem o serviço burocrático. Talvez ele trabalhe numa empresa de telecomunicações, talvez ela seja uma secretária eficiente. Ou então este irmão/irmã seja um advogado, ou algum profissional da área administrativa, ou sei lá. Pode ser qualquer coisa, mas nunca conseguiu se imaginar comendo turu e morando numa maloca por amor às almas perdidas. Não que este sentimento não lhe incomode, mas por ser urbano demais, não conseguiria chegar tão longe. Por isto, cala-se, frustrado. Não consegue imaginar em que poderia ser útil para a proclamação do Reino. Ah, sim. Ele/ela é ativo em sua igreja. Mas quem tem o coração em missões está sempre com a cabeça lá longe.


Talvez alguns o questionem sobre a autenticidade do seu “chamado”, e este é outro paradigma que precisa ser quebrado. Chamado missionário não é algo místico. Se você está esperando uma revelação por sonho ou alguma visão extática, esqueça. Olhe para a Palavra (que vale muito mais do que qualquer visão). Atente, por exemplo a textos como:

...sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra (Atos 1.8).

...Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. (Marcos 16.15).


Este chamado, não é para poucos. Esta convocação é para todos os crentes. A questão é se você vai obedecer ou não... E aonde você vai cumprir esta comissão.

Voltemos ao nosso irmão frustrado. Ele tem convicção da importância desta santa convocação e perturba-se profundamente com isto. Para complicar ainda mais, seu teste de dons não apontou para evangelismo, ou ensino, nem para apostolado. Como era de se esperar, ele/ela é apto para administrar ou presidir. Desconsolado, chora: "continuarei orando por missões..."

Neste momento, em algum lugar do nosso país há um crente apaixonado por missões, mas frustrado porque o velho paradigma o impede de ir; e neste mesmo momento, em alguma base missionária, há um missionário que está louco para ir embora pro meio do mato, comer turu com o povo local e morar numa maloca, a fim de desenvolver seu dom de compartilhar o Evangelho de maneira contextualizada... Mas não pode porque alguém tem que fazer o serviço burocrático e rotineiro na base da missão. Ele ora: "Senhor, mande alguém prá fazer este serviço porque senão eu vou ficar louco com esta papelada aqui!"

Somente quem desconhece quantos dons e habilidades diferentes são necessários para se compor uma equipe missionária ignora que “missionários de base” são tão importantes quanto os “missionários de campo.”

terça-feira, junho 01, 2010

Um Breve Estudo Sobre o Significado de "Amar o Próximo Como..." (Mc 12.30-31)

Amar o próximo como...
por Reinaldo Bui 

Recentemente participei de uma aula de escola dominical numa determinada igreja, cuja aula era guiada por uma revista que, segundo o título, nos propõe uma nova vida em Cristo. Muito me preocupou o que estava sendo ensinado àquela igreja - e sei lá quantas mais, aos crentes desejosos de uma nova vida, quando foi lido, por exemplo, o seguinte texto na referida revista:

Amarás, pois, ao Senhor teu Deus... Amarás ao próximo como a ti mesmo... (Mc 12.30-31). Na EBD foi dito que Jesus estava ressaltando uma verdade incontestável: não basta amar a Deus e ao próximo, é preciso amar a si mesmo. Esta prática do amor tríplice ajuda você a ter menos problemas físicos e emocionais, como comprova a ciência. O princípio supremo dado por Jesus é para o nosso bem estar. Este ensino me levou a algumas perguntas:
  • Será que aumentar nossa auto estima refletirá num aumento substancial de preocupação ao bem estar alheio?
  • Quanto mais eu me amar mais amarei o próximo?
  • Amor próprio é um mandamento?
  • Será que assim Deus não estaria nos incentivando a intensificar atenção e gastos com nossa própria pessoa antes de pensar no próximo?
  • Será que naturalmente já não fazemos isto?
Esta expressão amar o próximo como a ti mesmo aparece 8 vezes na Bíblia, e foi citada pela primeira vez em Levítico 19.18. Neste contexto, Deus estava dando uma série de instruções para Seu povo no que diz respeito ao relacionamento e tratamento para com o próximo (cf. Lv 19.9-18). Deus não estava sugerindo, em hipótese alguma, que seu povo desenvolvesse um mecanismo de “auto amabilidade” para poder amar o próximo de uma maneira melhor. Não! Deus sabe que somos egoístas por natureza. A ideia expressa aqui pelo Senhor é melhor interpretada como “Ame o próximo como você se ama.”

Não há nenhum texto bíblico que mande ou sugere que nós nos amemos. Isto já é inerente à nossa natureza. Amar-se a si mesmo é próprio da natureza humana. Note o que Paulo escreveu aos Efésios (5.28-29).

Assim também os maridos devem amar a sua mulher como ao próprio corpo. Quem ama a esposa a si mesmo se ama. Porque ninguém jamais odiou a própria carne;
antes, a alimenta e dela cuida...

