quarta-feira, julho 07, 2010

As Parábolas do Mestre: A Semente no Coração Espinhoso (Mateus 13.7,22)

A Semente no Coração Espinhoso
Por Reinaldo Bui

"Outra parte caiu entre os espinhos; e os espinhos cresceram e a sufocaram, e não deu fruto.. Os outros, os semeados entre os espinhos, são os que ouvem a palavra, mas os cuidados do mundo, a fascinação da riqueza e as demais ambições, concorrendo, sufocam a palavra, ficando ela infrutífera." (Mateus 13.7,22)

Dos três que vimos até agora, este solo é o melhor. Ele é adequado para o plantio. As sementes
germinaram, criaram raízes, encontraram um excelente clima para crescer. Não há pedras. Os problemas e o sofrimento não conseguiram interferir no crescimento.

Mas, junto com a Palavra semeada, apareceram pequenas gramíneas que a princípio não aparentavam nenhum risco. Havia espaço para todas as plantas e elas pareciam poder conviver perfeitamente juntas. Logo os meses se passaram e o previsível aconteceu: os espinhos cresceram muito mais do que aquela planta. A competição foi desonesta! Competiam pelos nutrientes, oxigênio, água, sol. O desenvolvimento natural das plantas foi abalada e elas, mesmo tendo raízes e porte, não frutificaram e, por fim, desapareceram no meio do matagal.

Que tipo de pessoa este solo representa? Representa pessoas que conhecem a Palavra, são sensatas, atingiram algum nível de profundidade, permitiram o crescimento das sementes do amor, do perdão, da sabedoria e da solidariedade. Elas suportaram os sofrimentos, as pressões, o calor sufocante dos problemas, a aridez e as dificuldades externas. Dia a dia tornaram-se fortes para vencer os problemas da vida, porém, não estavam preparadas para suportar as tentações que o nosso mundo oferece, e que cresciam sutilmente à sua volta. Note que enquanto as pedras representam problemas ocultos no íntimo do seu coração, os espinhos estão do lado de fora, por toda a parte. Todo agricultor sabe que não é preciso semear o mato, ele nasce sozinho. Sabe que sua capacidade de crescimento é maior do que qualquer planta que se deseja cultivar. Sabe ainda que, se não capinar regularmente, em pouco tempo ele toma conta da plantação.

Jesus disse que estes espinhos representam as preocupações e a ansiedade por causa das coisas deste mundo, as ambições e a fascinação por riquezas. Somos bombardeados diariamente com a ideia de sucesso e prosperidade (inclusive dentro da igreja). Muitos permitem que o mato cresça, justamente, por ele exercer tanto fascínio sobre o ser humano. São coisas como: dinheiro, fama, reconhecimento, admiração, o querer ser maior do que os outros, etc.

Mas, quem não tem ambições na vida? Quem não se perturba com as incertezas do futuro? Quem não tem preocupações na vida? Algumas destas são legítimas. O problema é quando elas nos controlam, roubam nossa tranquilidade e nossa capacidade de decidir. Quem não tem o cuidado de "capinar" diariamente o seu terreno, ao longo da vida, passa a ser uma pessoa amarga e não consegue entender por que é infeliz, solitária e vive com medo do amanhã, de perder suas posses e sua posição. Embora tenha todos os motivos para sorrir (tem sucesso, dinheiro, prestígio), não consegue ser feliz. Por quê? Porque não limpou as ervas daninhas ao seu redor que se enraizaram no seu coração. Além disto, mais cedo ou mais tarde, todos teremos que deixar para trás todo este mato que acumulamos na vida e só poderemos levar os frutos colhidos das sementes da justiça. Como este dia será?

Medite...
Você tem tido o cuidado de capinar diariamente os espinhos à sua volta? Tem dado a atenção devida às principais plantas da sua vida? Tem cuidado delas (e de você)? Tem deixado a Palavra frutificar em sua alma ou tem permitido que todo tipo de mato à sua volta abafe o que é mais importante?

Faça o download de todo o devocionário (clique aqui).

terça-feira, julho 06, 2010

As Parábolas do Mestre: A Semente no Coração Pedregoso (Mateus 13.5-6,20-21)

A Semente no Coração Pedregoso
Por Reinaldo Bui

“Outra caiu em solo rochoso, onde a terra era pouca, e logo nasceu, visto não ser profunda a terra. Saindo, porém, o sol, a queimou; e, porque não tinha raiz, secou-se... Semelhantemente, são estes os semeados em solo rochoso, os quais, ouvindo a palavra, logo a recebem com alegria. Mas eles não têm raiz em si mesmos, sendo, antes, de pouca duração; em lhes chegando a angústia ou a perseguição por causa da palavra, logo se escandalizam.” (Mateus 13.5,6,20,21)

Reconheçamos: este tipo de solo é melhor do que o primeiro. Bem, pelo menos ele apresenta condições mínimas para germinar. Mas quem este solo rochoso representa?

Como o próprio Jesus disse, são aqueles que receberam a palavra com alegria, mas um dia se deixaram dominar pelos problemas, perdas e perseguições. São pessoas que perceberam que Deus não eliminaria todas as suas dificuldades e se decepcionaram ao crer que todas as suas orações seriam atendidas. Pensaram que seguir a Jesus seria um céu sem tempestade, trabalho sem fracassos, vida sem sofrimento... Mas se enganaram.

Lembre-se que Jesus nunca fez estas promessas. Prometeu, sim, força nas tribulações, refrigério nos momentos de aflição e coragem nos momentos de fraqueza. Os evangelhos testemunham momentos de crise na vida de Jesus, até risco de morte. Os próprios discípulos ficaram abalados. João Batista chegou a questionar: será que é o Messias? 

Não poucas vezes, em momentos de provações, quando o sol do sofrimento bate em nossas cabeças, nos questionamos: vale a pena segui-lo?

Desanimados, muitos desistem e o abandonam. Creio que todos passam por momentos de crise depois da conversão. Nenhum de nós é um gigante, temos a mesma natureza e somos feitos do mesmo material. No entanto, enquanto que para alguns um problema representa uma pequena pedra, fácil de remover, para outros representa uma montanha.

Não é fácil suportar o sol do sofrimento sobre nossa cabeça, mas é necessário. Fugir é covardia, enfrentá-lo demonstra fé e confiança. Porém, qual é a melhor maneira de enfrentar os problemas e suportar o calor do sofrimento? Aprofundando nossas raízes. Nas raízes de uma árvore está o segredo do seu crescimento. Muitas vezes invejamos o crescimento de alguém, mas não atentamos para o duro caminho que ele percorreu. Observamos só o resultado, mas não olhamos para a fé, determinação, paciência, perseverança, humildade, abnegação, coragem, simplicidade... 

Vivemos numa cultura que se preocupa apenas com resultados imediatos e não se interessa em cultivar raízes. Agindo assim, não pense que encontrará água nos dias mais secos e quentes. Sua semente recém germinada fatalmente secará.

Uma planta que vence as rochas e atinge águas profundas, esta permanece.

Todos nós passaremos por dias difíceis. Pode ser uma perda, doença, expectativas não correspondidas, uma depressão, desespero, vontade de jogar a toalha...

São estes momentos que Deus utiliza para trabalhar em nossas almas e aprofundar raízes internas. Os problemas e os sofrimentos são as ferramentas que Deus usa para que nós cavemos mais profundamente; para que nós enxerguemos nossas pedras e aprendamos a removê-las do nosso interior; para que a semente da Palavra possa aprofundar suas raízes em nossa alma.

Medite...
Responda sinceramente: Que pedras você carrega no subsolo do seu coração que impedem o enraizamento da Palavra? Existe algo que você fez no passado que prefere não lembrar? Há alguma ofensa a ser perdoada? Algum relacionamento a ser restaurado? Algum pecado a ser confessado?

segunda-feira, julho 05, 2010

As Parábolas do Mestre: A Semente no Coração Endurecido (Mt 13.4,19)

A Semente no Coração Endurecido
Por Reinaldo Bui
E, ao semear, uma parte caiu à beira do caminho, e vieram as aves e a comeram... São estes os da beira do caminho, onde a palavra é semeada; e, enquanto a ouvem, logo vem Satanás e tira a palavra semeada neles” (Mateus 13.4,19)

Normalmente aplicamos esta parábola a um contexto evangelístico, esquecendo-nos que a Palavra não se limita apenas às boas novas da salvação. Ela existe também para nos ensinar, repreender, corrigir e educar na justiça, a fim de que sejamos amplamente capacitados para toda boa obra. Estas sementes visam também o nosso crescimento espiritual. Jesus foi o maior dos semeadores e, nesta parábola, Ele se posiciona como tal e nos compara a um terreno onde serão depositadas suas sementes, classificando a alma, isto é, o coração humano, em vários tipos de solo. O que impressiona é que ele não os classificou pela capacidade de errar e acertar ou vencer e fracassar, mas sim pela receptividade, desprendimento e disposição para aprender. Para ele, o coração humano é o solo mais apropriado para receber suas sementes. O que mais podemos fazer com estas sementes senão enterrá-las em nossos corações? Só uma semente enterrada pode germinar, e uma vez desenvolvida deve frutificar, transformando nossas emoções e nossos pensamentos. Este fruto é caracterizado por amor, alegria, paz, paciência, bondade, benignidade, fé, mansidão, domínio próprio, além de uma capacidade sobre-humana para perdoar e servir.

Os quatro tipos de solo que Jesus descreve nesta parábola podem representar quatro tipos de personalidades distintas ou quatro estágios da mesma personalidade.

O primeiro tipo de solo aqui apresentado está compactado, endurecido e impermeável. Ele representa aquelas pessoas que têm seu próprio caminho e não estão abertas para algo novo, não estão dispostas a aprender. Elas se fecham dentro do seu mundo, são orgulhosas, não conseguem se abrir para novas possibilidades ou novos pensamentos. São inquestionáveis e sentem-se donas absolutas da verdade. Seus corações são compactados como a terra pisada de uma estrada. Quando põem uma coisa na cabeça, ninguém consegue fazê-las mudar de idéia. Quantas pessoas nós conhecemos que possuem estas características? É fácil identificar? Agora pense: quantas vezes não agimos assim? Somos turrões, teimosos, não permitimos que nos questionem e explodimos diante da menor ameaça de confronto. O mundo tem que girar em torno do que pensamos, achamos e sentimos. As dores e experiências difíceis deveriam funcionar como um arado, mas em vez de aprendermos com elas, só pioramos a situação! Dessa maneira, vamos ficando cada vez mais intolerantes e fechados. 

Assim eram os fariseus, assim eram os discípulos de Jesus e assim somos nós. A diferença é que, em algum momento, os discípulos abriram o coração. Eles tinham inúmeros defeitos, mas eram pessoas ensináveis. O orgulho deles não tinha grandes raízes, o que os diferenciava dos fariseus. Nem as sementes de amor que Jesus semeava germinam num solo compactado. Por quê? Porque Deus não violenta a alma de nenhum ser humano, mas trabalha no coração daqueles que lhe permitem. Quanto àqueles que insistem em manter seus corações tão endurecidos...

“vendo, vêem, e não percebem; e ouvindo, ouvem, e não entendem... não se convertem e não são perdoados”. (Mt 13.13)

Por isso Deus exorta: "Quando ouvirem a minha voz, não endureçam seus corações..." (Hb 3.8)

Medite...
Como está o terreno do seu coração? Você consegue ser ajudado pelas pessoas que o rodeiam? Seus erros (se os reconhece) e sofrimentos conseguem sulcar seu coração e torná-lo apto para que mais sementes possam germinar?

domingo, julho 04, 2010

As Parábolas do Mestre: Introdução

Esta é uma nova série de devocionais criada por Reinaldo Bui, o mesmo autor de "Devocional em Tiago." Agora, todavia, seu foco de reflexão é nas Parábolas do Mestre.