Maridos devem amar suas esposas como se amam, assim como devemos amar o próximo como nos amamos, cuidamos de nós, visto que sabemos o que é melhor para o nosso eu.

Vemos este mesmo princípio na chamada “regra áurea”: tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a Lei e os Profetas (Mateus 7:12).


Repetições no NT
Neste mesmo espírito, Jesus citou Levítico 19.18 em 2 ocasiões:

Uma delas aconteceu quando um jovem rico o abordou querendo saber o que poderia fazer (esforço próprio) para ganhar a vida eterna (Mt 19.16-22). Entre as “observações” que Jesus considerou, constava “ame o próximo como a ti mesmo”. Vemos no desfecho desta história que, embora o jovem afirmasse que cumpria isto, ele de fato não amava o próximo como se amava.

A segunda, foi quando um intérprete da Lei questionou Jesus sobre qual era o maior mandamento. Respondeu Jesus: O principal é: Ouve, ó Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor! Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força. O segundo é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes (Mc 12.28-31).

Lucas Também cita Levítico 19.18 numa situação semelhante a esta, porém Jesus fez com que o escriba respondesse sua própria pergunta (Lucas 10.27). É neste contexto que Jesus ensina a seus ouvintes quem é o nosso próximo, contando-lhes a parábola do samaritano – um personagem extremamente degradante aos olhos de um judeu daquela época. Ame o próximo como este samaritano fez e ame o próximo como você se ama, mesmo que seja um samaritano... você consegue?

Além dos sinóticos, Paulo (2 vezes) e Tiago (uma vez) citam este mandamento enfatizando-o como sendo um resumo (essência) da Lei.


Referencial: “EU”
Ao mesmo tempo que o referencial deste mandamento da Lei para amar o próximo baseia-se no quanto nós nos amamos, ele também constitui um problema, pois é verdade que ânimos variam de pessoa para pessoa (assim como pode variar em uma única pessoa). Vejamos aqui os dois extremos de “amor próprio”:

Como devo amar o próximo se tenho...
  • Baixa auto estima
  • Auto estima elevada
Um é infeliz porque não é exatamente quem gostaria de ser ou não tem tudo aquilo que desejaria ter. Isto gera complexos e frustrações. Pessoas assim vivem amarguradas, tem raiva de Deus e da vida. Apresentam problemas de baixa estima, depressão, auto comiseração, etc.

No entanto, o problema desta pessoa não é falta de amor próprio, ela simplesmente acha injusto que os outros sejam mais felizes e realizados do que ela. Insisto que não é falta de amor próprio, mas sim falta de compreender o amor de Deus somado a uma superproteção do seu “ego”. De qualquer forma, esta pessoa sente muita dificuldade de amar o próximo (como a si mesma) porque ela necessita de toda atenção para si. Ela é extremamente carente, só se deixa demover por meio de lisonjas e elogios, e jamais reconhece qualidades nos outros.

No outro extremo, temos aquela pessoa que se ama tanto que é apática com tudo e com todos que de alguma forma não lhe favoreça. Supervaloriza-se tanto que não consegue olhar para as necessidades alheias. É indiferente com Deus, porque não se atenta à Sua Palavra. Normalmente vê Deus como alguém que está aí para servir seus desejos e garantir-lhe vitória em tudo o que fizer. Sua auto estima é super elevada e acredita que é assim porque merece. Sente-se linda e poderosa e não percebe o quanto é pecadora.

Responda sinceramente:
  • Uma pessoa que se ama tanto assim consegue amar o próximo de uma forma melhor?
  • E a pessoa do primeiro caso? Note que ambas são egocêntricas.
Portanto, quando Jesus citou “amarás o próximo como a ti mesmo” não estava ensinando amor próprio nesta passagem. Não estava ensinando a verdade incontestável que devemos primeiro nos amar para poder amar os outros.

Em 2 Timóteo 3.2 temos a única aparição da palavra egoísta (do grego philautos) na Bíblia, que significa aquele que ama a si mesmo; bem atento aos próprios interesses. Aliás, é bastante oportuno verificarmos algumas das definições que o dicionário Houais traz desta mesma palavra:
1-amor exagerado aos próprios valores e interesses a despeito dos de outrem;
2-exclusivismo que leva uma pessoa a se tomar como referência a tudo; excessiva vaidade, pretensão, orgulho, presunção;
3-atitude ética ou social que parte do princípio de que o móvel fundamental de todo pensamento ou ação (morais) é a defesa dos próprios interesses;
4-interesse que o ego tem por si próprio.

Sejamos sinceros: somos egoístas ou não?
Releia estas definições com a “guarda abaixada”, em tom de confissão.