Introdução
Por Reinaldo Bui

Desde a queda do homem no Éden, e seu consequente afastamento de Deus, o coração humano deixou de ser um jardim onde Deus passeava para se tornar um lugar árido, duro, pedregoso, espinhoso e difícil de lidar. O Senhor poderia ter desistido de nós, mas, em vez disso resolveu nos restaurar. Ele não cessou sua comunicação, pois tinha um plano maior que nos foi sendo revelado progressivamente. Porém, desde muito, ele cedo assistia às reações hostis e violentas de uma humanidade cujo coração insensível é marcado pela rebeldia. É este coração que Ele quer transformar, tal como um agricultor que transforma uma paisagem morta num campo produtivo. Jesus veio executar definitivamente esta obra através de uma Eterna Aliança. Ele é o ápice da revelação de Deus. Ele conhece como ninguém a alma do homem, seu potencial e suas limitações, pois se encarnou, viveu e sofreu as mesmas aflições que nós. Pode-se dizer que a grande tarefa de Jesus no mundo foi transformar o coração de uma dúzia de homens iletrados e incultos, para que estes semeassem o planeta com sua mensagem de amor. Jesus não desejava corrigir o comportamento exterior e nem produzir pessoas que reagissem como robôs bem comportados. Ele não queria dar meros ensinamentos, regras de comportamentos e normas de conduta como: - Isso pode, isto não pode.

Numa Antiga Aliança, Deus havia dado leis que procuravam corrigir o homem, discipliná-lo, fazê-lo ter uma convivência social saudável. Essas leis falharam, não por culpa da Lei (que é perfeita, boa), mas porque: "...pela Lei vem o pleno conhecimento do pecado". (Romanos 3.20). A lei e as regras de conduta buscam moldar o homem exterior. As sementes que Jesus semeava, uma vez geminadas, mudariam o homem interior para sempre.

Jamais houve alguém que desejasse transformar mais o mundo do que Jesus, porém, ele não usou de qualquer tipo de violência e pressão para isso. Ele preferiu utilizar a sabedoria e o amor ao invés da força e do poder. Seu objetivo era atingir o interior do ser humano e inspirar desejo de mudança, criatividade e a capacidade de pensar em coisas eternas; era plantar boas sementes no coração de seus discípulos para que estes o compreendessem e o amassem a ponto de darem suas vidas por Ele.

Esta tarefa, entretanto, era gigantesca, pois, assim como nós, eles tinham uma natureza bastante corrompida por causa do pecado. Assim como eles, somos imperfeitos e superficiais. Jesus sabe que nossa natureza não muda da noite para o dia, mas Ele é persistente. Este é o Senhor a quem nós adoramos e servimos!

Alguns homens, envolvidos pelas palavras de Jesus, deixaram tudo para trás para segui-lo, mas suas obras e atitudes os confundiam. Muitos pensaram que ele era um grande estadista, alguém capaz de reunir um grande exército, alguém cujo mundo se inclinaria diante de seu poder. Não poucos se decepcionaram com sua humildade e com a simplicidade de suas ações, pois mesmo sendo grande, ele parava para atender aos mais sofridos e desprezados daquela sociedade: atendia aos pedidos dos leprosos, cegos e aleijados e até advogava a favor de prostitutas e mulheres de má fama. Quando o povo queria aclamá-lo rei, ele se retirou para assumir o papel de um humilde servo. Era impossível ficar indiferente à pessoa de Jesus! Seus discípulos não compreendiam exatamente a quem seguiam e ficavam profundamente admirados com seus gestos; seus inimigos, extremamente irados, não sabiam quem perseguiam. No entanto, uma coisa não podiam negar: Ele tinha o poder de alcançar com sua mensagem o mais íntimo do coração humano. De forma bastante econômica e precisa no falar, Jesus conseguia tratar em uma parábola o que precisaria de um livro para ser explicado.

Certa vez, Jesus contou uma parábola:
- Eis que o semeador saiu a semear*...
Explicou: - O semeador é o que semeia a palavra**...
E advertiu: - Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!*

Portanto, comece prestar mais atenção às Palavras de Jesus.

(*Mateus 13.3,9; **Marcos 4.14)

terça-feira, junho 29, 2010

Charles Spurgeon: Sobre a Mulher do Pastor

Dois anos antes da morte de Spurgeon, ele escreveu:

Se eu fosse uma jovem, e estivesse pensando em casar-me, certamente não me casaria com um ministro da Palavra, porque a posição de esposa de ministro é muito difícil para qualquer mulher. As igrejas não pagam dois salários aos pastores casados, um para o marido e outro para sua esposa; mas, em muitos casos, também procuram pelos serviços da esposa, quer estejam pagando por isso ou não. Também é esperado que a esposa de um pastor saiba tudo sobre a igreja, e, olhando por outro prisma, não é obrigação dela saber; no entanto, para algumas pessoas, ela é sempre culpada, tanto por saber tudo ou por nada saber a respeito da igreja. Suas obrigações resumem-se a estar sempre em casa para atender a seu marido e sua família, e estar sempre fora de casa, visitando os membros da igreja, ou fazendo toda sorte de coisas por eles! Bem, é claro que isto é impossível; ela não pode estar à disposição de todos, e nem espera-se que ela agrade a todos. Seu marido não conseguiria fazer isto, e eu penso que ele seria um grande tolo, caso o tentasse; também estou convencido de que, se o marido não pode agradar a todos, muito menos o pode sua esposa. Certamente sempre haverá descontente, especialmente se este alguém tinha esperanças de se tornar esposa de pastor. Dificuldades surgem continuamente até mesmo nas melhores igrejas; e, como disse antes, a posição da esposa do pastor é sempre muito difícil.

No entanto, penso que se eu fosse uma jovem cristã, me casaria com um pastor cristão, caso eu conseguisse, porque existiria aí uma oporunidade de realizar tantas boas obras, ao auxiliá-lo em seu serviço para Cristo. É uma grande ajuda para a causa de Deus manter o pastor em boas condições para o trabalho. É função da esposa cuidar para que ele não esteja desconfortável em casa, a fim de que tudo lá esteja bem e livre de preocupações da pregação. A mulher cristã que desta forma ajuda seu marido a pregar melhor, é ela mesma uma pregadora da Palavra, ainda que nunca fale em público, tornando-se então extremamente útil para a igreja de Cristo, comprometida com o trabalho de seu marido.


Fonte:
Amado Timóteo, ed. Fiel, pp.24,25. Compilado por Thomas Ascol.
Citação de Spurgeon's Sermons Preached on Unusual Occasions, Pilgrins Publications, 1978, 248.

segunda-feira, junho 28, 2010

Ed Cole: Desejo e Oração

Wishing will never be a substitute for prayer.

(Tradução)  O desejo nunca será substituto pela oração.


-- Ed Cole

A Bíblia Permite Divórcio em Caso de Adultério?

Por John Piper

Excelente vídeo sobre o assunto de divórcio e recasamento.

Veja no novo site: www.todahelohim.com


Para aqueles que se interessarem mais sobre o assunto, veja o artigo Divórcio e Novo Casamento: Uma Declaração (clique), também por John Piper.

sexta-feira, junho 18, 2010

A Importância dos Missionários de Base

por Reinaldo Bui

Neste momento, em algum lugar do nosso país (para não estender este apelo a outras nações), há um crente frustrado em seu trabalho. Este irmão ou irmã é apaixonado por missões, seu coração ferve sempre que ouve uma mensagem desafiadora para “ir pelo mundo” aos povos que ainda não ouviram o Evangelho para pregar a mensagem de salvação. Mas ele vive num impasse. Seu paradigma de missionário é o mesmo da igreja em geral: aquele intrépido e desprendido ser que largou tudo e todos para se enfiar no meio de uma mata longínqua, a fim de viver sem um mínimo de conforto, disposto a se habituar à culinária nada convencional do povo que ele escolheu, só para levar as Boas Novas de Cristo.

Sua frustração só aumenta. Quanto mais este irmão ou irmã busca aconselhamento com seus pastores, mais distante suas esperanças ficam do “campo missionário”. Seu perfil é de alguém que adora rotina e desenrola muito bem o serviço burocrático. Talvez ele trabalhe numa empresa de telecomunicações, talvez ela seja uma secretária eficiente. Ou então este irmão/irmã seja um advogado, ou algum profissional da área administrativa, ou sei lá. Pode ser qualquer coisa, mas nunca conseguiu se imaginar comendo turu e morando numa maloca por amor às almas perdidas. Não que este sentimento não lhe incomode, mas por ser urbano demais, não conseguiria chegar tão longe. Por isto, cala-se, frustrado. Não consegue imaginar em que poderia ser útil para a proclamação do Reino. Ah, sim. Ele/ela é ativo em sua igreja. Mas quem tem o coração em missões está sempre com a cabeça lá longe.


Talvez alguns o questionem sobre a autenticidade do seu “chamado”, e este é outro paradigma que precisa ser quebrado. Chamado missionário não é algo místico. Se você está esperando uma revelação por sonho ou alguma visão extática, esqueça. Olhe para a Palavra (que vale muito mais do que qualquer visão). Atente, por exemplo a textos como:

...sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra (Atos 1.8).

...Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. (Marcos 16.15).


Este chamado, não é para poucos. Esta convocação é para todos os crentes. A questão é se você vai obedecer ou não... E aonde você vai cumprir esta comissão.

Voltemos ao nosso irmão frustrado. Ele tem convicção da importância desta santa convocação e perturba-se profundamente com isto. Para complicar ainda mais, seu teste de dons não apontou para evangelismo, ou ensino, nem para apostolado. Como era de se esperar, ele/ela é apto para administrar ou presidir. Desconsolado, chora: "continuarei orando por missões..."

Neste momento, em algum lugar do nosso país há um crente apaixonado por missões, mas frustrado porque o velho paradigma o impede de ir; e neste mesmo momento, em alguma base missionária, há um missionário que está louco para ir embora pro meio do mato, comer turu com o povo local e morar numa maloca, a fim de desenvolver seu dom de compartilhar o Evangelho de maneira contextualizada... Mas não pode porque alguém tem que fazer o serviço burocrático e rotineiro na base da missão. Ele ora: "Senhor, mande alguém prá fazer este serviço porque senão eu vou ficar louco com esta papelada aqui!"

Somente quem desconhece quantos dons e habilidades diferentes são necessários para se compor uma equipe missionária ignora que “missionários de base” são tão importantes quanto os “missionários de campo.”

terça-feira, junho 01, 2010

Um Breve Estudo Sobre o Significado de "Amar o Próximo Como..." (Mc 12.30-31)

Amar o próximo como...
por Reinaldo Bui 

Recentemente participei de uma aula de escola dominical numa determinada igreja, cuja aula era guiada por uma revista que, segundo o título, nos propõe uma nova vida em Cristo. Muito me preocupou o que estava sendo ensinado àquela igreja - e sei lá quantas mais, aos crentes desejosos de uma nova vida, quando foi lido, por exemplo, o seguinte texto na referida revista:

Amarás, pois, ao Senhor teu Deus... Amarás ao próximo como a ti mesmo... (Mc 12.30-31). Na EBD foi dito que Jesus estava ressaltando uma verdade incontestável: não basta amar a Deus e ao próximo, é preciso amar a si mesmo. Esta prática do amor tríplice ajuda você a ter menos problemas físicos e emocionais, como comprova a ciência. O princípio supremo dado por Jesus é para o nosso bem estar. Este ensino me levou a algumas perguntas:
  • Será que aumentar nossa auto estima refletirá num aumento substancial de preocupação ao bem estar alheio?
  • Quanto mais eu me amar mais amarei o próximo?
  • Amor próprio é um mandamento?
  • Será que assim Deus não estaria nos incentivando a intensificar atenção e gastos com nossa própria pessoa antes de pensar no próximo?
  • Será que naturalmente já não fazemos isto?
Esta expressão amar o próximo como a ti mesmo aparece 8 vezes na Bíblia, e foi citada pela primeira vez em Levítico 19.18. Neste contexto, Deus estava dando uma série de instruções para Seu povo no que diz respeito ao relacionamento e tratamento para com o próximo (cf. Lv 19.9-18). Deus não estava sugerindo, em hipótese alguma, que seu povo desenvolvesse um mecanismo de “auto amabilidade” para poder amar o próximo de uma maneira melhor. Não! Deus sabe que somos egoístas por natureza. A ideia expressa aqui pelo Senhor é melhor interpretada como “Ame o próximo como você se ama.”

Não há nenhum texto bíblico que mande ou sugere que nós nos amemos. Isto já é inerente à nossa natureza. Amar-se a si mesmo é próprio da natureza humana. Note o que Paulo escreveu aos Efésios (5.28-29).