Medite nas seguintes questões:
  • Quanto tempo e recursos você investe para cuidar de si mesmo e de seus interesses? Você gasta o mesmo em prol de outrem? Está disposto a gastar?
  • Se você ganhasse um prêmio substancial em dinheiro, gastaria com o que e para quem? Repartiria com alguém necessitado que não fosse seu familiar?
  • Temos algum valor? Esta pergunta eu respondo: sim! Tanto que Deus enviou seu único filho ao mundo para nos resgatar. Pagou um altíssimo preço. Morreu em nosso lugar, para que nós tivéssemos vida e vida em abundância. Deus nos ama e nos adotou como filhos, nos fazendo co-herdeiros com Jesus.
Não estamos defendendo que a pessoa não deva cuidar de si: de sua saúde física, emocional, intelectual e, principalmente, espiritual. Mas não podemos puxar para nós honra ou valor maior do que Deus nos outorgou. Se somos o que nos tornamos é porque Ele nos transformou. Sem Deus, não passamos de miseráveis pecadores!

Veja o que o salmista escreve em Salmos 8.3-5:

Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste, que é o homem, que dele te lembres e o filho do homem, que o visites? Fizeste-o, no entanto, por um pouco, menor do que Deus e de glória e de honra o coroaste.

Primeiro, o salmista reconhece nossa insignificância e pequenez diante da grandeza do universo (obra dos dedos de Deus), e em seguida admira-se com o cuidado de Deus por seres tão pequenos como nós. Se buscarmos nossa própria glória, deixamos de honrar o nosso criador exaltando o nosso ego; mas quando reconhecemos e aceitamos a posição que o Senhor nos colocou, então glorificamos o Seu Nome.

Agape ou philautos?
Ao invés de incentivar o amor próprio, Jesus convida aqueles que querem segui-lo (cristãos) a negarem-se a si mesmo, tomarem sua cruz e segui-lo.

Aqui o amor próprio começa entrar em conflito com o amor agape. Se agape é um amor incondicional não pode estar se referindo a mim mesmo, mas ao próximo. Precisamos entender que agape é altruísta, enquanto que philautos é egoísta. Se amor próprio não pode ser agape, então é um amor “egocentrado.”

Em 1 Coríntios 13, o apóstolo Paulo escreve, inspirado pelo Espírito Santo, a melhor definição de amor (agape) que conhecemos. Analise esta passagem cuidadosamente:

O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal;
não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba...

Certamente este hino não descreve, e nem nele cabe o amor próprio (philautos). Somente o amor ao próximo (agape).

Novo mandamento
Em João 13, no contexto da última ceia, Jesus muda radicalmente o referencial de amor ao próximo quando diz a seus discípulos: Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros (João 13.34-35).

O referencial da antiga aliança de amor ao próximo, assim como todo cumprimento da Lei, dependia do que eu poderia produzir; dependia de meus próprios esforços. Nesta nova aliança anunciada e inaugurada pelo Senhor Jesus, o referencial não se baseia mais em nossa frágil e egoísta natureza humana, mas no Seu amor.

1 João 4:19 nos ensina que nós amamos porque ele nos amou primeiro, e não porque me amo. Devemos amar como Ele nos amou: Servindo, perdoando, incondicionalmente.

A velha Lei dizia: Ame o próximo do jeito que você se ama. E agora? O que a graça, diz? Amar ao próximo: como você se ama ou como Cristo nos amou? Qual deve ser o nosso referencial? Insistir no amor próprio é negar que Cristo é o nosso referencial.

Mas se amar o próximo como nós nos amamos já é difícil, e quanto amar como Cristo nos amou? Novamente, se depender de nós, é impossível. Por isso Deus nos deu o Seu Espírito. Conforme permitimos, veremos o fruto deste Espírito crescendo em nós, abrochando amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio.

Não preciso recorrer para a ciência para saber que pessoas que amam a Deus e ao próximo tem menos problemas físicos e emocionais. Antes da ciência comprovar, a Bíblia já afirmava isto com autoridade e quer que esta seja uma realidade em sua vida!
E quanto ao amor próprio? Bem, sabemos que a pessoa que é amada se sente valorizada. Daí cabe a seguinte pergunto: Você crê que Jesus te ama? Então espalhe este amor pelo mundo. Ame ao próximo como Ele te ama. (Para uma compreensão melhor deste assunto, leia a Primeira Epístola do Apóstolo João.)

domingo, maio 30, 2010

Debate: o Crente e o Divórcio (Vídeos)

Veja o debate de Carlos Bregantim, pastor da Comunidade Caminho da Graça, cujo líder é Caio Fábio, e Carlos Osvaldo Pinto, reitor do Seminário Bíblico Palavra da Vida.

Tema: O Crente e o Divórcio
Fonte: Ogalileo

1. O Crente e o Divórcio



2.O Novo Casamento



3.O Divórcio na Igreja



4.Pastores Divorciados