Assim também os maridos devem amar a sua mulher como ao próprio corpo. Quem ama a esposa a si mesmo se ama. Porque ninguém jamais odiou a própria carne;
antes, a alimenta e dela cuida...

Maridos devem amar suas esposas como se amam, assim como devemos amar o próximo como nos amamos, cuidamos de nós, visto que sabemos o que é melhor para o nosso eu.

Vemos este mesmo princípio na chamada “regra áurea”: tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a Lei e os Profetas (Mateus 7:12).


Repetições no NT
Neste mesmo espírito, Jesus citou Levítico 19.18 em 2 ocasiões:

Uma delas aconteceu quando um jovem rico o abordou querendo saber o que poderia fazer (esforço próprio) para ganhar a vida eterna (Mt 19.16-22). Entre as “observações” que Jesus considerou, constava “ame o próximo como a ti mesmo”. Vemos no desfecho desta história que, embora o jovem afirmasse que cumpria isto, ele de fato não amava o próximo como se amava.

A segunda, foi quando um intérprete da Lei questionou Jesus sobre qual era o maior mandamento. Respondeu Jesus: O principal é: Ouve, ó Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor! Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força. O segundo é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes (Mc 12.28-31).

Lucas Também cita Levítico 19.18 numa situação semelhante a esta, porém Jesus fez com que o escriba respondesse sua própria pergunta (Lucas 10.27). É neste contexto que Jesus ensina a seus ouvintes quem é o nosso próximo, contando-lhes a parábola do samaritano – um personagem extremamente degradante aos olhos de um judeu daquela época. Ame o próximo como este samaritano fez e ame o próximo como você se ama, mesmo que seja um samaritano... você consegue?

Além dos sinóticos, Paulo (2 vezes) e Tiago (uma vez) citam este mandamento enfatizando-o como sendo um resumo (essência) da Lei.


Referencial: “EU”
Ao mesmo tempo que o referencial deste mandamento da Lei para amar o próximo baseia-se no quanto nós nos amamos, ele também constitui um problema, pois é verdade que ânimos variam de pessoa para pessoa (assim como pode variar em uma única pessoa). Vejamos aqui os dois extremos de “amor próprio”:

Como devo amar o próximo se tenho...
  • Baixa auto estima
  • Auto estima elevada
Um é infeliz porque não é exatamente quem gostaria de ser ou não tem tudo aquilo que desejaria ter. Isto gera complexos e frustrações. Pessoas assim vivem amarguradas, tem raiva de Deus e da vida. Apresentam problemas de baixa estima, depressão, auto comiseração, etc.

No entanto, o problema desta pessoa não é falta de amor próprio, ela simplesmente acha injusto que os outros sejam mais felizes e realizados do que ela. Insisto que não é falta de amor próprio, mas sim falta de compreender o amor de Deus somado a uma superproteção do seu “ego”. De qualquer forma, esta pessoa sente muita dificuldade de amar o próximo (como a si mesma) porque ela necessita de toda atenção para si. Ela é extremamente carente, só se deixa demover por meio de lisonjas e elogios, e jamais reconhece qualidades nos outros.

No outro extremo, temos aquela pessoa que se ama tanto que é apática com tudo e com todos que de alguma forma não lhe favoreça. Supervaloriza-se tanto que não consegue olhar para as necessidades alheias. É indiferente com Deus, porque não se atenta à Sua Palavra. Normalmente vê Deus como alguém que está aí para servir seus desejos e garantir-lhe vitória em tudo o que fizer. Sua auto estima é super elevada e acredita que é assim porque merece. Sente-se linda e poderosa e não percebe o quanto é pecadora.

Responda sinceramente:
  • Uma pessoa que se ama tanto assim consegue amar o próximo de uma forma melhor?
  • E a pessoa do primeiro caso? Note que ambas são egocêntricas.
Portanto, quando Jesus citou “amarás o próximo como a ti mesmo” não estava ensinando amor próprio nesta passagem. Não estava ensinando a verdade incontestável que devemos primeiro nos amar para poder amar os outros.

Em 2 Timóteo 3.2 temos a única aparição da palavra egoísta (do grego philautos) na Bíblia, que significa aquele que ama a si mesmo; bem atento aos próprios interesses. Aliás, é bastante oportuno verificarmos algumas das definições que o dicionário Houais traz desta mesma palavra:
1-amor exagerado aos próprios valores e interesses a despeito dos de outrem;
2-exclusivismo que leva uma pessoa a se tomar como referência a tudo; excessiva vaidade, pretensão, orgulho, presunção;
3-atitude ética ou social que parte do princípio de que o móvel fundamental de todo pensamento ou ação (morais) é a defesa dos próprios interesses;
4-interesse que o ego tem por si próprio.

Sejamos sinceros: somos egoístas ou não?
Releia estas definições com a “guarda abaixada”, em tom de confissão.

Medite nas seguintes questões:
  • Quanto tempo e recursos você investe para cuidar de si mesmo e de seus interesses? Você gasta o mesmo em prol de outrem? Está disposto a gastar?
  • Se você ganhasse um prêmio substancial em dinheiro, gastaria com o que e para quem? Repartiria com alguém necessitado que não fosse seu familiar?
  • Temos algum valor? Esta pergunta eu respondo: sim! Tanto que Deus enviou seu único filho ao mundo para nos resgatar. Pagou um altíssimo preço. Morreu em nosso lugar, para que nós tivéssemos vida e vida em abundância. Deus nos ama e nos adotou como filhos, nos fazendo co-herdeiros com Jesus.
Não estamos defendendo que a pessoa não deva cuidar de si: de sua saúde física, emocional, intelectual e, principalmente, espiritual. Mas não podemos puxar para nós honra ou valor maior do que Deus nos outorgou. Se somos o que nos tornamos é porque Ele nos transformou. Sem Deus, não passamos de miseráveis pecadores!

Veja o que o salmista escreve em Salmos 8.3-5:

Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste, que é o homem, que dele te lembres e o filho do homem, que o visites? Fizeste-o, no entanto, por um pouco, menor do que Deus e de glória e de honra o coroaste.

Primeiro, o salmista reconhece nossa insignificância e pequenez diante da grandeza do universo (obra dos dedos de Deus), e em seguida admira-se com o cuidado de Deus por seres tão pequenos como nós. Se buscarmos nossa própria glória, deixamos de honrar o nosso criador exaltando o nosso ego; mas quando reconhecemos e aceitamos a posição que o Senhor nos colocou, então glorificamos o Seu Nome.

Agape ou philautos?
Ao invés de incentivar o amor próprio, Jesus convida aqueles que querem segui-lo (cristãos) a negarem-se a si mesmo, tomarem sua cruz e segui-lo.

Aqui o amor próprio começa entrar em conflito com o amor agape. Se agape é um amor incondicional não pode estar se referindo a mim mesmo, mas ao próximo. Precisamos entender que agape é altruísta, enquanto que philautos é egoísta. Se amor próprio não pode ser agape, então é um amor “egocentrado.”

Em 1 Coríntios 13, o apóstolo Paulo escreve, inspirado pelo Espírito Santo, a melhor definição de amor (agape) que conhecemos. Analise esta passagem cuidadosamente:

O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal;
não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba...

Certamente este hino não descreve, e nem nele cabe o amor próprio (philautos). Somente o amor ao próximo (agape).

Novo mandamento
Em João 13, no contexto da última ceia, Jesus muda radicalmente o referencial de amor ao próximo quando diz a seus discípulos: Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros (João 13.34-35).

O referencial da antiga aliança de amor ao próximo, assim como todo cumprimento da Lei, dependia do que eu poderia produzir; dependia de meus próprios esforços. Nesta nova aliança anunciada e inaugurada pelo Senhor Jesus, o referencial não se baseia mais em nossa frágil e egoísta natureza humana, mas no Seu amor.

1 João 4:19 nos ensina que nós amamos porque ele nos amou primeiro, e não porque me amo. Devemos amar como Ele nos amou: Servindo, perdoando, incondicionalmente.

A velha Lei dizia: Ame o próximo do jeito que você se ama. E agora? O que a graça, diz? Amar ao próximo: como você se ama ou como Cristo nos amou? Qual deve ser o nosso referencial? Insistir no amor próprio é negar que Cristo é o nosso referencial.

Mas se amar o próximo como nós nos amamos já é difícil, e quanto amar como Cristo nos amou? Novamente, se depender de nós, é impossível. Por isso Deus nos deu o Seu Espírito. Conforme permitimos, veremos o fruto deste Espírito crescendo em nós, abrochando amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio.

Não preciso recorrer para a ciência para saber que pessoas que amam a Deus e ao próximo tem menos problemas físicos e emocionais. Antes da ciência comprovar, a Bíblia já afirmava isto com autoridade e quer que esta seja uma realidade em sua vida!
E quanto ao amor próprio? Bem, sabemos que a pessoa que é amada se sente valorizada. Daí cabe a seguinte pergunto: Você crê que Jesus te ama? Então espalhe este amor pelo mundo. Ame ao próximo como Ele te ama. (Para uma compreensão melhor deste assunto, leia a Primeira Epístola do Apóstolo João.)

domingo, maio 30, 2010

Debate: o Crente e o Divórcio (Vídeos)

Veja o debate de Carlos Bregantim, pastor da Comunidade Caminho da Graça, cujo líder é Caio Fábio, e Carlos Osvaldo Pinto, reitor do Seminário Bíblico Palavra da Vida.

Tema: O Crente e o Divórcio
Fonte: Ogalileo

1. O Crente e o Divórcio



2.O Novo Casamento



3.O Divórcio na Igreja



4.Pastores Divorciados

quinta-feira, maio 27, 2010

...Comece Por Mim.

Lord revive Your church and begin with me.

(Tradução) SENHOR, reaviva Sua igreja e comece por mim.

--Um Chinês Cristão

sexta-feira, maio 21, 2010

Exposição de Gálatas: Gl 1.6-10 - Implicações de Um Outro Evangelho

Gálatas 1.6-10
Implicações de um outro evangelho


INTRODUÇÃO
Porventura, procuro eu, agora, o favor dos homens ou o de Deus? Ou procuro agradar a homens? Se agradasse ainda a homens, não seria servo de Cristo (v.10)

  • Nesta carta não há um agradecimento, louvor ou oração, que comumente aparecem no início epístolas paulinas;
  • Paulo age com uma dureza incomum;
  • Ele não estava preocupado em agradar às pessoas.

Ó gálatas insensatos! Quem vos fascinou a vós outros, ante cujos olhos foi Jesus Cristo exposto como crucificado? 3.1

  • Eles não estavam sendo capazes de discernir o evangelho que lhes fora pregado inicialmente e de distinguí-lo das falsidades que ouviam.
  • Por conta de estarem tão enfeitiçados e abandonando a verdadeira fé é que o apóstolo toma esta atitude intolerante e radical.
  • O que é o Evangelho? Consiste na boa notícia dada à humanidade condenada eternamente à separação de Deus, de que Jesus morreu condenado por decisão divina, substituindo-a suficientemente no recebimento da justa penalidade pelos pecados, cabendo aos homens unicamente crer para desfrutar eficazmente da salvação:
  1. Todos passam por um período, na vida, sem Deus, que pode ser tanto marcado por opressão e promiscuidade, como por religiosidade sem fé;
  2. Crer é algo baseado em conhecimento e revelação de Deus;
  3. Ninguém nasce com fé ou com o conhecimento da revelação divina
  4. No momento em que o evangelho é pregado e uma pessoa aceita e crê em Deus, ocorre o que as Escrituras chamam de novo nascimento. Após esse novo nascimento, a pessoa inicia sua vida cristã, aprendendo a caminhar no seu dia a dia de acordo com as Escrituras.
  5. Por fim, há a experiência final, de viver no estado eterno com Deus.
A passagem de uma vida de trevas para uma nova vida com Cristo é algo obtido puramente por graça, sem qualquer mérito nosso. A vida cristã exige, de fato, obediência. Entretanto, essa obediência não é um requisito para o acesso a Deus.

1- ALTERAÇÃO DO EVANGELHO IMPLICA EM MUDANÇA TOTAL

O foco do evangelho tem que ser sempre a boa notícia de que o sacrifício de Jesus na cruz foi suficiente para nos salvar e para nos oferecer um acesso a Deus: pois vocês são salvos pela graça.
  • A palavra graça tem algumas variações no seu sentido, mas nunca se esqueça da seguinte definição: graça é favor imerecido.
  • Alguns homens da Galácia, judaizantes, estavam acrescentando valores à graça de Deus. Eles são vistos, por exemplo, em At 15.1:
Alguns homens desceram da Judéia para Antioquia e passaram a ensinar aos irmãos: Se vocês não forem circuncidados conforme o costume ensinado por Moisés, não poderão ser salvos.
  • Eles estavam pregando que, além de crer em Cristo, era necessário ser circuncidado e obedecer a Lei.
  • Os versículos 6 e 7 mostram (ARA):
Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo.
  • Esses dois “outros”, na língua grega, são palavras diferentes. A primeira palavra é eteron e significa de uma outra espécie; a segunda é allo e significa da mesma espécie.
  • O apóstolo está dizendo que o que eles estão ouvindo não é da mesma espécie do verdadeiro evangelho. Uma simples alteração como aquela comprometia a totalidade do evangelho.

Soubemos que alguns saíram de nosso meio, sem nossa autorização, e os perturbaram, transtornando a mente de vocês com o que disseram (At 15.24).

  • Aquelas pessoas estavam transtornando e perturbando o evangelho.
  • Por mais sadio e conservador que pareça, acréscimos à graça divina servem apenas para perverter o evangelho.

O acréscimo de qualquer contribuição humana à fé, por menor que seja, descaracteriza por completo o evangelho da graça.

2- ALTERAÇÃO NO EVANGELHO IMPLICA EM DEIXAR A DEUS
  • Atualmente, a tolerância é um valor extremamente defendido na sociedade. Nós, como cristãos, não podemos ser tolerantes para com tudo.
  • Pelo que lemos, Paulo não era alguém muito tolerante, assim como nós hoje não podemos ser.
  • Aceitar ensinamentos parecidos como iguais pode trazer danos irreparáveis.
Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho (v.6).
  • Quando aquelas pessoas acrescentaram coisas ao evangelho, elas não deixaram o ensino de um apóstolo, mas deixaram a Deus.
  • Se nos deixarmos levar por ensinamentos falsos, isso comprometerá nossa caminhada com o Senhor.
  • É preciso compreender também que o acesso à salvação é absolutamente por graça incondicional e exclusivamente pela fé, porém, ter um relacionamento e provar de bênçãos específicas são condicionais.
Os três tipos de bênçãos:
  1. Existem as bênçãos incondicionais, que o Senhor nos dá a todos, independentemente de merecermos ou não.
  2. Um segundo tipo de benção é a salvação. É incondicional, pois Jesus morreu para todos nós, porém, para desfrutar dessa benção é necessário ter fé.
  3. A comunhão. Entretanto, a comunhão está condicionada à obediência e ao conhecimento das Escrituras para andar nos caminhos propostos por Deus.

  • Se a sua vida estiver sendo dirigida por uma doutrina errada, isso não afetará sua fé, mas trará conseqüências na qualidade de vida que Deus tem para você.
Não é possível crer equivocadamente com resultados positivos, pois qualquer alteração no evangelho o põe de cabeça para baixo e isso implica em deixar a Deus.

3- ALTERAÇÃO NO EVANGELHO IMPLICA EM MALDIÇÃO DE DEUS

  • A maldição:
Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema. Assim, como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema (vv. 8-9).

  • A preocupação do apóstolo não era com ganhos ou perdas pessoais, tanto que no versículo 8 ele diz “nós”, incluindo-se no grupo de pessoas que podem ser amaldiçoadas.
  • A mudança do conceito do evangelho compromete a vida de qualquer pessoa, sendo, portanto, um conceito universal.
  • A ideia de que nós seremos considerados justos por causa da lei torna a morte de Cristo uma ação vã, daí a exaltação de Paulo.
  • Por fim, o apóstolo sabia que, como conseqüência desses ensinamentos falsos, a caminhada cristã daqueles irmãos comprometer-se-ia.
E imediatamente o pai do menino exclamou com lágrimas: Eu creio! Ajuda-me na minha falta de fé! (Mc 9.24)

  • Por essas palavras, compreendemos que Paulo estava agindo coerentemente com a vontade do Senhor Jesus, e não tendo uma atitude radical.
  • Por vezes nós temos a ideia de que Jesus era uma pessoa extremamente mansa, incapaz de contestar ou de criticar aqueles que não estavam agindo corretamente. Isto é um pensamento totalmente equivocado (cf. Mt 10.34-37).
  • A mensagem de salvação exclusivamente por graça é uma mensagem que, até hoje, traz adversidade.
  • Jesus não tem a proposição contemporânea do politicamente correto ou de total tolerância, assim como Paulo não a tinha e como também nós não a devemos ter (cf. 2Jo 1.10-11).
  • Clamar por maldição não era fruto de uma exaltação momentânea ou de um sentimento de perda pessoal. Era fruto sim da consciência de que aqueles falsos mestres estavam corrompendo o evangelho de Cristo e trazendo prejuízo à vida dos cristãos.

A gravidade de comprometer uma mensagem tão estratégica é levar pessoas a crerem num suposto evangelho, que parece ser sério, mas, no fundo, é uma mentira. Isso implica em maldição.

CONCLUSÃO: UM SÓ EVANGELHO
  • Existe apenas um evangelho e um meio de se alcançar a Deus.
  • A ação da graça de Deus é suficiente e exclusiva.
  • Nos nossos dias, dentro de igrejas evangélicas, muitas vezes ouço mensagens que afirmam ser necessário crer, mas também realizar outros feitos; em igrejas católicas é pregado que é necessário crer, mas também cumprir inúmeras ordenanças; num contexto espírita dizem que é necessário crer, mas também se aperfeiçoar através das boas obras. Não se deixe enganar.
  • Todos nós, pecadores, precisamos simplesmente crer nessa obra maravilhosa de Deus, suficiente e eficiente, para desfrutarmos de uma vida com Deus.
Ouça a pregação (clique).

terça-feira, maio 04, 2010

A Igreja Brasileira e o Antigo Testamento

Por Luiz Sayão
Fonte: Blog Fiel

A igreja evangélica brasileira é uma das mais dinâmicas e criativas do mundo. Por essa razão seu crescimento tem sido extraordinário. Todavia, uma igreja jovem e efervescente tem dificuldades de doutrinar e discipular seus novos membros. Essa é uma realidade na igreja brasileira.

É notório que o uso do Antigo Testamento na prática e na liturgia eclesiástica brasileira tem crescido de maneira substancial. Principal no contexto do louvor e da adoração a ênfase véterotestamentária é mais do que expressiva. E como percebeu Lutero, a teologia de uma igreja está em seus hinos. Afinal, o que está acontecendo? Para onde estamos indo?

Em primeiro lugar, é preciso ressaltar que o Antigo Testamento representa um fascínio para o povo brasileiro. É repleto de histórias concretas, circunscritas na vida real do povo, no cotidiano de gente comum. É muito mais fácil emocionar-se com uma narrativa como a de Jonas ou de Davi do que acompanhar o argumento de Paulo em vários textos de Romanos.

Além disso, o povo brasileiro tem pouca história e raízes muito recentes. O Antigo Testamento, com a rica história do povo de Israel, traz uma espécie de identificação com o povo de nosso país. Talvez isso explique porque tantos brasileiros evangélicos queiram ou procurem ser mais judeus.

Em terceiro lugar, devemos considerar a realidade de que a igreja evangélica brasileira quase não tem símbolos ou expressão artística. A maioria dos símbolos cristãos históricos (catedrais, cruzes, etc.) tem identificação católica na realidade nacional. Assim, os evangélicos buscam símbolos para expressar sua fé, e acabam geralmente escolhendo símbolos judaicos ou véterotestamentários (menorá, estrela de Davi, e etc.).

Este encontro brasileiro-judaico tem muitas facetas positivas: retomamos uma alegria comemorativa da fé, trazemos a verdade espiritual para a realidade concreta, dificilmente teremos uma igreja anti-semita, enxergamos necessidades sociais e políticas pela força do Antigo Testamento. Todavia, também estamos andando em terreno perigoso e delicado. Algumas considerações são importantes para que a igreja brasileira não perca o rumo por problemas de ordem hermenêutica. Aqui vão algumas sugestões:

1. Nem todo texto bíblico do Antigo Testamento pode ser visto como normativo
A descrição da vida de um servo de Deus do Antigo Testamento não é padrão para nós sempre. Quando Abraão mente em Gênesis, a descrição do fato não o torna uma norma. A poligamia de Salomão, a mentira das parteiras no Egito e o adultério de Davi não podem servir de desculpas para os nossos pecados.

2. Não podemos cantar todo e qualquer texto do Antigo Testamento
É preciso observar quem está falando no texto bíblico. Sem observarmos quem fala, tiraremos conclusões enganosas. Isso é fundamental para se entender o livro de Eclesiastes. No caso de Jó 1.9-10, por exemplo, temos registradas as palavras de Satanás. Isto é fato até no caso do Novo Testamento (cf. Jo 8.48).

3. Devemos ensinar que muito da teologia do Antigo Testamento foi superada pelo Novo Testamento
Jesus deixou claro que estava trazendo uma mensagem complementar e superior em relação à antiga aliança. Se não entendermos isto, voltaremos ao legalismo farisaico tão questionado por nosso Senhor. Textos como Números 15.32-36 revelam um exemplo daquilo que não tem mais valor na prática da nova aliança. Todos os elementos cerimoniais da lei não podem mais fazer parte da vida da igreja cristã, pois apontavam para a realidade superior, que se cumpre em Cristo (Cl 2.16-18). Sábados, festas judaicas, dias sagrados, sacrifícios e outros elementos cerimoniais não fazem parte da prática cristã neo-testamentária.

4. Antes de pregar ou cantar um texto do Antigo Testamento é preciso entendê-lo
Nem sempre é fácil entender um texto do Antigo Testamento. Muitos textos precisam ser bem estudados, compreendidos em seu contexto e em sua limitação circunstancial e teológica. Veja por exemplo o potencial destruidor do mau uso de um texto como o Salmo 137.9. Se o intérprete não entender que o texto fala da justiça retributiva divina dada aos babilônios imperialistas, as crianças da igreja correrão sério perigo!

5. Devemos ensinar que vingança e guerra não são valores cristãos
Jesus ordenou que devemos amar até mesmo aqueles que nos odeiam. A justiça imprecatória não faz parte da teologia do Novo Testamento. Há vários salmos que dizem isso, mas tal realidade compreende-se no contexto do Antigo Testamento e não pode ser praticada na igreja cristã. Não podemos cantar “persegui os inimigos e os alcancei, persegui-os e os atravessei” (Sl 18.37.38), quando o Senhor Jesus ordena que devemos perdoar e amar os nossos inimigos (Mt 5.44-45). Hoje já existe até gente “amaldiçoando” outros em nome de Jesus! Teremos o surgimento de uma “violência cristã”?

6. Enfatizemos a verdade de que a adoração do Novo Testamento é superior
O Novo Testamento nos ensina que a adoração legítima independe de lugar, de monte, de cidade e de outros elementos materiais (Jo 4). Jesus insiste em afirmar que Deus procura quem “o adore em Espírito e em verdade”. A tradição evangélica sempre louvou a Deus por seus atos e atributos. Atualmente estamos cada vez mais enfatizando “o monte santo”, “a cidade sagrada”, “a casa de Deus”, “a sala do trono”. Nós somos o “templo de Deus”. Os elementos materiais pouco importam na adoração genuína. É preciso retomar o caminho correto.

7. Devemos ensinar que ser judeu não torna ninguém melhor do que os outros
Alguns evangélicos entendem que “ser judeu” ou “judaizado” os torna de alguma forma “espiritualmente melhor”. O rei Manassés, Anás e Caifás eram judeus! Já há quem expulse demônios em hebraico! Em Cristo, judeus e gentios são iguais perante Deus. Na verdade “não há judeu nem grego” (Gl 3.28) na nova aliança. A igreja cristã já pecou por seu anti-semitismo do passado. Será que irá pecar agora por tornar-se judaizante? Devemos amar judeus e gentios de igual modo. Além disso, podemos e devemos ser cristãos brasileiros. Não precisamos nos tornar judeus para ter um melhor “pedigree” espiritual.

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